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sexta-feira, 3 de julho de 2026

Varrer a pista: entre o rito de Siena e o espetáculo da Sapucaí



Contribuição da enviada especial do blog: Patricia Lacê


Há limpezas que apenas limpam. E há limpezas que preparam o sagrado do espetáculo. O que os vídeos do Pálio de Siena mostram é justamente isso: a varrição da pista não aparece como intervalo banal entre uma etapa e outra, mas como parte do próprio ritual. A linha de trabalhadores avançando com grandes vassouras de galhos sobre a terra batida, diante de uma praça tomada por gente, não está apenas corrigindo o piso para o galope dos cavalos. Está dizendo ao público que a corrida está prestes a acontecer. Em Siena, a limpeza da pista é um gesto funcional, mas também cerimonial.

A primeira diferença em relação à Sapucaí está na matéria e na técnica. No Pálio, limpa-se e nivela-se uma pista de terra, cuja regularidade interessa diretamente à segurança e ao desempenho do cavalo. A ferramenta é rústica, coerente com a tradição do evento e com sua estética histórica. A vassoura de galhos não é apenas instrumento; é linguagem. Ela preserva o ambiente medieval do rito. Já no sambódromo carioca, a lógica é outra. O piso é duro, urbano, moderno. A limpeza da pista exige rapidez, precisão e capacidade de resposta sob enorme pressão de tempo. Entram em cena vassouras mais leves, sopradores, rodos, eventualmente lavagem e recursos que pertencem mais à engenharia operacional da cidade do que à memória cerimonial.

Mas a diferença técnica talvez seja menos interessante do que a semelhança simbólica. Em ambos os casos, o público assiste à limpeza como parte da expectativa. Em Siena, a multidão canta e vibra porque a pista pronta significa que os cavalos virão. A preparação do solo já é uma forma de anúncio. Na Sapucaí, algo semelhante acontece, mas com outra temperatura cultural. A passagem dos garis entre uma escola e outra deixou de ser apenas uma necessidade operacional e se converteu, ao longo do tempo, em uma espécie de número complementar do espetáculo. O gari não entra escondido para “tirar o sujeira”. Ele entra visto, aplaudido, reconhecido, muitas vezes sambando ao som que ainda ecoa na avenida.

Há, no entanto, uma diferença profunda de energia. Em Siena, a limpeza participa de uma solenidade tensa. O público vibra, mas vibra com contenção ritual. A pista precisa estar pronta porque dela depende a integridade da corrida. O gesto dos trabalhadores prolonga a seriedade ancestral do evento. Na Sapucaí, a limpeza é atravessada por outra lógica: ela precisa ser eficiente, mas também convive com o excesso, o ruído, a alegria e a urgência do carnaval. É uma limpeza sob cronômetro. Em Siena, prepara-se a pista para o risco veloz de poucos cavalos; no Rio, recompõe-se a avenida para a passagem monumental de centenas de componentes, alegorias, tripés, restos de fantasia e fragmentos de festa.

O que me chama atenção é que, nos dois casos, a limpeza de pista deixa de ser mero bastidor e assume uma dignidade pública rara. Isso é importante. Normalmente, os serviços de limpeza aparecem apenas quando falham. No Pálio e na Sapucaí, por razões muito distintas, eles se tornam visíveis no coração do rito. Em Siena, a visibilidade vem da tradição. No Rio, vem da cultura popular que transforma até a passagem do gari em extensão do espetáculo. Uma é liturgia; a outra, performance. Mas ambas afirmam, cada uma à sua maneira, que não há grande evento sem essa inteligência silenciosa — ou, às vezes, nem tão silenciosa assim — de preparar o chão do acontecimento.

Talvez essa seja a melhor síntese. Em Siena, a limpeza da pista é um ato solene que sustenta a continuidade de uma memória antiga. Na Sapucaí, é uma operação urbana de alta pressão que aprendeu a dialogar com a alma festiva do carnaval. Em um caso, a vassoura de galhos prolonga a tradição. No outro, a equipe da Comlurb transforma a necessidade operacional em presença cênica. São mundos muito diferentes, mas unidos por uma mesma verdade: antes de toda glória do espetáculo, alguém precisa cuidar do chão.

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Carnaval: a grande operação, os grandes números e as pequenas dúvidas


É difícil exagerar a dimensão do Carnaval para a limpeza urbana do Rio de Janeiro. Trata-se, provavelmente, da maior operação da Comlurb. Maior até que o réveillon, embora o réveillon tenha a pressão extrema de devolver a cidade em poucas horas. O Carnaval é diferente. Ele se prolonga por dias, se espalha territorialmente, muda de escala a cada bloco, pressiona a rotina da cidade e pode comprometer de forma sensível a limpeza urbana. Basta lembrar o que ocorreu em 2024, quando a greve coincidiu justamente com o período carnavalesco e tornou evidente o tamanho real dessa engrenagem.

Por isso, quando a operação funciona, os elogios são merecidos. E são mesmo motivo de orgulho. Há planejamento, mobilização de milhares de trabalhadores, logística complexa, reposição contínua de equipamentos, atuação quase simultânea em dezenas de frentes e uma cobrança pública altíssima. Não é pouca coisa. A cidade percebe. O folião percebe. E esse reconhecimento espontâneo costuma ser o melhor sinal de que o trabalho deu certo.

A divulgação da operação de 2026 segue essa linha. Fala em 1.642 toneladas de resíduos removidos em toda a cidade, com destaque para a maior conteinerização já feita em eventos, além da limpeza ágil nos blocos, na Sapucaí e em outros pontos de concentração. O número impressiona. Aliás, impressiona bastante.

Mas é justamente aí que convém introduzir alguma prudência.

