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segunda-feira, 29 de junho de 2026

Quando a operação perde a capacidade de pensar

 


Andando pela Lagoa num domingo, tive uma sensação incômoda, mas muito clara: a operação perdeu a capacidade de distinguir trabalho de valor de simples ocupação de mão de obra. Vi gari varrendo canteiro central sem nenhuma utilidade perceptível para quem usa o espaço. Vi outro empurrando contêiner sem convicção do que estava fazendo. Vi varrição mal executada, folha sendo acumulada para coleta quando poderia simplesmente ser reconduzida para a área de terra, para o gramado, para o lugar onde a própria natureza já a acolhe sem custo adicional. Tudo isso revela a mesma coisa: falta análise, falta critério, falta inteligência operacional para separar desperdício de oportunidade de agregar valor.

Esse tipo de cena não é apenas ineficiência miúda. É sintoma de uma cultura de operação que foi se tornando incapaz de perguntar o básico: por que este serviço está sendo feito, neste lugar, neste horário, com este recurso? O que percebi foi o predomínio do “mais do mesmo”. Varrer por varrer. Botar gente na rua para fazer qualquer coisa. Ocupação em vez de propósito. Em gestão operacional, isso é grave, porque transforma o custo em rotina e o desperdício em paisagem. Quando ninguém mais pergunta qual é o retorno do esforço empregado, a operação deixa de ser gestão e vira apenas movimento.

Domingo, por exemplo, não deveria ser tratado como um dia qualquer. É um dia que pede seleção mais fina do que realmente agrega valor. Feira, praia, algum núcleo de uso intensivo de lazer, tudo bem. Mas soltar equipes dispersas em áreas sem necessidade real é confessar que não existe tática. E sem tática não há estratégia que resista. A operação acaba funcionando como um corpo que ainda se move, mas já sem coordenação superior entre cabeça, tronco e membros. Há orçamento, há gente, há equipamento. O que parece faltar é pensamento.

Essa perda de cognição aparece também na alocação territorial dos recursos. A Zona Sul continua dando a impressão de estar abarrotada de meios, enquanto o restante da cidade provavelmente recebe menos do que precisaria — ou recebe mal. Ver equipamento tipo papa-mato sendo usado em bloquete na Borges de Medeiros, quando há certamente áreas mais adequadas para esse recurso em outras regiões, é quase uma metáfora do problema. Não se trata apenas de excesso. Trata-se de excesso mal empregado. E excesso mal empregado é uma forma sofisticada de carência, porque consome capacidade onde ela agrega pouco e a retira de onde faria diferença.

Há alguns anos, a Comlurb ainda guardava, mesmo que modestamente, alguma capacidade de análise de valor. Não era um paraíso de racionalidade. Mas havia mais percepção sobre produtividade, sobre retorno do investimento, sobre ajuste fino entre equipamento, território e necessidade. Isso se perdeu muito. O que se vê hoje, ao menos em certos trechos da operação, é uma máquina mais vocacionada para o atacado do que para o varejo. Sabe fazer evento, sabe aparecer em grandes mobilizações, sabe produzir volume e presença quando há vitrine. Mas no dia a dia, no varejo da limpeza urbana, no detalhe que sustenta a qualidade real do serviço, a inteligência parece ter rareado.

O sinal mais grave dessa deterioração talvez seja a falha de coleta. Isso, para quem é antigo de casa, sempre foi uma espécie de pecado capital da operação. E, no entanto, ela começa a aparecer aqui e ali: o logradouro onde a coleta noturna não passou, a explicação difusa sobre falta de gente, gari temporário, falta de caminhão — num contexto em que, aparentemente, não faltam meios materiais na mesma proporção. O problema, então, não parece ser apenas de recurso. Parece ser de tecido institucional. Algo se rompeu no chão da fábrica. Não estou falando da diretoria, que vive outro plano de preocupações. Estou falando da gestão local, da camada gerencial que faz a operação existir concretamente. Quando se coloca gente sem capacidade cognitiva suficiente para compreender a matemática básica do serviço, não adianta cobrar solução de equações mais complexas.

