Ao ver a abertura de mais um ciclo do Vivência Profissional, agora para 2026/2027, com vagas inclusive para novas formações como Engenharia da Computação, Ciências Contábeis, Técnico em Edificações e Automação Industrial, voltei a uma questão que enfrentamos em 2017. O perfil dos empregados da Comlurb havia mudado muito ao longo das décadas. Havia garis e outros profissionais cursando ensino técnico e superior, investindo na própria formação, mas encontrando dificuldade para aproximar aquilo que aprendiam da vida profissional. Na minha lembrança, o problema aparecia de forma particularmente dura para quem precisava compatibilizar trabalho, faculdade e as exigências práticas da formação. O emprego que sustentava o estudo podia acabar dificultando sua conclusão.
Foi nesse contexto que nasceu o Vivência Profissional. A documentação da época registra que, atendendo ao Acordo Coletivo de 2017, a Presidência publicou a Ordem de Serviço nº 18, em fevereiro daquele ano, atribuindo à Universidade Corporativa a elaboração do projeto, lançado em setembro. É importante fazer uma distinção: o programa não se confunde juridicamente com estágio, que possui legislação própria. A proposta era permitir que empregados estudantes tivessem, dentro da própria Companhia, contato com situações reais de trabalho relacionadas à habilitação que estavam buscando. No Percolado, escrevi naquele mesmo ano que a necessidade havia aparecido durante a construção do Comlurb Viva!: havia empregados querendo crescer profissionalmente, mas pouco espaço para “viver” dentro da empresa aquilo que estudavam fora dela.
Para mim, o Vivência é um dos legados mais interessantes daquela breve passagem pela Presidência justamente porque não nasceu da tentativa de inventar um benefício sofisticado. Nasceu de observar uma transformação que já estava acontecendo na base da Companhia e retirar um obstáculo do caminho. O empregado ganhava experiência e ampliava sua compreensão sobre a própria formação; a Comlurb passava a conhecer competências que muitas vezes estavam escondidas debaixo do uniforme e do cargo formal. Anos depois, o programa continuou, ganhou novos ciclos, monitoramento, autoavaliação e até banco de talentos; em 2025, a própria Companhia registrou recorde de 100 inscritos. A continuidade talvez seja a melhor avaliação de uma política interna: sobreviver a quem a criou.
Gestão de pessoas não é apenas administrar folha, frequência, benefícios e cargos. É perceber que a organização possui mais conhecimento do que o organograma consegue enxergar. O Vivência nasceu quando reconhecemos que o gari, o agente ou o empregado que estava estudando Administração, Engenharia, Serviço Social ou outra profissão não precisava deixar de ser quem era para começar a experimentar aquilo que poderia vir a ser. O ciclo 2026/2027 mostra que essa ponte continua de pé. Uma boa política de pessoas não promete uma carreira. Cria condições para que o trabalhador esteja preparado quando a oportunidade aparecer.


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