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quarta-feira, 18 de março de 2026

Mutirão, novo nome e velho dilema da limpeza urbana



Programa Comunidade de Responsa no Complexo da Maré 

Nesta quarta-feira (17/03), a Comlurb realizou, por meio da DLU/LRC, o Programa Comunidade de Responsa na Comunidade da Maré. A ação contou com mais de 161 garis que atuaram nos serviços como Roçada Mecânica, limpeza hidráulica que contribuem com a limpeza e organização da comunidade. "Mais uma super entrega do Programa Comunidade de Responsa hoje no Complexo da Maré, um programa que já está consolidado em toda nossa cidade, já foram mais de 60 comunidades atendidas pelos nossos serviços de limpeza urbana" disse o diretor da DLU


A realização de mais uma edição do programa Comunidade de Responsa, desta vez no Complexo da Maré, recoloca em pauta um tema antigo da gestão da limpeza urbana: até que ponto ações concentradas, vistosas e midiaticamente eficazes representam de fato uma política pública consistente de presença territorial?

A notícia fala em mais de 161 garis, roçada mecânica, limpeza hidráulica e uma “super entrega” em uma comunidade já alcançada por esse tipo de ação. O discurso é conhecido. A operação é apresentada como evidência de presença do poder público, de organização do território e de compromisso com a limpeza urbana. Tudo isso tem seu valor. Ninguém de bom senso despreza uma ação que melhora pontualmente as condições de limpeza de uma área complexa e carente de atenção continuada.

Mas é justamente aí que surge a questão mais importante.

Há muito tempo Paulo Carvalho alertava para um ponto essencial da gestão operacional: mutirão não é virtude em si. Fora das situações emergenciais, fortuitas ou excepcionais, o mutirão costuma ser menos demonstração de eficiência do que sintoma de ausência de rotina. É o atacado eventual cobrindo a falta do varejo permanente. É a grande mobilização de um dia tentando compensar aquilo que deveria existir todos os dias de forma menos espetacular e mais estável.

Essa crítica continua atual.

Na limpeza urbana, a rotina é sempre mais importante que o evento. O cidadão não vive a cidade como uma sequência de operações especiais. Ele vive a cidade no intervalo entre elas. E é justamente nesse intervalo que se revela a qualidade real do serviço. Uma comunidade pode receber centenas de trabalhadores, equipamentos, lavagem hidráulica, música, presença de gestores e produção de imagens. Mas, se no dia seguinte a operação ordinária continuar insuficiente, o efeito da ação se dissolve rapidamente. Pior: a satisfação imediata cede lugar a uma frustração talvez ainda maior, porque expõe o contraste entre o esforço concentrado de um dia e a ausência cotidiana do restante.

Esse é o risco estrutural de programas dessa natureza.

Não se trata de negar a utilidade de uma força-tarefa em territórios difíceis, com acúmulo histórico de resíduos, barreiras geográficas, descarte irregular persistente e baixa acessibilidade operacional. Em muitos casos, uma ação concentrada é necessária como choque inicial, como recomposição mínima de um cenário degradado ou como resposta a uma situação crítica. O problema aparece quando a exceção começa a se apresentar como modelo.

Nesse ponto, a cidade já viu esse filme algumas vezes.

Cuidar da Cidade, Comlurb Comunidades, Comunidade de Responsa. Mudam os nomes, muda a embalagem institucional, muda a estética da comunicação, mas a lógica de base permanece muito parecida. Trata-se sempre de concentrar recursos não dedicados ao local para realizar uma ação pontual, intensiva e com boa capacidade de repercussão. Em geral, há algum sucesso midiático. Às vezes esse sucesso é até apropriado por outros atores políticos, como se a melhoria fosse produto de intermediações externas e não parte de uma obrigação permanente do serviço público. Mas o ganho simbólico da ação não garante sua tradução em universalização do atendimento nem em presença territorial constante.

Esse talvez seja o ponto mais delicado: a repetição sistemática de velhas práticas com novos nomes produz uma sensação de renovação que nem sempre corresponde a uma transformação real do modelo.

A gestão da limpeza em comunidades exige, evidentemente, soluções específicas. Não se trata de aplicar no interior da favela a mesma lógica do asfalto sem qualquer adaptação. Há dificuldades de acesso, vielas, encostas, limitações para circulação de caminhões, necessidade de pontos de acumulação, exigência de arranjos locais e até riscos ocupacionais maiores para os trabalhadores. Tudo isso é real. Justamente por isso, a resposta não pode depender apenas de ações de choque. É preciso construir rotina compatível com a complexidade do território.

Sem isso, o mutirão vira muleta.

E uma muleta institucional tem dois efeitos ruins. Primeiro, encobre a deficiência estrutural do serviço. Segundo, naturaliza a desigualdade territorial. O morador da comunidade passa a depender da “grande ação” para experimentar uma condição de limpeza que, em outras áreas da cidade, deveria ser banal e cotidiana. O que no asfalto aparece como serviço regular, na favela reaparece como evento.

Essa diferença não é apenas operacional. Ela é política.

Também por isso convém olhar com cuidado para a retórica do ordenamento. É claro que instalar contêineres, ecopontos ou organizar pontos de descarte pode melhorar o ambiente. Mas isso só se sustenta quando há manutenção, esvaziamento regular, coleta compatível e acompanhamento permanente. Sem continuidade, a infraestrutura vira cenário temporário. A ação pontual fica bonita na fotografia oficial e pobre na vida real.

Na prática, o êxito de programas como esse não deveria ser medido pela quantidade de garis mobilizados, pelo número de comunidades “atendidas” ou pela força da divulgação. Deveria ser medido por uma pergunta muito mais simples e muito mais difícil: depois que a operação especial vai embora, a limpeza fica?

Se a resposta for não, então talvez estejamos apenas diante de mais um capítulo da velha tentação de substituir política pública contínua por presença episódica com alto rendimento simbólico.

A ação na Maré pode ter utilidade imediata. Pode até ser necessária. Mas ela só terá valor duradouro se funcionar como ponto de partida para algo menos vistoso e mais importante: uma rotina estável, territorializada e previsível de serviços. Sem isso, continuaremos presos ao ciclo conhecido da limpeza urbana brasileira: grande esforço concentrado, grande repercussão momentânea e pequeno efeito estrutural.

