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segunda-feira, 20 de julho de 2026

Inteligência artificial: o presente que exige responsabilidade

Em 2024, a Diretoria de Compliance foi a primeira estrutura da Comlurb a reunir sua equipe para discutir abertamente o uso da inteligência artificial no trabalho. Naquele momento, a tecnologia ainda carregava certo ar de ameaça, como se toda conversa sobre IA começasse necessariamente pelo medo da substituição dos empregos. Preferimos olhar por outro ângulo: havia ali uma oportunidade concreta de melhorar procedimentos, organizar informações, revisar documentos e dar mais agilidade ao Programa de Integridade e Transparência. 

Na DCO, procuramos transformar a curiosidade em experimentação prática. Reunimos a equipe para discutir oportunidades e riscos, produzimos uma edição do Panorama de Integridade e Transparência dedicada ao tema e elaboramos um treinamento sobre construção de prompts, acompanhado de um e-book com orientações para formular perguntas mais claras e obter respostas mais úteis. Também experimentamos o “Seu Conforme”, um assistente digital voltado a dúvidas sobre normas, procedimentos e boas práticas. A intenção nunca foi substituir o conhecimento dos empregados, mas facilitar o acesso à informação e reduzir o espaço para improvisos. Foram ainda estudadas aplicações na triagem inicial de denúncias, na organização de respostas ao 1746, na preparação de informações para órgãos de controle e na revisão de textos normativos. Algumas eram experiências; outras, possibilidades. O mais importante foi romper a paralisia produzida pelo medo e mostrar que aprender a usar a ferramenta também era uma forma de organizar melhor o pensamento.



Agora, a publicação do Guia Orientativo de Uso Ético da Inteligência Artificial no Serviço Público Municipal, instituído pela Resolução SMIT nº 26, confirma que o uso da ferramenta se alastrou e deixou de ser curiosidade de poucos. A IA não é mais uma hipótese de futuro. Já está sentada à mesa.

O guia é bem-vindo porque não parte da proibição. Ao contrário, afirma expressamente que pretende incentivar o uso ético e responsável da IA como caminho para inovar com segurança, proteger o cidadão e fortalecer a confiança na administração pública. Essa escolha conceitual é importante. Toda tecnologia nova provoca dois impulsos igualmente perigosos: a adesão deslumbrada e a rejeição assustada. O documento procura evitar os dois ao reconhecer usos que geram valor público — resumir documentos, organizar grandes volumes de informação, simplificar textos técnicos, apoiar respostas aos cidadãos e reduzir retrabalho — sem esquecer que eficiência sem integridade pode apenas produzir erros em maior velocidade.

O ponto central está na responsabilidade humana. O guia repete uma ideia que deveria acompanhar toda ferramenta de gestão: a IA apoia; o agente público decide. Conteúdos precisam ser revisados, informações jurídicas e estatísticas devem ser verificadas em fontes oficiais, dados pessoais não podem ser despejados em plataformas externas não autorizadas e decisões que afetem cidadãos exigem transparência, possibilidade de explicação e revisão humana. O documento também alerta para alucinações, vieses algorítmicos, exposição de dados e manipulação por instruções maliciosas. Nada disso deve servir para demonizar a IA. Serve para lembrar que uma ferramenta poderosa amplia tanto a capacidade de fazer bem quanto a capacidade de errar. A responsabilidade final continua sendo de quem assina, decide e publica.

No fim, o uso íntegro da inteligência artificial não depende apenas de manuais, mas de cultura, capacitação e pensamento crítico. O guia oferece uma boa moldura para que a inovação não caminhe separada da proteção de dados, da transparência e do interesse público. Mas será preciso cuidado para que a prudência não vire estigma e para que a governança não se transforme em barreira burocrática destinada apenas a desencorajar quem tenta inovar. A IA não deve substituir a experiência, o conhecimento técnico ou o julgamento humano. Deve ampliá-los. Em 2024 já era possível perceber essa oportunidade. Em 2026, ela ficou institucionalmente reconhecida. A inteligência artificial é o futuro — ou melhor, o futuro chegou antes de terminarmos a frase.

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Proteção de dados não começou agora




A mensagem alusiva ao Dia Nacional de Proteção de Dados afirma que a Comlurb mantém um compromisso permanente com a privacidade, a responsabilidade e o tratamento seguro das informações. A declaração é correta, mas insuficiente. Proteção de dados não nasce de uma frase da presidência, nem se sustenta por peças de comunicação. É uma construção institucional feita de estrutura, normas, capacitação, controle de acesso, resposta a incidentes e continuidade gerencial. O compromisso real começa quando o discurso encontra método.

Entre 2021 e 2024, a Diretoria de Compliance tratou a LGPD como frente estratégica, e não como obrigação lateral entregue à informática ou ao jurídico. O Programa de Governança em Privacidade e Proteção de Dados Pessoais ganhou instrumentos concretos: Plano de Adequação, Política de Privacidade, Plano de Resposta a Incidentes e Política de Controle de Acessos. Foram criadas cartilhas, canais para o exercício dos direitos dos titulares, informações públicas sobre o tratamento de dados e ações permanentes de orientação às áreas da Companhia.

Também não ficamos restritos à produção de documentos. Mais de 1.600 empregados foram capacitados em LGPD, contratos foram revisados, orientações chegaram às unidades e a proteção de dados passou a dialogar com a segurança da informação, a tecnologia e a conduta institucional. A estrutura municipal responsável pelo tema chegou a reconhecer a Comlurb como organização com elevado grau de maturidade em proteção de dados. Isso é compromisso demonstrado por evidências. Não uma intenção futura, mas um patrimônio já construído.

Foi justamente por isso que considerei tão míope a decisão do CEO que assumiu em 2025 e desmontou a Diretoria de Compliance. A nova gestão deixou claro que não compreendia — ou simplesmente não valorizava — a função integradora daquela estrutura. O Programa de Integridade e Transparência sobreviveu como coordenadoria, mas com menor peso institucional, menor capacidade de interlocução e separado da integração direta com a Tecnologia da Informação. Não foi apenas uma alteração de organograma. Foi o rebaixamento de uma agenda que havia levado anos para ganhar musculatura.

A miopia gerencial costuma enxergar apenas aquilo que pode ser fotografado. Um logradouro varrido, uma árvore podada ou um caminhão novo aparecem facilmente no relatório e nas redes sociais. Já uma política de privacidade, um controle de acesso ou a prevenção de um incidente trabalham no território do intangível. Não são “instagramáveis”. Talvez por isso sejam tão vulneráveis diante de dirigentes que confundem visibilidade com valor. A integridade quase sempre parece dispensável até o momento em que sua ausência produz uma crise.

É nesse intervalo entre o discurso preservado e a estrutura desmontada que surge o risco do integritwashing. A organização continua falando em ética, privacidade e responsabilidade, publica cartazes, celebra datas e reafirma compromissos, mas enfraquece os mecanismos que davam substância ao que anuncia. Assim como o greenwashing transforma ações ambientais limitadas em narrativa de sustentabilidade, o integritwashing usa o vocabulário da integridade para produzir aparência de conformidade sem preservar a arquitetura capaz de transformar comportamento. A Diretoria de Compliance havia nascido justamente para retirar o tema do campo decorativo e dar alma a uma estrutura que antes existia quase apenas para atender formalidades.