A apuração de resultados no Carnaval sempre foi um tema mais delicado do que parece. No Sambódromo, embora também haja algum ruído — especialmente pela limpeza do entorno — os resíduos estão em grande parte intramuros, com operação mais controlada e viaturas dedicadas. Isso tende a produzir números mais confiáveis. Em 2026, a tonelagem do Sambódromo ficou em torno de 338 toneladas, valor bastante próximo da ordem histórica já observada. É um dado coerente, compatível com o padrão de anos anteriores, salvo oscilações normais de público, consumo e dinâmica operacional.

Já no Carnaval de rua a situação é outra. O resíduo se espalha pela cidade, mistura-se com a sujeira urbana já existente, cruza áreas com diferentes rotinas de limpeza e depende, muitas vezes, de consolidações que combinam pesagem com estimativas operacionais. Isso não invalida o número final, mas recomenda tratá-lo menos como precisão absoluta e mais como ordem de grandeza.

Historicamente, o resíduo atribuído aos blocos de rua gravitava em torno de 600 toneladas. Em 2026, o volume informado para blocos e bailes supera 1.100 toneladas. É quase o dobro. A pergunta é inevitável: houve realmente uma intensificação tão expressiva do Carnaval de rua ou há, na comparação, algum entusiasmo na apuração dos resultados?


A dúvida não diminui o mérito da operação. Apenas ajuda a separar duas coisas que nem sempre caminham juntas: a qualidade do serviço prestado e a exatidão do número divulgado sobre ele. É perfeitamente possível que a operação tenha sido excelente e que, ao mesmo tempo, a consolidação estatística mereça maior refinamento metodológico.

Esse ponto importa porque, em operações urbanas complexas, números grandes têm apelo político e institucional evidente. Eles comunicam esforço, escala e impacto. Mas a credibilidade de longo prazo não depende apenas do volume anunciado. Depende também da consistência dos critérios de medição ao longo do tempo. Quando uma série histórica varia demais, sem que a explicação operacional seja igualmente robusta, surge a suspeita de que a conta pode estar captando mais do que apenas o lixo efetivamente gerado pelos foliões.

No fim, o sucesso do Carnaval não está apenas nas toneladas, nem nas declarações oficiais, nem na presença das autoridades nos pontos de maior visibilidade. Ele está, sobretudo, na percepção do carioca. O folião sabe quando a cidade respondeu bem. Sabe quando os blocos terminaram e a limpeza veio rápido. Sabe quando o ambiente ficou minimamente reorganizado para que a festa pudesse continuar no dia seguinte. Esse julgamento popular, ainda que informal, talvez seja mais verdadeiro do que muita planilha.


Há ainda um detalhe curioso em 2026: pelo segundo ano seguido, não aparece com destaque a atuação do programa Lixo Zero. Não seria correto tomar isso, isoladamente, como prova de esvaziamento do programa. Mas a ausência chama atenção. Durante muito tempo, o Lixo Zero ocupou posição simbólica importante na narrativa institucional do Carnaval, seja pelo viés educativo, seja pelo viés fiscalizatório. Quando deixa de ser mencionado de forma mais clara, abre-se ao menos uma interrogação sobre o espaço que o programa ainda ocupa na estratégia pública do evento.

Talvez essa seja uma boa síntese da operação de Carnaval: um sucesso operacional visível, merecedor de reconhecimento, mas acompanhado de algumas perguntas que não deveriam ser descartadas. A maior delas diz respeito à qualidade da apuração. Porque, em limpeza urbana, medir mal também é uma forma de compreender mal aquilo que se faz.

A Comlurb tem todos os motivos para se orgulhar da operação que realiza no Carnaval. Poucas atividades expõem tanto a companhia, poucas exigem tanto de sua estrutura e poucas produzem uma percepção pública tão imediata do trabalho executado. Mas exatamente por isso, quanto maior a operação, maior deveria ser o cuidado com a qualidade dos números que a descrevem.

O Carnaval do Rio sempre será maior que qualquer relatório. Mas isso não dispensa o relatório de ser confiável.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

Procura-se a paternidade do Aqualurb...

 


Uma das imagens do carnaval de 2024 que chamou atenção foi o "Aqualurb". Não é recente a idéia de usar um equipamento específico para transportar água gelada para melhorar o bem estar dos empregados envolvidos em operações concentradas sob o sol.

A primeira vez foi em 2014 durante a limpeza do Bloco da Preta no centro da cidade utilizando um lutocar inglês que havia sido recusado como equipamento de varrição. Apelidado de "Gunga Din" em alusão à um filme de 1939 sobre um indiano que transportava água para tropas inglesas.

Em 2017 ,um grupo de trabalho focou no desenvolvimento de uma solução de hidratação coletiva principalmente para equipes de trabalho em praia e eventos públicos.

Usando como base o projeto do Lutocar 2.0 criou-se uma caçamba isolante para transportar gelo e copos d’água e capaz de manter a água gelada durante todo o expediente de trabalho da turma.

O batismo de fogo do projeto foi o carnaval 2017 sendo usado nas turmas de limpeza do sambódromo e também nas equipes de limpeza de blocos nos logradouros.



Resta saber somente quem assumiu a paternidade do "Aqualurb"

domingo, 18 de fevereiro de 2024

Exame sobre os resultados do Carnaval 2024

  


 

Considerando o histórico de peso de resíduos recolhidos no Sambódromo e nos blocos podemos elaborar algumas questões sobre a operação realizada em 2024.

Os números consolidados no Sambódromo, ainda que com risco de algum viés, costumam ser mais acurados pois são fruto de pesagens das viaturas com dedicação exclusiva para o serviço.
 
Podemos inferir que em termos de desfile de escolas de samba que 2024 foi um grandioso carnaval gerando um recorde de 514 toneladas, maior resultado desde 2015, e um aumento de 12% em relação ao ano anterior.

