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segunda-feira, 1 de junho de 2026

Minuto de segurança não é perda de tempo


 Há práticas simples que revelam o grau de maturidade de uma organização. O Minuto de Segurança é uma delas. A comunicação interna da Comlurb o define como um breve encontro antes do início das atividades, voltado a reforçar o uso correto de EPIs, os cuidados necessários durante a execução das tarefas e os pontos de atenção de cada operação. Parece pouco. Não é. Em ambiente operacional, um minuto bem usado pode valer mais do que uma hora de improviso depois do acidente.

Esse tipo de prática sempre me marcou profissionalmente. No tempo em que trabalhei no estaleiro Ishikawajima, toda manhã começava com ginástica laboral e, em seguida, cada grupo de trabalho se reunia para lembrar os riscos das tarefas do dia. Do empregado mais novo ao superintendente, todos participavam. Aquilo não era encenação. Era cultura. Por isso, quando estive à frente da Diretoria de Serviços da Zona Oeste, fiz questão de fomentar tanto a ginástica laboral quanto o minuto de segurança.

O mérito da iniciativa atual está justamente em recolocar em circulação uma boa prática que, de tão simples, costuma ser desprezada por chefias apressadas. Há sempre o mau chefe que olha para o serviço atrasado na rua e conclui, com sua pressa míope, que prevenção é perda de tempo. Não percebe que essa pequena pausa inicial organiza a atenção, reduz a zona cinzenta e lembra ao trabalhador que segurança não é detalhe acessório da tarefa, mas parte da própria tarefa. A peça da Comlurb acerta ao dizer que o minuto de segurança deve ser objetivo, direto e dinâmico. Segurança boa não é palestra longa; é mensagem curta que entra antes do risco.

Há, além disso, uma dimensão mais profunda nesse ritual. O minuto de segurança não serve apenas para lembrar EPI ou procedimento. Ele produz presença. Obriga a equipe a sair do automático, a nomear o risco e a reconhecer que a operação não pode ser conduzida como mera repetição cega. Em organizações marcadas pela rotina pesada, esse pequeno encontro funciona como antídoto contra a banalização do perigo. É um instante em que a instituição diz ao trabalhador, de forma concreta: antes da produtividade, importa voltar inteiro para casa.

Por isso vejo com bons olhos esse retorno. Não porque traga novidade, mas justamente porque recupera uma disciplina preventiva que às vezes se perde sob a administração de chefes ruins e de urgências mal geridas. Em segurança operacional, esquecer o básico costuma ser o primeiro passo para o problema sério. O minuto de segurança é quase humilde demais para chamar atenção. Mas organizações maduras sabem que a prevenção não se mede pelo espetáculo das campanhas, e sim pela constância de pequenos hábitos que impedem que o acidente vire rotina.

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