Isso não significa desprezar a comunicação atual. É positivo que a proteção de dados continue sendo lembrada e que algum legado permaneça vivo pelo profissionalismo de quem ficou. Mas continuidade por inércia não equivale a política conduzida. Uma agenda institucional precisa de comando, recursos, integração, capacitação e avaliação permanente. Sem isso, pode sobreviver por algum tempo como eco do passado, até que a memória se desgaste e o rito ocupe o lugar da prática.

No fim, o Dia Nacional de Proteção de Dados deveria servir menos para anunciar compromisso e mais para prestar contas sobre ele. O que foi preservado? O que avançou? O que se perdeu depois do desmonte da DCO? Proteger dados é proteger pessoas, mas proteger uma política exige também preservar a estrutura que a sustenta. Quando a liderança destrói a engenharia e depois celebra a fachada, a integridade corre o risco de deixar de ser cultura e se transformar em cenário.

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Quando a inércia ainda carrega alguma virtude


A peça recente da Comlurb sobre “Brincadeira ou assédio?” merece ser vista com dois olhos ao mesmo tempo. De um lado, ela é correta ao afirmar que piadas ofensivas, apelidos constrangedores, humilhações e exposições repetidas não são aceitáveis e não devem ser naturalizadas como se fossem parte inocente do convívio de trabalho. De outro, ela também funciona como lembrança de algo maior: certas agendas institucionais sobrevivem, por algum tempo, mesmo depois de a estrutura que lhes deu forma ter sido desmontada.

Foi exatamente isso que aconteceu com a campanha contra o assédio. Em 2023, a Diretoria de Compliance colocou o tema no centro da conversa institucional, em parceria com a Comunicação, com cartilha, vídeos, peças explicativas, classificações do assédio, orientações preventivas, divulgação de canais de denúncia e capacitações que alcançaram centenas de empregados. Não era um esforço decorativo. Havia direção, método e intenção de mudança cultural. O Percolado registrou esse movimento quando noticiou o lançamento da campanha, a cartilha “Comlurb Contra o Assédio” e as palestras que, em poucos meses, envolveram mais de 800 empregados.

Por isso, mesmo considerando a extinção da Diretoria de Compliance como fruto de uma miopia institucional, é difícil não sentir um certo alívio ao ver que coisas importantes permaneceram. A peça atual não inventa um tema novo; ela prolonga uma trilha que já havia sido aberta. E faz isso num ponto muito sensível da vida cotidiana das organizações: a falsa brincadeira que, para quem pratica, parece leve, mas para quem recebe se acumula como constrangimento, humilhação e desgaste. A formulação é simples, quase elementar, mas necessária. Em muitas equipes, o assédio continua se escondendo atrás do humor ruim, da intimidade forçada e da brutalidade que tenta se disfarçar de normalidade.

O problema, como já venho observando em outros temas, é que a permanência do assunto não significa necessariamente que ele continue sendo governado com a mesma energia. Há uma diferença entre política institucional viva e pauta que segue andando por inércia. A primeira tem comando, acompanhamento, capacitação contínua e capacidade de resposta. A segunda conserva o ritual, repete a linguagem e ainda produz algum efeito, mas já sem a mesma força estruturante. A campanha contra o assédio parece hoje habitar esse intervalo: ainda respira, ainda comunica algo importante, ainda ecoa um trabalho sério do passado — mas já depende menos de uma estratégia em curso e mais do valor profissional residual daquilo que foi construído antes.

Ainda assim, há uma esperança discreta nesse tipo de sobrevivência. Quando uma agenda persiste mesmo depois da extinção da diretoria que a impulsionou, isso talvez signifique que alguma semente pegou. Não é o ideal. O ideal seria ter o tema com estrutura, prioridade e gestor dedicado. Mas, entre o desaparecimento total e a permanência por inércia, prefiro a segunda hipótese. Porque, em ambiente de trabalho, o combate ao assédio não é luxo moral nem modismo administrativo. É uma das formas mais concretas de preservar dignidade institucional. E, se a inércia ainda carrega alguma energia, talvez valha a pena torcer para que ela dure o suficiente até que alguém volte a compreender que certos assuntos não podem depender apenas da boa memória do que um dia já foi feito.

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Minuto de segurança não é perda de tempo


 Há práticas simples que revelam o grau de maturidade de uma organização. O Minuto de Segurança é uma delas. A comunicação interna da Comlurb o define como um breve encontro antes do início das atividades, voltado a reforçar o uso correto de EPIs, os cuidados necessários durante a execução das tarefas e os pontos de atenção de cada operação. Parece pouco. Não é. Em ambiente operacional, um minuto bem usado pode valer mais do que uma hora de improviso depois do acidente.

Esse tipo de prática sempre me marcou profissionalmente. No tempo em que trabalhei no estaleiro Ishikawajima, toda manhã começava com ginástica laboral e, em seguida, cada grupo de trabalho se reunia para lembrar os riscos das tarefas do dia. Do empregado mais novo ao superintendente, todos participavam. Aquilo não era encenação. Era cultura. Por isso, quando estive à frente da Diretoria de Serviços da Zona Oeste, fiz questão de fomentar tanto a ginástica laboral quanto o minuto de segurança.

O mérito da iniciativa atual está justamente em recolocar em circulação uma boa prática que, de tão simples, costuma ser desprezada por chefias apressadas. Há sempre o mau chefe que olha para o serviço atrasado na rua e conclui, com sua pressa míope, que prevenção é perda de tempo. Não percebe que essa pequena pausa inicial organiza a atenção, reduz a zona cinzenta e lembra ao trabalhador que segurança não é detalhe acessório da tarefa, mas parte da própria tarefa. A peça da Comlurb acerta ao dizer que o minuto de segurança deve ser objetivo, direto e dinâmico. Segurança boa não é palestra longa; é mensagem curta que entra antes do risco.

Há, além disso, uma dimensão mais profunda nesse ritual. O minuto de segurança não serve apenas para lembrar EPI ou procedimento. Ele produz presença. Obriga a equipe a sair do automático, a nomear o risco e a reconhecer que a operação não pode ser conduzida como mera repetição cega. Em organizações marcadas pela rotina pesada, esse pequeno encontro funciona como antídoto contra a banalização do perigo. É um instante em que a instituição diz ao trabalhador, de forma concreta: antes da produtividade, importa voltar inteiro para casa.