Os números dos blocos são uma combinação de pesagem de veículos com estimativas visuais não padronizadas. Então, existe incerteza sobre a exatidão dos números finais, que podem, no entanto, indicar uma ordem de grandeza do real.

O resultado de remoção de resíduos do Carnaval de Rua ainda não recuperou os valores anteriores a pandemia. Considerando a euforia perceptível na rua provavelmente o valor se deve mais a algum problema na consolidação das informações, maior conscientização dos foliões e até mesmo ações de reciclagem, mas certamente não um esfriamento do carnaval de rua em blocos.

Para a quantidade de multas emitidas pelas equipes do Lixo Zero pode-se observar uma queda contínua ano a ano. Algo que já foi mais que três multas por tonelagem removida em 2016 e 2017, chegou a pouco mais que a uma multa para cada meia tonelada em 2024
 
A sucesso do Carnaval não está nos números, nos gabinetes ou nas declarações, está na percepção do carioca folião. Ele sabe se a coisa bombou ou se a coisa bombou!



Resultado divulgado em 2024

Resultado divulgado de 2023

A análise não considera os anos de 2021 e 2022 devido ao concelamento do Carnaval em 2021 e o Carnaval fora de época de 2022

Resultado divulgado de 2020

Resultado divulgado de 2019

Resultado divulgado de 2018

Resultado divulgado de 2017

Resultado divulgado de 2016

Resultado divulgado de 2015

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

Mais de 600 pessoas foram multadas por fazer xixi na rua durante o carnaval do Rio

Para a quantidade de multas emitidas pelas equipes do Lixo Zero pode-se observar uma queda contínua ano a ano. Algo que já foi mais que três multas por tonelagem removida em 2016 e 2017, chegou a pouco mais que a uma multa para cada meia tonelada em 2024

A Lei nº 5930 de 20 de agosto de 2015 incluiu o art. 103-A na Lei nº 3.273/2001 definindo que “urinar ou defecar em vias públicas constitui infração punida com multa no valor de r$ 510,00 (quinhentos e dez reais)." Antes disso não havia dispositivo específico sobre o assunto na Lei de Limpeza Urbana.


Servidores da Comlurb fiscalizaram os blocos e eventos durante o último mês de folia

Por Nelson Lima Neto

16/02/2024 04h01  Atualizado há 7 horas

Equipe do Lixo Zero atuando no desfile do Vagalume o Verde, no Jardim Botânico, terça-feira — Foto: Divulgação

Aqui alguns números da Comlurb sobre o total de foliões multados por infrações sanitárias durante os blocos de rua no Rio de Janeiro, no período de pré-carnaval (13 de janeiro) até a última terça-feira, 13 de fevereiro.

As equipes do Lixo Zero aplicaram, desde o início do pré-Carnaval 738 multas, sendo 74 por descarte de pequenos resíduos, no valor de R$ 282,38 cada, e 664 por pessoas flagradas urinando em via pública, no valor de R$ 773,65 cada.

Na comparação com o ano passado, foram 1.130 multas, sendo 314 por descarte de pequenos resíduos nas ruas, e 816 por pessoas urinando em via pública. A Comlurb acredita que a maior quantidade de banheiros para os foliões colaborou para a redução das multas.




quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024

Varredeiras operadas por mulheres no carnaval de 2024

Linha de varredeiras operadas por mulheres no carnaval de 2024

A tradição de varredeiras operadas por mulheres na limpeza de pista do sambódromo teve início em 2017 

A primeira gari que insistiu para que a função deixasse de ser exclusivamente dos homens foi Vanise Garcia Borba, em 2017 com 10 anos de empresa. “Para mostrar que somos capazes de tudo. Hoje em dia não há mais espaço para o preconceito,” contou Vanise, revelando que sempre sonhou em operar a máquina.






quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

Números do Carnaval 2024


Comlurb remove 104,5 toneladas de resíduos dos blocos de rua após a terça-feira de Carnaval


Garis da Comlurb realizam a limpeza da Rua Jardim Botânico após a passagem do bloco Vagalume, o Verde - Divulgação

As equipes da Comlurb removeram 104, 5 toneladas de resíduos das ruas após a passagem dos blocos nesta terça-feira de Carnaval (13/2), totalizando 669,2 toneladas de resíduos de todos os blocos da cidade desde o pré-Carnaval. Nesta terça, os blocos que geraram mais lixo foram: Cachorro Cansado (Flamengo), com 11,2 toneladas de resíduos, Banda de Ipanema, com 11,1 toneladas, Vagalume, o Verde (Jardim Botânico), com 9,9 toneladas, Fervo da Lud (Centro), com 8,2 toneladas, Orquestra Voadora (Aterro), com 8 toneladas, e 10 e Music (Recreio), com 4 toneladas. A Operação Carnaval da Comlurb segue até o próximo fim de semana, com os Desfiles das Campeãs e da Intendente e a apresentação do Monobloco.

Apesar do grande volume de resíduos recolhido pela Comlurb, este ano a limpeza contou com um grande diferencial, o fato de os foliões descartarem seus resíduos majoritariamente nos contêineres disponibilizados pela Companhia em todos os pontos do Carnaval, garantindo que as vias ficassem mais limpas e que o serviço dos garis ganhasse em agilidade.

Este ano, a Comlurb foi homenageada por dois blocos, o Badalo, de Santa Teresa, que elegeu as garis Miss Laine dos Santos e Joana Feliciano, respectivamente, Rainha e Princesa do bloco. Já o Laranjada Samba Clube desfilou com o tema “O Laranjada é a maior limpeza”, no bairro de Laranjeiras. Um casal de garis, Rinaldo Gusmão e Jurema Santos, representou a categoria no desfile como segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira do bloco. Já o bloco Vagalume, o Verde, do Jardim Botânico, mantém uma já tradicional parceria com a Comlurb, por intermédio do Galpão das Artes Urbanas, na área da sustentabilidade, com reaproveitamento de fantasias.

