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terça-feira, 10 de novembro de 2020

Meu voto por uma dentadura!

Sabemos que o Prefeito Crivella é adepto da exacerbada patronagem loteando cargos da Companhia em troca de efêmero apoio na Câmara dos Vereadores, não para votação de projetos de lei estruturantes ou estratégicos para a cidade, mas para salvar a própria pele em um conjunto inédito de pedidos de impeachment. 

Então, para um gestor adepto da patronagem, prática não ilegal, mas de moral duvidosa, não é surpresa ser adepto do "voto em troca de dentadura".

Visando o voto da família da Sra. Simone, quantos votos o candidato a reeleição não deve ter perdido de famílias de garis que a anos labutam com empenho e dedicação e não são agraciados com o emprego de confiança de líder de turma?


“Algum cargo” em que a mulher pudesse ser encaixada.

Crivella dá cargo na Comlurb a mulher que pediu emprego durante ato de campanha

Advogados eleitorais veem irregularidade; assessoria fala em ‘ato rotineiro e administrativo’

Bernardo Mello

04/11/2020 - 04:30

Em visita à Vila Olímpica Oscar Schmidt em Santa Cruz, Simone da Conceição pediu emprego a Crivella. 28/10/2020 Foto: Brenno Carvalho/ Agência O GLOBO


RIO — Durante ato de campanha, o prefeito do Rio e candidato à reeleição Marcelo Crivella (Republicanos) determinou a nomeação de uma mulher que o abordou durante sua agenda para um cargo de confiança na Comlurb (Companhia Municipal de Limpeza Urbana). A nomeação foi publicada na terça-feira no Diário Oficial. Para advogados eleitorais ouvidos pelo GLOBO, condutas desse tipo podem ser enquadradas judicialmente como “captação de sufrágio”, cuja pena varia de multa a cassação do registro de candidatura, a depender do impacto no processo eleitoral.

A oferta de cargo feita por Crivella ocorreu durante uma visita à Vila Olímpica Oscar Schmidt, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, na última quinta-feira. Após gravar vídeos pedindo votos para dois candidatos a vereador no local e para si mesmo, o que é proibido pela legislação eleitoral em prédios públicos, Crivella foi abordado, ainda no local, por Simone da Silva Santos da Conceição. A Vila Olímpica está fechada ao público por conta da pandemia da Covid-19.

 Simone afirmou a Crivella ter prestado concurso para a Comlurb, sem ter sido chamada, e apresentou documentos. Crivella, então, telefonou para um interlocutor, a quem chamou de “Paulo”, e questionou se não havia “algum cargo” em que a mulher pudesse ser encaixada. A cena foi flagrada pela reportagem do GLOBO. Durante o diálogo, Crivella colocou o telefone celular no modo viva-voz para que Simone ouvisse a conversa.

Na terça-feira, a edição do Diário Oficial apontou a nomeação de Simone em “emprego de Confiança de Líder de Turma, categoria EC-10” na Comlurb. A nomeação foi assinada pelo chefe da Casa Civil, Paulo Albino Soares.



Segundo o advogado eleitoral José Rollemberg Leite Neto, consultado sem falar sobre o caso concreto, a Lei das Eleições de 1997 proíbe que candidatos ofereçam “vantagem pessoal de qualquer natureza, inclusive emprego ou função pública” ao eleitor durante a campanha, “com o fim de obter-lhe o voto”. A legislação diz ainda que “é desnecessário pedido explícito de votos” para caracterizar a conduta.

— A interpretação da captação ilícita de sufrágio é sempre contextual. Sendo relacionada a um evento de campanha, isso eleva a dificuldade de justificação por parte do candidato, embora exista permissão de nomeação de comissionados na lei — afirmou Rollemberg.

Para o advogado eleitoral Rafael Mota, é necessário “comprovar troca de voto por cargo” para caracterizar a captação ilícita. Durante a campanha, agentes públicos não podem nomear servidores públicos, com exceção para aprovados em concursos nas respectivas vagas. Simone prestou concurso em 2015 para gari da Comlurb, cujo edital previa preenchimento de 100 vagas de forma imediata e “formação de cadastro de reserva”. Ela ficou na posição 2.069 em ampla concorrência, e também não atingiu a faixa de convocação na modalidade afirmativa.

— Neste exemplo dado, a pessoa não foi à prefeitura, foi em um ato de campanha. Um candidato à reeleição não pode confundir os papéis — avaliou Mota, que também não tratou de caso concreto.

Procurada, a assessoria da campanha de Crivella informou que a nomeação “foi um ato rotineiro e administrativo demandado pela Comlurb”.

Crivella já foi condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ), neste ano, por usar a estrutura da Comlurb com fins eleitorais, ao reunir funcionários em comício da campanha do filho, Marcelo Hodge Crivella, nas eleições de 2018. A condenação, que tornaria Crivella inelegível, foi suspensa por liminar do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Antigos equipamentos, novas gerações de trabalhadores...

O fracasso da coleta automatizada lateral por um lado e a depredação dos contêineres laranjas de plástico que quase os fazia descartáveis, sugeriu o retorno do container metálico de 750 litros de carregamento traseiro na viatura, utilizado na cidade na década de 90.

Na reportagem:

O detalhe é que, devido ao peso, os garis não conseguem manusear as novas e enormes caçambas — e passaram a depender de caminhões com plataforma especial para recolher o lixo.

O peso e dimensões das caçambas são os mesmos de década de 90, quando os garis conseguiam movimenta-las...




Pela culatra: novos coletores da Comlurb na Zona Oeste desagradam eleitores.

Por: Berenice Seara em 03/11/20 11:55  

Modelo da nova caçamba usada na Zona Oeste

Virou cena comum o rateio das conquistas com a limpeza urbana (o que deveria ser a mais comum obrigação...) entre vereadores da base.

Em especial, claro, em época de eleição.

Há cerca de um mês, a Comlurb decidiu trocar os coletores de lixo na Zona Oeste.

Nos bairros de Bangu, Padre Miguel e Realengo, foi alardeado aos moradores que o "presente" havia sido solicitado pelo presidente da Câmara de Vereadores, Jorge Felippe (DEM), à presidência da companhia.

Saudade das laranjinhas

O detalhe é que, devido ao peso, os garis não conseguem manusear as novas e enormes caçambas — e passaram a depender de caminhões com plataforma especial para recolher o lixo.

Como não há carros suficientes, a coleta vem sendo prejudicada, e os detritos, às vezes, se acumulam em ruas e calçadas.

Daí que moradores passaram a pedir a volta dos coletores de cor laranja individualizados que, por mais de duas décadas, atenderam perfeitamente à população.

Em nota, a Comlurb diz que as novas caçambas de ferro são mais resistentes e podem ser processadas pelo mesmo caminhão que faz a coleta domiciliar, admitindo, no entanto, que as antigas eram manipuladas pelos garis para serem posicionadas atrás dos caminhões.

