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terça-feira, 29 de setembro de 2026

Do lixo ao luxo — e de volta ao #tbt

 A Comlurb participou da Semana de Arte do Rio com o projeto “Eu Rio Muito — Do Lixo ao Luxo”, no qual 17 contêineres de alta capacidade e 50 papeleiras receberam intervenções de artistas contemporâneos. Parte dos equipamentos foi apresentada na Praça Tiradentes e nove contêineres chegaram à ArtRio 2026, na Marina da Glória. A proposta é simpática: aproximar arte urbana, limpeza pública e conscientização sobre o descarte de resíduos. A iniciativa ganhou ainda repercussão no RJTV, na TV Câmara e na Veja Rio. Até aí, tudo bem. O cuidado começa quando uma boa ideia antiga corre o risco de aparecer vestida como descoberta recente.


Em 2012 eu já registrava no Percolado o “Contêiner Parade”, projeto realizado em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, no qual contêineres eram pintados como forma de reduzir vandalismo e estimular a preservação dos equipamentos. Mais importante ainda: em 2016, portanto no próprio Rio de Janeiro, houve a Lixeira Parade, promovida pelo movimento Rio Eu Amo Eu Cuido, com papeleiras da Comlurb pintadas por grafiteiros e instaladas em áreas de grande circulação justamente para chamar atenção para o descarte correto do lixo. A combinação entre arte, equipamento de limpeza urbana e educação ambiental não nasceu em 2026. Tem história — e parte dela está documentada na própria cidade.

Isso não diminui o mérito do projeto atual. Há bons artistas envolvidos, uma escala interessante e uma oportunidade real de transformar equipamentos normalmente invisíveis em elementos da paisagem urbana. A Veja Rio registrou inclusive a expectativa de que as intervenções formem um percurso a pé pela cidade e levantou uma questão bastante concreta: depois de milhares de papeleiras vandalizadas ou furtadas, será que transformá-las em arte produzirá também maior respeito pelos equipamentos? Essa é uma pergunta operacional mais interessante do que saber quem “inventou” a ideia. Se houver acompanhamento da conservação, vandalismo, percepção dos usuários e permanência das peças, a retomada pode produzir aprendizado novo.

É aí que entra a gestão #tbt. Recuperar uma prática anterior não é defeito. Muitas vezes é inteligência: boas ideias podem desaparecer por mudança de gestão, falta de continuidade ou simples esquecimento institucional. O problema aparece quando a memória é apagada e a repetição passa a ser apresentada como inovação. Uma organização madura deveria fazer o contrário: reconhecer o que já foi tentado, entender por que funcionou ou desapareceu e então melhorar a solução. #tbt não é voltar ao passado. É voltar sabendo que já estivemos lá.

domingo, 20 de setembro de 2026

Quando o contêiner já nasce pensando na operação

 Entre as coisas que me chamaram a atenção em Kandersteg, uma das mais simples foi também uma das mais inteligentes: um par de contêineres de resíduos preparado para ser movimentado em conjunto.

À primeira vista, eram apenas dois contentores sobre rodas, como tantos outros. Mas, olhando melhor, aparecia algo diferente. Cada unidade tinha, na sua base, uma estrutura metálica galvanizada. De um lado, um engate com pino e mola; do outro, uma barra articulada. Quando conectados, os dois contêineres passavam a formar um pequeno conjunto rebocável.

Não era um improviso. Era equipamento pensado para operação.



O princípio é simples. Em vez de deslocar cada contentor isoladamente, ou empurrar manualmente recipientes pesados por distâncias maiores, o sistema permite reunir duas unidades e puxá-las como um só conjunto, provavelmente por um pequeno veículo de serviço. Isso reduz esforço físico, economiza tempo e dá mais previsibilidade à movimentação.

O detalhe importante é que a solução não depende de um grande veículo compactador nem de uma infraestrutura sofisticada. Ela atua num ponto anterior da cadeia: a logística interna do resíduo. Antes de recolher, transportar para o destino final ou descarregar, alguém precisa mover o material de um ponto ao outro. E é justamente nessa etapa intermediária que muitas operações perdem eficiência.