No fim, o que mais impressiona não é o erro pontual, mas o desinteresse percebível. A sensação de que se perdeu o hábito de pensar a operação. Segue-se o barco, cumpre-se a rotina, ocupa-se o dia, e vamos embora. Mas limpeza urbana séria não vive de rotina cega. Vive de observação, correção e inteligência aplicada ao território. Quem conhece a casa há mais tempo percebe que a coisa está errada não porque idealiza o passado, mas porque ainda conserva memória do pouco de cognição operacional que existia. E talvez esse seja hoje o diagnóstico mais duro: não falta apenas gestão. Falta entendimento do que seja, de fato, gerir.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Varredeiras mecânicas e o velho problema de não saber usar bem o que se tem

 


Comlurb apresenta novas varredeiras de grande porte para reforçar a limpeza da cidade.
Neste domingo (11/01) foram apresentadas as novas varredeiras de grande porte! São 13 novos veículos que vão atender toda a cidade, atuando na limpeza de vias expressas, viadutos e túneis. Cada varredeira tem capacidade de varrição equivalente ao trabalho de 30 garis, além de auxiliar na limpeza de ralos. Em um turno de 8 horas, os veículos realizam cerca de 40 km de varrição das vias. O evento aconteceu na Estrada do Tingui, em Campo Grande, onde a Prefeitura inaugurou um novo trecho da via


A apresentação de novas varredeiras de grande porte pela Comlurb é, em tese, uma boa notícia. Equipamentos desse tipo fazem sentido em uma cidade como o Rio, especialmente para vias expressas, viadutos e túneis, onde a varrição manual expõe trabalhadores a risco e nem sempre consegue dar conta da escala do serviço.

O problema é que, na Comlurb, varredeiras mecânicas quase nunca foram plenamente compreendidas como conceito operacional. Sempre existiram como equipamento. Raramente existiram como inteligência de uso.

Durante muito tempo, a ideia de que a presença visível do gari resolve ou simboliza melhor a limpeza acabou ofuscando a mecanização onde ela realmente faria diferença. Não por oposição entre homem e máquina, mas por falta de clareza sobre o lugar de cada um. Resultado: em vez de usar a máquina onde ela reduz risco, amplia produtividade e libera mão de obra para tarefas mais adequadas ao trabalho manual, muitas vezes se fez o contrário.

Varredeiras de grande porte deveriam ser quase exclusivas de grandes corredores viários, exatamente onde a varrição manual é perigosa e há carência de cobertura para longas extensões. A notícia, nesse ponto, aponta corretamente para vias expressas, viadutos e túneis. Mas a prática histórica recomenda cautela. Já se viu esse tipo de equipamento operando em logradouros como a Avenida Nossa Senhora de Copacabana, onde há disponibilidade de varrição manual e onde o ambiente urbano restringe boa parte do potencial da máquina.

Também chama atenção a forma tímida com que, muitas vezes, esses equipamentos são operados. Varredeiras de grande porte costumam trabalhar, em padrões usuais de mercado, entre 8 e 15 km/h, dependendo das condições da via e do resíduo. Na prática, porém, frequentemente parecem reduzidas a um ritmo excessivamente conservador, próximo de 5 km/h, como se fossem tratadas mais como peça de demonstração do que como recurso de alto rendimento.

O problema não está apenas na velocidade. Está no repertório operacional limitado. Nunca se consolidou o uso da mangueira auxiliar, a wander hose, que permitiria limpar bocas de lobo, cantos protegidos, áreas atrás de muretas e outros pontos fora do alcance do bocal principal. Nunca se viu, de modo consistente, a operação combinada entre soprador e varredeira, que é justamente uma das formas mais eficientes de ampliar o alcance lateral da máquina e reduzir a dependência da varrição manual pesada.

Nas varredeiras médias, o equívoco assumiu outra forma. Em algum momento, parece ter se decretado que equipamentos do tipo Green Machine serviriam apenas para ciclovias, como se sua vocação urbana fosse mínima. Com isso, perderam-se oportunidades de uso em sarjetas e áreas onde a máquina poderia complementar muito bem o serviço manual. E a varredeira compacta, essa sim especialmente adequada para ciclovias e espaços mais estreitos, segue subutilizada, aparecendo mais em operações excepcionais do que na rotina.

Nada disso decorre de limitação tecnológica. O mercado conhece bem essas soluções. Os usos são conhecidos. O problema é gerencial.

Na administração pública, há um erro recorrente: imaginar que modernização é comprar equipamento novo. Não é. Modernização é mudar a lógica de uso. Sem isso, a máquina nova apenas decora práticas antigas.

As 13 novas varredeiras podem, sim, melhorar a limpeza da cidade. Mas isso dependerá menos da quantidade adquirida e mais da capacidade de utilizá-las com critério: nas vias certas, com velocidade compatível, com integração a outros recursos e sem subordinar a mecanização a uma cultura operacional que continua pensando como se toda limpeza urbana tivesse de ser manual, visível e lenta.

Em limpeza urbana, não basta ter máquina. É preciso saber para que ela serve.

domingo, 5 de janeiro de 2025

Papeleiras onde são necessárias!!!!