Na gestão pública, mudar o nome é fácil. Difícil é mudar a lógica.

E, no caso da limpeza urbana em comunidades, a lógica só muda de verdade quando o mutirão deixa de ser a notícia e a rotina passa a ser a regra.

sábado, 17 de janeiro de 2026

Cidade de Deus e a ilusão recorrente de que o equipamento, sozinho, resolverá o problema


Comlurb instala 130 novos contêineres de alta capacidade na Cidade de Deus 

Na manhã desta sexta-feira (16/01), a Cidade de Deus recebeu 130 novos contêineres de alta capacidade, instalados em todo o entorno da comunidade, reforçando a política pública de organização e racionalização da coleta e da disposição do lixo na cidade. 

A ação incluiu a distribuição e a recolocação dos equipamentos, além da atuação do Programa Calçada de Responsa, com serviços de varrição, limpeza de ralos, remoção de resíduos, capina e lavagem hidráulica. 

“A partir desta entrega, com certeza, a coleta e a questão do lixo público vão melhorar no local”, afirmou o presidente da Comlurb, Jorge Arraes. 

O grupo Chegando de Surpresa também marcou presença, levando música e conscientização ambiental para moradores e comerciantes.


Comentário:

A notícia da instalação de 130 novos contêineres de alta capacidade na Cidade de Deus recoloca em cena um tema antigo da limpeza urbana: a crença de que uma nova solução de acondicionamento, por si só, será capaz de ordenar a disposição dos resíduos e melhorar a coleta.

Torço para que funcione. Sempre se torce. Em cada nova onda de equipamentos, de formatos, de capacidades e de promessas operacionais, renasce a expectativa de que, desta vez, o problema será finalmente domado. Mas a experiência recomenda cautela.

A Cidade de Deus já passou por diferentes tentativas. Houve caçambas metálicas de 5 m³. Houve contêineres metálicos de 750 litros. Depois vieram os contêineres plásticos de 240 litros, que em tese pareciam mais adequados a uma operação mais leve e racional. Na prática, porém, muitos eram instalados em um dia e desapareciam ou eram destruídos praticamente no seguinte. Mais tarde, a localidade também esteve entre os pontos de teste da coleta automatizada lateral, que depois seria implantada. Também ali a realidade mostrou que a simples introdução de um equipamento, ainda que tecnicamente interessante, não bastava para alterar o comportamento do território.

Esse histórico importa porque ele revela uma verdade incômoda: o acondicionamento de resíduos não é apenas um problema de recipiente. É, antes de tudo, um problema de contexto operacional, de uso social do espaço urbano e de adequação entre tecnologia e realidade local.

Durante muito tempo, a discussão sobre contêineres metálicos foi influenciada por um argumento legítimo, mas parcial: o ruído. Em roteiros noturnos de coleta domiciliar, sobretudo em áreas residenciais verticalizadas, o contato de metal com metal produzia um incômodo real. A solução adotada foi banir o equipamento de forma ampla e substituí-lo pelos contêineres plásticos de 240 litros. Para a coleta domiciliar, a mudança fazia sentido. Para comunidades, nem tanto.

Em áreas onde a coleta é predominantemente diurna e onde há forte desgaste dos equipamentos, furto, depredação e uso inadequado, a lógica muda. O que era inadequado em um ambiente pode ser perfeitamente defensável em outro. O retorno de caixas metálicas maiores, mais resistentes, mostra justamente isso: em limpeza urbana, decisões genéricas quase sempre envelhecem mal.

Também a coleta automatizada lateral ensinou essa lição. O sistema tinha lógica, tecnologia e referências externas bem-sucedidas. Mas sua implantação em áreas que não atendiam às premissas operacionais acabou comprometendo os resultados. Equipamento moderno não corrige, por milagre, ruas estreitas, circulação difícil, descarte heterogêneo, mistura de resíduos domiciliares com entulho e ausência de disciplina no uso dos pontos de coleta. Quando a premissa é ignorada, a inovação deixa de ser solução e passa a ser apenas uma nova forma de frustração.

Por isso, a instalação dos novos contêineres na Cidade de Deus merece atenção, mas também alguma prudência analítica. Pode haver melhora? Sim, pode. Equipamentos mais robustos e com maior capacidade podem reduzir parte dos problemas imediatos, sobretudo quando substituem alternativas mais frágeis. Mas não convém atribuir ao contêiner uma potência que ele não tem.

A disposição irregular de lixo em determinadas áreas não decorre apenas da falta de recipiente. Ela pode resultar de um conjunto muito mais complexo de fatores: uso indevido do espaço público, descarte de resíduos não compatíveis com a coleta regular, degradação recorrente dos equipamentos, ausência de corresponsabilidade local, fragilidade de fiscalização e descontinuidade operacional. Nessas circunstâncias, trocar o recipiente é apenas mexer em uma parte visível do problema.

Talvez a maior dificuldade esteja justamente aí. A cada nova tentativa, a esperança é depositada no objeto: a caixa, o contêiner, a caçamba, o modelo mais moderno, a capacidade ampliada. Mas a realidade insiste em mostrar que a solução talvez esteja em algo além do simples acondicionamento.

O que seria esse “algo além”? Não tenho resposta fechada. Talvez seja uma combinação de desenho operacional mais realista, presença territorial contínua, fiscalização, educação prática, pactuação comunitária e soluções diferenciadas para fluxos de resíduos que escapam da rotina domiciliar. Talvez seja, sobretudo, a aceitação de que há territórios onde o problema do lixo não é apenas logístico, mas social e urbano.

Na limpeza urbana, isso não é pouco. Pelo contrário. Significa reconhecer que nem sempre a falha está na ausência de inovação. Às vezes, está na insistência em tratar como problema de equipamento aquilo que já se tornou um problema de ambiente.