Em geral, quando se pensa em gestão de resíduos, a atenção vai para os grandes elementos: coleta, destinação, reciclagem, custos. Mas o funcionamento cotidiano depende muito desses pequenos dispositivos que quase nunca aparecem. Um contêiner com engate não resolve o sistema inteiro. Resolve uma etapa. E, às vezes, é isso que faz diferença.


Pela imagem, dá para perceber que a barra de reboque é articulada e possui um sistema de retenção com corrente. A corrente parece funcionar como elemento de segurança e de fixação quando o equipamento está parado. Não se trata apenas de puxar; trata-se de puxar com controle, evitando desacoplamentos acidentais ou deslocamentos indesejados.

Há também outro dado importante: o engate não foi incorporado a um contêiner especial de fábrica, pelo menos não aparentemente. O que se vê é um acessório metálico instalado sobre contentores plásticos padronizados, o que sugere uma lógica de adaptação operacional. Em vez de substituir tudo, agrega-se inteligência ao equipamento já existente.

Esse ponto merece atenção. Muitas vezes se associa melhoria operacional a grandes investimentos ou a soluções tecnologicamente sofisticadas. Aqui, o ganho parece vir de outra fonte: desenhar melhor o uso de um objeto banal.


O engate com mola também é revelador. Ele sugere alguma elasticidade mecânica no acoplamento, provavelmente útil para absorver pequenas variações de tração, irregularidades do piso ou movimentos de partida e parada. Não afirmo aqui a especificação técnica do sistema, apenas o que a observação permite concluir: o conjunto foi construído para suportar uso frequente em ambiente de serviço, não para ser uma gambiarra eventual.

Os refletores triangulares vermelhos reforçam essa leitura. Eles introduzem visibilidade e segurança num equipamento que pode circular em áreas compartilhadas, próximas a vias de serviço, pátios ou zonas de manobra. Os freios amarelos nas rodas também aparecem como parte desse cuidado: o contentor precisa ser fácil de mover, mas também fácil de imobilizar.

Ou seja, o equipamento expressa uma lógica muito clara: mobilidade com controle.

Isso me pareceu interessante porque mostra uma forma madura de pensar a operação. Não se espera que o trabalhador “dê um jeito”. Não se transfere para a força física ou para a improvisação aquilo que pode ser resolvido pelo desenho do equipamento. O objeto já incorpora uma resposta para um problema recorrente.

Em ambientes de alta rotina, isso vale muito. Quando uma tarefa se repete todos os dias, qualquer pequena melhoria se multiplica. Um minuto economizado por operação, um esforço evitado, um risco reduzido, uma movimentação mais estável — tudo isso, isoladamente, parece pouco. Mas é justamente desse acúmulo de pequenas racionalidades que nasce uma operação bem ajustada.

Há uma lição discreta aqui. Em serviços urbanos, muitas vezes se fala em inovação como se ela estivesse apenas em softwares, sensores ou grandes máquinas. Mas há inovação também quando alguém olha para um contêiner e pergunta: por que ele ainda está sendo movido do jeito mais difícil?

No fim, o que vi ali foi isso: não um equipamento espetacular, mas uma solução concreta para um problema concreto.

E talvez seja exatamente esse o tipo de inteligência de que mais precisamos nos serviços do dia a dia.

A lixeira que agradece — e faz muito mais do que isso

 Depois de mais de trinta anos trabalhando com limpeza urbana, é difícil uma lixeira me surpreender.

Mas uma, numa trilha próxima ao Oeschinensee, conseguiu.

À primeira vista, parecia apenas um equipamento robusto, revestido com uma fotografia da paisagem e instalado de maneira bastante discreta no caminho. Depois reparei no painel solar sobre a tampa, no pedal junto à base e num pequeno visor.