Não há absolutamente qualquer fluxo de pedestres nessa esquina. A papeleira nunca será usada! Está lá provavelmente porque o "manual" diz para ter papeleiras em cruzamentos


 Um passeio pela cidade demonstra exemplos de locais onde as papeleiras existentes são totalmente desnecessárias, onde as papeleiras são insuficientes, onde atrapalham a circulação, onde são repedidas vezes depredadas, onde ficam em desarmonia com o espaço público, e, graças aos céus, locais onde estão muito bem posicionadas cumprindo sua função operacional e educacional.

Acredito que alguém com boa vontade caminhando pelos logradouros observando a movimentação das pessoas e a ambiência do espaço público percebe onde instalar papeleiras sem a necessidade de equações matemáticas. Porém, algumas recomendações deveriam ser consideradas:

1) Logradouros residenciais não devem ter papeleiras. Em um logradouro com baixa frequencia de varrição existe o risco de encontra inagens com esta onde a papeleira se transforma em ponto de disposição de lixo domiciliar fora do dia e horário de coleta:

2) Logradouros de lazer incluindo os de comércio semelhante a shoppings devem ter papeleira onde os usuários menos se locomovem. Em uma praça: próximo aos bancos e mesas de jogos, próximo a quiosques, brinquedos. Em um bulevar: próximo às esquinas e entrada de prédios públicos.
3) Logradouros comerciais e/ou de escritórios com movimentação intensa tipo centro da cidade deve haver infestação de papeleiras. Sem causar obstrução à circulação as papeleiras devem ficar como se os transeuntes quase tropeçassem nelas.
4) Em entradas e saídas de estações de metrô e trem, terminais rodoviários e marítimos devem ter papeleiras nos logradouros de acesso. Também em pontos de ônibus cobertos e pontos de taxi.

5) Padronização das papeleiras é vantajoso para a aquisição e manutenção, no entanto, alguma atenção deve ser dada para tipos diferenciados. Papeleiras mais resistentes em locais onde pode haver maior incidência de depredação tais como saída e acessos de estádios. Papeleiras mais elaboradas esteticamente para as maiores atrações turísticas. Até mesmo papeleiras temáticas como áreas de saída de praia ou shows.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

Papeleiras onde são necessárias!!!!

Não há absolutamente qualquer fluxo de pedestres onde está posicionada a papeleira. Mesmo que alguém passe ali a papeleira está no sentido contrário da passagem. Não imagino que parte do "manual" oriente isso.



Um passeio pela cidade demonstra exemplos de locais onde as papeleiras existentes são totalmente desnecessárias, onde as papeleiras são insuficientes, onde atrapalham a circulação, onde são repedidas vezes depredadas, onde ficam em desarmonia com o espaço público, e, graças aos céus, locais onde estão muito bem posicionadas cumprindo sua função operacional e educacional.

Acredito que alguém com boa vontade caminhando pelos logradouros observando a movimentação das pessoas e a ambiência do espaço público percebe onde instalar papeleiras sem a necessidade de equações matemáticas. Porém, algumas recomendações deveriam ser consideradas:

1) Logradouros residenciais não devem ter papeleiras. Em um logradouro com baixa frequencia de varrição existe o risco de encontra inagens com esta onde a papeleira se transforma em ponto de disposição de lixo domiciliar fora do dia e horário de coleta:

2) Logradouros de lazer incluindo os de comércio semelhante a shoppings devem ter papeleira onde os usuários menos se locomovem. Em uma praça: próximo aos bancos e mesas de jogos, próximo a quiosques, brinquedos. Em um bulevar: próximo às esquinas e entrada de prédios públicos.
3) Logradouros comerciais e/ou de escritórios com movimentação intensa tipo centro da cidade deve haver infestação de papeleiras. Sem causar obstrução à circulação as papeleiras devem ficar como se os transeuntes quase tropeçassem nelas.
4) Em entradas e saídas de estações de metrô e trem, terminais rodoviários e marítimos devem ter papeleiras nos logradouros de acesso. Também em pontos de ônibus cobertos e pontos de taxi.

5) Padronização das papeleiras é vantajoso para a aquisição e manutenção, no entanto, alguma atenção deve ser dada para tipos diferenciados. Papeleiras mais resistentes em locais onde pode haver maior incidência de depredação tais como saída e acessos de estádios. Papeleiras mais elaboradas esteticamente para as maiores atrações turísticas. Até mesmo papeleiras temáticas como áreas de saída de praia ou shows.

segunda-feira, 6 de novembro de 2023

Caixa Compactadora Estacionária - Ninguém questionou...

Alguém um dia determinou que as caixas compactadores estacionárias somente poderiam ser instaladas para receber resíduos de comunidades! 

Ninguém questionou porque não utiliza-las em grandes condomínios onde os caminhões compactadores coletam inúmoeros containers praticamente sem deslocamento.