Os novos contêineres podem ajudar. Seria bom que ajudassem. Mas a experiência da Cidade de Deus recomenda menos euforia e mais observação. Em alguns lugares, o desafio nunca foi apenas recolher o lixo. Foi sempre organizar as condições para que ele pudesse ser recolhido de forma estável.

quinta-feira, 17 de julho de 2025

Lançamento do Programa Comunidade de Responsa no Engenho de Dentro

O lançamento do Programa Comunidade de Responsa é mais um capítulo de uma longa trajetória de ações em comunidades cariocas. A instalação de contêineres de alta capacidade ajuda na organização do lixo, mas não é novidade: iniciativas semelhantes já foram testadas em diferentes momentos, com resultados variados. O verdadeiro desafio continua sendo estruturar uma rotina sustentável de limpeza, adaptada à complexidade urbana desses territórios, para que a ação não se limite a um evento pontual, mas se traduza em melhoria contínua na qualidade de vida da população.

No último sábado, dia 16/07, a Comlurb realizou o lançamento do Programa Comunidade de Responsa na Fernão Cardim, no Engenho de Dentro.

A ação contou com o reforço na limpeza com diversos serviços, além da instalação de contêineres de alta capacidade. 

"O Comunidade de Responsa traz uma série de serviços de limpeza e os tão cobiçados contêineres de alta capacidade, que já estão distribuídos por toda cidade", explicou o diretor de Limpeza Urbana (DLU).

A conscientização e a animação ficaram por conta do grupo Chegando de Surpresa (PRE/PCI) e do gari Renato Sorriso.

A população aprovou a novidade!

"A Comlurb está fazendo um serviço ótimo, excelente, aqui na nossa comunidade, e aproveito para pedir para a população não jogar lixo no chão e nem no rio", pediu o morador Jorge Luiz.






quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

O Retorno das Caixas Metálicas: Uma Solução do Passado para os Desafios de Hoje

Opinião

A gestão de resíduos urbanos exige revisões constantes para atender às demandas específicas de cada localidade. Um exemplo disso é o retorno das caixas metálicas na coleta em comunidades, solução que a COMLURB está implementando recentemente com a instalação de modelos de 1.200 litros. Essa decisão marca uma evolução na abordagem, combinando resistência, capacidade e eficiência.

No passado, contêineres metálicos de 750 litros foram amplamente utilizados, mas acabaram substituídos devido ao barulho em coletas noturnas em áreas residenciais. Contudo, os modelos plásticos de 240 litros, adotados como alternativa, enfrentaram problemas em comunidades, como furtos e desgaste acelerado, tornando-se inadequados para essas áreas. A coleta diurna em comunidades permite superar o problema do ruído, resgatando a robustez dos modelos metálicos como uma solução mais eficiente e durável.

A introdução das caixas metálicas de 1.200 litros representa um avanço, ampliando a capacidade de armazenamento e otimizando as operações. Essa escolha combina o aprendizado do passado com as demandas atuais, reforçando o compromisso da COMLURB em adotar soluções sustentáveis, econômicas e adequadas às realidades locais. É um exemplo de como a gestão pública pode equilibrar tradição e inovação para melhor atender à população



Comlurb instala novos contêineres de grande capacidade na Rocinha

 A Comlurb iniciou, nesta terça-feira (10/12), a instalação de 70 novos contêineres de grande capacidade na Rocinha, com base em um mapeamento técnico que identificou os melhores pontos para colocação. 

A iniciativa melhora o ordenamento dos resíduos, garantindo uma remoção mais rápida e eficiente do lixo, evitando que fique exposto em via pública. Além dos contêineres, a Rocinha também conta com três tratores exclusivos para serviço nas comunidades e um triciclo com cesto traseiro para coleta em ruas mais estreitas, como becos e vielas.

Outras comunidades da cidade serão beneficiadas de acordo com a programação.





As novas caixas metálicas chegaram à Comunidade da Cidade de Deus no Natal (25/12). Foram entregues 50 caixas de 1200L ao longo da Estrada do Gabinal, seguidas das Ruas Edgard Werneck, Guilherme Moreira, Josafá, Praça Padre Júlio Groten e da Estrada Miguel Salazar.

Os novos equipamentos já foram instalados nas comunidades da Rocinha, Vidigal, Estácio, Salgueiro e Grande Tijuca.




sexta-feira, 18 de agosto de 2023

Choque de limpeza nas comunidades

Flávio Lopes, presidente da Comlurb




O Novo Marco Legal do Saneamento, que promete para até 2033 a universalização dos serviços de fornecimento de água tratada e coleta de esgoto em todo o país, terá grande impacto nas comunidades cariocas. Enquanto essas localidades, com suas peculiaridades, não garantem pleno abastecimento de água e tratamento de esgoto, órgãos da prefeitura têm feito ações e intervenções para melhorar a qualidade de vida nas comunidades. Seguindo orientação do prefeito Eduardo Paes, a Comlurb tem intensificado e solidificado sua atuação nas comunidades cariocas, com planejamentos inovadores de limpeza e coleta.

A grande sacada da nossa equipe foi a adoção dos tratores de coleta exclusivos para uso nas comunidades. Os 42 tratores 4x4 têm dois eixos articulados, independentes, o que permite mais mobilidade e capilaridade no interior das comunidades, em vias de difícil acesso, com curvas muito fechadas e áreas mais íngremes. Eles foram pensados para atender às complexidades dessas localidades e garantir mais agilidade ao serviço por conseguir circular com mais desenvoltura por becos e vielas, garantindo mais eficiência no recolhimento dos resíduos.

Mesmo com a implantação dos tratores, a complexidade topográfica das comunidades ainda causa algumas dificuldades ao trabalho de coleta. Pensando nisso, preparamos um planejamento voltado à instalação de ecopontos em larga escala, principalmente na entrada ou no interior de comunidades. Inauguramos 22 no ano passado e quatro este ano. Até o fim do ano, serão mais 21 pelo menos. Os ecopontos contam com caixas de grande capacidade para receber sacos de lixo domiciliar e entulho de pequenas obras. Posicionadas em pontos estratégicos das comunidades, garantem uma melhor ordenação dos resíduos.

