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terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Construção de um reator para Biodrying: uma alternativa para os resíduos sólidos urbanos brasileiro



Resumo

A produção de resíduos sólidos urbanos (RSU) é intensificada com o passar do tempo e sua destinação se torna um problema cada vez mais difícil de ser enfrentado. Atualmente, no Brasil, são poucas as técnicas difundidas para o tratamento de RSU, podendo ser citadas a compostagem e a reciclagem. Recentemente outras técnicas estão sendo desenvolvidas, principalmente aquelas que são voltadas para o aproveitamento energético dos resíduos, conhecida como “Waste to Energy”. Dentre as técnicas desenvolvidas, encontra-se o biodrying, o qual tem por objetivo secar os resíduos pelo processo exotérmico de degradação da matéria biodegradável em reatores. Este processo, combinado com injeção de ar no meio, faz com que haja redução do teor de umidade. São vários os resíduos que podem ser destinados para o processo, como o RSU, os resíduos de jardinagem e os lodos de estação de tratamento de esgoto. No que diz respeito aos reatores utilizados, eles podem ser tanto estáticos quanto dinâmicos, sendo os estáticos mais comuns. Porém, neste tipo de reator o material resultante é heterogêneo, ou seja, como dentro do reator o gradiente de umidade não é o mesmo para todos os pontos, o material resultante não tem umidade uniforme, interferindo, assim, no poder calorífico do material. Algumas técnicas para mitigar esta heterogeneidade, como inversão do fluxo de ar e utilização de reatores rotativos podem ser a solução para este problema. A prática da inversão do fluxo de ar ainda é pouco utilizada e o mesmo ocorre para como os tambores rotativos. A fim de deixar a literatura menos incipiente e testar a técnica do biodrying para os resíduos sólidos urbanos brasileiros foi construído um reator rotativo.




III-018 by on Scribd

quinta-feira, 5 de março de 2015

Esse Barco Também é seu!


Indubitavelmente, um livro brilhante e inspirador. Um livro que fala de pessoas, dos potenciais dessas pessoas e como um ambiente adequado somado a uma liderança inspiradora podem mudar realidades.

Um dos melhores livros sobre liderança de todos os tempos!

Um livro que exemplifica e teoriza sobre práticas implementadas (e validadas) de maneira esclarecedora. As lições de liderança do capitão D. Michael Abrashoff são inspiradoras. Elas provam que se ele conseguiu implementar as suas práticas em uma estrutura altamente hierarquizada como a Marinha Americana, qualquer líder – de verdade – poderá implementá-las em qualquer organização, privada ou pública, do mundo.








Resenha:

O livro ‘Este barco também é seu’ (D. Michael Abrashoff, Ed. Cultrix, 200 páginas) é um relato riquíssimo de uma experiência rara: a adoção, por iniciativa do oficial superior a bordo, de técnicas de gestão participativa em um navio de guerra da marinha norte-americana durante o conflito do Iraque.

A experiência durou 20 meses. Abaixo, a descrição dos resultados e comentários sobre os princípios cultivados pelo Capitão Mike no USS Benfold que o levaram a alcançar um nível de liderança raro em situações-limite, baseados na inspiração, no exemplo e na comunicação, e não na escala hierárquica e no poder formal.

Ao assumir o comando do USS Benfold, Abrashoff encontrou uma embarcação com todos os recursos tecnológicos que poderia desejar, mas com baixa produtividade. O pessoal era disciplinado, mas sem iniciativa nem motivação para ir além de seguir ordens. Mas ao invés de seguir o caminho usual de organizações fortemente hierárquicas (como a Marinha), ele optou por fazer algo diferente: ouvir a tripulação diretamente, buscar suas sugestões sem filtros corporativos, e fazer o possível para implementá-las em busca dos melhores resultados.

Em poucos meses, o quadro mudou radicalmente: o navio continuava tendo tecnologia de ponta, obviamente, mas a tripulação passou a ser confiante, motivada a solucionar problemas, disposta a tomar iniciativas e assumir responsabilidade pelos seus atos. O lema do USS Benfold passou a ser “Este barco também é seu!”, e rapidamente a embarcação passou a ser considerada modelo de eficiência em todos os indicadores e todos os níveis hierárquicos navais.