"Os novos contêineres de 1100 litros fazem parte do novo contrato de caminhões feito em todas as regiões da cidade ao longo dos últimos três anos, com renovação a cada cinco anos, baseado em critérios estritamente técnicos", diz a estatal, afirmando que os equipamentos passam por processo de pesquisas e rigorosos testes antes de entrarem em operação.

A companhia ainda pede à população "para que os sacos com resíduos sejam colocados nas caixas apenas no dia de coleta, evitando que ultrapasse a capacidade do contêiner e que os resíduos fiquem expostos na rua.

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

TBT - Fala com a Marcia

 'Fala com a Márcia': dois anos após crise no governo Crivella, servidora continua empregada em cargo de confiança na Comlurb

Prefeitura alega que função dela é realizar pesquisas junto a empregados, mas não sabe especificar com que frequência comparece ao trabalho

Nicollas Witzel

Márcia Nunes (à esquerda) é ouvida em CPI do Sisreg, ao lado dos vereadores Rosa Fernandes e Paulo Pinheiro em 19/03/2019 Foto: Paulo Cappelli
Márcia Nunes (à esquerda) é ouvida em CPI do Sisreg, ao lado dos vereadores Rosa Fernandes e Paulo Pinheiro em 19/03/2019 Foto: Paulo Cappelli

RIO - Dois anos depois de estar no meio de uma crise na gestão de Marcelo Crivella e levantar suspeitas de desvio de função nos quadros da prefeitura, a servidora Márcia da Rosa Pereira Nunes continua empregada em um cargo de confiança da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb), sem registro de presença ou atribuições listadas no sistema de transparência da empresa.

Ela ficou conhecida no episódio lembrado pelo mote "Fala com a Márcia", de julho de 2018, no qual Crivella, em uma reunião com 250 pastores e líderes evangélicos, ofereceu facilidades a aliados que procurassem a funcionária. Ao discursar no "Café da Comunhão", Crivella disse que estava fazendo um mutirão de tratamento de catarata. "Eu contratei 15 mil cirurgias até o final do ano. Então, se os irmãos tiverem alguém na igreja, e se os irmãos conhecerem alguém, por favor, falem com a Márcia. Ou com o Marquinhos”, disse Crivella. Marquinhos, a quem ele se refere, é Marcos Paulo de Oliveira Luciano, apontado como o chefe do grupo "Guardiões do Crivella", formado por assessores pagos para constrager jornalistas e cidadãos que se queixassem das unidades de saúde, revelado no fim de agosto em reportagens da TV Globo.

Márcia Nunes foi nomeada para a vaga de Coordenadora Técnica em janeiro de 2017, lotada na Diretoria de Gente e Conectividade. Ela é a única funcionária de seu setor, o Núcleo de Apoio Operacional, e recebe salário no valor de R$ 12.407. A prefeitura alega que sua função é realizar pesquisas e entrevistas junto a empregados quando o serviço for determinado pela Comlurb, mas não sabe especificar com que frequência a funcionária comparece ao trabalho. Assistente social de formação, Márcia não possui registro em folha de ponto nem tem local ou horário fixo para se apresentar ao serviço.

Uma pesquisa no Sistema Integrado de Codificação Institucional (SICI), de consulta pública, revelou que este é o único cargo da companhia sem atribuições listadas no site — a transparência de cargos e salários de funcionários públicos é exigida por lei. Além disso, o posto ocupado por Márcia só pode ser movimentado pelo próprio prefeito, devido a um artigo do decreto municipal 44793/2018. Com isso, a funcionária só poderia ser demitida por ordem direta de Crivella.

Em resposta aos questionamentos enviados pela reportagem, a prefeitura diz que Márcia Nunes foi contratada para a "execução de tarefas designadas pela Presidência". Suas funções seriam utilizadas para ações preventivas e medidas de apoio aos funcionários e suas famílias em casos envolvendo, por exemplo, vícios e problemas de relacionamento no ambiente de trabalho. Diz ainda que, devido à pandemia do novo coronavírus, as pesquisas a cargo de Márcia Nunes foram suspensas em cumprimento ao isolamento social, e que a funcionária está voltando de forma gradual ao trabalho presencial, auxiliando no serviço de RH da Comlurb.

Ex-funcionários da companhia que trabalharam com Márcia descreveram à reportagem que sua frequência começou a cair após o depoimento na CPI que investigou abuso de autoridade do prefeito no caso Sisreg, em 2018. "Antes da CPI, ela aparecia todos os dias", disse um deles, em condição de anonimato. Eles também questionam a razão para que a funcionária desempenhe, isolada em um setor que responde diretamente ao prefeito, o mesmo papel que outros assistentes sociais concursados. Para esses, valem outras regras: é necessário registrar presença no relógio eletrônico de ponto, atender em instalações específicas ou em visitas previamente programadas, produzindo registro, e ficam lotados na Gerência de Qualidade de Vida, subordinada à Diretoria de Gente e Conectividade, mas sem relação com o Núcleo de Apoio Operacional. A movimentação desses cargos também não depende de aval exclusivo do prefeito.

Assim como Márcia Nunes, a prefeitura do Rio tem outros funcionários encaixados em cargos de confiança e suspeitos de desempenhar funções alternativas a mando do prefeito. No fim de agosto, uma reportagem do RJTV denunciou a existência de uma articulação de funcionários públicos para impedir denúncias de irregularidades nos hospitais municipais à imprensa. Organizados em grupos de mensagens, os servidores ocupam cargos de assessoria ou funções de confiança, similares às posições que Márcia ocupou desde que Crivella assumiu a prefeitura do Rio. Assim como ela, os funcionários envolvidos nesta nova polêmica da prefeitura têm registros de proximidade com Crivella, incluindo fotos, vídeos e diversas postagens nas redes sociais.

Caso Sisreg

Em julho de 2018, Crivella recebeu na sede da prefeitura cerca de 250 pastores e líderes evangélicos. O encontro foi feito a portas fechadas e todos foram instruídos a não produzir registros da reunião. O uso de aparelhos celulares foi proibido. Um áudio revelado pelo GLOBO mostrou que, durante o evento, Crivella recomendou que a funcionária fosse procurada para ‘agilizar’ procedimentos médicos, como cirurgias de catarata e vasectomia, furando a fila pública do Sistema de Regulação (Sisreg), além de oferecer outras vantagens como a isenção de IPTU para imóveis usados por igrejas.

— Estamos fazendo o mutirão da catarata. Eu contratei 15 mil cirurgias até o final do ano. Se os irmãos conhecem alguém, por favor, que falem com a Márcia. Ou com o Marquinhos. Ela vai anotar, vai encaminhar e, daqui a uma semana ou duas, está operando — prometeu Crivella, na época. O evento, que ficou conhecido como “Café da Comunhão”, não constava em sua agenda oficial.