A Comlurb tem expertise em diversos serviços diferenciados, como a complexa limpeza de encostas nas comunidades feita pelos chamados garis alpinistas. O grupo saltou recentemente de seis para 25 profissionais, que trabalham com apoio de cordas, utilizando a técnica de rapel. De olho no futuro, a Comlurb se prepara para um salto ainda maior de qualidade na limpeza urbana, com a introdução da nova logística de coleta. Já em operação nas comunidades do Alemão e do Vidigal, conta com caixas metálicas de 1.200 litros, colocadas em pontos estratégicos do interior das comunidades, e com caminhões compactadores especialmente adaptados pela Companhia para atuar em ruas mais estreitas, permitindo acesso aos locais onde estão as caixas de grande capacidade.

Por fim, a Comlurb está dando início este ano a um projeto-piloto de grande visibilidade nas comunidades da Rocinha e da Providência, na Região Portuária, que cria um conjunto de procedimentos para atender de forma integral e abrangente a demanda dos principais serviços de limpeza urbana, com mais tratores de coleta e melhoria nos serviços de varrição, capina, roçada e limpeza de valas e encostas. É a Comlurb antenada com novas tecnologias e em busca de garantir cada dia mais qualidade de vida aos moradores das comunidades cariocas.

domingo, 9 de abril de 2023

Projeto Recicla Comunidade tira o lixo das ruas e gera renda a moradores do Rio

O Projeto Recicla Comunidade se apropriou do Projeto "Vamos Reciclar" desenvolvido como trabalho de término de curso de gestores "Líderes Cariocas" da Prefeitura do Rio de Janeiro realizado no COPPEAD em 2012, ainda que sem qualquer referência ou crédito, foi exemplarmente transformado em realidade pela Secretaria Municipal de Ação Comunitária.

Pela reportagem o projeto "Recicle Comunidade" não está tão voltado assim para a comunidade. Mas contribui em algo para o resultado da recuperação de recicláveis da cidade. 



Plástico, vidros, latinhas, papelão e metal recolhidos de ruas viram crédito e podem ser trocados por alimentos em padarias e mercados.

Por Diego Haidar e Rafael Avelino, Globo Comunidade



Já pensou em trocar o lixo de casa por compras no mercado ou na padaria? Um projeto da Prefeitura do Rio está ajudando a população carente e limpando as ruas de comunidades.

Moisés Reis é catador profissional e ganha a vida recolhendo lixo. Com um carrinho, ele leva o material que recolhe nas ruas para reciclagem.

“Pego no chão, pego na loja. Para muitos é lixo, mas para mim não é não. Papelão, trabalho com tudo, ferro, lata. É trabalho duro, não é mole não."

A catadora Maria do Carmo também separa o que recolhe das ruas do Rio.

“Eu cato, separo. É o dia todo. Eu vou pra um lugar e vejo uma latinha e pego. Vejo um PET, pego. A minha vida é assim, eu não paro não”, conta a catadora.

A reciclagem ajuda Maria a ganhar um dinheiro extra. “Estou pagando as minhas dívidas, só do meu cartão estou pagando R$ 800.”

Tudo é levado para um ponto de coleta na comunidade Asa Branca, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio. O local é um dos 11 pontos do projeto Recicla Comunidade, mantidos pela Prefeitura do Rio. Todo material que chega é pesado e separado.

A catadora ganhou R$ 41 pelos cinco sacos de lixo. Outros moradores também aproveitam a oportunidade.

“Eu venho todos os dias. Faço um bico na cozinha, o que sobra, falo com a patroa e pergunto se posso levar. A reciclagem me ajuda muito", diz a desempregada Jacilia dos Santos.

Jacilia acessa o pagamento pelo lixo com um cartão. Ela pode trocar o valor recebido por dinheiro ou usar como crédito em lojas de comerciantes cadastrados. No Rio, existem mais de 240 pontos cadastrados no projeto.

“Eu pago a alimentação dos meus filhos, porque eu sou mãe solteira. Pago alimentação, remédio, porque às vezes no SUS não tem e eu tenho que correr para as farmácias. Foi muito bom ter o Recicla na comunidade. Não ajuda só a mim. Deixamos a rua limpa e fazemos uma boa ação para a comunidade", fala.

O Recicla Comunidade chamou a atenção também dos moradores de condomínios que ficam perto da comunidade Asa Branca.

Marisa Melo foi bancária e hoje dá aulas de educação financeira para crianças com a ajuda do projeto.

“Eu sou moradora da região. Costumo fazer minhas caminhadas por aqui e utilizo o serviço de um comércio local aqui na comunidade. Além de ser professora, eu sou mãe e acredito que através dessas ações a gente consegue construir o nosso mundo melhor, o nosso planeta melhor.”

“Eu mostro pra eles que o lixo tem valor. O valor que eu arrecado, eu compro material de estudo, folhas, pão na padaria também”, diz a professora.

A secretária de Ação Comunitária, Marli Peçanha, diz que o projeto não só transforma o lixo em dinheiro, mas ajuda a melhorar a qualidade de vida da população.

"Ele faz com que tenha-se mais saúde, porque com a comunidade sadia, os moradores se tornam bem mais sadios."

A presidente da Associação de Moradores da Asa Branca diz que, antes do projeto, muitos moradores não tinham conhecimento e não sabiam da importância da reciclagem e acabavam jogando o lixo nos rios.

"Agora o rio tá limpo, a coleta de lixo diminuiu em 70%. E com isso, quem ganhou foi a população, que tem uma renda extra e os comerciante locais", diz Amanda Ramos.

O projeto será ampliado e outros dois pontos de coleta serão inaugurados depois da Páscoa. Eles vão ficar na Ilha do Governador e na comunidade Dois de Maio, no Sampaio.

Como funciona?

Ao levar o lixo reciclável (plástico, vidro, latinhas, papelão, metal etc) ao ponto de coleta, o morador é cadastrado e recebe um cartão no qual é creditado o valor do material vendido. Ele funciona como uma moeda social para ser utilizada no comércio cadastrado dentro da comunidade.

Pequenos mercados, bazares, casa de material de construção, salão de beleza, pensão e padarias são alguns dos estabelecimentos inscritos. A transação no comércio é feita por meio de smartphones.

sábado, 6 de agosto de 2022

Trator com caçamba em chassi, remake!