Por isso vejo com bons olhos esse retorno. Não porque traga novidade, mas justamente porque recupera uma disciplina preventiva que às vezes se perde sob a administração de chefes ruins e de urgências mal geridas. Em segurança operacional, esquecer o básico costuma ser o primeiro passo para o problema sério. O minuto de segurança é quase humilde demais para chamar atenção. Mas organizações maduras sabem que a prevenção não se mede pelo espetáculo das campanhas, e sim pela constância de pequenos hábitos que impedem que o acidente vire rotina.

sábado, 30 de maio de 2026

Conduta, integridade e a confusão que a boa intenção também pode criar

 

 As duas peças recentes do Momento Integridade Comlurb revelam um desvio sutil, mas importante, na condução do tema. Em 26 de maio de 2026, a comunicação interna divulgou a mensagem “Integridade é agir com ética todos os dias”, remetendo ao Código de Integridade dos Agentes Públicos da Prefeitura do Rio, previsto no Decreto Rio nº 50.021/2021. Dois dias depois, em 28 de maio, veio nova peça, desta vez centrada no Código de Conduta e Integridade da Comlurb, apresentado como documento orientador da atuação profissional dos empregados. O problema não está em nenhum dos dois conteúdos, isoladamente. Está na justaposição de mensagens e referências que, em vez de concentrar, dispersam.

Ao longo dos anos, o esforço mais consistente da antiga Diretoria de Compliance foi justamente o oposto disso: reduzir ambiguidade, uniformizar linguagem e dar centralidade ao que era normatizável. O Percolado já registrava, em 2019, que o Código de Conduta e Integridade era a primeira iniciativa relevante de uma organização que deseja garantir ambiente livre de corrupção e desvios de conduta, exatamente porque uniformiza o que se espera do empregado e reduz a “miríade de interpretações” sobre o que seria uma boa ou má conduta. A escolha por enfatizar conduta e integridade, e não “ética” em sentido amplo, tinha racionalidade administrativa: códigos disciplinam comportamentos; discussões abstratas sobre ética frequentemente se expandem mais do que orientam.

Esse cuidado não surgiu por acaso. Em 2021, quando a Comlurb estruturou a Semana da Integridade, a própria comunicação institucional associava o tema à prevenção de desvios de conduta e à produção de benefícios concretos para a Companhia, evitando tratá-lo como abstração ornamental. Em 2023, esse esforço seguia vivo: os panoramas da Diretoria de Compliance mostravam diretrizes voltadas à responsabilização, riscos trabalhistas, governança e inteligência digital, enquanto as campanhas internas continuavam a ancorar canais de denúncia e ações educativas no Código de Conduta e Integridade da Comlurb. Havia, portanto, um eixo: o documento da Companhia funcionava como referência prática e cotidiana, alinhado ao marco mais amplo da Prefeitura, mas não dissolvido nele.

Quando a comunicação recente passa a alternar, em curto espaço de tempo, o código da Companhia e o código dos agentes públicos da Prefeitura, o risco é enfraquecer exatamente essa clareza construída. O empregado comum não opera no terreno das sutilezas doutrinárias; ele precisa saber qual é o seu documento mestre, onde estão seus deveres, suas proibições, seus canais e seus referenciais de comportamento. O próprio texto de 28 de maio diz que é fundamental que todos conheçam e observem as orientações do Código de Conduta e Integridade da Comlurb. Já o material de 26 de maio convida a conhecer outro código, externo à Companhia, ainda que convergente. A boa intenção pedagógica, nesse caso, pode produzir ruído operacional.

Há aí um traço mais amplo, que talvez seja o ponto realmente preocupante: o tema da integridade parece sobreviver hoje mais por inércia qualificada do que por investimento efetivo de gestão. O Percolado documentou, em 2023, uma Diretoria de Compliance ainda dotada de agenda, método, produção e diretriz. O que se percebe agora é a permanência de certos ritos comunicacionais sem a mesma arquitetura de comando por trás. Nada disso apaga o valor profissional de quem continua tocando a pauta, muitas vezes remanescente daquele esforço anterior. Mas a sentinela existe: quando o tema deixa de ser governado e passa apenas a se repetir, a linguagem começa a escorregar, a prioridade se dispersa e a cultura se mantém mais por memória do que por direção.

No fim, integridade institucional não se fortalece com mais palavras; fortalece-se com palavras mais precisas. A Comlurb já construiu, ao longo dos últimos anos, um patrimônio importante ao sedimentar o Código de Conduta e Integridade da Companhia como referência prática de comportamento, denúncia e responsabilização. Preservar esse eixo talvez seja mais valioso do que ampliar, em nome de uma pedagogia genérica, o repertório de códigos e slogans. Em ambiente institucional, menos confusão vale mais do que mais discurso. E, nesse campo, clareza também é uma forma de integridade.





sexta-feira, 29 de maio de 2026

É claro que a Comlurb conhece o FIP.Rio.


A pergunta do cartaz — “Você conhece o FIP.Rio?” — talvez faça sentido para quem chega agora ao tema da integridade. Não é o caso da Companhia. Desde o primeiro dia de 2021, quando assumi a Diretoria de Compliance, estivemos totalmente alinhados com a política municipal de integridade, acompanhando a evolução institucional da pasta ao longo de suas diferentes configurações, da SEGOVI à SMTDI e depois à SMIT. Por isso, quando vejo a peça de 2026 apresentar o programa quase como novidade, a sensação que me fica não é de informação inaugural, mas de perda de memória institucional.

Não se trata de negar o mérito do FIP.Rio.
O programa é correto em seus objetivos e o e-mail interno o resume bem: fortalecer a cultura de integridade, prevenir e corrigir violações de conduta, estimular canais de denúncia, zelar pelo Código de Integridade do Agente Público e reforçar a governança pública com foco em ética, transparência e responsabilidade. Tudo isso está em linha com o papel que a Prefeitura atribuiu ao programa. O ponto, porém, não está no conteúdo formal da mensagem, mas no lugar a partir do qual ela é emitida. Quando uma instituição que já esteve na linha de frente passa a comunicar o tema como se estivesse apenas o descobrindo, alguma coisa se perdeu no caminho.

Ao longo de 2021 a 2024, a DCO não ficou olhando esse movimento de fora. Participou ativamente dele. O Percolado registrou esse percurso. Já em 2021 eu tratava explicitamente da necessidade de alinhar o programa interno da Comlurb às diretrizes de integridade da Prefeitura, com o entendimento de que cada avanço no plano municipal exigiria avanço correspondente dentro da Companhia. Não era adesão protocolar. Era trabalho de tradução institucional, de customização, de implantação concreta. Esse esforço nos colocou, em muitos momentos, em posição de destaque e benchmark dentro da própria Prefeitura.

Essa posição de destaque não desapareceu porque o tema perdeu relevância em abstrato. Perdeu-se porque deixou de haver gestão efetiva sobre ele. Os panoramas de 2023 ainda mostravam uma Diretoria de Compliance com agenda, método, diretrizes, produção técnica e ações continuadas de capacitação e fortalecimento da cultura de integridade. Havia direção, havia intencionalidade e havia investimento gerencial. Quando uma estrutura assim é extinta por uma nova gestão que não acredita ou não compreende o significado de compliance, o que sobra não é exatamente continuidade. O que sobra é inércia. E inércia, embora mantenha algum movimento, não substitui comando.