Crivella recebeu 250 pastores e líderes de igrejas no Palácio da Cidade em agosto de 2018 Foto: Bruno Abbud
Crivella recebeu 250 pastores e líderes de igrejas no Palácio da Cidade em agosto de 2018 Foto: Bruno Abbud

Segundo a Procuradoria Regional Eleitoral (PRE), o encontro teve “claro intuito de beneficiar eleitoralmente o grupo político do prefeito, o que prejudicou a igualdade de concorrência entre os candidatos das eleições daquele ano”. Crivella virou alvo de dois pedidos de impeachment na Câmara Municipal ­ — ambos recusados — e de uma solicitação de investigação por improbidade, recebida pelo Ministério Público Estadual. O episódio também levou à instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, apelidada de 'CPI da Márcia', que acabou por absolver o prefeito e sua assessora. A Câmara dos Vereadores considerou que a oferta feita por Crivella não passou de uma promessa.


Convite no WhatsApp para reunião do prefeito com líderes evangélicos Foto: Reprodução
Convite no WhatsApp para reunião do prefeito com líderes evangélicos Foto: Reprodução


Vereadores da oposição, no entanto, alegam que o fracasso da CPI foi resultado de uma manobra do prefeito, após uma rápida articulação para que a comissão fosse formada, em sua maioria, por representantes governistas.

— Nós íamos constituir uma CPI de verdade, colhemos as assinaturas necessárias e, quando nos preparávamos para apresentar nosso requerimento, os representantes do lado de lá entraram por uma outra porta da assembleia, ocuparam o lugar primeiro e protocolaram a CPI que eles queriam. Prevaleceu o horário de entrada e nós acabamos com uma CPI chapa-branca, formada por apoiadores. Por isso é que foi um fracasso — diz a vereadora Teresa Bergher (Cidadania). Ela presidiu a CPI da Comlurb, instaurada posteriormente, que investigava o uso da máquina pública para atender a interesses eleitorais, como auxiliar na campanha do filho de Marcelo Crivella.

Desvios de função e 'Guardiões do Crivella'

Uma série de reportagens da TV Globo, exibidas a partir do dia 31 de agosto, revelou um esquema com funcionários comissionados da Prefeitura do Rio — com salários de até R$ 10 mil — destacados para atrapalhar o trabalho da imprensa e constranger cidadãos que davam entrevistas na porta dos hospitais. Eles eram coordenados por Marcos Paulo de Oliveira Luciano, identificado nas mensagens como 'ML'. Marcos Luciano é assessor especial do gabinete de Crivella desde 2017, mesma época da nomeação de Márcia na Comlurb, e já recebeu uma moção de aplausos e louvor na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), a pedido da deputada Tia Ju, do Republicanos — o mesmo partido do prefeito. Marcos Luciano trabalhou como missionário com Crivella na África e no Nordeste do Brasil e também foi um dos coordenadores das campanhas eleitorais do bispo ao Senado e à prefeitura. Em julho, ele recebeu salário no valor de R$ 10,5 mil.

Articulados por mensagens de texto, os funcionários se dividiam em 'plantões' na frente dos hospitais públicos para impedir que jornalistas e cidadãos denunciassem problemas nos hospitais ou na gestão da saúde municipal. Em duplas ou sozinhos, os servidores instituíram um sistema de ponto em que deveriam enviar fotos na frente dos hospitais para comprovar sua presença no local designado pelos chefes. Eles recebiam as ordens e cobranças por meio de três grupos no WhatsApp: 'Guardiões do Crivella', 'Plantão' e 'Assessoria Especial GBP' (Gabinete do Prefeito).

Marcos Paulo, apontado como chefe dos "Guardiões do Crivella", ao lado do prefeito Foto: Reprodução
Marcos Paulo, apontado como chefe dos "Guardiões do Crivella", ao lado do prefeito Foto: Reprodução

Dentro dos grupos, alguns números chamaram a atenção: o chefe da Casa Civil, Ailton Cardoso da Silva, era um dos administradores. O procurador-geral do município, Marcelo da Silva Moreira Marques, e a secretária de Saúde, Bia Busch, também estavam lá. Além deles, o secretário de Cultura, Adolfo Konder, o fotógrafo pessoal do prefeito, José Edivaldo, a assessora da primeira-dama, Rosângela Gomes, e a consultora de Comunicação da Prefeitura, Valéria Blanc, também integravam o grupo montado para impedir as denúncias. Números de vereadores, diretores de órgãos públicos, como o Instituto Pereira Passos, e até do próprio prefeito Marcelo Crivella foram identificados nos grupos.

— O prefeito acompanha no grupo os relatórios e tem vezes que ele escreve lá: ‘Parabéns! Isso aí!’ — contou à TV Globo um dos funcionários envolvidos nos grupos. Desde a revelação do esquema, o grupo sofreu uma debandada de participantes. Alguns funcionários conversaram com a imprensa e alegaram sofrer ameaças de demissão. Segundo um deles, nas reuniões de equipe realizadas no prédio da prefeitura não era permitido que nenhum funcionário usasse aparelhos celulares e era exigido, de todos, que passassem por detectores de metal ao entrar na sala.

— O sistema todo é chefiado pelo doutor Marco Luciano. Doutor Marco Luciano é um amigo do Crivella. É o chefão geral, tá? Não sei se ele é parente, se é da Igreja Universal, não sei, não, mas sei que ele é muito chegado. É uma pessoa de extrema confiança do prefeito Crivella.

A Prefeitura do Rio não nega a existência dos grupos e diz, em nota, que “reforçou o atendimento em unidades de saúde municipais no sentido de melhor informar à população e evitar riscos à saúde pública, como, por exemplo, quando uma parte da imprensa veiculou que um hospital (no caso, o Albert Schweitzer) estava fechado, mas a unidade estava aberta para atendimento a quem precisava. A Prefeitura destaca que uma falsa informação pode levar pessoas necessitadas a não buscarem o tratamento onde ele é oferecido, causando riscos à saúde".

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

A rotatividade da atual legislatura é um ponto fora da curva se comparada com qualquer uma anterior

fenômeno da patronagem partidária tem sido encarado na literatura como instrumento de recompensa a redes de apoiadores e clientelas, e como estratégia para a formação e manutenção de coalizões. Nessa chave teórica, a patronagem é entendida como mecanismo de troca particularista entre patrões, que oferecem recursos públicos ou o acesso a eles,  e redes de clientes, que em troca têm a oferecer sua militância ou, ao menos, seu voto.