No início de 2010 testamos o primeiro trator com caçamba em chassi para substituir os quase perenes conjuntos de micro-tratores com carretinha.  

Após um período de relativo sucesso, apresentado como solução para a limpeza em acessos estreitos das comunidades, o conceito de trator com caçamba em chassi foi descontinuado em favor do veículo satélite. 

Retomando o conceito surge a versão 2022 para teste em comunidades.

Em uma primeira análise o veículo tem um grante potencial de sucesso pois usou as lições aprendidas no tempo evitando tudo aquilo que não deu certo anteriormente e combinando harmonicamente tudo que deu certo.

O veículo é articulado, incorporando a principal cantagem do micro-trator com carretinha. Possui tração 4 x 4 e potencia para vencer os acessos ígrimes, tem a caçamba de veículo satélite e sistema que vazamento em caixas estacionárias e caminhões compactadores.

Seja bem vindo! Há muito espaço para mostrar seu valor.










 

segunda-feira, 18 de julho de 2022

Comlurb colabora com o Programa Recicla Comunidade para fazer o transporte dos materiais recicláveis

Durou muito pouco a sustentabilidade do Programa Recicla Comunidade sem o apoio operacional da Comlurb. 

É um contrassenso projetos na área de reciclagem contarem com a certeza de que o apoio da COMLURB em algum momento acontecerá. Melhor que surgissem cada vez mais projetos indepedentes que andassem por suas próprias pernas.

Iniciativa visa aquecer a economia, reforçar a renda de moradores e comerciantes de comunidades e impactar positivamente no meio ambiente

O Dia 

Rio - A Comlurb anunciou, nesta segunda-feira (18), uma colaboração com o programa Recicla Comunidade, que oferece aos moradores das comunidades que entregam lixo reciclável (como papel, metal, plástico) nos pontos de coleta um crédito, uma espécie de moeda social, que pode ser usada em mais de cem estabelecimentos comerciais, como pequenos mercados, bazares, casa de material de construção, salão de beleza, pensão e padarias.

O Recicla Comunidade faz parte do programa Favela com Dignidade, da Secretaria Municipal de Ação Comunitária. Como forma de contribuir, a Comlurb está usando caminhões da Coleta Seletiva para fazer o transporte dos materiais dos pontos até as cooperativas de catadores indicadas pelo programa.

Os pontos de coleta dos recicláveis acontecem nas comunidades Darcy Vargas (Taquara), Asa Branca (Curicica) Canal do Anil (Freguesia) e Parque Carioca (Vargem Pequena). A iniciativa aquece a economia, reforça a renda de moradores e comerciantes de comunidades, além de impactar positivamente no meio ambiente, ao reduzir o despejo de resíduos reaproveitáveis na natureza.

Atualmente há mais de 400 moradores inscritos no programa. Eles são cadastrados quando fazem a entrega de lixo reciclável. A Comlurb pretende ampliar as coletas para todos os pontos, além disso, a companhia segue estudando formas de ajudar as cooperativas credenciadas a organizar o material necessário para atender os requisitos para participar do programa.




segunda-feira, 25 de abril de 2022

Vamos Reciclar com o Recicla Comunidade!

É gratificante ver que o Projeto "Vamos Reciclar" desenvolvido como trabalho de término de curso de gestores "Líderes Cariocas" da Prefeitura do Rio de Janeiro realizado no COPPEAD em 2012, ainda que sem qualquer referência ou crédito, foi apropriado e transformado em realidade pela Secretaria Municipal de Ação Comunitária.




O programa Recicla Comunidade está avançando no Rio para aquecer a economia e reforçar a renda de moradores e comerciantes de favelas. Seis localidades já foram beneficiadas e, no próximo sábado (30/04), outras três receberão o projeto: Manguinhos, Fazendinha (Complexo do Alemão) e Proença Rosa (Honório Gurgel). Até o fim de maio serão mais de 20 unidades instaladas. A iniciativa também tem impacto positivo no meio ambiente, ao reduzir o despejo de resíduos reaproveitáveis na natureza.

O Recicla Comunidade faz parte do programa Favela com Dignidade, da Secretaria Municipal de Ação Comunitária. Na semana passada, o projeto chegou a três locais da Zona Oeste: Asa Branca e Vila do Sapê, em Curicica, e Parque Carioca, no Camorim.

As comunidades Darcy Vargas e Vila Progresso, na Vila Kennedy, e Canal do Anil, na Gardênia Azul, foram as primeiras beneficiadas. Dessas áreas já saíram mais de sete toneladas de resíduos recicláveis, deixando ruas, rios e lagoas mais limpos Atualmente há mais de 400 moradores inscritos no programa. Eles são cadastrados quando fazem a entrega de lixo reciclável (como papel, metal, plástico) nos pontos de coleta. O material entregue gera um crédito para o cidadão, uma espécie de moeda social, que pode ser usada em mais de cem estabelecimentos comerciais, como pequenos mercados, bazares, casa de material de construção, salão de beleza, pensão e padarias.







quinta-feira, 14 de maio de 2020

Quanto mais espuma...

A higienização de uma comunidade sendo eventual e não rotineira, é como pensar que para a prevenção contra a infecção por qualquer vírus, basta lavar muito bem as mãos somente uma vez por mês.  

Em termos de eficácia na limpeza e desinfecção, a operação não passa de um placebo sanitário. No entanto, é uma operação de forte apelo, pois, em um ano eleitoral conturbado por uma pandemia, vale muito a pena fazer muita espuma!


Publicado emPrefeitura higieniza mais 37 comunidades do Rio em ações contra o coronavírus

RIO - A prefeitura do Rio higienizou mais 37 comunidades nesta quinta-feira, dia 14, nas Zonas Norte, Sul, Oeste e Central da cidade em operações contra a pandemia do coronavírus. Uma das áreas que recebeu uma ação especial foi a Gardênia Azul, em Jacarepaguá. Ao todo, 94 funcionários da Comlurb trabalharam na lavagem geral com água de reuso e detergente neutro, com o objetivo de reduzir riscos de contaminação. Foram utilizados 12 carros pipas d'água e 48 pulverizadores em toda a operação.