Os princípios de liderança que Abrashoff valorizou são apresentados ao longo do livro, mas vale mencionar alguns deles:

Ver o navio pelos olhos da tripulação: buscando sugestões diretamente dos marinheiros, Abrashoff pôde perceber que o moral da tripulação era reduzido pelo excesso de tarefas ineficientes e de baixo ou nenhum valor agregado que a tradição manda continuar sendo feitas sempre da mesma forma antiga. Ao modernizar estas tarefas, substituí-las ou mesmo eliminá-las, o capitão não apenas motivou seu pessoal, como ainda conquistou sua confiança e inspirou o restante dos oficiais a também ouvir atentamente o input que vem das equipes – ou seja, liderou pelo exemplo, e não pela autoridade do cargo.

Informar propósito e significado: Mike percebeu que quanto mais frequente e detalhadamente ele providenciava para a tripulação como um todo estar informada dos seus objetivos e planos que não fossem secretos, melhor era o desempenho de cada um, pois sabiam a razão de estarem realizando suas tarefas, e podiam alinhar suas decisões operacionais aos planos táticos e mesmo estratégicos. Além disso, quando se percebe o objetivo final, cada um pode entender a importância de realizar a sua tarefa específica.

Atenção à demanda interna e investimento no pessoal: Após vários contatos com seus tripulantes, o capitão acabou percebendo que uma grande causa de frustração para grande parte deles seria não poder realizar os exames de conhecimentos que os estudantes dos EUA realizam ao final do colegial. Apesar de ter estudado e se preparado, a tripulação agora estava em pleno Golfo Pérsico. Sabendo disso, e calculando adequadamente o valor que esta iniciativa teria para a motivação de todos, Abrashoff fez vir dos EUA um oficial apto a realizar estes exames, e os marinheiros puderam prestá-lo, mesmo estando a 60km da costa do Iraque.

Depois de reduzir enormemente os custos – principalmente por ouvir com atenção os seus técnicos, e autorizá-los a não seguir à risca os manuais burocráticos oficiais de procedimentos – e obter os mais altos indicadores de toda a frota, o período do Capitão Abrashoff à frente do USS Benfold merece estudo e reflexão, pois é um exemplo que prova que até mesmo nas forças armadas é possível aplicar amplamente a gestão participativa, e que demonstra mais uma vez o retorno obtido por buscar liderar sua equipe, e não apenas comandá-la – não importando se as batalhas que você luta são no mar, em terra, na Internet ou no mercado.

Em resumo, além de ser um exemplo de liderança inspirador, os resultados alcançados pelo USS Benfold devem ser vistos com muita atenção por quem tem sob seu comando qualquer organização administrada de maneira rígida por razões históricas.


Autor: D. Michael Abrashoff / Editora Cultrix ° Amana-Key

sábado, 16 de agosto de 2014

Lições Aprendidas

REDES DE INDIGNAÇÃO E ESPERANÇA: 
MOVIMENTOS SOCIAIS NA ERA DA INTERNET

Manuel Castells
Coletânea de passagens do livro.





Estopim!

Os movimentos sociais são desenvolvidos por indivíduos... A questão chave para esse entendimento é quando, como e por que uma pessoa ou uma centena de pessoas decidem, individualmente, fazer uma coisa que foram repetidamente aconselhadas a não fazer porque seriam punidas. (pg. 17)

Para que surja o entusiasmo e aflore a esperança, os indivíduos precisam superar a emoção negativa resultante do sistema motivacional de evitação, a ansiedade. A ansiedade é a reação a uma ameaça externa sobre a qual a pessoa ameaçada não tem controle. Assim, a ansiedade leva ao medo e tem sobre a ação um efeito paralisante. A superação da ansiedade no comportamento sociopolítico frequentemente resulta de outra emoção negativa, a raiva. Esta aumenta a percepção de uma ação injusta e com a identificação do agente por ela responsável. (pg. 18)

Eles (os espaços ocupados) criam uma comunidade, e a comunidade se baseia na proximidade. A proximidade é o mecanismo psicológico fundamental para superar o medo. E superar o medo é o limiar fundamental que os indivíduos devem ultrapassar para se envolver num movimento social, já que estão bem conscientes de que, em ultima instância, terão que confrontar a violência caso transgridam as fronteiras estabelecidas pelas elites dominantes para preservar sua dominação (pg. 15)

A mudança social envolve uma ação individual e/ou coletiva que é, em sua essência, emocionalmente motivada... O gatilho é a raiva, e o repressor, o medo. A raiva aumenta com a percepção de uma ação injusta e com a identificação do agente por ela responsável. O medo desencadeia a ansiedade, associada à evitação do perigo. Ele é superado pelo compartilhamento e pela identificação com outros num processo de ação comunicativa. Então a raiva assume o controle, levando ao comportamento de assumir riscos... Indivíduos entusiasmados, conectados em rede, tendo superado o medo, transformam-se num ator coletivo consciente. (pg.158)

Propagação!