A rotatividade afeta as instituições, pois, é comum cada mudança de Gestor em Cargo em Comissão em nível estratégico, como Secretários Municipais na Administração direta ou Presidentes de empresa na Administração Indireta, ser acompanhada por uma onda de exonerações e nomeações também nos níveis táticos. Pior, o fenômeno chega até nos níveis operacionais, aqueles que detêm o conhecimento do funcionamento da máquina pública. 


Vereadores que votaram pelo impeachment de Crivella perdem cargos

Por: Berenice Seara e Aline Macedo em 08/09/20 16:14  

O prefeito do Rio, Marcelo Crivella
O prefeito do Rio, Marcelo Crivella Foto: Hermes de Paula / Agência O Globo


O Diário Oficial desta terça-feira (8) veio recheado de exonerações. E quem ficou sem espaço foi a turma que votou a favor do malfadado pedido de impeachment do prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) na última quinta-feira (3).

Os principais perdedores são Luiz Carlos Ramos Filho (PMN), Rafael Aloisio Freitas (Cidadania), Welington Dias (PDT) e Willian Coelho (DC).

Indicados dos quatro nobres receberam o envelope de papel pardo nas Administrações Regionais da Tijuca, Campo Grande e Guaratiba, além da cúpula da Fundação Parques e Jardins — incluindo servidores efetivos, que foram dispensados de cargos comissionados.

Houve uma limpa também na coordenadoria de Ações de Cidadania, conhecida por abrigar cabos eleitorais de quem vota de acordo com os interesses do governo.

A base esperava contar com 33 votos a favor do prefeito. Mas só obteve 25 — apenas dois além do que era necessário para afastar o processo de impeachment.



segunda-feira, 27 de julho de 2020

Espuma Eleitoral!

A higienização de uma comunidade sendo eventual e não rotineira, é como pensar que para a prevenção contra a infecção por qualquer vírus, basta lavar muito bem as mãos somente uma vez por mês.  

Em termos de eficácia na limpeza e desinfecção, a operação não passa de um placebo sanitárioNo entanto, é uma operação de forte apelo, pois, em um ano eleitoral conturbado por uma pandemia, vale muito a pena fazer muita espuma!


Representante de vereador acompanhando serviço da Comlurb


Quando estiver exaurido o modelo de empresa pública transformada em "máquina eleitoral", será necessário encontrar um novo modelo, possivelmente através de parceria público privada que preserve os profissionais da melhor forma possível e garanta algum legado da Comlurb, talvez como Agência Reguladora.





VEREADORES DO RIO TENTAM GANHAR VOTOS COM AÇÕES DA PREFEITURA CONTRA COVID-19

Em busca de novos mandatos na próxima eleição, parlamentares sinalizam suposta influência política na escolha de locais alcançados pelo trabalho de sanitização conduzido por companhia de limpeza urbana

19/07/2020 - 07:15 / Atualizado em 19/07/2020 - 09:58

Equipe da Comlurb realiza higienização de ruas em bairros do Rio Foto: Reprodução
Equipe da Comlurb realiza higienização de ruas em bairros do Rio Foto: Reprodução

O trabalho da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) direcionado ao combate à pandemia do novo coronavírus no Rio de Janeiro se tornou oportunidade para campanha política de vereadores em busca de reeleição. Nas redes sociais, políticos tentam se associar às ações de sanitização promovidas pelo órgão municipal pelas ruas da cidade. As postagens estão repletas de fotos ao lado dos funcionários responsáveis pela limpeza nos bairros cariocas.

A lista inclui, por exemplo, cinco vereadores da base de apoio ao prefeito Marcelo Crivella que tentam a reeleição: Vera Lins, Professor Adalmir, Marcelino D'Almeida e Felipe Michel (todos do partido Progressistas), além de Jair da Mendes Gomes (PROS).

Com sua base de eleitores concentrada na Zona Norte do Rio, Vera Lins sinaliza sua influência política ao citar ações de sanitização da Comlurb em áreas supostamente indicadas por ela.

Na semana passada, comemorou o atendimento a 14 ruas dos bairros de Vila Kosmos, Penha Circular e Praça do Carmo. Também celebrou sua interferência em ações realizadas em Cascadura, Parada de Lucas, Madureira e Vicente de Carvalho.

Na Zona Oeste, a publicidade ficou por conta de Marcelino D'Almeida, que fez posts sobre a ação da Companhia no entorno do Campo do Periquito, em Realengo. Já o vereador Felipe Michel preferiu um post mais genérico, mencionando todas as ações da Prefeitura, em 663 áreas.

"Todas as comunidades da cidade já receberam o serviço especial de higienização pela #Comlurb. E o trabalho não para! A iniciativa (...) tem por objetivo reduzir os riscos de contaminação pelo novo coronavírus em áreas de maior vulnerabilidade e aglomeração", diz ele, em uma mensagem recente.

As ações da Comlurb de prevenção à Covid 19 consistem em uma lavagem geral das ruas e calçadas, com água de reuso e detergente neutro através das mangueiras acopladas aos caminhões da companhia. Uma solução de hipoclorito é usada nos pulverizadores. Além do caminhão, as equipes responsáveis pela higienização contam, em média, com cinco agentes. A faxina geral é feita apenas nas vias públicas.

Procurada, a Comlurb informou que "as ações seguem critérios técnicos" e que "as higienizações não podem ser solicitadas", diferentemente do que indicam os vereadores.

A Companhia indicou também, em nota, que "vem promovendo desde 23 de março as operações especiais de higienização nos pontos de maior circulação de pessoas, como vias principais de bairros, pontos de ônibus, passarelas, entorno de hospitais, clínicas da família e postos de saúde e acesso às estações de modais de transportes, entre outros". E que as 663 comunidades da cidade foram atendidas, recebendo "lavagem geral".

Sanitização em Vicente de Carvalho, no Rio de Janeiro Foto: Reprodução
Sanitização em Vicente de Carvalho, no Rio de Janeiro Foto: Reprodução



O QUE DIZEM OS VEREADORES

Já os vereadores citados na reportagem dizem não ver irregularidades em suas ações.

Em nota, Vera Lins diz que "no atual momento, diversas lideranças têm procurado ajuda para sanitização de comunidades, tão importantes para o controle da pandemia" e que as publicações realizadas nas redes sociais da vereadora versam sobre o agradecimento ao órgão que está realizando o serviço, pelo atendimento do encaminhamento realizado, sem sua participação nas ações.

O vereador professor Adalmir diz que "além de encaminhar as solicitações, através de ofícios para a Prefeitura, o nosso mandato sempre procura fiscalizar as ações realizadas, a fim de constatar a sua adequação" e que "a fiscalização dos atos tem se mostrado um instrumento muito eficaz em favor da população".

Jair da Mendes Gomes diz que também não vê irregularidades em suas ações, porque "uma das prerrogativas do vereador é a fiscalização dos serviços dos órgãos públicos".