Até o momento, 458 comunidades receberam a higienização, que começou no dia 9 de maio na Rocinha, na Zona Sul, que tem o maior índice de infectados e mortos por Covid-19 em favelas da capital.

Segundo a prefeitura, o processo agora conta com o hipoclorito de sódio, que passou a ser utilizado nos pulverizadores durante as operações. Ele será diluído em água, na proporção 1x1, ou seja um litro de hipoclorito para um litro de água, o produto não faz espuma e é bastante eficiente na desinfecção.

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Placebo Sanitário

A companhia municipal, Comlurb, está fazendo a chamada higienização de comunidades usando detergente neutro lavando o chão com caminhões pipas e hipoclorito de sódio nas superficies com Borrifadores.

A companhia estadual, CEDAE, está fazendo o que ela chama de sanitização de comunidades usando “quaternário de amônia de quinta geração e biguanida polimérica – phmb” borrifado com nebulizador a frio.

Quaternário de amônia com biguanida é um excelente desinfetante de artigos mobiliários e estrutura predial devido a sua baixa toxidade e e por ser capaz de destruir bactérias, proteínas e vírus.  

Em superfícies não se usa a expressão sanitização nem higienização e sim limpeza e desinfecção. Para a desinfecção de alguma superfície é importante primeiro limpar com água e detergente ou sabão e depois aplicar o produto desinfetante.

Independente do nome das técnicas a serem utilizadas, da escolha dos produtos e a forma com que se executam as atividades, é importante verificar a frequência e como está sendo feito, pois dependendo do ambiente a programação poderá exigir uma frequência maior.

Os dois procedimentos, o de higienização (limpeza e desinfecção) de comunidades e a sanitização (limpeza e desinfecção) de comunidades, sendo eventuais e não rotineiros, são como pensar que para a prevenção contra a infecção por qualquer vírus, basta lavar muito bem as mãos somente uma vez por mês. 


Em termos de eficácia na limpeza e desinfecção, ambos são placebos sanitários.

Embora o procedimento da CEDAE pareça ser mais eficiente operacionalmente, o que tem melhor apelo é o procedimento da Comlurb, pois, em um ano eleitoral conturbado por uma pandemia, vale muito a pena fazer muita espuma!

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Equipe da CEDAE se preparando para sanitização do Vidigal






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Cedae realiza sanitização de comunidades na cidade do Rio

Em ação complementar ao saneamento nas comunidades do Rio de Janeiro, a Cedae contratou empresa especializada para realizar serviço de sanitização, reforçando o combate à Covid-19. A operação começará nesta sexta-feira (24/04), na comunidade do Vidigal, com a desinfecção de vias e espaços públicos, becos, vielas e escadarias. O serviço será realizado semanalmente, de segunda-feira a sábado (abaixo a programação até o fim desse mês).


A desinfecção será conduzida por agentes especializados da empresa contratada que estarão com equipamentos de proteção individual (EPIs) e utilizarão nebulizador a frio para borrifar produto com efeito desinfetante (quaternário de amônia de quinta geração e biguanida polimérica - phmb) nas vias e equipamentos públicos destas localidades.





Cedae realiza sanitização de comunidades na cidade do Rio

Em ação complementar ao saneamento nas comunidades do Rio de Janeiro, a Cedae contratou empresa especializada para realizar serviço de sanitização, reforçando o combate à Covid-19. A operação começará nesta sexta-feira (24/04), na comunidade do Vidigal, com a desinfecção de vias e espaços públicos, becos, vielas e escadarias. O serviço será realizado semanalmente, de segunda-feira a sábado (abaixo a programação até o fim desse mês).


A desinfecção será conduzida por agentes especializados da empresa contratada que estarão com equipamentos de proteção individual (EPIs) e utilizarão nebulizador a frio para borrifar produto com efeito desinfetante (quaternário de amônia de quinta geração e biguanida polimérica - phmb) nas vias e equipamentos públicos destas localidades.

Esta técnica e princípio ativo do produto utilizados pela prestadora do serviço são os mesmos utilizados pelo governo chinês em ruas daquele país como forma de combate ao novo coronavírus. O produto age como uma película que mata os micro-organismos do local (vírus, bactérias, fungos e ácaros) e forma uma camada protetora que mantém a superfície desinfetada por até 30 dias, dependendo da ação externa e circulação de pessoas.


– Esta é uma iniciativa complementar de saneamento que, juntamente com o que já vem sendo realizado pela Companhia, buscam reforçar o combate ao novo coronavírus nas comunidades do Rio – destaca Renato Lima do Espírito Santo, presidente da Cedae.

A Cedae ainda conta com 250 trabalhadores do setor operacional da Companhia que trabalham diariamente somente em comunidades, atendendo demandas dos moradores. Essas equipes realizaram um total de 1670 atendimentos entre os dias 16/03 e 22/04.




sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Prefeitura do Rio quer cobrar Taxa de Coleta de Lixo nas contas de água ou luz

O estudo sobre a mudança das regras de cobrança da Taxa de Coleta de Lixo (TCL)  faz parte de um pacote de ações para considerar a Companhia como "independente do orçamento" e, portanto, excluída dos dispositivos da Lei Complementar 101/00, a Lei de Responsabilidade Fiscal - LRF

Considerando que o custo de pessoal da Comlurb supera o bilhão anual, tornar a Companhia independente é uma manobra para criar algum fôlego à prefeitura que está no limite prudencial estabelecido pela LRF.  E as sanções da Lei de Responsabilidade Fiscal podem variar de cassação do mandato até reclusão, o que pode ser um risco para quem deseja se reeleger.  

Para ser realmente independente, pelo menos no serviço de coleta de lixo domiciliar, é necessário buscar formas de ampliar a arrecadação. 

Uma abordagem seria considerar:

1) A coleta domiciliar em logradouros públicos como serviço remunerado para a "empresa independente" através da Taxa de Coleta de Lixo (TCL) e;

2) A remoção de resíduos em comunidades, uma coleta difusa,  como serviço social público remunerado através de Programas de Políticas Públicas contratando a "empresa independente"
De qualquer forma, promover um aumento na base de arrecadação, seja lá como for, é condição sine qua non  para aumentar a atratividade de um futuro processo de concessão do serviço ao ente privado.