É por isso que olho para essa nova comunicação com ambivalência. Ela mostra que o tema ainda respira, o que é positivo. Mas também evidencia que ele respira hoje mais pelo valor profissional dos antigos quadros da DCO do que por prioridade estratégica da administração atual. O cartaz continua circulando, o rito continua existindo, o vocabulário da integridade ainda comparece. Mas comparece sem a mesma densidade de antes, sem a mesma coerência e sem o mesmo protagonismo institucional. Quando isso acontece, a integridade deixa de ser eixo de gestão e começa a ser tratada como acessório reputacional.

No fim, a pergunta certa não é se a Comlurb conhece o FIP.Rio. A pergunta certa é outra: por que uma Companhia que já conheceu, participou, liderou e ajudou a internalizar essa agenda passou a se comportar como mera destinatária tardia de algo que antes ajudava a construir? Essa é a questão incômoda. Porque programas de integridade não vivem de cartazes, slogans ou memória de bons tempos. Vivem de direção, método e prioridade. Quando esses elementos se perdem, o tema não morre de imediato. Continua andando por um tempo. Mas já não sabe exatamente para onde.

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Louvável essa iniciativa da Prefeitura.

 


Se a antiga Diretoria de Compliance ainda existisse, eu certamente copiaria algo assim para a Comlurb. A peça divulgada em 27 de maio de 2026 informa que, diante de um dilema sobre conduta ética, o agente público pode consultar a Comissão de Integridade Pública – CIP da Prefeitura do Rio. A ideia é simples, mas poderosa: oferecer um canal consultivo para dúvidas concretas antes que elas virem erro, conflito ou dano reputacional.

Isso tem mérito porque, em matéria de integridade, nem tudo nasce de má-fé. Muitas situações surgem da incerteza prática: conflito de interesses, nomeações, participação em eventos, recebimento de convites, condutas em zonas cinzentas. O próprio material da Comlurb resume assim a função da CIP, e o serviço oficial da Prefeitura confirma que qualquer agente público do Município, efetivo ou não, pode submeter consulta sobre normas de integridade e sobre situações relacionadas à sua própria atuação. É uma espécie de helpdesk de conduta, algo que ajuda a prevenir em vez de apenas reagir.

Durante os quatro anos em que estive à frente da DCO, focamos muito em divulgar o Código de Conduta e Integridade da Companhia e em manter a antiga equipe disponível para orientar toda e qualquer dúvida relacionada ao Programa de Integridade e Transparência. Havia presença, havia escuta e havia disposição técnica. Mas reconheço, olhando em retrospecto, que não chegamos a estruturar um canal formal, simples e claramente identificado para consultas prévias de conduta e integridade. Esse modelo da CIP municipal corrige exatamente essa lacuna: transforma disponibilidade difusa em porta institucional reconhecível.

O acerto da iniciativa aparece ainda com mais força quando se observa o desenho formal da própria Comissão. O decreto que instituiu a CIP lhe atribuiu, entre outras competências, a função de dirimir dúvidas de interpretação sobre as normas de integridade pública do Município e de responder às consultas sobre aspectos éticos encaminhadas por órgãos, entidades e agentes públicos. O serviço oficial também deixa claro o que ele não faz: não recebe denúncias, não analisa situações de terceiros e não responde a casos hipotéticos desligados de fatos concretos. Essa delimitação é importante porque evita a confusão entre consulta preventiva e canal correicional.

Há aqui uma lição gerencial que vai além do tema da integridade. Organizações públicas costumam investir bastante em normas, cartilhas e campanhas, mas menos do que deveriam em mecanismos cotidianos de orientação. Publicar o código é necessário. Treinar também. Mas, quando o agente se vê sozinho diante de uma situação delicada, o que realmente faz diferença é saber a quem recorrer antes de decidir mal. É por isso que considero essa iniciativa louvável: ela desloca a integridade do plano abstrato da pregação para o terreno concreto da ajuda institucional.

No fim, a boa política de integridade não é só a que pune desvios depois que eles ocorrem. É a que cria condições para que o desvio não aconteça. A CIP, como canal consultivo, vai nessa direção. Se a DCO ainda existisse, eu teria todo interesse em reproduzir internamente algo semelhante: um espaço claro, acessível e tecnicamente confiável para dúvidas sobre conduta e integridade. Porque, em instituições complexas, a diferença entre o erro e a prudência muitas vezes não está na virtude heroica do agente, mas na existência de uma boa instância de consulta antes da decisão. 


quinta-feira, 21 de maio de 2026

Entre a Vontade e o Destino — Estratégia, Operação e Integridade em uma Empresa Pública


Compartilho a publicação do meu livro Entre a Vontade e o Destino — Estratégia, Operação e Integridade em uma Empresa Pública

A obra reúne reflexões sobre gestão pública, liderança, operação, integridade e tomada de decisão, a partir de uma trajetória de mais de três décadas em uma grande empresa pública responsável por serviços essenciais da cidade.

O livro já está disponível em lojas virtuais como Amazon, Apple Books, Kobo, Google Play Livros, Um Livro e Estante Virtual.

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Cristo laranja: o legado de 2017



Mais do que a notícia deste ano, o que realmente importa é o legado que surgiu em 2017. Foi ali que nasceu uma imagem poderosa: o maior símbolo do Rio iluminado na cor do uniforme de quem limpa a cidade. O gesto parecia simples, mas não era. Ao levar o laranja dos garis ao Cristo Redentor, a cidade começava a transformar um uniforme de trabalho em signo de dignidade pública, reconhecimento e pertencimento. O que hoje parece natural teve, na origem, a força de uma pequena ruptura simbólica.

Segundo o registro do próprio Percolado, em 16 de maio de 2017 o Cristo seria iluminado de laranja no Dia do Gari, em meio a uma programação mais ampla de homenagens à categoria. Pela lembrança do autor, essa primeira iniciativa encontrou resistência, inclusive pelo receio de reações negativas à ideia de deixar o monumento na cor laranja. Se assim foi, o episódio revela algo mais profundo: havia ali não apenas cautela política, mas uma dificuldade de compreender a potência simbólica de homenagear publicamente os garis. Justamente por isso, o fato de a iluminação ter acontecido marcou tanto. Não era apenas um evento; era a afirmação de que o trabalho dos garis merecia ocupar o centro da cena.


O legado de 2017 está em ter transformado uma homenagem pontual em memória institucional. A cor laranja, que muitas vezes foi associada apenas à dureza do trabalho de rua, ganhou outro estatuto: passou a significar orgulho, visibilidade e valorização. Não é pouco. Cidades costumam exibir seus cartões-postais para turistas, governantes e grandes celebrações. Quando o Cristo se acende de laranja para os garis, ele faz outra coisa: devolve centralidade a uma categoria que normalmente aparece apenas quando falta. É como se a cidade, por uma noite, admitisse que sua beleza também depende de quem a varre, lava, coleta e sustenta diariamente.