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Felipe Michel admite que indicou, por meio de de ofícios, locais a serem higienizados. Mas que a atitude, segundo ele, é um "dever do poder fiscalizador do vereador, principalmente neste momento de pandemia". E disse que acompanha "qualquer ação necessária, para realizar a fiscalização e ouvir a opinião pública".

Marcelino D'Almeida não retornou ao contato da reportagem.

quarta-feira, 17 de junho de 2020

Lixo Zero ou marketing pessoal?

Até que ponto a "iniciativa do Lixo Zero" e a presença de seu coordenador em revitalização de praça não é um desvio de finalidade do programa.

Continua a dúvida se o Programa Lixo Zero, nascido para a execução (enforcement) da Lei de Limpeza Urbana, agora  capitaneado pelo Coordenador Ricardo Rigueto, candidato a vereador não eleito pelo PEN com 3390 votos em 2016, passou a ser um instrumento midiático de uma gestão infeccionada com o fenômeno da patronagem 




sexta-feira, 6 de março de 2020

Lixo Zero no Carnaval

A quantidade de multas emitidas pelas equipes do Lixo Zero durante o carnaval sofreu uma queda contínua ano a ano. Algo que já foi mais que três multas por tonelagem removida em 2016 e 2017, reduziu para apenas uma multa para cada tonelada em 2019. O aumento de multas por tonelada de 2020 é mais reflexo da queda na apuração de tonelagem que um aumento de eficiência do Lixo Zero

Continua a dúvida de o Programa Lixo Zero, nascido para a execução (enforcement) da Lei de Limpeza Urbana, agora  capitaneado pelo Coordenador Ricardo Rigueto, candidato a vereador não eleito pelo PEN com 3390 votos em 2016, passou a ser um instrumento midiático de uma gestão infeccionada com o fenômeno da patronagem 


sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Qual o rumo do Programa Lixo Zero?


Participando em 2013 do Grupo de Trabalho que modelou o Programa Lixo Zero, contribuí usando como benchmarc a figura do Litter Warden no Reino Unido que reúne em uma mesma pessoa a dedicação exclusiva á questão dos resíduos nos logradouros, a autoridade policial capaz de fazer uma lei ser cumprida (enforcement) e a visibilidade do uniforme necessário á uma fiscalização ostensiva.

Na nossa realidade, por razões múltiplas, em um primeiro momento, as três características do Litter Warden foram obtidas por agentes públicos diferentes trabalhando em conjunto em um Grupo de Fiscalização composto um Agente de Limpeza Urbana treinado em fiscalização capaz de identificar não conformidades específicas sobre a Lei de Limpeza Urbana; um Guarda Municipal com a função de emitir constatação digital da infração e um Policial Militar com uniforme da corporação com a função de garantir o poder de polícia no momento da abordagem e identificação de pessoas físicas infratoras.

O programa Lixo Zero, com excelente aprovação do Carioca, tornou efetiva fiscalização e cumprimento da Lei de Limpeza Urbana, criada em 2001. Após quatro anos com ênfase no cidadão, em 2017, o Programa Lixo Zero expandiu a atuação para a fiscalização de Pessoas Jurídicas, os Grandes Geradores de Resíduos, inclusive com a formação de novos Técnicos de Limpeza Urbana 

Nos anos seguintes a 2017, o Lixo Zero patinou e esmoreceu, os fiscais parados com semblante desmotivado se posicionando em bando em locais de fácil identificação de infrações como saída de metro e de shoppings. Nitidamente uma falta de estratégia de atuação, perda de propósito e significado. Para olhos acostumados é fácil identificar viaturas particulares transportando resíduos sem o devido credenciamento.

Agora capitaneado pelo Coordenador Ricardo Rigueto, candidato a vereador não eleito pelo PEN com 3390 votos em 2016, tenho dúvidas se o Programa Lixo Zero, nascido para a execução (enforcement) da Lei de Limpeza Urbana, não será apenas mais um aparelhamento em uma gestão infeccionada com o fenômeno da patronagem 







segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Secretaria de Saúde de Crivella já teve 51 trocas em cargos de gestão

A rotatividade afeta as instituições, pois, é comum cada mudança de Gestor em Cargo em Comissão em nível estratégico, como Secretários Municipais na Administração direta ou Presidentes de empresa na Administração Indireta, ser acompanhada por uma onda de exonerações e nomeações também nos níveis táticos. Pior, o fenômeno chega até nos níveis operacionais, aqueles que detêm o conhecimento do funcionamento da máquina pública. 

A rotatividade da atual legislatura é um ponto fora da curva se comparada com qualquer uma anterior

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Secretaria de Saúde de Crivella já teve 51 trocas em cargos de gestão

Por: Paulo Cappelli em 18/11/19 18:33  

O prefeito Marcelo Crivella e a secretária Ana Beatriz Busch
O prefeito Marcelo Crivella e a secretária Ana Beatriz Busch

Em dois anos e dez meses como prefeito, Marcelo Crivella promoveu 51 trocas na em cargos de gestão na Secretaria de Saúde. Entre exonerações e nomeações, as mudanças já superam as 32 realizadas pelo antecessor, Eduardo Paes, em oito anos, e as 25 feitas por Cesar Maia entre 2004 a 2008. Nos bastidores, as trocas são atribuídas, muitas vezes, a pleitos de vereadores.

Médico e jornalista, Luiz Fernando Corrêa critica a alta rotatividade, que, na sua opinião dificulta a implementação de políticas públicas: “Não há métrica. Vamos de acordo com o político que está mandando naquele momento. O trabalho não tem continuidade”, avalia. Crivella já nomeou três secretários de Saúde diferentes, 13 subsecretários e 35 coordenadores de atenção primária. Apenas na coordenadoria da Área de Planejamento 3.3, que cuida de bairros da Zona Norte, já passaram 6 gestores diferentes.

Questionada, a prefeitura afirmou que “substituições são discricionárias e comuns na administração pública” e ressaltou que prioriza quadros técnicos como os três secretários que já comandaram a pasta e são servidores de carreira.

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Falta vocação para viver em paz com o Legislativo.

Muito triste a extinção de algo que já foi uma das joias da cidade!

Crivella provoca a Câmara ao entregar a Conservação a Sebastião Bruno

Por: Berenice Seara em 03/10/19 18:26  

O vereador Tarcísio Motta (PSOL) preside a sessão da Câmara
O vereador Tarcísio Motta (PSOL) preside a sessão da Câmara
 A sessão desta quinta-feira (03) na Câmara do Rio começou com cheiro de pólvora — embora fossem tão poucos os vereadores em plenário, que o PSOL de Tarcísio Motta tenha sido obrigado a assumir a presidência (fato raro) para poder dar início aos trabalhos.