Ninguém questionou porque não utiliza-las em instalações da Companhia recebendo resíduos trazidos de veículos de pequeno porte, criando uma espécie de estação de transferência. 

Ninguém questionou...

E agora, mesmo que existam opções vantajosas, as caixas compactadoras são vistas como equipamentos de uso exclusivo em comunidades..





 Em uma pequena cidade, havia uma pracinha muito frequentada por moradores. Nessa praça, havia uma sentinela para cuidar de um local que, para muitos, parecia não ter qualquer função. A presença dessa sentinela era vista com curiosidade, pois ninguém sabia o motivo pelo qual ele estava ali. Durante anos, sentinelas permaneceram firmes em seu posto, vigiando aquela região da praça que, aos olhos de todos, parecia não necessitar de vigilância. A sentinela foi criada inicialmente para evitar que os moradores sentassem em um banco recém pintado... banco que nem existe mais...

segunda-feira, 23 de outubro de 2023

Nove embarcações reforçam a limpeza em ilhas da Barra, na Lagoa e na área costeira do Museu do Amanhã

Em períodos de prosperidade, é fundamental exercer cautela para não nos deixarmos seduzir excessivamente pelas oportunidades. Por muito tempo, a operação náutica enfrentou desafios, conseguindo entregar resultados notáveis apesar das limitações de suas embarcações. Atualmente, assistimos ao surgimento de uma expressiva "marinha laranja", composta por nove novas embarcações. 

Posso falar com segurança apenas sobre as destinadas à Lagoa Rodrigo de Freitas. Dentre todas, a mais crucial – e talvez a única verdadeiramente indispensável – é a embarcação tipo ceifador, usada para cortar vegetação aquática. Contudo, os dois catamarãs de pequeno porte, embora equipados com um sistema eletromecânico para a elevação do cesto dianteiro, e uma chata parecem ter pouca utilidade. Isso se deve ao fato de que quase não há resíduos flutuantes na lagoa. Quando tais resíduos surgem, eles são geralmente levados pelo vento até as margens, onde podem ser coletados sem a necessidade de uma embarcação.

Resta a questão da mortandade de peixes, um fenômeno cada vez mais raro (a última ocorrência significativa foi há mais de quatro anos). Portanto, se a justificativa para estas embarcações é a prevenção de mortalidade de peixes, a flotilha laranja se assemelha aos carros de bombeiros em aeroportos: embora raramente usados, são justificados pela potencialidade de prevenir uma catástrofe. A diferença é que, enquanto os carros de bombeiros nos aeroportos mantêm sua justificativa por poderem salvar vidas, a relevância de uma grande parte desta frota náutica permanece questionável.



Embarcação circula numa das ilhas da Barra - William Werneck / Comlurb

Nove embarcações recém-adquiridas pela Comlurb entraram em operação no complexo de sete ilhas da Barra da Tijuca, na Lagoa Rodrigo de Freitas e nas áreas costeiras do Museu do Amanhã. Os equipamentos são usados no transporte de resíduos sólidos e flutuantes removidos das águas e, ainda, em coleta domiciliar. Com o novo material, os serviços passam a ter mais agilidade e eficiência.

As ilhas da Barra ganharam quatro embarcações para a coleta domiciliar. São três catamarãs de pequeno porte, com sistema eletromecânico de elevação do cesto dianteiro, além de um equipamento tipo chata, usado em locais de difícil acesso.

A limpeza na Lagoa é feita com dois catamarãs de pequeno porte, equipados com sistema eletromecânico para elevação do cesto dianteiro; uma embarcação tipo ceifador para o corte de vegetação aquática (como as gigogas) abaixo da lâmina do espelho d’água e uma chata.

No entorno do Museu do Amanhã está sendo usado um catamarã de grande porte, equipado com sistema eletromecânico para elevação do cesto dianteiro.



sábado, 14 de outubro de 2023

Varredeira de médio porte - Ninguém questionou...

Alguém um dia determinou que as varredeiras de médio porte deveriam operar em ciclovias! 

Ninguém questionou porque não utiliza-las em logradouro uma vez que suas especificações técnicas indicavam sua eficiência em limpeza de sarjetas...

Ninguém questionou...

E agora, mesmo que a determinação inicial seja vazia de propósito, as varredeiras de médio e pequeno porte são vistas como equipamentos de uso exclusivo em ciclovias...



Em uma pequena cidade, havia uma pracinha muito frequentada por moradores. Nessa praça, havia uma sentinela para cuidar de um local que, para muitos, parecia não ter qualquer função. A presença dessa sentinela era vista com curiosidade, pois ninguém sabia o motivo pelo qual ele estava ali. Durante anos, sentinelas permaneceram firmes em seu posto, vigiando aquela região da praça que, aos olhos de todos, parecia não necessitar de vigilância. A sentinela foi criada inicialmente para evitar que os moradores sentassem em um banco recém pintado... banco que nem existe mais...