Quando o usuário descartava o resíduo, aparecia uma mensagem simples:

THANKS.

Fui procurar saber o que havia por trás daquele “obrigado”.

Pelas características visíveis, o equipamento pertence à família Ultra Fill, da fabricante holandesa Mr. Fill: lixeiras urbanas autocompactadoras alimentadas por energia solar. O desenho coincide com os modelos de 120 litros da linha — painel solar superior, abertura frontal de aço inoxidável, pedal galvanizado, visor eletrônico e indicador luminoso de nível. Sem acesso à placa técnica da unidade fotografada, prefiro não afirmar qual variante específica estava instalada ali. Mr-Fill

A lógica do equipamento é interessante porque transforma uma lixeira, normalmente o ponto mais simples de um sistema de limpeza, numa pequena instalação operacional autônoma.

O pedal não aciona a compactação. Ele abre a portinhola sem necessidade de contato com as mãos. O usuário deposita o resíduo, a portinhola fecha e o material cai no recipiente interno. Sensores acompanham o nível de enchimento. Quando o volume atinge determinado ponto, o compactador elétrico entra em funcionamento automaticamente. A energia vem do painel solar e fica armazenada numa bateria interna. Mr-Fill

O fabricante informa força de prensagem de 6000 N nos modelos de 120 litros e capacidade efetiva várias vezes superior à de uma lixeira convencional, justamente porque o resíduo é comprimido dentro do próprio equipamento. Na linha Ultra Fill 120 Little, por exemplo, a capacidade equivalente declarada chega a 600–840 litros. Mr-Fill

Ou seja: a lixeira não ficou maior.

Ela aprendeu a aproveitar melhor o espaço que já tinha.


Há outro aspecto que, para quem já administrou coleta, talvez seja ainda mais interessante.

Quando o equipamento entende que não consegue mais compactar o conteúdo, registra a condição de cheio, bloqueia a abertura e envia a informação para uma plataforma de gestão. O sistema permite monitoramento remoto e comunicação do nível de enchimento, criando a possibilidade de programar a coleta pela necessidade real, em vez de simplesmente visitar cada ponto numa frequência fixa para descobrir se precisa ser esvaziado. 

Aqui a tecnologia começa a mexer na parte cara da limpeza urbana.

Lixeira é barata perto de rota, veículo, combustível, manutenção e hora de trabalho. Se o recipiente aumenta sua capacidade pela compactação e ainda informa quando necessita atendimento, o ganho potencial não está apenas em evitar transbordamento. Está em reduzir viagens desnecessárias.

É uma mudança pequena na aparência e grande na lógica operacional.

Durante boa parte da minha carreira, a pergunta era: com que frequência precisamos passar para esvaziar esta lixeira?

Nesse sistema, a pergunta pode ser outra:

quais lixeiras precisam ser esvaziadas hoje?

Não parece uma diferença monumental. Para quem monta uma operação de coleta, é.


E então voltamos ao “THANKS”.

O visor não existe apenas para ser simpático. O manual prevê mensagens ao usuário, indicação de recipiente cheio, travamento e informações de funcionamento. A comunicação faz parte do equipamento. O fabricante inclusive oferece módulos capazes de agradecer pela utilização. 

Isso me agradou porque fecha o ciclo de uma maneira curiosa.

Por dentro, há sensores, bateria, painel solar, comunicação remota e um compactador com alguns milhares de newtons de força.

Por fora, a interface é quase infantil:

aperte o pedal, jogue o lixo.

E receba um obrigado.

Há muita tecnologia que se apresenta ao usuário exigindo que ele aprenda a utilizá-la. Essa faz o contrário. Esconde a complexidade para tornar o gesto mais simples.

Talvez seja aí que esteja a parte mais inteligente daquela lixeira.

Não no painel solar.

Não no sensor.

Nem sequer no compactador.

Mas no fato de que toda essa engenharia trabalha para que o usuário continue fazendo exatamente aquilo que deveria fazer numa lixeira comum.