Talvez seja essa a melhor forma de entender o que aconteceu depois. A iluminação voltou, repetiu-se e virou tradição porque 2017 deixou uma marca duradoura. O evento de 2026 apenas confirma essa continuidade ao registrar nova homenagem no Cristo Redentor pelo Dia do Gari e pelos 51 anos da Comlurb. Mas o mais importante já havia sido conquistado antes: o momento em que uma iniciativa que poderia ser vista com desconfiança atravessou a hesitação, aconteceu assim mesmo e passou a integrar o repertório simbólico da Companhia. Certas tradições nascem assim: primeiro como ousadia, depois como costume, e por fim como legado.

sábado, 2 de maio de 2026

Nova cartilha contra o assédio: avanço real, com uma ausência eloquente


Link para a nova cartilha

A nova versão da cartilha Comlurb contra o Assédio é uma boa notícia porque mostra continuidade de um esforço institucional que não ficou restrito ao impacto inicial da campanha de 2023. Anos depois da primeira publicação, a Companhia reapresenta o tema com nova edição, mais informações e reafirmação explícita de compromisso com um ambiente de trabalho ético. Isso importa. Em temas de cultura organizacional, a repetição não é redundância; muitas vezes é condição de mudança.

A comparação entre as duas cartilhas mostra um amadurecimento perceptível. A edição de 2023 trazia uma base forte de conceituação sobre assédio moral e sexual, efeitos sobre a vítima e sobre a companhia, medidas de prevenção, canais de denúncia e política de não retaliação, além de vincular a campanha à Lei nº 14.540/2023, que instituiu programa de prevenção e enfrentamento ao assédio sexual e à violência sexual na administração pública. A versão nova preserva esse núcleo, mas melhora a comunicação visual, aproxima a linguagem do cotidiano da Comlurb e amplia o repertório de riscos tratados, inclusive com a incorporação do assédio político-eleitoral nas peças mais recentes da campanha.

Há também um ganho importante de identidade institucional. A cartilha de 2026 parece menos genérica e mais aderente ao universo real da Companhia, inclusive nas imagens e no modo de apresentar situações concretas de assédio. Esse detalhe não é apenas estético. Materiais de integridade funcionam melhor quando o trabalhador se reconhece neles e percebe que o problema não pertence a um mundo abstrato de normas, mas ao seu ambiente imediato de trabalho. Nesse sentido, a nova versão parece mais pedagógica e mais próxima da vida real da empresa. Ao mesmo tempo, a manutenção dos canais de denúncia e da política de não retaliação continua sendo um ponto forte, porque nenhuma campanha séria sobre assédio se sustenta sem proteção efetiva a quem denuncia.

Mas a nova cartilha também expõe uma ausência que merece comentário. A edição de 2023 tinha, logo na abertura, não apenas a mensagem do presidente Flávio Lopes, mas também uma página específica com a mensagem do Diretor de Compliance, dando densidade técnica e institucional ao tema. Na cartilha de 2026, a abertura fica concentrada na mensagem do presidente Renato Rodrigues, sem a presença de uma voz equivalente da área de compliance. Essa mudança não anula os avanços do material, mas altera seu enquadramento. A versão anterior transmitia mais claramente a ideia de que o combate ao assédio era também um tema estruturante de integridade pública, com patrocínio técnico próprio. A atual reforça o compromisso institucional, mas com menor visibilidade dessa dimensão especializada.

Isso ajuda a lembrar que cartilhas são instrumentos importantes, mas não autossuficientes. Elas orientam, nomeiam condutas, reduzem zonas de ambiguidade e oferecem meios de reação. Tudo isso é valioso. Ainda assim, a transformação cultural depende de algo mais difícil: coerência entre discurso e prática, preparo das lideranças, acolhimento seguro das denúncias e responsabilização de quem insiste em tratar o assédio como método de mando, brincadeira aceitável ou deformação inevitável do ambiente de trabalho. O mérito da nova cartilha está em manter o assunto vivo e atualizado; seu limite está em não poder, sozinha, produzir a mudança que apenas a prática institucional consistente pode entregar.

No fim, a nova versão da cartilha merece reconhecimento. Ela mostra que a campanha contra o assédio não morreu depois do lançamento inicial e que a Comlurb continua tentando transformar informação em cultura. Isso já é mais do que muitas organizações conseguem fazer. Mas a comparação entre 2023 e 2026 também revela que campanhas amadurecem, mudam de ênfase e deixam rastros institucionais visíveis, inclusive em suas ausências. A cartilha nova é melhor em vários aspectos. Pena apenas que, junto com as novidades, tenha desaparecido a presença explícita da antiga referência de compliance que ajudava a dar ao tema uma moldura ainda mais robusta de integridade.

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Assédio, campanha e responsabilização

A campanha da Comlurb contra o assédio tem um mérito que não deve ser subestimado: ela ajuda a dizer em voz alta aquilo que durante muito tempo foi naturalizado, tolerado ou empurrado para o silêncio. As peças recentes sobre assédio sexual, assédio moral e o slogan “Assédio não é frescura” mostram que o tema segue vivo na agenda institucional, o que é importante numa companhia em que o problema já se revelava crônico e exigia enfrentamento mais explícito desde 2023.

Há coerência entre o conteúdo da campanha e as definições mais consolidadas sobre o tema. Materiais oficiais do governo federal e do Ministério Público do Trabalho descrevem o assédio moral como exposição repetitiva e prolongada a situações humilhantes e constrangedoras no ambiente de trabalho, com dano à dignidade e ao ambiente laboral, e tratam o assédio sexual como conduta de cunho sexual sem consentimento, incompatível com um ambiente seguro e respeitoso. Nesse sentido, a campanha da Comlurb não inventa um problema nem exagera sua gravidade: ela está alinhada ao entendimento institucional já difundido em órgãos públicos e no sistema de proteção ao trabalho.

Mas campanhas, sozinhas, não mudam cultura. Elas informam, sinalizam, educam e até encorajam a denúncia, mas não bastam quando a organização não demonstra, na prática, que o comportamento abusivo terá consequência. Guias e políticas públicas recentes insistem justamente nisso: prevenção, acolhimento, apuração, responsabilização e monitoramento precisam caminhar juntos, com compromisso visível da alta administração e das lideranças. Em outras palavras, a campanha é necessária, mas ela só produz transformação real quando combinada com mudança sincera de postura e com punição efetiva de quem, mesmo sabendo o que é assédio, insiste em mantê-lo como método de convivência ou de mando.


É nesse ponto que o cartaz “Assédio não é frescura” merece comentário. A intenção parece clara: confrontar uma linguagem cotidiana que minimiza o sofrimento da vítima e trata a denúncia como exagero, sensibilidade excessiva ou incapacidade de suportar o ambiente de trabalho. Como frase de impacto, pode funcionar, porque fala com um público que muitas vezes ouviu exatamente isso ao longo da vida profissional. Mas há uma ambivalência aí. Ao usar a palavra “frescura”, a campanha tenta desmontar a banalização do problema, mas ao mesmo tempo revela o quanto essa banalização já está entranhada na cultura institucional e social. A frase é forte porque o preconceito que ela combate também é forte.

