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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Novo presidente da Comlurb promete aumentar reciclagem



‘Pretendemos levar a coleta seletiva a todos os 160 bairros’, diz Vinicius Roriz


Levar a coleta do lixo reciclável a todos os 160 bairros da cidade — hoje são apenas 42 — e melhorar a limpeza de favelas são as principais metas do novo presidente da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb), o economista Carlos Vinicius de Sá Roriz. Aos 43 anos, este morador da Barra assume pela primeira vez um cargo da administração pública. De 1994 a 2006, atuou em várias funções na Ambev. Depois, abriu uma empresa de consultoria de gestão e, mais recentemente, foi contratado pela EBX, de Eike Batista. Filho e irmão de jornalistas, Roriz admite ainda estar tomando ciência do novo desafio, mas promete fazer uma gestão marcada pela austeridade e pela criatividade na execução de um orçamento de R$ 1,24 bilhão para 2013, o quinto maior da prefeitura do Rio.

Como surgiu o convite para assumir a Comlurb?

O Rio tem um conselho que reúne empresários e personalidades, como o Beto Sicupira, acionista da Ambev, e o Paulo Ferraz (do Grupo Bozano). Ambos têm ligações comigo. Então eu tive uma série de conversas com essas pessoas, e assim surgiu o desafio. Colaborar para dar um salto de qualidade na empresa é algo que me motiva muito.

Depois de anos na ponta da distribuição de bebidas, o senhor agora vai atuar no lado oposto, do recolhimento desse material...

É muito interessante, porque a mecânica é a mesma. Numa indústria de bebidas, temos as fábricas, um centro de distribuição e, depois, os pontos de venda. Na Comlurb, fazemos exatamente o caminho inverso.

Que Comlurb o senhor encontrou?

Fiquei muito bem impressionado. A Comlurb tem uma história de boas gestões. Hoje eu vejo a empresa com oportunidade de ganhar eficiência. Ainda no primeiro semestre, vamos licitar a contratação de uma empresa para fazer o planejamento estratégico para os próximos anos, com metas. Na Ambev, a gente costumava dizer que custo é que nem unha: tem que cortar todo dia. A missão é realocar recursos para uma melhor prestação de serviços. Com certeza dá para enxugar, com revisão dos processos administrativos e operacionais. Vamos melhorar o atendimento nas favelas. Hoje o recurso que aplicamos para fazer a coleta tem uma lacuna de eficiência. Nós seguimos uma roteirização dos caminhões baseada num estudo de 20 anos que precisa ser atualizado. É preciso pensar fora da caixa. A Envac, que fez o sistema de transporte de lixo por dutos subterrâneos de Barcelona, acredita que existe a possibilidade de fazer isso numa comunidade do Rio. Temos que buscar novas soluções para atender a um problema complexo. Portugal e Espanha são boas referências.

A coleta seletiva da Comlurb recolhe somente 0,27% do lixo gerado diariamente. No entanto, a Política Nacional de Resíduos Sólidos estabelece prazo máximo até agosto de 2014 para que as cidades só joguem em aterros o que não for possível reciclar. O Rio vai cumprir a meta?

Vamos empenhar todos os esforços. A prefeitura se comprometeu a ampliar para 25% a coleta do lixo potencialmente reciclável até 2016 (algo como 288 toneladas, ou 3,5% de todo o lixo gerado na cidade diariamente). É um megadesafio, já que hoje nossa coleta seletiva chega a 25 toneladas/dia. Algumas iniciativas serão continuadas, como o convênio com o BNDES para a construção de seis galpões de reciclagem. Um já está pronto, o de Irajá. Precisamos manter o investimento na coleta seletiva. Hoje nós cobrimos 42 bairros (parcialmente) e, até o final de 2016, pretendemos levar a coleta seletiva para todos os 160 bairros cariocas.

Na Europa, cada embalagem tem os custos de reciclagem bancados pela empresa que colocou o produto no mercado. Dá para avançar no Brasil?

Sem dúvida. A iniciativa privada tem nos procurado para estabelecer parcerias. Isso já está em discussão.

A Comlurb hoje pode multar o cidadão que joga lixo na rua? Por que não retomar campanhas como a do Sujismundo, dos anos 70?

Não temos mecanismos para multar com eficiência. Em alguns países, quem joga papel no chão paga multa na hora. Aqui, a multa aplicada não tem consequência efetiva. Vamos discutir mudanças na legislação. Sobre a educação, de fato não temos hoje uma comunicação efetiva na televisão. Temos que reforçar, mas é um trabalho de longo prazo.

A taxa de lixo hoje é embutida no IPTU. Essa lógica faz sentido?

A métrica pode ser melhorada, evidentemente. Alguns países, como Portugal, adotam medidas nas quais o cidadão paga pela frequência com que coloca o lixo na porta. O ganho logístico é enorme.

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