Jogar o lixo dentro.

O resto é problema do sistema.

E, quando um serviço está bem desenhado, talvez seja exatamente assim que deva ser.

sábado, 18 de abril de 2026

Poliguindaste, Rollon e a inteligência da plataforma multiuso




O Percolado já chamou atenção sobre a importância da versatilidade ao criticar a existência de sistemas “isolados, estanques e não integrados” e defender uma frota mais flexível, capaz de compartilhar usos e reduzir desperdícios operacionais. A ideia continua atual: em vez de pensar o caminhão como equipamento de função única, vale pensá-lo como transportador de módulos. O chassi deixa de ser o fim e passa a ser o meio.

É exatamente isso que os sistemas tipo poliguindaste, hook lift e roll on/roll off permitem. Em páginas técnicas de fabricantes, esses sistemas aparecem associados a uma variedade impressionante de módulos: plataformas planas, caçambas basculantes, tanques de água, contêineres para recicláveis, tanques de líquidos, limpa-fossa, canal jet e até frentes de lavagem de ruas. A lógica é simples: um mesmo veículo pode montar e desmontar rapidamente diferentes carrocerias conforme a necessidade do dia, em vez de obrigar a prefeitura a manter vários veículos especializados, cada um subutilizado em grande parte do tempo.

As imagens anexas ajudam a visualizar essa ideia de forma muito concreta. Numa delas aparecem caixas abertas e um módulo compactador ou de transferência; em outra, uma antiga estação multi compartimentada para recicláveis; na terceira, uma estação mais moderna, compacta e fechada, capaz de funcionar como ponto de entrega e armazenamento controlado. São gerações diferentes de um mesmo raciocínio: a utilidade está no módulo, não apenas no caminhão. E isso não é abstração. Cidades como Oslo e Tilburg operam estações móveis de reciclagem em forma de contêiner, deslocadas para diferentes pontos da cidade em dias e horários definidos, mostrando que o próprio “ecoponto” pode ser entendido como plataforma transportável.

Para uma prefeitura menor, isso tem um apelo enorme. Com uma frota enxuta, seria possível montar um arranjo em que poucos veículos de gancho ou rollon atendessem múltiplas funções: hoje um módulo de transporte de resíduos; amanhã uma plataforma para equipamentos; depois um tanque-pipa; em outra situação, um ponto móvel de coleta seletiva; numa festa popular, um compactador portátil; numa emergência, um módulo de apoio operacional. Fabricantes de hooklift destacam justamente essa rapidez de troca e a possibilidade de um único caminhão atender vários serviços por dia, enquanto os compactadores portáteis sobre gancho mostram outra vantagem: dispensam infraestrutura fixa pesada e podem ser deslocados quando o evento, a obra ou a necessidade mudam de lugar.

Esse raciocínio conversa diretamente com reflexões antigas do próprio blog. Quando o Percolado tratou do sistema roll on/roll off e do conceito de viatura satélite, a questão central já estava posta: faltava discutir um modelo de frota flexível integrada. O exemplo do Jolly Lift, lembrado no blog, ia exatamente nessa direção ao mostrar um veículo satélite apto a transportar unidades roll on/roll off, como caçambas e plataformas multiusos. O problema, muitas vezes, não está na ausência de equipamento, mas na pobreza da imaginação administrativa que enxerga cada veículo como peça rígida, condenada a uma única tarefa.

No fundo, a grande virtude do poliguindaste e do rollon não é mecânica; é gerencial. Eles permitem que uma prefeitura pequena pense grande sem precisar ter uma frota grande. Permitem combinar economia de escala com adaptação local, transformar módulos em resposta operacional e aproximar a gestão pública de uma ideia muito cara ao Percolado: a de que criar uma zona de economia exige rever conceitos antigos e abandonar sistemas estanques. Em vez de muitos veículos para poucos usos, poucos veículos para muitos módulos. Talvez seja essa a forma mais inteligente de modernização: menos espetáculo de frota e mais inteligência de plataforma.