Ilha de Paquetá - O potencial laboratório de Gestão Integrada dos Resíduos Sólidos

A Ilha de Paquetá é uma oportunidade desperdiçada

O isolamento de Paquetá é ideal para a ilha seja um laboratório de Gestão Integrada dos Resíduos Sólidos. Ali deveria acontecer tudo que fosse inovador em gestão de resíduos e sustentabilidade! 

Imagina por exemplo prescindir da retirada de resíduos através de balsa porque tudo foi recuperado pela reciclagem, compostagem ou geração de energia!




Já em 2011, o então presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro, José Luiz Alquéres, lançou a ideia de fazer da Ilha de Paquetá um modelo do que poderia ser o Rio de Janeiro Sustentável, nascia a iniciativa Paquetá Sustentável. Resgatando esse espírito, devemos buscar que a Unidade de Serviço de Paquetá seja um modelo de operação sustentável! 



Comlurb faz operação especial na Ilha de Paquetá

O time da gerência de serviços emergenciais (DLU/LRS/SGE) e da divisão de serviços Paquetá (DLU/LRS/SD21P), com 25 garis, fez uma operação após a chegada de muito lixo de maré na Praia da Cachoeira, na Ilha de Paquetá.

A atuação foi realizada nessa terça-feira (10/10) e contou com o acompanhamento do diretor da DLU, Guilherme Gomes, do superintendente da LRS, Alexandre Campos, do subprefeito das Ilhas do Governador, Fundão e Paquetá, Rodrigo Toledo, e do coordenador da LRS, Robson Coutinho.

Confira um pouco do serviço.



sábado, 30 de setembro de 2023

Panorama de Integridade e Transparência - setembro 2023


"sempre foi feito assim" é um risco de integridade!

Em uma pequena cidade, havia uma pracinha muito frequentada por moradores. Nessa praça, havia uma sentinela para cuidar de um local que, para muitos, parecia não ter qualquer função. A presença dessa sentinela era vista com curiosidade, pois ninguém sabia o motivo pelo qual ele estava ali. Durante anos, sentinelas permaneceram firmes em seu posto, vigiando aquela região da praça que, aos olhos de todos, parecia não necessitar de vigilância. A sentinela foi criada inicialmente para evitar que os moradores sentassem em um banco recém pintado... banco que nem existe mais...

As organizações e as pessoas, em diversos momento, realizam procedimentos de uma certa maneira simplesmente porque "sempre foi feito assim", sem questionar ou entender o seu propósito original. Processos e sistemas que, sem questionamento ou revisão, perpetuam-se em instituições, podem gerar recursos mal alocados e prejuízos financeiros.

Revisar periodicamente os procedimentos, desafiar o entendimento comum e as formas de trabalho estabelecidas são fundamentais para garantir que eles ainda sejam relevantes e eficazes. Questionar, entender e melhorar são imperativos para que as organizações operem de maneira eficiente e responsável. E quando o combate aos desperdícios e a melhoria contínua através de uma constante análise crítica não são priorizado, podemos considerar que valores como a integridade e a transparência estão em risco.

Atividades desnecessárias, redundantes ou sem propósito podem sinalizar alocações inadequadas de recursos, ineficiências administrativas, falta de planejamento ou também a ocultação de práticas irregulares que podem abrir portas para práticas corruptas. Quando uma organização é capaz de eliminar o que é desnecessário, redundante ou sem propósito, deixando de fazer o que é irrelevante porque "sempre foi feito assim", temos equipes, materiais e equipamentos empregados de maneira eficiente e a utilização dos recursos em prol dos melhores resultados de forma sustentável.

É essencial que organizações públicas adotem uma abordagem proativa para identificar e eliminar desperdícios. Ao fazer isso, não apenas recursos serão economizados, mas a eficiência dos processos será aprimorada e os riscos de integridade e transparência reduzidos, fortalecendo a confiança da população e garantindo um serviço público de alta qualidade.


Panorama - 0923 (2) by Gustavo Puppi on Scribd



Panorama - 0923 (1) by Gustavo Puppi on Scribd

domingo, 22 de novembro de 2020

Termo de Cooperação Mútua...

Acredito que em um Termo de Cooperação Mutua deva existir em princípio um equilibrio de benefícios. 

No termo tradicionalmente firmado com o TRE, a Companhia cede pessoal para a distribuição e recolhimento de urnas nos finais de semana da Eleição, cede veículos para a fiscalização da propaganda eleitoral e veículos para apoio logístico.