Talvez por isso a peça tenha algum valor pedagógico, desde que não fique só no efeito retórico. O melhor uso dessa linguagem não é chocar por chocar, mas abrir espaço para uma conversa mais séria: assédio não é estilo duro de gestão, não é brincadeira, não é traço de personalidade, não é informalidade de ambiente masculino e muito menos “mimimi”. É violência institucional de baixa ou alta intensidade, que corrói a dignidade de quem sofre e envenena o ambiente de trabalho para todos. O próprio MPT tem insistido que o assédio afeta o meio ambiente laboral como um todo, e não apenas a vítima direta, o que reforça a necessidade de tratá-lo como tema de governança e não apenas de comportamento individual.

No fim, o avanço real não estará apenas em produzir boas peças de comunicação, mas em fazer com que elas correspondam a uma prática organizacional nova. A campanha da Comlurb tem utilidade e merece ser reconhecida por manter o tema aceso. Mas o teste decisivo é outro: quando o assédio aparecer, a Companhia reagirá apenas com discurso ou com responsabilização concreta? Cultura institucional não muda só quando se explica o problema. Muda quando a organização demonstra, por atos, que já não aceita conviver com ele.




segunda-feira, 6 de abril de 2026

PNPC: uma boa notícia e um legado que resiste



A notícia é realmente boa. A participação da Comlurb no Programa Nacional de Prevenção à Corrupção (PNPC) tem valor institucional porque insere formalmente a Companhia em uma iniciativa coordenada pelo Tribunal de Contas da União, voltada ao fortalecimento de mecanismos de integridade no setor público. Segundo o próprio programa, a condição de participante decorre do preenchimento integral do questionário de autoavaliação no sistema e-Prevenção, o que autoriza o uso da marca de participante. Não é um detalhe banal. É um movimento concreto de aproximação com uma referência externa de integridade.

Enquanto estive à frente da Diretoria de Compliance, até sua extinção em 2025, busquei exatamente isso: alguma chancela externa que mostrasse que o Programa de Integridade e Transparência da Comlurb não era apenas um discurso interno bem-intencionado. Naquele período, o maior reconhecimento veio com a participação no Seminário de Boas Práticas de Governança e Gestão da Prefeitura do Rio de Janeiro, realizado pela Controladoria Geral do Município e pelo Tribunal de Contas do Município, em que o programa da Companhia foi apresentado como iniciativa estruturada para fomentar conformidade legal, ética na conduta dos empregados e governança moderna e transparente.

É importante, porém, compreender corretamente o alcance do PNPC. A marca de participante não equivale a um selo de excelência nem a uma certificação final de maturidade institucional. O próprio TCU esclarece que a participação decorre da resposta integral ao questionário de autoavaliação, a partir do qual a organização recebe um diagnóstico sobre seu nível de exposição a fraude e corrupção e pode estruturar um roteiro de atuação para aprimorar práticas distribuídas em mecanismos como prevenção, detecção, investigação, correção e monitoramento. Em outras palavras, trata-se menos de um ponto de chegada e mais de um ingresso formal em um processo estruturado de aperfeiçoamento.

Justamente por isso, a adesão atual parece, ainda que extemporânea, uma evidência do legado deixado pela antiga DCO. Programas de integridade não surgem do nada apenas porque alguém resolve preencher um questionário. Eles dependem de linguagem institucional, canais, procedimentos, treinamentos, normativos, visão de risco e alguma sedimentação cultural prévia. Quando a Comlurb apresentou publicamente seu Programa de Integridade e Transparência em 2024, isso já indicava a existência de uma arquitetura mínima de governança sobre a qual movimentos posteriores poderiam se apoiar. A participação no PNPC parece menos um gesto isolado do presente e mais uma consequência tardia de uma construção anterior.

Há, nisso, uma pequena ironia institucional. A Diretoria de Compliance foi extinta, mas parte de sua agenda continua produzindo efeitos. A estrutura desaparece; o repertório permanece. E talvez esse seja um dos melhores testes de qualquer iniciativa de integridade: sobreviver ao desaparecimento formal de quem a conduziu. Se a participação no PNPC servir apenas para ornamentar a comunicação corporativa, será pouco. Mas, se funcionar como diagnóstico sério e ponto de partida para novos planos de ação, então estaremos diante de algo mais relevante: a prova de que um trabalho de integridade pode deixar raízes mesmo quando a moldura organizacional que o abrigava já não existe.

Por isso, a notícia merece ser recebida com satisfação, mas também com medida. Ela não significa que a Comlurb tenha chegado a um estágio acabado de excelência em integridade. Significa algo mais sóbrio e talvez mais importante: a Companhia entrou, oficialmente, em uma trilha nacional de autoavaliação e melhoria. Para quem trabalhou na construção interna desse tema, isso tem sabor de reconhecimento tardio. E, para a instituição, pode ser a confirmação de que certos legados não desaparecem quando deixam de ter uma diretoria; às vezes apenas reaparecem, mais adiante, com outro nome e outra chancela.

segunda-feira, 1 de setembro de 2025

Abertura do ciclo 2025/26 do Programa Vivência Profissional

Das iniciativas em gestão de pessoas ocorridas em 2017, o programa "Vivência Profissional" e o retorno do "Educom", são exemplos de sucesso na valorização profissional, iniciadas com a  publicação a Ordem de Serviço “N” 018, de 02 de fevereiro de 2017.

O programa Vivência Profissional surgiu em 2017 em resposta a necessidade de oferecer para os garis que estão cursando graduações de nível técnico e superior oportunidades de viver sua graduação de forma semelhante a um estágio, mas dentro da própria Companhia! 

O Gari consegue atender às exigências de sua graduação participando de uma programação de trabalho relativa à sua área de formação profissional.



Com o recorde de 100 inscritos, foi dada a largada à iniciativa que dá oportunidade aos empregados estudantes de vivenciarem na empresa a rotina de trabalho da sua área pretendida, o Programa Vivência Profissional.

Nesta edição foram implementadas algumas novidades: um grupo de monitoras para acompanhar os participantes e uma autoavaliação. O banco de talentos, onde o empregado fica disponível para eventuais vagas de trabalho, também foi anunciado.

Todos conheceram seus supervisores e foi iniciada ali a construção de uma nova relação que, com certeza, vai mudar a vida dos envolvidos.

O Programa Vivência Profissional, da DGG por meio da GGV, é um sucesso na Comlurb e reafirma o compromisso da Companhia com o crescimento dos seus empregados.

Boa sorte aos novos Viventes!




quarta-feira, 20 de agosto de 2025

Conheça o Programa Vivência Profissional por aqueles que já participaram

Das iniciativas em gestão de pessoas ocorridas em 2017, o programa "Vivência Profissional" e o retorno do "Educom", são exemplos de sucesso na valorização profissional, iniciadas com a  publicação a Ordem de Serviço “N” 018, de 02 de fevereiro de 2017.

O programa Vivência Profissional surgiu em 2017 em resposta a necessidade de oferecer para os garis que estão cursando graduações de nível técnico e superior oportunidades de viver sua graduação de forma semelhante a um estágio, mas dentro da própria Companhia! 