Na noite desta terça-feira o Sambódromo foi palco para a apresentação das escolas de samba mirins, com a remoção de 49,9 toneladas de resíduos, sendo 11,2 toneladas de resíduos potencialmente recicláveis. Desde a pré-limpeza da Passarela do Samba, nos dias que antecederam a abertura oficial do Carnaval, a quantidade removida de resíduos soma 348,1 toneladas, sendo 42,2 toneladas de materiais recicláveis.

Os desfiles na Estrada Intendente Magalhães e na Avenida Chile e os bailes populares nos bairros geraram 62,9 toneladas de resíduos na noite de terça-feira, totalizando 165,4 toneladas de resíduos em cinco dias de Carnaval. O grupo Chegando de Surpresa, composto de garis que usam a música e a dança em campanhas de conscientização, participa da abertura do Carnaval da Intendente.

Desde o início do pré-Carnaval e após cinco dias oficiais de folia na cidade, a Comlurb já contabiliza a remoção de 1.182,7 toneladas de resíduos em todos os pontos da festa.

As equipes do Lixo Zero aplicaram desde o início do pré-Carnaval, no dia 13 de janeiro, 738 multas, sendo 74 por descarte de pequenos resíduos, no valor de R$ 282,38 cada, e 664 por pessoas flagradas urinando em via pública, no valor de R$ 773,65 cada.

A Comlurb mobilizou para este Carnaval até 3.633 garis por dia, sendo até 872 para a parte interna do Sambódromo, até 210 para a área externa, incluindo o entorno do Terreirão, até 101 para os desfiles na Intendente Magalhães e até 2.450 para os blocos e bailes oficiais em toda a cidade. Os trabalhos de limpeza são realizados com mais de 200 veículos e equipamentos. Em todos os pontos do Carnaval 2024, a Companhia disponibilizou 2.300 contêineres de 240 litros e 700 caixas metálicas de 1.200 litros para que os foliões possam fazer o descarte correto de seus resíduos.

Este ano, a Comlurb conta com 2 mil litros de essência de eucalipto concentrada – ano passado eram 800 litros -, doados pela Riotur, para deixar os pontos de passagem dos blocos com cheiro agradável após a lavagem das vias com água de reuso.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024

Garis do Rio dão show e são aplaudidos na Sapucaí

Garis da empresa pública de limpeza urbana varrem a Sapucaí com samba no pé; companhia tem orçamento de 2,9 bilhões

Por Caio Sartori — Do Rio


Renato Sorriso: “Inventei de dar uma sambada. O setor 1 me aplaudiu, mas tomei bronca” — Foto: Leo Pinheiro/Valor


A Comlurb, empresa pública de limpeza urbana do Rio, tornou-se uma espécie de símbolo do Carnaval. Trajados com o uniforme laranja, uma marca característica da cidade, os garis cruzam a Sapucaí de forma sincronizada no intervalo entre os desfiles e são celebrados pela plateia.

 “É o único órgão público que é aplaudido de forma espontânea uma vez por ano”, diz o presidente da empresa, Flavio Lopes. O trabalho de limpeza na Sapucaí é feito por 800 garis: “Quem vê acha que é só uma festa, mas é uma operação logística bem complexa para não atrapalhar as escolas. Até porque não dá tempo de ir atrás da escola e voltar, então separamos em trechos. É bem coordenado.”

 O movimento foi popularizado no fim dos anos 1990 por Renato Sorriso. O sucesso do gari foi tão grande nos carnavais que o levou a Londres, em 2012, ocasião em que sambou na cerimônia de encerramento da Olimpíada. Estava lá como representante do Rio, que sediaria os Jogos dali a quatro anos.

 “A mensagem que eu levo para a população é até mais importante que uma varredura”, diz Sorriso, conhecido por limpar a pista com samba no pé. “Um gari como eu saiu lá de Madureira para representar o país em Londres. A ficha não caiu.”

 No Carnaval, o lixo nas ruas aumenta e o domiciliar diminui. Na folia, os garis ajudam a “empurrar” não só os desfiles, como também os blocos pela cidade. Mas, afinal, como Sorriso inaugurou a tradição do gari sambista?

 “Em 1998 eu inventei de dar uma sambada do nada. O setor 1 [na arquibancada] começou a aplaudir, mas eu tomei uma bronca do meu gerente, que perguntou se eu estava lá para sambar ou para trabalhar”, conta. “Xingaram a mãe dele, o pai dele, tacaram lata. Com a repercussão, fui coroado. Passei a ir para a frente da linha de garis, sambando. A ideia foi do próprio gerente que me deu a bronca!”. Sorriso continua sambando na avenida, r outros garis se incorporaram à varrição festeira.

 A Comlurb tem quase 20 mil funcionários, 1.117 veículos e equipamentos e um orçamento de cerca de R$ 2,9 bilhões estimado para este ano. A maior parte, R$ 1,7 bilhão, é para gastos com pessoal.

 Lopes cita uma frase do prefeito do Rio, Eduardo Paes, para dizer que “o gari é a prefeitura que as pessoas veem todos os dias, a prefeitura que ela olha na rua”. Essa característica também traz problemas. Quando a Comlurb entra em greve, a crise é gritante. A última foi em março de 2022 e resultou em acúmulo de lixo nas ruas.

 O tratamento de resíduos sólidos em uma metrópole como o Rio é um desafio. Por anos, a cidade conviveu com um lixão em Gramacho, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Sensível e às margens da Baía de Guanabara, o espaço foi desativado em 2012. O lixo dos cariocas passou a ser levado para um aterro em Seropédica, também na Baixada, a mais 70 km do centro do Rio. O custo logístico é alto: são quase 9 mil toneladas diárias transportadas. Uma pequena parcela é desviada desse montante e direcionada a iniciativas de reaproveitamento.