Em cada turno, são mil garis, dois caminhões e 15 veículos leves com seus motoristas

No outro lado da balança, o TRE veda que seus juizes requisitem diretamente recursos e possibilita à Comlurb requerer a dispensa dos empregados eventualmente convocados para trabalhos eleitorais. Também exclui os empregados do direito a descanso em dobro precisto no art. 98 da Lei 9.504/97. Por fim autoriza a Companhia a remover propaganda eleitoral encontrado em vias públicas após as 22:ooh do dia da Eleição.

É o tipo da coisa que nunca se avaliou o real equilibrio do termo de cooperação.

A mobilização de mil garis, dois caminhões e 15 veículos leves com seus motoristas é compensada pelas vedações, possibilidades e a autorização para empenhar mais recursos removendo propaganda eleitoral de logradouros?

Não seria melhor que a mobilização de recursos fosse realizada por setores da administração direta? A movimentação de urnas não poderia ser realizada por pessoas que tem alguma relação com a administração pública, como por exemplo, alunos de universidades públicas, ou até mesmo por setores da sociedade civil voltados para ações cívicas, como os Escoteiros do Brasil?





 

terça-feira, 11 de agosto de 2020

Webinar - O conceito de "Sentinela" como barreira de melhoria nos processos

 “Sentinelas” são procedimentos, conceitos, rotinas que continuam sendo feitos somente por serem consideradas verdades inquestionáveis. 

Persistem mesmo que a razão de sua existência não exista mais. Da mesma forma, sentinelas podem surgir pelo abandono de procedimentos, conceitos, rotinas que ainda tem razão para sua existência!

Em nome de uma autoestima institucional exacerbada somos refratários à novas idéias e amantes de nossos sentinelas. Aceitamos como verdade absoluta o que nos chega sem qualquer exame ou questionamento.


Como será o mundo daqui a pouco?

O conceito budista de impermanência aplicado às relações comerciais

Um minuto atrás

Um instante atrás

Daqui a pouco

Restaurante, lanchonete e pizzaria com entregador na motocicleta.

Restaurante somente com a cozinha e com entrega por aplicativo Ifood, Rappi, UberEats.

 

Administradora de imóveis com corretor anunciando apartamentos no jornal de domingo

Aluguel ou venda de impovel por por aplicativo QuintoAndar ou zapimoveis

 

Transações bancárias em agências bancárias com caixas automáticos

Bancos digitais sem agências como Nubank ou Neon

 

Táxi rodando pela cidade ou nos pontos esperando passageiro

Viagens programadas no Uber ou Cabify e pagas pelo aplicativo

 

Viagens com agências e agendamento de Hotéis.

Hoteis no Booking ou Airbnb, passagens no Decolar

 

Vai no cursinho de inglês e fica repetindo as frases na turma cheia

Conversa com o professor no OpenEnglish ou no English Live

 

Abre a Barsa ou Encyclopædia Britannic e copia o que der

Vai no GOOGLE ou no Wikipédia

 

Leva dinheiro trocado para comprar coisas na feira.

Todo mundo tem maquininha!

 

quinta-feira, 16 de julho de 2020

TBT - Lembrando a coleta automatizada lateral

A Coleta Automatizada Lateral, equipamento utilizado a décadas na Europa e fortemente difundido na América Latina, com capitais como Buenos Aires atendida e cidades brasileiras como Porto Alegrefracassou na Cidade do Rio de Janeiro.

No Rio de Janeiro, se as premissas elaboradas no teste de campo tivessem sido respeitadas, seria possível em um cenário conservador adotar como meta o atendimento de 57% da população alterando revolucionariamente o modelo de coleta domiciliar na cidade.

O fracasso ocorreu pela presunção de que os containers metálicos seriam os substitutos das antigas caixas metálicas de coleta em poli guindaste e que deveriam ser posicionadas em comunidades onde o resíduo é extremamente heterogêneo, com presença significativa de material não compactável.



quinta-feira, 18 de junho de 2020

TBT - Contato com Gari

No pouco tempo que estive capitaneando a gestão da Companhia procurei estimular a ampla discussão em torno do que considerava estratégico. 


Onde eu encontrava maior entusiasmo em criar uma Comlurb vibrante voltada para novas soluções para antigos problemas era junto aqueles que muitos não dão o devido valor: os garis. Sempre que saia na rua, abordando um gari aqui ou ali, sem holofotes, para uma conversa aberta com perguntas diretas, eu terminava o dia com verdadeiros mapas estratégicos e certeza do que deveria ser feito.

Aqui apresento dois encontros, onde surgiram as bases para a remodelagem da Avaliação de Desempenho Individual e as iniciativas de valorização de garis com nível de escolaridade superior.



sábado, 21 de março de 2020

Exemplos hilários de sentinelas empresariais

Vale a pena assistir toda a  entrevista do Professor Marins no Programa de Jô em que ele fala de sua experiências na Austrália e de outros "causos"de sua vida. 