O esvaziamento não tinha a ver com o Rock in Rio, como especularam as piores línguas.

Mas com as notas dissonantes que vinham do Palácio da Cidade, onde o prefeito Marcelo Crivella (PRB), naquele mesmo momento, dava a ordem para liberar uma edição especial do Diário Oficial do Município apenas para dar conhecimento público à extinção da Secretaria de Conservação.

E à transformação do já poderoso chefão da Infraestrutura e Habitação, Sebastião Bruno, num supersecretário — agora responsável também pelo orçamento de R$ 790,9 milhões previsto para a Conservação no ano que vem.

Os parlamentares governistas, que formam a esmagadora maioria dos ocupantes do Palácio Pedro Ernesto, reuniram-se na sala do presidente Jorge Felippe (MDB) para dividir inquietações e indignações. E impropérios também.

Afinal, Crivella havia exonerado o secretário Roberto Nascimento — que mantinha um relacionamento tido como excelente com os vereadores, em especial, com o próprio Jorge Felippe, sempre atendendo aos pedidos dos seus redutos eleitorais.

E passado as funções primordiais do dia-a-dia da cidade, como operações tapa-buracos e limpeza dos bueiros, para Sebastião Bruno, que notoriamente não mantém uma boa conversa com os legisladores.

Para os parlamentares, doeu. Doeu ainda mais ver que Crivella só deu a estocada final depois de ter aprovado o que mais precisava na Câmara: o perdão de R$ 450 milhões das dívidas dos cartórios, a garantia da incorporação aos servidores municipais e a nova edição do projeto Concilia Rio.

Por isso é que o cheiro de pólvora não era apenas uma sugestão.

A turma da Cinelândia está com a bazuca nos dentes.

E é bom lembrar que o processo de impeachment de Crivella começou quando o prefeito substituiu Guilherme Campos, indicado por Jorge Felippe para a subsecretaria de Engenharia e Conservação, por Carlos Alberto Siqueira da Silva, homem de confiança de Sebastião Bruno.

A crise só foi contida quando Siqueira foi exonerado e Roberto Nascimento, novamente com a anuência de Felippe, nomeado secretário.

Uma coisa é certa.

Crivella não tem medo do enfrentamento. Nem vocação para viver em paz com o Legislativo.

sábado, 14 de setembro de 2019

Aqui, lá e acolá... Patronagem desenfreada

fenômeno da patronagem partidária tem sido encarado na literatura como instrumento de recompensa a redes de apoiadores e clientelas, e como estratégia para a formação e manutenção de coalizões. Nessa chave teórica, a patronagem é entendida como mecanismo de troca particularista entre patrões, que oferecem recursos públicos ou o acesso a eles,  e redes de clientes, que em troca têm a oferecer sua militância ou, ao menos, seu voto.



Companhia de limpeza de Niterói emprega candidatos derrotados nas eleições
A maioria dos nomeados concorreu pelo PPS, atual Cidadania, comandado por Comte Bittencourt, secretário municipal de Governo



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RIO - Dezoito candidatos a vereador derrotados em Niterói (15 só na eleição de 2016) foram nomeados para trabalhar na Companhia de Limpeza da cidade, a Clin. Desse total, apenas um é concursado. O restante é comissionado. A maioria (dez) disputou uma vaga na Câmara de Vereadores pelo PPS, atualmente chamado de Cidadania. Quem comanda o partido é Comte Bitencourt, ex-deputado estadual e hoje secretário de Governo do prefeito Rodrigo Neves (PDT). Na lista, há políticos que concorreram ainda pelo MDB, PSB, PSD, PT e Solidariedade. Os salários variam de R$ 1,9 mil a R$ 10,4 mil.

Em nota, a prefeitura informou que “presta um dos serviços mais bem avaliados pela população” e os servidores “cumprem os horários e respectivos turnos de trabalho”.

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

A "máquina eleitoral em áreas pobres"

A rotatividade de cargos da atual legislatura é um ponto fora da curva se comparada com anteriores.

Confirmando a volatilidade das designações de Gestores Estratégicos é o caso da Companhia Municipal de Limpeza Urbana – COMLURB que após ter somente quatro Presidentes em 22 anos antes de 2016, passou para uma situação de chegar ao quinto Presidente do início de 2017 até a presente data. 

Os desafios orçamentários atuais se agravam com a sequencia de gestores com práticas voltadas para interesses eleitorais, práticas dissociadas das questões prementes para a sustentabilidade do Sistema de Limpeza Urbana e até mesmo existência da Comlurb.

  1. Voltar a ter uma governança insulada de interesses eleitoreiros;
  2. Incorporar os preceitos de transparência e Compliance; 
  3. Exonerar atividades estranhas a sua atribuição como o preparo de alimentos.
  4. Terceirizar serviços agregados como o manejo arbóreo.
  5. Promover uma rigorosa reforma em sua política de remuneração; e, 
  6. Desenvolver uma gestão que realmente abrace as boas práticas da moderna Administração Pública.
Quando estiver exaurido o modelo de empresa pública transformada em "máquina eleitoral", será necessário encontrar um modelo de parceria público privada que preserve os profissionais da melhor forma possível e garanta algum legado da Comlurb, talvez como Agência Reguladora.






A engenharia de Crivella à reeleição diante da crise econômica

Prefeito do Rio publicou crédito suplementar para Comlurb, comandada por presidente da Câmara



RIO - Pré-candidato à reeleição, o prefeito Marcelo Crivella (PRB) publicou nesta segunda-feira, no Diário Oficial, crédito suplementar de R$ 70,8 milhões para a Comlurb, considerada máquina eleitoral em áreas pobres

Em troca, o presidente da Câmara, Jorge Felippe (MDB), que comanda a companhia de limpeza urbana (o novo presidente Paulo Mangueira é indicação dele), tem a missão de convencer os vereadores a aprovar o Concilia Rio, programa de refinanciamento para devedores de tributos municipais, de interesse de Crivella para fazer caixa. Felippe faz corpo a corpo com os colegas. A proposta pode ser votada ainda hoje.

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Prefito e atual presidente da Comlurb em pre campanha na Rocinha

PRESIDENTE PEDE PARA NÃO TER EMENDAS

Com a corda no pescoço diante da crise financeira, Crivella e a coordenação de campanha temem que salários dos servidores atrasem até o fim do ano. E, assim, haja mais desgaste à imagem do prefeito. Felippe pede aos vereadores que não apresentem emendas para não sair de pauta, como fez Paulo Messina (PRTB) em 20 de agosto. Em 2018, o Concilia Rio arrecadou cerca de R$ 1 bilhão aos cofres da prefeitura. Mas hoje, a base de Crivella na Câmara é frágil. No domingo, a Coluna mostrou que parlamentares já cogitam um novo pedido de impeachment.