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A possibilidade de o município mudar a forma de cobrança da TCL será um dos temas da audiência pública que a Comissão de Orçamento promoverá no dia 3



RIO — Em crise financeira, a prefeitura do Rio estuda mudar as regras de cobrança da Taxa de Coleta de Lixo (TCL) para tentar reduzir a inadimplência bem como cobrar o tributo de milhares de imóveis que hoje não pagam o tributo porque, por serem irregulares, não aparecem na base de dados do cadastro do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) . O plano em análise prevê transferir a cobrança da taxa do carnê do IPTU para conta de água ou preferencialmente de luz. A tese é que com a mudança seria mais difícil o contribuinte sonegar a  TCL porque ao deixar de pagar a conta também teria a luz ou a água cortadas. A informação é da comissão de Orçamento da Câmara de Vereadores do Rio que estuda um pacote de mudanças nas rotinas da Comlurb que o prefeito Marcelo Crivella enviou nesta semana para discussão dos vereadores. Procurada, a prefeitura do Rio ainda não se manifestou.

— Hoje, só 60% dos imóveis da cidade (em torno de 2 milhões) pagam a taxa de lixo. A tese da prefeitura é que poderia arrecadar mais ao vincular essa cobrança a uma outra conta de consumo no qual a inadimplência seja menor. Fala-se em cobrar de 90% dos contribuintes. O problema é que isso representaria um peso adicional no orçamento de pessoas com de menor poder aquisitivo. É um tema muito impopular. Pode ter apoio de um grupo restrito de vereadores que votam com o prefeito seja qual for o tema. Mas a maioria certamente é contra essa mudança — criticou a presidente da Comissão de Orçamento, Finanças e Fiscalização Financeira, Rosa Fernandes (MDB).

A estratégia de vincular um tributo a uma conta de consumo não é nova na prefeitura. Isso já ocorre com a chamada Contribuição de Custeio para a Iluminação Pública (Cosip), que ajuda a pagar as contas da RioLuz. Desde que foi instituida na cidade (2009), ela é cobrada vinculada à conta de luz dos imóveis. O valor da Cosip é calculado conforme a taxa de consumo dos imóveis. Os contribuintes que gastam até 100 KW por hora são isentos. As demais faixas de cobrança variam entre R$ 5,39 e R$ 1.685,14. Somente em 2019, a taxa já rendeu para os cofres da prefeitura R$ 318,4 milhões.     

Como a discussão é embrionária, ainda há muitas dúvidas sobre se a mudança teria ou não que passar pela Câmara do Rio. Caso a prefeitura opte por criar uma nova faixa de cobrança para institutir uma espécie de tarifa social, para esses novos contribuintes, até vereadores da base do governo entendem que a análise do legislativo seria obrigatória. No entanto, isso não seria necessário se o critério fosse apenas o bairro. Hoje, existem sete faixas de cobrança cujos preços são definidos conforme o bairro onde o imóvel está localizado.

Em vigor desde que a prefeitura alterou as regras de cobrança do IPTU em 2017, ela tem inclusive previsão de cobrança para grandes comunidades como a Rocinha, Vidigal e os complexo do Alemão e da Maré. Os valores da taxa de lixo variam entre 21 Ufirs (R$ 72) e 350 Ufirs (R$ 1.198) sendo que os imóveis comerciais pagam mais. As taxas mais elevadas são cobradas nos bairros da Zona Sul, Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes. Segundo dados do ContasRio, novo portal de transparência da prefeitura, o município já arrecadou R$ 423 milhões com a TCL de um total previsto de R$ 450 milhões.

A possibilidade de o município mudar a forma de cobrança da TCL será um dos temas da audiência pública que a Comissão de Orçamento promoverá no dia 3 para discutir um pacote de alterações na forma da gestão da Comlurb ainda neste ano. As alterações constam de dois projetos enviados nesta semana à Câmara do Rio. Em um deles, a Comlurb deixa de prestar serviços diretamente à prefeitura. A relação passaria a ser de uma empresa prestadora de serviços que seria paga pelo Tesouro Municipal. A tese da prefeitura é que isso permitira reduzir os gastos com pessoal.

Outro projeto prevê uma espécie de trem da alegria. Ao todo, 2.330 funcionários contratados e regime de CLT antes de 1988 seriam transformados em estatutários. E, ao se aposentarem transfeririam a conta do pagamento de aposentadorias e pensões para o Fundo de Previdência do Município (que já acumula um déficit de cerca de R$ 1 bilhão) sem jamais terem contribuido para a entidade.

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Como a iniciativa privada pode trazer luz a diferentes possibilidades de soluções inovadoras na empresa pública


O Procedimento de Manifestação de Interesse - PMI é um procedimento administrativo consultivo por meio do qual a Administração Pública concede a oportunidade para que pessoa física ou jurídica de direito privado elaborem modelagens, estudos e projetos específicos, conforme diretrizes predefinidas, que sejam úteis na elaboração de editais para licitação pública.

O uso de PMI por empresa pública tem fundamento no Art 31 § 4º da Lei 13.303/16, com dispositivo semelhante no Art 42 § 3º do Decreto rio nº 44698/18 que diz: 
“A empresa pública e a sociedade de economia mista poderão adotar procedimento de manifestação de interesse privado para o recebimento de propostas e projetos de empreendimentos com vistas a atender necessidades previamente identificadas”

NA COMLURB

A regulamentação do PMI no âmbito da Comlurb consta no texto da minuta do Regulamento Interno de Licitações e Contratos - RILC. A redação do Procedimento de Manifestação de Interesse – PMI no referido regulamento utilizou como base o Decreto Federal Nº 8.428, de 2 de abril de 2015.

RILC Art. 115. “O PMI possui por objetivo, por meio da obtenção de informações junto a pessoa física ou jurídica de direito público ou privado, permitir aos administradores da COMLURB a tomada de decisões em condições mais eficientes e mais adequadas à consecução do interesse público, tomando ciência de diferentes possibilidades de solução para as necessidades técnicas que houver identificado e, com base nesses dados, abrir licitações e modelar contratos que sejam mais eficientes e mais econômicos”.
RILC Art.116. O PMI será instaurado mediante chamamento público a ser promovido pela Diretoria Executiva, de ofício, com base em necessidades que ela houver previamente identificado ou mediante provocação de pessoa física ou jurídica interessada.