Entrevista está dividida em 3 partes. Destaco o início da terceira parte onde são apresentados exemplos hilários de sentinelas empresariais.

“Sentinelas” são procedimentos, conceitos, rotinas que continuam sendo feitos somente por serem consideradas verdades inquestionáveis. Persistem mesmo que a razão de sua existência não exista mais. Da mesma forma, sentinelas podem surgir pelo abandono de procedimentos, conceitos, rotinas que ainda tem razão para sua existência!

Em nome de uma autoestima institucional exacerbada somos refratários à novas idéias e amantes de nossos sentinelas. Aceitamos como verdade absoluta o que nos chega sem qualquer exame ou questionamento.










terça-feira, 27 de agosto de 2019

A antiga inovação!

Em 2017 já existia o alerta que o acondicionamento de resíduos é um exemplo de cenários que estão em constante mudança, e que, visando criar uma Zona de Economia é necessário questionar procedimento e conceitos que já não oferecem mais atributos tangíveis e intangíveis e/ou redução de custos, ou seja, que não agregam valor.

Durante algum tempo utilizou-se containers metálicos para o acondicionamento de resíduos em condomínios para a coleta domiciliar e em logradouros para a coleta em acessos de comunidades.

Lá pela década de 80, havia muita reclamação do barulho ocasionado pela movimentação de contêineres metálicos ao serem coletados nos prédios, principalmente os dos roteiros noturnos. Realmente metal movimentando metal produz fortes ruídos! A decisão foi banir por completo o container metálico da operação como forma de eliminar a insatisfação dos cidadãos! 

O retorno do uso do contêiner metálico atenua a má decisão genérica de banir o equipamento de toda operação por conta de reclamações em um recorte muito específico, ou seja, coleta domiciliar noturna em zonas residenciais verticalizadas, 




quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Novos modelos de papeleiras?

Já foi dito que a questão das papeleiras na cidade é algo que merece um profundo questionamento para revisar modelos, tamanhos, propósito do equipamento, além de procedimentos de aquisição, instalação, manutenção e limpeza, todos impregnados de sentinelas sem sentido!

Sem a busca da verdadeira causa de alguma situação adversa através de um criterioso exame e questionamento, existe o risco de soluções improvisadas, superficiais e ineficazes, placebos operacionais. 

A esperança é que esta simpática iniciativa das papeleiras "vintage" seja fruto de um criterioso exame e questionamento, e não somente o desejo saudosista de reviver outras eras.







Comlurb testa novos modelos de papeleiras

Novas Papeleiras da Comlurb
 Novas Papeleiras da Comlurb

O Méier foi escolhido pela Comlurb para testar 21 novas papeleiras. O novo modelo é mais resistente e fixo, para inibir o vandalismo e o furto, fatores responsáveis por até 25% da perda das papeleiras da cidade. Os novos equipamentos estão sendo construídos na própria fábrica da Companhia, a Aleixo Gary, instalada em Campo Grand. A fábrica, que teve início ainda na década de 30, conserta e reaproveita materiais e equipamentos usados pela Companhia, além de criar opções alternativas e sustentáveis. 

Os novos equipamentos são maiores, com um metro de altura e 40 cm de profundidade, cabendo o dobro de resíduos das papeleiras atuais. São confeccionadas com chapas galvanizadas e emborrachadas, a partir de reutilização de sobras de madeira plástica. As novas papeleiras são chumbadas ao chão e não podem ser removidas ou manipuladas. Somente o gari, com uma chave própria, abre o equipamento e retira o cesto interno para remoção dos resíduos.

A fábrica, cujo nome é uma homenagem ao empresário francês Pedro Aleixo Gary que, ainda no século XIX, estruturou os serviços de limpeza urbana na cidade do Rio de Janeiro, está finalizando um novo lote com mais 30 unidades, que também serão testadas no Méier.

quarta-feira, 31 de julho de 2019

O que falta para adotar o novo modelo de transporte corporativo?

Na Comlurb existe uma frota de veículos alugados para uso em atividades operacionais, de fiscalização e transporte administrativo. Esses veículos são normalmente conduzidos por motoristas da própria Companhia. 

Convém que os veículos destinados aos setores operacionais e de fiscalização sejam de uma frota alugada  pois são atividades que exigem modelos específicos de viaturas com sinalizadores e compartimento de carga ou transporte de ferramentas. 