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Patronagem inflacionada

Passado metade do mandato entra em jogo na estratégia de patronagem as expectativas quanto ao próximo resultado eleitoral em outubro de 2020. Candidatos fortes e eleição começam a influenciar, e a possibilidade ou não de uma reeleição passa a ser contabilizada politicamente.

A indicação de cargos neste momento, faltando pouco mais de um ano para a eleição municipal, visando uma base para reeleição é uma "fatura" complicada de saldar. 

Para atender a todos é necessário inflacionar o "mercado de indicações" criando cada vez mais cargos, consequentemente reduzindo o valor de cada cargo. Na tentativa de agradar a todos, nenhum fica satisfeito. 

A patronagem agora, pelo visto na reportagem, não é uma apólice de seguro anti novo processo de impeachment, e parece que a indicação de cargos neste momento é vantajosa somente para os parlamentares em seus cálculos eleitorais.



Vereadores já falam em novo pedido de impeachment de Crivella

Parlamentares argumentam que "fatura" por terem barrado o primeiro afastamento não está sendo paga pelo prefeito do Rio



O prefeito do Rio, Marcelo Crivella
O prefeito do Rio, Marcelo Crivella - Daniel Castelo Branco / Agência O Dia
Rio - Mais uma tentativa de afastamento do prefeito Marcelo Crivella (PRB) pode estar por vir. E, justamente, em ano eleitoral, para atrapalhar os planos de reeleição. Já há um grupo de vereadores que cogita a possibilidade de um novo pedido de impeachment. Pela Lei Orgânica da cidade, se Crivella fosse afastado no terceiro ano do mandato (como teria ocorrido este ano, caso o pedido tivesse sido aprovado), a nova eleição seria direta, ou seja, pela população. Mas, caso ocorra no último ano da gestão (em 2020), a escolha do chefe do Executivo é indireta. Ou seja, os parlamentares escolhem o sucessor. 

AS MOTIVAÇÕES PARA O AFASTAMENTO 

Motivos não faltam. Vereadores argumentam que a “fatura” por terem barrado o primeiro impeachment não está sendo paga por Crivella, segundo eles, da forma como deveria. Além de secretarias e cargos na prefeitura, os parlamentares querem obras em bairros onde estão as suas bases eleitorais. De acordo com eles, a sensação é de paralisia porque, efetivamente, não se vê a máquina da prefeitura nas ruas. Dos 35 vereadores que rejeitaram o afastamento de Crivella em 25 de junho, apenas 12 ainda o apoiam. O resto está insatisfeito. 

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Patronagem é a doença crônica da Administração Pública

A continuidade da liderança e da gestão lembrada por Moritz e Pereira não acontece no atual governo assolado por uma exorbitante rotatividade de gestores escolhidos por critérios essencialmente ligados à patronagem.

"A continuidade da liderança e da gestão é crítica e fundamental no processo de transformação das organizações públicas, porque ela é inseminadora dos valores que sustentam a identidade e a patrocinadora das estratégias que direcionam o desenvolvimento. A liderança eficaz absorve os impactos socioeconômicos e políticos, regula as estruturas e inspira as pessoas para a melhoria dos processos decisórios.
Uma competente gestão pública de recursos humanos que adote critérios adequados de alocação e remuneração, que valorize o servidor competente e acabe com a ociosidade, os privilégios e a impunidade, é necessária para criar novos padrões de liderança, rever os valores vigentes e confrontá-los com a ética dos novos paradigmas".
Pag 115 Processo decisório / Gilberto de Oliveira Moritz e Maurício Fernandes Pereira. – 2. ed. rev. atual. – Florianópolis: Departamento de Ciências da Administração/UFSC, 2012.





 O FEUDO NA COMLURB 

O presidente da Câmara, Jorge Felippe (MDB), não indicou apenas o presidente da Comlurb, Paulo Mangueira. Haverá mais mudanças em cargoschaves na companhia como as diretorias de poda e limpeza.

O FILHO DO COORDENADOR DO PREFEITO 

O deputado estadual Jorge Felippe Neto (PSD, na foto) diz por aí que pode ser vice de Crivella em 2020. Ele é filho de Rodrigo Bethlem, coordenador da précampanha do prefeito. Seu avô é o presidente da Câmara, Jorge Felippe (MDB). Como revelou a Coluna em 4 de julho, o vereador indicou o presidente da Comlurb, Paulo Mangueira. Mas o deputado terá que combinar com Kassab e com o senador Arolde de Oliveira, eleito na onda Bolsonaro. 

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

É penta!!!

A rotatividade afeta as instituições, pois, é comum cada mudança de Gestor em Cargo em Comissão em nível estratégico, como Secretários Municipais na Administração direta ou Presidentes de empresa na Administração Indireta, ser acompanhada por uma onda de exonerações e nomeações também nos níveis táticos. Pior, o fenômeno chega até nos níveis operacionais, aqueles que detêm o conhecimento do funcionamento da máquina pública. 

A rotatividade da atual legislatura é um ponto fora da curva se comparada com anteriores.

Confirmando a volatilidade das designações de Gestores Estratégicos é o caso da Companhia Municipal de Limpeza Urbana – COMLURB que após ter somente quatro Presidentes em 22 anos antes de 2016, passou para uma situação de chegar ao quinto Presidente do início de 2017 até a presente data. 

Uma governança insulada de interesses eleitoreiros é condição sine quá non para enfrentar os desafios orçamentários atuais. 




Crivella promove dança das cadeiras na prefeitura e Comlurb tem o quinto presidente em dois anos

O diretor de Limpeza Urbana, Paulo Mangueira, assume a companhia no lugar do engenheiro Tarquínio Fernandes

Caminhões da Comlurb na Estação de Transferência de Santíssimo, na Avenida Brasil Foto: Pablo Jacob / Pablo Jacob
Caminhões da Comlurb na Estação de Transferência de Santíssimo, na Avenida Brasil Foto: Pablo Jacob / Pablo Jacob
RIO - O prefeito Marcelo Crivella promoveu mais uma dança das cadeiras na prefeitura do Rio, na tentativa de acomodar aliados políticos ainda por conta de acordos fechados no processo que enterrou a tentativa de impeachment na Câmara do Rio. Uma das pastas atingidas foi a Comlurb . O diretor de Limpeza Urbana, Paulo Mangueira, assume a companhia no lugar do engenheiro Tarquínio Fernandes. Tarquínio, por sua vez, foi deslocado para comandar a Companhia de Desenvolvimento Urbano (Cdurp), em lugar de Antonio Carlos Mendes Barbosa, que deve deixar a prefeitura e voltar para a iniciativa privada.

