A Comlurb divulgou a participação de profissionais do Centro de Pesquisas e da DTE em dois artigos científicos sobre desperdício de alimentos. Bianca Quintaes, Alessandra Lourenço e André Menescal participam do estudo sobre resíduos alimentares em escolas; Bianca, Alessandra, André, Fábio Bocti e Bernardo Ornelas integram o trabalho sobre desperdício de alimentos domiciliar no Rio de Janeiro, em colaboração com pesquisadores universitários. Há uma pequena divergência na comunicação interna: ela informa que os dois trabalhos foram publicados na Waste Management & Research, mas os arquivos anexos mostram que o primeiro saiu nessa revista e o segundo foi publicado na revista Waste, da MDPI.
O artigo “Unveiling food waste in schools based on a low-cost and simplified approach to waste assessment” analisou o desperdício de alimentos em 20 escolas públicas do Rio, envolvendo aproximadamente 9 mil estudantes. O método combinou entrevistas com gestores e análise da composição dos resíduos, evitando a pesagem individual dos restos de cada prato. Os resultados mostraram uma diferença importante entre percepção e medição: 65% dos gestores não consideravam o desperdício alimentar um problema relevante, enquanto a análise indicou que cerca de 57% dos resíduos orgânicos poderiam ser evitados. O desperdício médio nos pratos foi estimado em 37 gramas por aluno e o desperdício na cozinha em 31 gramas; arroz e feijão apareceram com destaque entre os alimentos descartados. O estudo conclui que medir é uma etapa necessária antes de definir intervenções e apresenta o método utilizado como uma alternativa de baixo custo e pouca interferência na rotina escolar.
O segundo trabalho, “A Three-Year Assessment of Food Waste in Rio de Janeiro Municipality (Brazil): A First Step Toward Understanding the Issue in Brazil”, analisou amostras de resíduos domiciliares coletadas entre 2021 e 2023 em 155 bairros, abrangendo nove regiões da cidade. Foram examinados aproximadamente 24 mil quilos de resíduos alimentares. No período, a matéria orgânica representou, em média, 47,7% dos resíduos domiciliares analisados; dentro do desperdício alimentar, frutas, verduras e saladas responderam por 70,8%, enquanto a categoria formada principalmente por arroz, feijão, grãos e pequenas partículas representou 18,2%. O estudo identificou diferenças de composição entre regiões e ao longo do tempo e conclui que o monitoramento continuado é necessário para formular estratégias locais de prevenção do desperdício, recuperação de alimentos, reciclagem e tratamento da fração orgânica.

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