Por mais que nossos técnicos sejam capacitados, soluções endógenas para o cenário totalmente diverso de outras épocas tendem a repetir mais do mesmo. A interação com agentes externos, notadamente de potenciais parceiros privados, pode trazer luz a diferentes possibilidades de soluções inovadoras.

Isto posto, o Procedimento de Manifestação de Interesse PMI é um modelo de busca de soluções junto à iniciativa privada que nunca foi utilizado pela Comlurb. Iniciar sua utilização, por si só, já é uma inovação que pode estimular também os nossos técnicos a singrar águas nunca dantes navegadas.

Por exemplo:

PMI DE COLETA E REMOÇÃO.

Em parceria com a iniciativa privada, o PMI de Coleta Domiciliar e Remoção de Volumosos visa modelar um novo sistema que possa melhorar a utilização de veículos de transporte de resíduos sólidos urbanos considerando: 

  • Redimensionamento de roteiros; 
  • Novos pontos de saída de veículos; 
  • Utilização de guarnição da própria contratada, 
  • Extinção de vazamentos irregulares e
  • Integração com o sistema de transbordo e destino final.

Resultado de imagem para coleta domiciliar comlurbÉ necessário que a modelagem inclua soluções jurídicas institucionais para equacionamento da situação trabalhista da atual mão de obra da Comlurb e transferência dos atuais contratos.

O resultado da PMI oferece condições para elaboração de edital de concessão na prestação de Serviços de Coleta Domiciliar e Remoção de Volumosos, garantindo a Comlurb sua função reguladora e fiscalizadora da operação.



PMI DE LIMPEZA URBANA EM ASSENTAMENTOS PRECÁRIOS

Em parceria com a iniciativa privada, em oposição ao atual modelo de “trabalhador comunitário”, o PMI de Serviço de Limpeza Urbana em Assentamentos Precários Urbanos visa modelar um novo sistema que possa melhorar o atual serviço em Regiões Administrativas de Comunidades (Rocinha, Alemão, Jacarezinho, Maré e Cidade de Deus) considerando:

  • Uma operação eficaz com planos de rotinas de trabalho, descrição e utilização de equipamentos;
  • Previsão para a contratação de pessoal local para execução dos serviços;
  • Promoção de ações de educação ambiental e interação com moradores;
  • Opções de tratamento do resíduo na própria região; e
  • Integração com o sistema de transbordo e destino final; 
  • Condições de expansão para novas Regiões Administrativas semelhantes. 



O resultado da PMI oferece condições para elaboração de edital de concessão na prestação de Serviço de Limpeza Urbana em Assentamentos Precários Urbanos, garantindo a Comlurb sua função reguladora e fiscalizadora da operação.

PMI PARA O SISTEMA DE COLETA SELETIVA E RECICLAGEM


Em parceria com a iniciativa privada, o PMI de Sistema de Coleta Seletiva e Reciclagem visa modelar um novo sistema que possa melhorar o modelo de execução com frota locada (com motoristas), guarnição própria e vazamento em cooperativas e centrais de triagem, considerando:









  • Redimensionamento de roteiros; 
  • Implantação e operação de novas centrais de triagem; 
  • Modernização das centrais de triagem atuais;
  • Contratação de catadores cooperativados como empregados. 
  • Previsão para a implantação de plantas de tratamento mecanizado e Waste to Energy WTE, 
  • Coleta Seletiva de Grandes Geradores de material reciclável.
  • Atendimento da Lei Complementar nº  204, de 18 de junho de 2019.
  • Promoção de campanhas de adesão ao sistema. 
  • Integração com o sistema de transbordo e destino final; 
  • Condições para a expansão do Sistema

É necessário que a modelagem inclua soluções jurídicas institucionais para equacionamento da situação trabalhista da atual mão de obra da Comlurb e transferência dos atuais contratos.

Necessário também abordar questões de beneficiamento e comercialização de material reciclável que poderão ser revertidos em receita acessória reduzindo o custo da concessão.

O resultado da PMI oferece condições para elaboração de edital de concessão para o Sistema de Coleta Seletiva e Reciclagem, garantindo a Comlurb sua função reguladora e fiscalizadora da operação.

PMI DE MANEJO ARBÓREO


Decreto nº 28981 de 31 de janeiro de 2008  que trouxe o manejo arbóreo para a Comlurb determina em seu Art. 1º a constituição “Diretoria de Conservação de canteiros, praças, parques, podas e rios que fica responsável, pela conservação, manutenção e reformas de todos os canteiros, praças e parques da Prefeitura assim como o programa "guardiões dos rios" e as podas de árvores”.

Resultado de imagem para manejo arbóreo comlurbSer responsável por algum serviço público não obriga que o órgão seja o executante do serviço podendo delegar a execução para parceiro privado através de contrato de terceirização ou concessão mantendo para si a regulamentação e fiscalização do serviço.

Em parceria com a iniciativa privada, o PMI de Manejo Arbóreo visa modelar um novo sistema que possa melhorar o modelo atual considerando:


  • Uma operação eficaz com planos de rotinas de trabalho, descrição e utilização de equipamentos;
  • Prestação de serviços a parceiros públicos e privados como receita acessória.
  • Beneficiamento e comercialização do material produzido no manejo arbóreo
  • Integração com o sistema de transbordo e destino final; 
  • Condições para a expansão do Sistema

É necessário que a modelagem inclua soluções jurídicas institucionais para equacionamento da situação trabalhista da atual mão de obra da Comlurb e transferência dos atuais contratos.

Necessário também abordar questões de beneficiamento e comercialização de material disponível com o corte de vegetais que poderão ser revertidos em receita acessória reduzindo o custo da concessão.

O resultado da PMI oferece condições para elaboração de edital de concessão do Manejo Arbóreo, garantindo a Comlurb sua função reguladora e fiscalizadora da operação.