 “Parte desse resíduo é de poda de árvore, que levamos para o Caju, onde tem um equipamento que o tritura e o transforma em material para empresa de cerâmica ou para biometanização, para transformar em gás, que vira energia. O que sobra vira adubo que nós oferecemos para as hortas da cidade”, diz Lopes.

 A empresa também faz “corte de mato e poda de árvore, limpeza de hospital e de escola, gestão dos aterros, combate a vetores, limpeza de espelho d’água das lagoas e dos canais, manutenção de praça, remoção de entulho. Temos até alpinistas para limpar encostas”, diz Lopes.

 A Comlurb enfrenta ainda o desafio de trabalhar em áreas controladas pelo crime organizado. Lopes diz que os funcionários não têm empecilhos para efetuar o trabalho. “Quando colocamos a roupa laranja e o crachá, entramos em qualquer lugar. Eles [as comunidades] precisam


quinta-feira, 2 de março de 2023

Carioquice carnavalesca!

Um caminhão pipa tentando executar seu trabalho


 

Operação Carnaval 2023


Vídeo especial da Operação Carnaval 2023

Missão dada é missão cumprida! A Comlurb finalizou a Operação Carnaval 2023 com eficiência e agilidade das equipes de garis. Durante os dez dias de folia, a megaoperação de limpeza somou 1.236,5 toneladas de resíduos removidos,  75% maior do que o verificado em 2020.

A Companhia está cheia de orgulho da DLU, que cuidou de todo Carnaval de rua, da Nova Intendente e do entorno do Sambódromo, e também da DSU, responsável pela parte interna da Sapucaí, palco do maior espetáculo da cidade. Parabéns também às equipes do Lixo Zero e da Comunicação. Todos se dedicaram para que a gente pudesse entregar um Carnaval mais limpo com um trabalho de excelência.

Parabenizamos a todos os envolvidos!


 




terça-feira, 28 de fevereiro de 2023

Rio mostrou como fazer um carnaval com competência

Disciplina, organização e limpeza nos desfiles de escolas e nos blocos tornaram a folia um sucesso

Por Editorial O Globo

28/02/2023 00h10  Atualizado 

Depois de dois anos de recesso forçado pela pandemia, e mesmo com as expectativas infladas pela retomada da folia, pode-se dizer que o Rio saiu do carnaval deste ano com nota alta em todos os quesitos. Até o último domingo, o país foi tomado por multidões eufóricas atrás de blocos e trios elétricos, fazendo a alegria não só de foliões, mas também de empresários, comerciantes, ambulantes, empreendedores, prefeitos, governadores, de todos aqueles que dependem da festa de alguma forma. Ao contrário do que supunham as expectativas pessimistas criadas em cima de um histórico de derrapadas, desta vez a organização não decepcionou.



Os temidos problemas de infraestrutura — não só para os que desfilam, mas especialmente para os que sofrem o impacto direto dos cortejos — felizmente foram mínimos. No Rio, foi notável o trabalho do “bloco” da Companhia de Limpeza Urbana (Comlurb). A varrição entrava em cena tão logo os foliões saíam, impedindo que o lixo se acumulasse pelas ruas — um desafio e tanto se lembrarmos que, ao longo do mês, 355 blocos de rua tomaram a cidade, dois deles superando a marca do milhão de foliões (Cordão da Bola Preta e Fervo da Lud, ambos no Centro). Segundo a Riotur, 5 milhões saíram nos blocos.

Levando em conta o gigantismo dos megablocos, o número menor de desfiles em relação a 2020 também contribuiu para melhorar a organização e permitir que a infraestrutura montada desse conta da demanda. O acompanhamento da polícia e o respeito às restrições de horário e local possibilitaram que a população se planejasse, reduzindo o transtorno.

Os desfiles das escolas de samba do Rio e de São Paulo foram de alto nível, com temas criativos e atuais, confirmando a excelência das agremiações. A organização também passou no teste. No Sambódromo carioca, onde reinou a Imperatriz Leopoldinense com um inventivo enredo sobre Lampião, não causaria surpresa se o campeonato ficasse com Viradouro, Vila Isabel, Beija-Flor ou Grande Rio, todas fortes concorrentes. Na festa paulistana, saiu vitoriosa a Mocidade Alegre, que conquistou seu 11º título com um cativante enredo sobre o primeiro samurai negro. Saíram ganhando o samba e a cultura brasileira.

Claro que ainda há pontos a melhorar. Um deles é a segurança. Por todo o país houve relatos de furtos de celulares e golpes contra os foliões. As autoridades devem aproveitar as boas experiências, como uso de drones, torres de observação e detectores de metais durante os cortejos, e repeti-las. São úteis não só no carnaval, mas em qualquer evento com multidões.

Não se pode perder de vista que o carnaval é uma festa que faz girar a economia de cidades como Rio, Salvador, Recife, Olinda, São Paulo e Belo Horizonte. Os desfiles de escolas de samba ou de blocos são apenas o último ato de um roteiro que começa um ano antes e emprega milhares de brasileiros, seja na confecção de fantasias e alegorias, seja na preparação da infraestrutura para atender foliões e turistas.

O êxito do carnaval de 2023 foi um bálsamo. Demonstra que organização e disciplina não são incompatíveis com ruas tomadas pela alegria e pelo samba. Ao contrário, foi o profissionalismo que permitiu ao Rio, entre outras cidades, cumprir o que previu editorial do GLOBO no início do mês — e fazer o maior carnaval dos últimos tempos.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

Carnaval da Sapucaí entra para o Livro dos Recordes com maior ação de reciclagem do mundo

 

Por: Filipe Vidon em 27/02/23 17:39

O Carnaval da Sapucaí 2023 foi a maior ação de reciclagem de latas de alumínio do mundo, por meio do projeto Recicla Sapucaí, e entrou para o Guinness World Records – o livro dos recordes.