Com Mangueira, a Comlurb terá seu quinto presidente desde o início do governo Crivella, em 2017. Além de Tarquinio, já dirigiram a empresa: Gustavo Pupi, Rubens Teixeira e Eduardo Oliveira. No início da noite de domingo, o agora ex-presidente distribuiu uma mensagem nas redes sociais agradecendo sua equipe. O que se comenta na prefeitura é que Mangueira teria sido indicado pelo presidente da Câmara, Jorge Felippe (MDB). ''Deixo aqui um até breve, afinal como sempre disse tenho chorume nas veias. sou da Comlurb e não troco por nada'', afirmou Fernandes no texto. 

O troca-troca já  despertou a reação do ex-homem forte do governo, vereador Paulo Messina (PRTB), que deixou o governo e rompeu com o prefeito depois do impeachment. Tarquínio havia sido indicado para o posto por Messina.

- Ganhou a base de sustentação do prefeito e o governo perdeu - disse Messina sobre as trocas.



quinta-feira, 4 de julho de 2019

Partindo para o quinto presidente!

A rotatividade afeta as instituições, pois, é comum cada mudança de Gestor em Cargo em Comissão em nível estratégico, como Secretários Municipais na Administração direta ou Presidentes de empresa na Administração Indireta, ser acompanhada por uma onda de exonerações e nomeações também nos níveis táticos. Pior, o fenômeno chega até nos níveis operacionais, aqueles que detêm o conhecimento do funcionamento da máquina pública. 

A rotatividade da atual legislatura é um ponto fora da curva se comparada com a anterior que, após a composição inicial do secretariado, promoveu somente duas alterações anunciadas ao longo dos quatro anos de mandato. 

Confirmando a volatilidade das designações de Gestores Estratégicos é o caso da Companhia Municipal de Limpeza Urbana – COMLURB que após ter somente quatro Presidentes em 22 anos antes de 2016, passou para uma situação de quatro Presidentes do início de 2017 até a presente data. 

COMLURB terá mais um presidente, o quinto em 30 meses? 

Uma governança insulada de interesses eleitoreiros é condição sine qua non para enfrentar os desafios orçamentários atuais. 



De olho na reeleição, Crivella também pode fazer mudanças na Comlurb
Prefeito do Rio, que criou duas novas secretarias para abrigar novos aliados, planeja troca-troca no comando da companhia de limpeza urbana
 
POR CÁSSIO BRUNO




Após escapar do impeachment e de olho na reeleição no ano que vem, o prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB), deve promover uma nova dança das cadeiras para atrair mais partidos aliados. O alvo, agora, é a Comlurb. O presidente da Câmara, Jorge Felippe (MDB), indicou Paulo Mangueira, atual diretor de limpeza urbana, para ocupar a presidência da companhia no lugar de Tarquínio Almeida, apadrinhado pelo vereador Paulo Messina (PRTB), ex-homem-forte do prefeito na Casa Civil. Nesta quarta-feira, inclusive, Felippe, que votou contra o afastamento de Crivella, esteve no prédio da prefeitura, na Cidade Nova.

terça-feira, 2 de julho de 2019

O novo milagre da multiplicação de secretarias!


fenômeno da patronagem partidária tem sido encarado na literatura como instrumento de recompensa a redes de apoiadores e clientelas, e como estratégia para a formação e manutenção de coalizões. Nessa chave teórica, a patronagem é entendida como mecanismo de troca particularista entre patrões, que oferecem recursos públicos ou o acesso a eles,  e redes de clientes, que em troca têm a oferecer sua militância ou, ao menos, seu voto.

A estrutura da Prefeitura ficou pequena para recompensar os apoiadores em uma crônica patronagem partidária. A saída foi recorrer a prática da multiplicação das secretarias.



Resultado de imagem para multiplicação peixesEm abril, em meio ao processo de impeachment, foram recriadas a Secretaria de Turismo (SECTUR) e a Secretaria de Meio ambiente (SMAC).  

Já em maio, ligada a Casa Civil, surgiu a subsecretaria de  Agricultura e Pesca,  tão extravagante que não tem qualquer competência listada no SICI - Sistema Integrado de Codificacão Institucional



Em julho, logo após a Câmara dos Vereadores rejeitar o pedido de impeachment, surgem duas novas secretarias:  a Secretaria Municipal do Envelhecimento Saudável, Qualidade de Vida e Eventos - SEMESQVE e a Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Tecnologia - SMDT. 

Trocando alhos por bugalhos, a  SEMESQVE, além de exoticamente misturar "envelhecimento saudável" com "eventos" (espera-se que para todas as idades), segundo o decreto de sua criação (Decreto Rio 46135 de 28 de junho de 2019), recebe em sua estrutura a  Fundação Parques e Jardins - FPJ, tradicionalmente sob a supervisão de gestões ligadas ao Meio Ambiente ou a conservação



Ainda no estilo acridoce, a SMDT mistura políticas para pessoas com deficiência com políticas de tecnologia, inclusive recebendo em sua estrutura a Subsecretaria de Inovação SUBINOVA, que, segundo o Decreto Rio nº 46161 de 28 de junho de 2019, deixa a Secretaria Municipal de Desenvolvimento, Emprego e Inovação / SMDEI. Sendo que em breve a própria a SMDEI deve ser transformada em Secretaria Municipal do Trabalho, somente.   

As secretarias deixam de representar unidades de trabalho focadas em políticas afins passando a ser coquetéis político eleitorais voltados exclusivamente à patronagem partidária visando uma apólice de seguro anti novo processo de impeachment e, quem sabe, uma base para reeleição.

Todavia, não adianta criar secretarias para vende-las no mercado da patronagem se existe uma crônica inépcia em articular, negociar, decidir e, pior de todos, gerir.  


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Secretaria de Envelhecimento Saudável será dividida entre seis vereadores


Felipe Michel (PSDB) toma posse como secretário de Crivella
Felipe Michel (PSDB) toma posse como secretário de Crivella Foto: Marcos Ramos / Agência O Globo
O prefeito Marcelo Crivella (PRB) está dando nó em pingo d’água para agradar aos gregos e troianos que votaram a seu favor no processo de impeachment.

A Secretaria de Envelhecimento Saudável, Qualidade de Vida e Eventos está sob a jurisdição de... seis vereadores!

Formam o “consórcio” Jorge Manaia (SD), Rafael Aloisio Freitas (MDB), Zico (PTB), Professor Adalmir (PSDB), Jones Moura (PSD) e Felipe Michel (PSDB) — que assumiu o comando da trupe.

Não à toa o prefeito citou a união no discurso da posse.

Sumidos

Três integrantes do quarteto fantástico — os maiores defensores de Crivella no Pedro Ernesto — não deram o ar de suas graças na posse do quarto cavaleiro, ontem, no Palácio da Cidade. Carlos Eduardo (SD), Doutor Gilberto (PMN) e Júnior da Lucinha (MDB) não foram prestigiar o prefeito e o colega Renato Moura (PDT).