O Gari consegue atender às exigências de sua graduação participando de uma programação de trabalho relativa à sua área de formação profissional.


O Programa Vivência Profissional já transformou a vida de muitos empregados. Mais de 100 colaboradores tiveram a oportunidade de passar, dentro da Comlurb, por experiências relacionadas ao curso estudado. Ao término do Vivência, o participante sai mais confiante em suas competências e conhece mais a Comlurb. E este ano ainda temos uma ótima novidade: o currículo do empregado incluído no banco de talentos da Companhia.

Veja alguns depoimentos dos participantes do último ciclo 2024/2025.

Elaine Torquato (gari na DSU/UCP/UGP02) – Graduanda de Administração

“Foi um tempo de grande aprendizado e crescimento profissional, especialmente por ter participado diretamente de um marco importante para a empresa: a contratação de funcionários temporários. Vivenciar esse processo na prática me permitiu aplicar e aprofundar conhecimentos na área de Recursos Humanos, agregando valores fundamentais à minha formação. Sou muito grata por ter contribuído com a equipe e feito parte desse momento histórico para a Comlurb. Com certeza, essa vivência será um diferencial importante na minha carreira e trajetória profissional”.

Anderson da Silva (encarregado da DLU/LRS/SG27R) – Cursista de Técnico em Segurança do Trabalho

“A experiência me mostrou o quanto somos colaborativos e engajados. Me senti ainda mais parte desse time e agradeço a receptividade de todos, que me fizeram sentir à vontade e me ensinaram tanto. Essa vivência reforçou o meu orgulho de fazer parte desta empresa. Obrigado, família Comlurb!”

Beatriz Joaquim dos Santos (gari da DLU/LRC/CG13P) – Graduanda de Psicología

"Destaco essa experiência como um processo ativo de construção e não apenas de recepção. O que absorvi e o que me foi investido como profissional me permitiram ser protagonista da minha própria história. Esse percurso desconstruiu em mim medos paralisantes e crenças limitantes, revelando meu potencial e minha capacidade. Hoje tenho mais autoconfiança e sei que consigo chegar aonde acredito que posso. O Vivência não entrega o 'peixe', mas sim as ferramentas para pescar. Meu crescimento foi além do profissional, gerando impactos também na minha vida pessoal."






sexta-feira, 18 de julho de 2025

Uma Vida Dedicada à Gestão de Resíduos: O Legado de José Henrique Penido

É com imensa admiração que dedicamos esta postagem a um profissional que se tornou um pilar fundamental na gestão de resíduos sólidos no Rio de Janeiro: o Engenheiro José Henrique Penido. Sua trajetória é um exemplo de dedicação, inovação e compromisso com o desenvolvimento sustentável da nossa cidade.

A vida profissional de José Henrique Penido é indissociável da história da COMLURB. Ele não apenas testemunhou, mas ativamente participou e moldou a evolução da limpeza urbana e do manejo de resíduos na capital fluminense. Sua visão estratégica e seu profundo conhecimento técnico foram cruciais para a implementação de diversas melhorias e para a modernização das operações da companhia ao longo das décadas.

Penido é conhecido por sua capacidade de transformar desafios em oportunidades. Em um setor tão complexo e dinâmico como a gestão de resíduos, sua liderança foi essencial para a adoção de novas tecnologias, a otimização de processos e o aprimoramento das práticas ambientais. Ele compreendeu, muito antes de muitos, a importância de uma abordagem integrada que vai além da simples coleta, englobando o tratamento, a reciclagem e a destinação final ambientalmente adequada.

Sua relevância para a COMLURB e para o Rio de Janeiro reside não apenas nas inovações técnicas que ajudou a implementar, mas também na formação de equipes e no estabelecimento de uma cultura de excelência e responsabilidade. O Engenheiro Penido sempre foi um defensor incansável da ideia de que a gestão de resíduos é um serviço essencial que impacta diretamente a saúde pública e a qualidade de vida da população.

Para nós do Percolado, o Engenheiro José Henrique Penido representa a personificação de um profissional que deixou um legado duradouro. Sua influência se faz sentir na infraestrutura atual da cidade e na mentalidade que guia os esforços contínuos por um Rio de Janeiro mais limpo e sustentável. Temos profunda admiração por sua inteligência, sua ética de trabalho e sua paixão por fazer a diferença.




quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

DIRETORIA DE COMPLIANCE - Retrospectiva 2021/2024

A impermanência é um dos princípios mais profundos e belos do budismo. Ela nos ensina que tudo o que existe está em constante transformação e que a verdadeira força reside na nossa capacidade de aceitar o fluxo da vida, adaptando-nos com coragem e serenidade às mudanças inevitáveis. Hoje, com este artigo, nos despedimos da Diretoria de Compliance da Comlurb no formato que ela é hoje, mas não do legado que construímos juntos. 

A DCO foi muito mais do que uma estrutura administrativa ou um conjunto de normativas. Ela foi a manifestação viva do compromisso da Comlurb com a integridade e a transparência. A essência da nossa missão transcende a Diretoria e deve pulsar em cada profissional da Companhia, em cada norma aprimorada, em cada ato de governança responsável. 

Ao longo dos anos, a DCO se tornou um exemplo de como valores sólidos podem guiar ações concretas. Projetos como o fortalecimento da apuração de denúncias, as ações de compliance trabalhista, a interação profissional com os órgãos de controle, o desenvolvimento de sistemas digitais seguros, incluindo a proteção de dados pessoais, as normativas bem redigidas, e os treinamentos realizados para milhares de empregados refletem um trabalho dedicado e inspirador reconhecido pelo diagnóstico de maturidade em integridade pública da Prefeitura.

Como ensina o budismo, o apego a estruturas e títulos pode limitar nossa capacidade de evolução. A DCO, enquanto Diretoria, cede seu espaço para novos formatos e desafios, mas sua essência continua viva. Em cada setor da Comlurb, o aprendizado e as conquistas desta trajetória permanecem como sementes prontas para florescerem sob novas condições.

 Gostaria de relembrar as palavras do filósofo Heráclito: "Tudo flui". Essa é a natureza do tempo e das organizações. O que parecia permanente é, na verdade, uma parte do grande fluxo da transformação. Assim, devemos olhar para esta transição não com pesar, mas com a gratidão de quem reconhece a oportunidade de algo novo emergir. 

Que os ensinamentos de impermanência e desapego guiem nossa caminhada como instituição. Que possamos encarar este momento como uma renovação, acolhendo o futuro com coragem e serenidade. Acredito que o legado da Diretoria de Compliance é um alicerce firme, e cabe a todos nós continuar construindo, com ética e integridade, a história da Comlurb. 

Com profunda gratidão

Gustavo Puppi, Diretor de Compliance 


Panorama DCO 2021 a 2024 by Gustavo Puppi on Scribd



sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

De uma ideia à realidade: os novos uniformes da Comlurb e a valorização do trabalhador

A entrega dos novos uniformes da Comlurb, iniciada recentemente, marca o desfecho de uma jornada que começou em 2017, quando pela primeira vez foi levantada a necessidade de uma vestimenta mais adequada ao calor intenso do Rio de Janeiro. Naquele momento, o projeto foi recebido com entusiasmo, mas acabou esbarrando em desafios comuns à administração pública: mudanças de gestão, prioridades concorrentes e a sazonalidade da discussão.