Incluindo os desfiles da Série Ouro, Grupo Especial e o das Campeãs, a iniciativa registrou cerca de 10 toneladas de resíduos coletados, sendo mais de 8,8 toneladas apenas de latas de alumínio. Toda a renda obtida será revertida aos 108 catadores contratados.

A ação foi uma união de forças capitaneada pelo Sesc RJ – detentor oficial do título –, que contou com o apoio do Instituto Fecomércio de Sustentabilidade (IFeS), Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alumínio (Abralatas), por meio do programa internacional Cada Lata Conta, além de catadores do material reciclável.

O certificado foi entregue antes do Desfile das Campeãs, com direito a desfile na avenida dos catadores e garis da Comlurb que também contribuíram com sua força de trabalho para o recolhimento de todos os resíduos.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

Exame sobre os resultados do Carnaval 2023

 



Considerando o histórico de peso de resíduos recolhidos no Sambódromo e nos blocos podemos elaborar algumas questões sobre a operação realizada em 2023.

Como números consolidados no Sambódromo, ainda que com risco de algum viés, costumam ser mais acurados pois são fruto de pesagens das viaturas com dedicação exclusiva para o serviço, podemos inferir que em termos de desfile de escolas de samba, como 2023 se aproximou do maior resultado de 2015, houve uma recuperação na grandiosidade da festa colocando os momentos obscuros de pandemia e gestão desfocada para trás.

Os números dos blocos são uma combinação de pesagem de veículos com estimativas visuais não padronizadas. Então, existe incerteza sobre a exatidão dos números finais, que podem, no entanto, indicar uma ordem de grandeza do real.

O resultado de remoção de resíduos do Carnaval de Rua ainda não recuperou os valores pré pandemia. Considerando a euforia perceptivem na rua provavelmente o baixo valor se deve mais a algum problema na consolidação das informações do que  um esfriamento do carnaval de rua em blocos.

Para a quantidade de multas emitidas pelas equipes do Lixo Zero pode-se observar uma queda contínua ano a ano. Algo que já foi mais que três multas por tonelagem removida em 2016 e 2017, não chegou a uma multa para cada tonelada em 2023. O alardeado retorno do Lixo Zero reestruturado em 2023 não foi percebido no Carnaval.

A sucesso do Carnaval não está nos números, nos gabinetes ou nas declarações, está na percepção do carioca folião. Ele sabe se a coisa bombou ou se a coisa bombou!

Resultado divulgado de 2023
Resultado divulgado de 2020
Resultado divulgado de 2019
Resultado divulgado de 2018
Resultado divulgado de 2017
Resultado divulgado de 2016
Resultado divulgado de 2015

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023

Comlurb retirou mais de mil toneladas de lixo das ruas do Rio durante o carnaval

Beatriz Coutinho

A Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) recolheu 1.053,9 toneladas de lixo durante o pré-carnaval e o Carnaval oficial da cidade do Rio. O acumulado foi contabilizado desde o último dia 5 de fevereiro, durante o pré-carnaval, até esta terça-feira. Os blocos de rua produziram mais da metade do acumulado: 595,2 toneladas, sendo 129 toneladas só no último dia da festa oficial.


Os blocos que registraram mais peso foram: Banda de Ipanema, com 26 toneladas, Orquestra Voadora, com 19,9 toneladas, Bagunça Meu Coreto, de Laranjeiras, na Zona Sul, com 15 toneladas, e o Fervo da Lud, com 12,4 toneladas.

Em seguida, vem o Sambódromo, com 366 toneladas de lixo recolhidas desde a pré-limpeza, que aconteceu dois dias antes da abertura oficial, no dia 17, quando a Avenida recebeu os desfiles da Série Ouro, da Liga das Escolas de Samba.

O carnaval da Nova Intendente, realizada agora na Avenida Ernani Cardoso, na Zona Norte da cidade, e os bailes populares nos bairros produziram, juntos, pouco mais de 83 toneladas. Já os desfiles de blocos na Avenida do Chile registraram 9,5 toneladas durante os quatro dias de folia.

A Comlurb informou que cerca de 3.657 garis atuaram por dia durante as festividades, com até 2.450 nas maiores agremiações dos blocos e 889 destinados para limpeza interna do Sambódromo. Além disso, 2.100 contêineres de 240 litros foram espalhados pela avenida, pelo Terreirão do Samba, pela Nova Intendente e nos blocos, este último concentrando mil deles.

O acumulado não abarca os números do Desfile das Campeãs, que acontece no próximo sábado, os desfiles na Nova Intendente e os blocos que saem no próximo fim de semana.

Em 2020, antes da pandemia da covid-19, o total de resíduos recolhidos ao final do carnaval oficial, somado ao desfile das campeãs, à Série Prata da Intendente e aos blocos, foi de 709 toneladas.