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Containers em Kandersteg: menos romantização, mais sistema





As imagens de Kandersteg têm um mérito especial porque ajudam a desmontar uma idealização frequente sobre a limpeza urbana europeia. Não aparece nelas um cenário de perfeição cenográfica. Os containers são grandes, cinzentos, gastos, com marcas de uso, alguma pichação e implantação bastante simples, às vezes apenas junto ao meio-fio, outras vezes protegidos por soluções rudimentares de madeira ou concreto. E, no entanto, funcionam dentro de uma lógica clara. Talvez essa seja a lição mais interessante: a qualidade do sistema não depende apenas da beleza do recipiente, mas da combinação entre regra, rotina e adequação ao lugar. Em Kandersteg, os containers não precisam ser elegantes para cumprir sua função num vilarejo alpino de baixa densidade e forte presença paisagística.

O detalhe decisivo está nos avisos afixados nos próprios recipientes: “for taxed garbage bags only”. Isso coincide exatamente com a orientação oficial da comuna, que informa coleta semanal às terças-feiras e determina que os sacos de lixo só sejam colocados para fora na manhã da coleta, porque animais silvestres e cães podem rasgá-los. A mesma documentação municipal orienta o uso de sacos oficiais taxados ou com selo tarifário, em linha com o modelo suíço de pay-as-you-throw, no qual o descarte do lixo comum é cobrado por saco, enquanto a separação de recicláveis é estimulada por outras vias. Ou seja, o container é apenas a peça visível de um sistema econômico e normativo mais amplo.

Há ainda um pequeno detalhe de urbanidade que vale registro: ao lado dos containers aparece a papeleira verde para dejetos caninos, outra evidência de que a organização do espaço público é feita por camadas de funções específicas. O conjunto não busca esconder completamente o resíduo, mas enquadrá-lo. No Percolado, isso interessa porque reforça uma ideia recorrente: o problema do lixo não se resolve só com equipamento novo ou solução milagrosa. Resolve-se, antes, com sistema, clareza de uso e desenho compatível com o território. Em Kandersteg, os containers são quase prosaicos. E talvez seja justamente por isso que ensinam tanto.

Estações de recebimento na Toscana: o resíduo como parte do desenho urbano




As imagens da Toscana mostram um tipo de solução que sempre me chama atenção: a estação de recebimento de resíduos pensada não apenas como equipamento funcional, mas como parte do espaço urbano. Não se vê ali um amontoado casual de recipientes. Vê-se um conjunto padronizado, compacto, claramente identificado por frações — vidro, papel e papelão, multimaterial, orgânico e rejeito — que organiza o descarte e, ao mesmo tempo, procura reduzir o impacto visual na rua. É uma lição simples: o acondicionamento também é urbanismo.

Na área da Toscana Sul, esse tipo de coleta é operado pela Sei Toscana, gestora do ciclo integrado de resíduos urbanos em 104 municípios. A própria empresa explica que, em muitos municípios, a coleta diferenciada convive com sistemas de recebimento em via pública, enquanto em outros há coleta porta a porta. Nos casos de estações como as das fotos, a lógica é a da proximidade: o cidadão encontra, num mesmo ponto, as várias possibilidades de separação, com comunicação visual direta e cores que ajudam a reduzir erro de descarte.

O aspecto mais interessante talvez esteja na combinação entre padronização e evolução. A reorganização recente dos serviços em municípios da Toscana Sul tem substituído antigos cassonetti por modelos mais modernos, com melhor impacto visual, maior capacidade e, em vários casos, sistemas informatizados preparados para uso com cartão de acesso. Em algumas localidades, uma mudança importante foi separar o vidro do multimaterial, reforçando a qualidade da coleta diferenciada. Isso aparece nas imagens de forma muito clara: cada fração ganha seu próprio corpo, sua própria boca de recebimento e sua própria mensagem de orientação.