Quanto mais rápido e interativo for o processo de comunicação, maior será a probabilidade de formação de um processo de ação coletiva enraizado na indignação, propelido pelo entusiasmo e motivado pela esperança. (pg.19)

Quando você tem um monte de gente enviando notícias, há um relato coletivo do que está acontecendo. (pg.95)

Quanto mais interativa e autoconfigurável for a comunicação, menos hierárquica será a organização e mais participativo o movimento. É por isso que os movimentos sociais em rede da era digital representam uma nova espécie em seu gênero (pg. 20)

Por serem uma rede de redes, eles podem dar-se ao luxo de não ter um centro identificável, mas ainda assim garantir funções de coordenação, e também de deliberação... Não precisam de uma liderança formal, de um centro de comando ou controle, nem de uma organização vertical, para passar informações ou instruções. (pg.160)

Os movimentos (em rede) ignoraram partidos políticos, desconfiaram da mídia, não reconheceram nenhuma liderança e rejeitaram toda organização formal, sustentando-se na internet e em assembleias locais para o debate coletivo e tomada de decisões (pg.9)

As redes sociais digitais baseadas na internet e nas plataformas sem fio são ferramentas decisivas para mobilizar, organizar, deliberar, coordenar e decidir. (pg.167)



Os ativistas planejaram os protestos pelo Facebook, coordenando-os pelo Twitter, divulgando-os pelo SMS e transmitindo ao mundo pelo Youtube. (pg.50)

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Notas sobre estratégia


"Às vezes, fico pensando se outras gerações teriam assistido a uma revolução de valores e de fatos tão completa quanto a que atravessamos. Praticamente, nenhuma das noções estabelecidas, que me haviam ensinado a considerar permanentes e vitais, ficou de pé. Em compensação, tudo o que eu considerava impossível, ou me ensinaram a considerar impossível, veio a acontecer. 

Nas batalhas o outro participante intervém a todo instante perturbando as coisas, e os melhores generais são os que chegam aos resultados do plano sem de escravizar ao plano. 

É preferível que críticos amistosos indiquem pontos fracos antes da publicação da obra do que surgirem críticas hostis quando já é tarde para modificações. 

Citando Mr Chamberlain:
De que adianta dar o toque de carga se ninguém nos acompanha!"




Minha Mocidade - Winston Churchill
Editora Nova Fronteira


terça-feira, 24 de abril de 2012

Se o dinheiro fosse meu seria feito desta forma?

Em "Reinventing Governement", David Osborne e Ted Gaebler apresentaram na década de 90 um novo modelo de gestão pública que emergia nos Estados Unidos, Nova Zelândia e no Reino Unido: Um modelo "empreendedor" de governar.
De muitos conceitos que chamaram atenção o mais importante a meu ver é que a avaliação da eficiência não pode ser dissociada da avaliação da efetividade, segundo os autores:

“Quando medimos a eficiência, podemos saber quanto nos custa alcançar uma produção determinada; ao medir a efetividade, sabemos se nosso investimento valeu a pena. Nada mais tolo do que fazer com eficiência o que não deveria continuar a ser feito”.







Empolgado com o modelo empreendedor apresentado por Osborne e Gaebler desenvolvi na virada do século uma doutrina gerencial particular e tive oportunidade de aplica-la enquanto eu trabalhava como gerente de Departamento (Projeto Cidadão 2000).

A missão, visão e política “empresarial” elaboradas naquele momento incorporaram conceitos de Administração Pública Empreendedora fundamentais para a busca da eficácia de forma eficiente.
Além disso...

Se o dinheiro fosse meu seria feito desta forma? 

Esta questão rotineiramente utilizada em tomada de decisões operacionais era a prova dos nove da doutrina gerencial: Se o dinheiro fosse meu o caminhão daria somente uma viagem? Se o dinheiro fosse meu eu pagaria o salário deste encarregado? Se o dinheiro fosse meu eu pagaria por qual frequência de varrição nesta rua?