No entanto, os veículos destinados à transporte administrativo ou executivo poderiam certamente serem suprimidos do contrato de locação e substituídos pelo já regulamentado Taxi.Rio na Cidade do Rio de Janeiro ou ir além incorporar um modelo semelhante ao TaxiGov, do Governo Federal em Brasília, que já utiliza plataformas tipo Uber ou Cabify.


O que falta para adotar a inovação na Comlurb?



O Taxi.Rio Corporativo completou um ano de operação na Prefeitura no último dia 27 de julho. Com o objetivo de dar maior eficiência no gasto público com redução de custos associados ao transporte dos servidores públicos, a prefeitura regulamentou a funcionalidade do seu aplicativo de mobilidade como uma alternativa ao aluguel de veículos e contratação de serviços de cooperativas de táxis. A utilização do Taxi.Rio Corporativo é para o deslocamento de servidores municipais, durante o exercício das suas atividades.

Com a regulamentação do Taxi.Rio Corporativo, os contratos de locação de veículos estão sendo substituídos pelo uso dos táxis cadastrados na plataforma. Essa substituição, que já está em acontecendo em alguns órgãos e entidades municipais, poderá gerar uma economia de até 30 milhões/ano.

Plataforma de mobilidade Taxi.Rio ajuda órgãos municipais da economizar dinheiro público. Foto: Paulo Sérgio / Prefeitura do Rio
Plataforma de mobilidade Taxi.Rio ajuda órgãos municipais da economizar dinheiro público. Foto: Paulo Sérgio / Prefeitura do Rio


O que muda com o TáxiGov 2.1
Para garantir a continuidade do atendimento de transporte de servidores públicos federais, o Ministério da Economia assinou contrato temporário com a Uber do Brasil. A partir de abril de 2019, a empresa passará a atender o serviço de transporte administrativo conhecido como TáxiGov.
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Está aberto edital para contratação de serviço ou agenciamento de transporte terrestre, para servidores, empregados e colaboradores da Administração Pública Federal – em deslocamentos a serviço. O pregão será realizado no dia 24 de janeiro e equivale a um montante estimado de R$ 19,6 milhões para execução no período de um ano.
Com essa nova edição do TáxiGov, a expectativa é de que haja maior competitividade em relação aos processos anteriores. Isso porque estão aptas a participar do pregão não apenas as empresas de agenciamento de táxi, mas também as que prestam esse serviço por aplicativo, como Uber, Cabify, 99 e Easy, entre outras, e as locadoras de veículos. A expectativa do Ministério da Economia é de uma demanda de aproximadamente 6 milhões de quilômetros para atender todos os ministérios, a Presidência da República, além de 62 autarquias e fundações localizadas no Distrito Federal e entorno. A contratação terá como unidade de medida o quilômetro percorrido. 

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Para que ampliar a adesão à coleta seletiva?

Investir na coleta seletiva é uma daquelas máximas do politicamente correto que pessoas bem intencionadas repetem constantemente sem parar em algum breve momento para discutir a questão de forma mais abrangente.

A coleta seletiva é apenas um componente de um sistema que vai da geração do material reciclável até sua efetiva reciclagem. 

  • Falar em coleta seletiva sem falar regulamentação da logística reversa onde os geradores de embalagens deveriam arcar com as despesas de sua reciclagem?
  • Falar em coleta seletiva sem falar em fomento a utilização de recicláveis na industria garantindo mercado para o material que for separado?
  • Falar em coleta seletiva quando existem opções tecnológicas para separação de recicláveis como por exemplo o centrais mecanizadas de triagem no conceito "one bin for all" (uma lixeira para tudo)?
  • Falar em coleta seletiva sem falar na inclusão dos atuais catadores como agentes produtivos e empreendedores em todo o ciclo de vida do produto reciclavel?





A verdade é que a reciclagem é um MERCADO DE COMMODITIES com potencial empreendedores interessados em lucro! A Comlurb deveria estar focada em regulamentar e fiscalizar o mercado de recicláveis com máxima inclusão dos atuais catadores como futuros empreendedores. 

Não deveria estar focada em aumentar seu custo operacional, despesa pública, investindo em somente um elo de uma cadeia maior!

Investindo dessa forma em coleta seletiva fica somente no politicamente correto, ou só no politicamente.

sábado, 18 de maio de 2019

Pensamento empresarial budista


“Sentinelas” são procedimentos, conceitos, rotinas que continuam sendo feitos somente por serem consideradas verdades inquestionáveis. Persistem mesmo que a razão de sua existência não exista mais. Da mesma forma, sentinelas podem surgir pelo abandono de procedimentos, conceitos, rotinas que ainda tem razão para sua existência!


Em nome de uma autoestima institucional exacerbada somos refratários à novas idéias e amantes de nossos sentinelas. Aceitamos como verdade absoluta o que nos chega sem qualquer exame ou questionamento.