Esse tipo de estação revela uma visão madura sobre limpeza urbana. Em vez de esconder o problema ou tratá-lo apenas como etapa final da coleta, o sistema assume que o ponto de entrega é parte decisiva da cadeia. Se o local de descarte é claro, acessível e bem desenhado, a adesão do usuário tende a melhorar. O recipiente deixa de ser apenas um depósito e passa a ser também um instrumento pedagógico. Há aí uma ideia cara ao Percolado: o equipamento não resolve tudo sozinho, mas pode induzir comportamento quando é bem inserido no contexto urbano.

No fim, essas imagens da Toscana valem menos como exotismo europeu e mais como referência de racionalidade. Não há nelas exuberância tecnológica desnecessária. O que existe é organização, clareza de frações, cuidado visual e tentativa de tornar o descarte compatível com a rua. É uma boa lembrança de que a coleta seletiva não começa no caminhão nem termina na usina. Ela começa muito antes, no modo como a cidade oferece ao cidadão um lugar inteligível para separar e entregar o que descarta.

Em Kandersteg, o resíduo ganhou abrigo




As imagens de Kandersteg, na Suíça, mostram algo aparentemente banal: um pequeno abrigo de madeira para resíduos. Mas é justamente nessa banalidade que está a lição. Numa vila alpina do Oberland Bernês, marcada por chalés tradicionais e forte vocação turística, o acondicionamento dos resíduos não aparece como apêndice feio da paisagem, mas como parte dela. Em vez de sacos expostos, caçambas improvisadas ou recipientes sem mediação urbana, vê-se um pequeno volume arquitetônico que dialoga com o entorno e quase se confunde com ele. Kandersteg é apresentada pelo turismo suíço como uma vila de chalés centenários e paisagem alpina preservada; o abrigo de resíduos, ali, parece obedecer à mesma lógica de sobriedade e integração.

O mais interessante é que o abrigo não é apenas cenográfico. Nas fotos, vê-se um compartimento simples, com grandes aberturas, onde estão posicionados contêineres móveis, metálicos e plásticos, protegidos da vista direta da rua e do impacto climático. Os adesivos laranja indicam que o espaço é destinado a sacos tarifados, o que coincide com a orientação oficial do município: em Kandersteg, o lixo domiciliar deve ser colocado em sacos oficiais da AVAG ou em sacos com selo de tarifa, podendo ser destinado ao abrigo de contêiner mais próximo ou ao ponto de coleta do bairro. Não se trata, portanto, apenas de guardar recipientes; trata-se de organizar um sistema de descarte com regra, tipologia e lugar definido.

A função prática do abrigo aparece com ainda mais clareza quando se lê a orientação municipal sobre a coleta. A comuna informa que a coleta do lixo comum é semanal, às terças-feiras, e recomenda que os sacos só sejam colocados do lado de fora na manhã do próprio dia, porque animais silvestres e cães gostam de rasgá-los. Esse detalhe ajuda a entender a inteligência do abrigo. Em uma localidade alpina, com presença de fauna, inverno rigoroso e forte preocupação com a ordem do espaço público, o problema não é apenas recolher o resíduo. É evitar que ele apareça prematuramente, se espalhe ou degrade a paisagem antes da coleta. O abrigo é, nesse sentido, uma solução de acondicionamento, proteção e urbanidade ao mesmo tempo.

Esse pequeno equipamento também expressa algo maior do sistema suíço de gestão de resíduos. A Suíça mantém uma ampla rede de pontos gratuitos para papel, papelão, vidro, PET, latas e outros recicláveis, ao mesmo tempo em que utiliza um modelo de pay-as-you-throw, isto é, cobrança por saco de lixo domiciliar, para estimular a separação na origem e reduzir o volume do rejeito comum. Em Kandersteg, isso aparece de forma muito concreta: o lixo domiciliar segue para sacos tarifados e abrigos específicos; outros materiais têm canais próprios de entrega. O abrigo da foto não é, portanto, apenas um “container house”. Ele é a expressão física de uma política pública que usa infraestrutura e regra econômica para induzir comportamento.