Multas aplicadas

Através da iniciativa Lixo Zero, a Comlurb aplicou, desde o dia 28 de janeiro até esta terça-feira, 1.045 multas, sendo a maior parte delas por descarte de pequenos resíduos nas ruas, como latas de bebidas, copos e garrafas descartáveis, guimbas de cigarro, entre outros. O valor da multa é de R$273,09. Outras 754 pessoas foram multadas por urinar em via pública, enquanto 12 pessoas foram multadas após serem enquadradas em artigos da Lei de Limpeza Urbana, de 2001.

sábado, 18 de fevereiro de 2023

Manifestação do Prefeito Eduardo Paes indignado com bloco de carnaval não autorizado

Eduardo Paes

 "Vejam o que fizeram hoje na praça Mauá e no entorno do Museu do Amanhã o tal “Minha luz é de Led”. Tudo que a prefeitura pede para aqueles que desejam curtir o carnaval e, principalmente, aos blocos é que tenhamos a informação prévia de onde as celebrações vão acontecer. Não temos a intenção e nem queremos controlar a celebração de ninguém. Simplesmente queremos colocar à disposição da população os serviços municipais para que a festa possa acontecer sem que a cidade fique suja, destruída e gerando problemas para aqueles que não estão nela. Mas alguns cismam em mostrar uma certa “rebeldia” e celebrar sem respeitar os prazos de credenciamento e algumas regras básicas. Elas existem para que possamos nos preparar. Essas pessoas tem que entender que elas afrontam o trabalho sério de uma legião de servidores, como Garis e Guardas municipais, que trabalham muito duro para que a população possa se divertir. Bora celebrar a vida e a democracia nesse carnaval mas sempre cuidando do Rio."








sexta-feira, 6 de março de 2020

Lixo Zero no Carnaval

A quantidade de multas emitidas pelas equipes do Lixo Zero durante o carnaval sofreu uma queda contínua ano a ano. Algo que já foi mais que três multas por tonelagem removida em 2016 e 2017, reduziu para apenas uma multa para cada tonelada em 2019. O aumento de multas por tonelada de 2020 é mais reflexo da queda na apuração de tonelagem que um aumento de eficiência do Lixo Zero

Continua a dúvida de o Programa Lixo Zero, nascido para a execução (enforcement) da Lei de Limpeza Urbana, agora  capitaneado pelo Coordenador Ricardo Rigueto, candidato a vereador não eleito pelo PEN com 3390 votos em 2016, passou a ser um instrumento midiático de uma gestão infeccionada com o fenômeno da patronagem 


quinta-feira, 5 de março de 2020

Exame sobre os resultados do Carnaval 2020


Os valores para o Sambódromo incluem o resultado do desfile na Intendente Magalhães
Considerando a análise dos números do carnaval realizada em 2019  e utilizando os números divulgados pela Prefeitura (um pouco discrepantes da arte divulgada na Companhia) podemos elaborar algumas questões sobre a operação realizada em 2020.

Como números consolidados no Sambódromo, ainda que com risco de algum viés, costumam ser mais acurados pois são fruto de pesagens das viaturas com dedicação exclusiva para o serviço, podemos inferir que em termos de desfile de escolas de samba, 2020 foi semelhante à 2019. Foi o maior resultado desde 2016! Reflexo da grandeza dos desfiles ou resultado de material molhado com as chuvas?

Os números dos blocos são uma combinação de pesagem de veículos com estimativas visuais não padronizadas. Então, existe incerteza sobre a exatidão dos números finais, que podem, no entanto, indicar uma ordem de grandeza do real.

Os resultados do carnaval de rua pela primeira vez foram apresentados em duas finalizações diferentes: O tradicional resultado dos blocos de carnaval e o novo resultado dos "Bailes Populares". O primeiro alcançando somente 119,4 toneladas e o segundo um maior valor de 176 toneladas.  O que pode significar esta distinção? Uma tentativa de evidenciar uma melhor organização dos festejos? 

O resultado do Carnaval de Rua apresentou uma queda de 64%, de 821 toneladas em 2019 para 295 toneladas em 2020, o menor valor da tabela que inicia em 2015. O que significa a queda abrupta na apuração dos pesos dos festejos de rua? Um esfriamento do carnaval de rua em blocos? Algum problema na consolidação das informações? 

Para a quantidade de multas emitidas pelas equipes do Lixo Zero pode-se observar uma queda contínua ano a ano. Algo que já foi mais que três multas por tonelagem removida em 2016 e 2017, reduziu para apenas uma multa para cada tonelada em 2019. O aumento de multas por tonelada é mais reflexo da queda na apuração de tonelagem que um aumento de eficiência do Lixo Zero.

Quem é testemunha ocular de um bloco de carnaval percebe que a queda de aplicação de multas está distante de ser uma maior conscientização da população, como é o discurso institucional comumente apregoado

Analisando friamente os números podemos levantar as seguintes hipóteses conflitantes:
A otimista que o carnaval está cada vem mais organizado refletindo na menor geração dos resíduos em festejos de rua e também mais consciente refletindo na queda de emissão de multas para quem urina na rua. 
A pessimista que não houve condições em emitir multas diante de um redirecionamento do Lixo Zero e a acurácia na apuração da quantidade de resíduos recolhidos deixou de ser algo estratégico que não mereceu nem uma tentativa de viés.
A resposta não está nos números, nos gabinetes ou nas declarações, está na percepção do carioca folião. Ele sabe se a coisa bombou ou se a coisa bombou!

Resultado divulgado de 2020
Resultado divulgado de 2019
Resultado divulgado de 2018
Resultado divulgado de 2017
Resultado divulgado de 2016
Resultado divulgado de 2015

  






terça-feira, 3 de março de 2020

Blocos sem autorização começam a ser multados pela Prefeitura do Rio


Realmente é uma boa notícia essa a iniciativa de fiscalizar e responsabilizar a existência de eventos não programados e autorizados. Se os blocos de carnaval autorizados já causam transtornos à rotina operacional da cidade, imagina os blocos piratas!

A coisa estaria completa se também houvesse responsabilização dos blocos autorizados utilizando os dispositivos da Lei Municipal N.º 3273, de 06 de setembro de 2001, que deixa claro em seu Art. 57 que "o manuseio, coleta, transporte, valorização, tratamento e disposição final do lixo de eventos é da exclusiva responsabilidade dos seus geradores". 