Durante anos, a ideia de um uniforme mais confortável parecia ser redescoberta a cada verão, quando as altas temperaturas tornavam o trabalho dos garis ainda mais extenuante. Porém, assim que o calor dava lugar ao inverno, a discussão esfriava e voltava a ocupar gavetas. A cada novo verão, os colaboradores improvisavam soluções próprias, como mangas compridas por baixo da camisa ou toalhas para amenizar a exposição ao sol. Esse ciclo de adiamentos só foi rompido com a excepcional onda de calor em 2024 e a implementação de novos protocolos climáticos pela prefeitura, que trouxeram urgência à questão.

Após sete anos de estudos e debates, finalmente, o projeto saiu do papel. O novo uniforme, confeccionado em tecido leve e tecnológico, não apenas atende às normas de segurança, mas também proporciona maior conforto térmico. Sua entrega foi celebrada em um evento que simbolizou muito mais do que a distribuição de vestimentas: foi a concretização de um esforço coletivo e a resposta a uma antiga demanda dos trabalhadores.

O presidente Flávio Lopes destacou a importância desse avanço: “Quando conseguimos trazer conforto para os empregados, estamos dando um passo importante na valorização do trabalho que eles realizam todos os dias pela cidade.” A gari Glaucia Santos, uma das primeiras a receber o novo uniforme, resumiu bem o impacto: “O pano é mais leve, perfeito para o calor. Trabalhar na praia vai ser muito mais tranquilo agora.”

Este marco não deve ser visto apenas como uma melhoria prática, mas também como um símbolo de mudança. A longa espera reflete as dificuldades de transformar boas ideias em ações concretas na administração pública. Ao mesmo tempo, mostra como a persistência e o diálogo podem superar barreiras e resultar em benefícios reais para os trabalhadores e, consequentemente, para toda a sociedade.

Assim, os novos uniformes não são apenas uma conquista funcional, mas um lembrete de que o tempo, quando bem aproveitado, pode transformar desafios em avanços significativos. Que essa entrega inspire a continuidade de projetos que valorizem e dignifiquem os profissionais que cuidam de nossa cidade. Afinal, mais do que vestir, é um gesto que reforça a importância de quem a cada dia trabalha para tornar o Rio de Janeiro um lugar melhor para todos.







quarta-feira, 23 de outubro de 2024

Comlurb no Rock in Rio 2024

O Rock in Rio 2024 continua a ser limpo pela Comlurb, agora sob um contrato de prestação de serviços, consolidando uma parceria que começou em 2017. Em edições anteriores, a Comlurb já havia participado do evento: em 2013, por exemplo, realizou a limpeza gratuitamente, enquanto em 2015, essa função foi assumida por uma empresa privada. A partir de 2017, a Comlurb retomou a responsabilidade pela limpeza do evento, mas desta vez com um contrato formalizado. Esse acordo garante que a experiência dos participantes seja marcada pela limpeza e sustentabilidade, com o suporte da expertise da Comlurb em grandes eventos.

A participação da Comlurb reflete seu compromisso com a cidade e a manutenção dos espaços durante um dos maiores festivais de música do mundo, contribuindo para um ambiente limpo e organizado ao longo dos dias do evento.



A Comlurb faz parte da história do Rock in Rio! Veja o vídeo especial com imagens do trabalho dos garis e dos gestores.

A Companhia realizou a limpeza da área interna e fecharam a edição com o recolhimento de resíduos mais sustentável da história, com 50% de recicláveis.

Os garis (DSU e DLU) fizeram os serviços em todas as áreas do Parque Olímpico, inclusive área VIP, palcos, camarins, banheiros e postos de saúde.

Do lado de fora, as equipes da DLU atuaram na limpeza das sete noites de show e o Lixo Zero fez a fiscalização do entorno da Cidade do Rock.

Clique no link abaixo e confira os detalhes do nosso serviço!

LINK



Garis da limpeza externa com o kit da Comlurb





Kit Comlurb sendo entregue

Entre 2015 e 2016, a Diretoria de Serviços Oeste promoveu uma ampla mobilização sobre Segurança do Trabalho, com o objetivo de envolver gestores e empregados na prevenção de acidentes. Empregados contribuíram com premissas inovadoras, como a necessidade de evitar a ideia de que "sempre foi assim", realizar análises de valor dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), incluir a participação ativa dos usuários na escolha de EPIs, e garantir que as especificações considerem proteção, custo e conforto.

Essas premissas geraram sugestões que foram discutidas em 2016, como a substituição do chapéu australiano pelo chapéu legionário, melhorias em uniformes, e novos itens de conforto para garis, como mochila e cantil. Em 2017, algumas mudanças foram implementadas, incluindo o chapéu legionário e um novo tipo de borzeguim. No entanto, o projeto de um uniforme de fibra sintética, que seria benéfico para os trabalhadores em condições climáticas adversas, não avançou.

Agora, em 2024, finalmente estão sendo distribuídas mochilas e garrafas de água para os trabalhadores. A mochila, que é impermeável e ideal para carregar a capa de chuva, deve ficar junto ao corpo, reforçando a orientação de que, segundo a NR38, não é permitido pendurar objetos no contêiner ou no lutocar. A entrega está ocorrendo de forma gradual, e esse é mais um motivo de comemoração para os trabalhadores!

terça-feira, 17 de setembro de 2024

Mochilas e garrafas dágua para os trabalhadores

Entre 2015 e 2016, a Diretoria de Serviços Oeste promoveu uma ampla mobilização sobre Segurança do Trabalho, com o objetivo de envolver gestores e empregados na prevenção de acidentes. Empregados contribuíram com premissas inovadoras, como a necessidade de evitar a ideia de que "sempre foi assim", realizar análises de valor dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), incluir a participação ativa dos usuários na escolha de EPIs, e garantir que as especificações considerem proteção, custo e conforto.

Essas premissas geraram sugestões que foram discutidas em 2016, como a substituição do chapéu australiano pelo chapéu legionário, melhorias em uniformes, e novos itens de conforto para garis, como mochila e cantil. Em 2017, algumas mudanças foram implementadas, incluindo o chapéu legionário e um novo tipo de borzeguim. No entanto, o projeto de um uniforme de fibra sintética, que seria benéfico para os trabalhadores em condições climáticas adversas, não avançou.

Agora, em 2024, finalmente estão sendo distribuídas mochilas e garrafas de água para os trabalhadores. A mochila, que é impermeável e ideal para carregar a capa de chuva, deve ficar junto ao corpo, reforçando a orientação de que, segundo a NR38, não é permitido pendurar objetos no contêiner ou no lutocar. A entrega está ocorrendo de forma gradual, e esse é mais um motivo de comemoração para os trabalhadores!


A gari Denise Alencar celebra a novidade na operação, a distribuição de mochila e garrafas d’água.