Há uma lição interessante aí para quem pensa limpeza urbana a partir da experiência brasileira. Muitas vezes, entre nós, a discussão sobre acondicionamento de resíduos fica presa ao recipiente: plástico ou metal, 240 ou 1.200 litros, carga lateral ou traseira, durabilidade ou vandalismo. Tudo isso importa, mas não basta. As fotos de Kandersteg lembram que acondicionamento também é desenho urbano. O abrigo não aumenta a sofisticação do sistema por exuberância tecnológica; ele melhora a relação entre o resíduo e o espaço público. Esconde sem negar, protege sem monumentalizar, organiza sem transformar o lixo em paisagem.

No fim, o que essas imagens mostram é uma forma madura de tratar uma necessidade prosaica. O resíduo continua existindo, os contêineres continuam lá, a coleta continua necessária. Nada foi magicamente resolvido. Mas houve o cuidado de criar uma mediação entre o descarte e a rua. Em Kandersteg, até o lixo parece lembrar que a cidade — ou a vila — não é apenas lugar de circulação de coisas, mas também de preservação da paisagem. Talvez essa seja a melhor síntese: civilidade urbana começa muito antes do caminhão de coleta; começa no modo como se decide onde e como o resíduo vai esperar por ele.

sábado, 17 de janeiro de 2026

Cidade de Deus e a ilusão recorrente de que o equipamento, sozinho, resolverá o problema


Comlurb instala 130 novos contêineres de alta capacidade na Cidade de Deus 

Na manhã desta sexta-feira (16/01), a Cidade de Deus recebeu 130 novos contêineres de alta capacidade, instalados em todo o entorno da comunidade, reforçando a política pública de organização e racionalização da coleta e da disposição do lixo na cidade. 

A ação incluiu a distribuição e a recolocação dos equipamentos, além da atuação do Programa Calçada de Responsa, com serviços de varrição, limpeza de ralos, remoção de resíduos, capina e lavagem hidráulica. 

“A partir desta entrega, com certeza, a coleta e a questão do lixo público vão melhorar no local”, afirmou o presidente da Comlurb, Jorge Arraes. 

O grupo Chegando de Surpresa também marcou presença, levando música e conscientização ambiental para moradores e comerciantes.


Comentário:

A notícia da instalação de 130 novos contêineres de alta capacidade na Cidade de Deus recoloca em cena um tema antigo da limpeza urbana: a crença de que uma nova solução de acondicionamento, por si só, será capaz de ordenar a disposição dos resíduos e melhorar a coleta.

Torço para que funcione. Sempre se torce. Em cada nova onda de equipamentos, de formatos, de capacidades e de promessas operacionais, renasce a expectativa de que, desta vez, o problema será finalmente domado. Mas a experiência recomenda cautela.

A Cidade de Deus já passou por diferentes tentativas. Houve caçambas metálicas de 5 m³. Houve contêineres metálicos de 750 litros. Depois vieram os contêineres plásticos de 240 litros, que em tese pareciam mais adequados a uma operação mais leve e racional. Na prática, porém, muitos eram instalados em um dia e desapareciam ou eram destruídos praticamente no seguinte. Mais tarde, a localidade também esteve entre os pontos de teste da coleta automatizada lateral, que depois seria implantada. Também ali a realidade mostrou que a simples introdução de um equipamento, ainda que tecnicamente interessante, não bastava para alterar o comportamento do território.

Esse histórico importa porque ele revela uma verdade incômoda: o acondicionamento de resíduos não é apenas um problema de recipiente. É, antes de tudo, um problema de contexto operacional, de uso social do espaço urbano e de adequação entre tecnologia e realidade local.