Adicionalmente, a real aplicação da Lei complementar 204 de 18 de julho de 2019, que "dispõe sobre a coleta de resíduos recicláveis durante e após a realização de grandes produções de eventos festivos e esportivos públicos ou privados realizados em áreas públicas na Cidade do Rio de Janeiro".




Blocos sem autorização começam a ser multados pela Prefeitura do Rio

liga critica autuações

Valor inicial será de R$ 1,3 mil. Punição pode aumentar dependendo da quantidade de lixo coletada. Secretário de eventos aponta um valor médio 'entre R$ 5 e R$ 10 mil'.



O bloco Planta na Mente, que se apresentou na Lapa no dia 25 foi notificado pela prefeitura — Foto: Divulgação / Alorra Fotos

O bloco Planta na Mente, que se apresentou na Lapa no dia 25 foi notificado pela prefeitura — Foto: Divulgação / Alorra Fotos
A Prefeitura do Rio de Janeiro já começou a multar os blocos de carnaval que desfilam sem a autorização durante os dias de folia na cidade. Segundo a administração municipal, as multas têm valores a partir de R$ 1,3 mil, dependendo da quantidade de lixo que a Comlurb recolher depois da passagem do bloco. As multas tem gerado críticas até de membros de ligas autorizadas.

A fiscalização será feita por agentes da Secretaria Municipal de Eventos, responsável pela Operação Carnaval. Segundo o secretario Felipe Michel, a média da cobrança ficará entre R$ 5 e R$ 10 mil por bloco.
"Queremos um carnaval com organização e com ordem. Quando tem um bloco irregular quebra todo esse planejamento, leva desordem e lixo. Já detectamos cinco blocos irregulares, foram dois na semana passada e três neste final de semana", explicou Felipe Michel.
Segundo o órgão municipal, as cobranças vão ser aplicadas no CPF dos organizadores dos blocos sem autorização. Os dados serão levantados pela Secretaria de Eventos e repassados à Comlurb, responsável pela aplicação da multa.
"Que a população possa colaborar também, sem participar de bloco irregular. Isso é contrário a todo o princípio que a gente está montando", disse o secretário.
Para Felipe Michel, o planejamento da cidade não pode ser surpreendido por blocos de carnaval que podem "levar insegurança para quem está participando e para quem mora na região".

Segundo a Riotur, dois blocos que desfilaram sem autorização no final de semana dos dias 25 e 26 de janeiro foram notificados: o Planta na Mente, na Lapa, e o Nada Demais, na Glória, na Zona Sul. Já no último final de semana, segundo a Secretaria de Eventos, mais três blocos desfilaram sem autorização. São eles: Põe na quentinha, em Copacabana, Chepa, em Santa Teresa, e outro ainda não identificado, na região do Porto do Rio.

"Quem não é regularizado tem que se responsabilizar, não só pelos danos, o lixo e a desordem, mas também como algo que possa acontecer. Qualquer fatalidade, qualquer outro problema, ou questão de ambulância e centro médico. Isso é complicado", acrescentou Michel.

O secretario ainda lembrou que a Comlurb precisou recolher 30 sacos de lixo, de 150 litros cada, depois do desfile do bloco Nada Demais, no último dia 25, na Glória.

Céu na Terra é um dos blocos autorizados pela Prefeitura — Foto: Fernando Maia/Riotur
Céu na Terra é um dos blocos autorizados pela Prefeitura — Foto: Fernando Maia/Riotur
Liga critica multas

Entre aqueles que não concordam com a nova decisão da prefeitura estão alguns dos organizadores de blocos tradicionais do carnaval carioca. Mesmo com a autorização da Riotur para seus desfiles, os grupos que integram a Liga Amigos do Zé Pereira, são contra a determinação municipal.

Para o presidente da liga, Rodrigo Rezende, a intenção de multar os blocos surgiu em um ano de transição na organização do carnaval. Isso porque, em 2020, as autoridades aumentaram as exigências com relação a quantidade de ambulâncias e agentes de saúde para acompanhar cada cortejo na cidade.

"Sou a favor de uma organização maior. Mas não podemos esquecer que estas exigências começaram a aparecer em função dos shows de grandes artistas, que pegam carona no público que vem ver os blocos do carioca comum", disse Rodrigo, lembrando dos shows de artistas como Ludmila, Anita e Preta Gil.

Entre os blocos que fazem parte da Liga Amigos do Zé Pereira estão o Céu na Terra; Toca Rauuul!; Último Gole; Orquestra Voadora; Vagalume o Verde; A Rocha da Gávea, entre outros

"A atração do carnaval do Rio não são grandes nomes, e sim o próprio carioca e sua alegria e criatividade. Atitudes que busquem uma relação sem defeitos devem começar vindo do poder público, o que não foi o caso. Se os prazos e exigências começaram a ser praticados em 2020, porque multas logo agora?", questionou Rodrigo.

Descaracterização do carnaval

Na opinião de Rodrigo Rezende, a fiscalização excessiva contra os pequenos blocos pode acabar descaracterizando o carnaval de rua do Rio de Janeiro.
"Neste momento há uma tentativa de descaracterização, infelizmente. Acredito até que não seja algo deliberado e sim uma falta de noção mesmo", ponderou Rodrigo.
Para ele, a prefeitura tem uma visão do carnaval como um evento mais mercadológico do que cultural.
"Os gestores da Riotur são pessoas do mercado, de grandes eventos, de showbusiness e sem experiência com cultura. O que precisa ser preservado é o bloco do carioca comum, exatamente quem tem dificuldade em pagar pelo serviço médico. Grandes artistas têm grandes patrocínios e não passam por isto", disse o presidente da liga.
"Acrescento ainda que, sobre os ensaios de rua, se não perturbarem o ir e vir das pessoas e o acesso a serviços básicos, deveriam ser incentivados e não multados", completou Rodrigo.