Durante muito tempo, a discussão sobre contêineres metálicos foi influenciada por um argumento legítimo, mas parcial: o ruído. Em roteiros noturnos de coleta domiciliar, sobretudo em áreas residenciais verticalizadas, o contato de metal com metal produzia um incômodo real. A solução adotada foi banir o equipamento de forma ampla e substituí-lo pelos contêineres plásticos de 240 litros. Para a coleta domiciliar, a mudança fazia sentido. Para comunidades, nem tanto.

Em áreas onde a coleta é predominantemente diurna e onde há forte desgaste dos equipamentos, furto, depredação e uso inadequado, a lógica muda. O que era inadequado em um ambiente pode ser perfeitamente defensável em outro. O retorno de caixas metálicas maiores, mais resistentes, mostra justamente isso: em limpeza urbana, decisões genéricas quase sempre envelhecem mal.

Também a coleta automatizada lateral ensinou essa lição. O sistema tinha lógica, tecnologia e referências externas bem-sucedidas. Mas sua implantação em áreas que não atendiam às premissas operacionais acabou comprometendo os resultados. Equipamento moderno não corrige, por milagre, ruas estreitas, circulação difícil, descarte heterogêneo, mistura de resíduos domiciliares com entulho e ausência de disciplina no uso dos pontos de coleta. Quando a premissa é ignorada, a inovação deixa de ser solução e passa a ser apenas uma nova forma de frustração.

Por isso, a instalação dos novos contêineres na Cidade de Deus merece atenção, mas também alguma prudência analítica. Pode haver melhora? Sim, pode. Equipamentos mais robustos e com maior capacidade podem reduzir parte dos problemas imediatos, sobretudo quando substituem alternativas mais frágeis. Mas não convém atribuir ao contêiner uma potência que ele não tem.

A disposição irregular de lixo em determinadas áreas não decorre apenas da falta de recipiente. Ela pode resultar de um conjunto muito mais complexo de fatores: uso indevido do espaço público, descarte de resíduos não compatíveis com a coleta regular, degradação recorrente dos equipamentos, ausência de corresponsabilidade local, fragilidade de fiscalização e descontinuidade operacional. Nessas circunstâncias, trocar o recipiente é apenas mexer em uma parte visível do problema.

Talvez a maior dificuldade esteja justamente aí. A cada nova tentativa, a esperança é depositada no objeto: a caixa, o contêiner, a caçamba, o modelo mais moderno, a capacidade ampliada. Mas a realidade insiste em mostrar que a solução talvez esteja em algo além do simples acondicionamento.

O que seria esse “algo além”? Não tenho resposta fechada. Talvez seja uma combinação de desenho operacional mais realista, presença territorial contínua, fiscalização, educação prática, pactuação comunitária e soluções diferenciadas para fluxos de resíduos que escapam da rotina domiciliar. Talvez seja, sobretudo, a aceitação de que há territórios onde o problema do lixo não é apenas logístico, mas social e urbano.

Na limpeza urbana, isso não é pouco. Pelo contrário. Significa reconhecer que nem sempre a falha está na ausência de inovação. Às vezes, está na insistência em tratar como problema de equipamento aquilo que já se tornou um problema de ambiente.

Os novos contêineres podem ajudar. Seria bom que ajudassem. Mas a experiência da Cidade de Deus recomenda menos euforia e mais observação. Em alguns lugares, o desafio nunca foi apenas recolher o lixo. Foi sempre organizar as condições para que ele pudesse ser recolhido de forma estável.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

O Retorno das Caixas Metálicas: Uma Solução do Passado para os Desafios de Hoje

Opinião

A gestão de resíduos urbanos exige revisões constantes para atender às demandas específicas de cada localidade. Um exemplo disso é o retorno das caixas metálicas na coleta em comunidades, solução que a COMLURB está implementando recentemente com a instalação de modelos de 1.200 litros. Essa decisão marca uma evolução na abordagem, combinando resistência, capacidade e eficiência.

No passado, contêineres metálicos de 750 litros foram amplamente utilizados, mas acabaram substituídos devido ao barulho em coletas noturnas em áreas residenciais. Contudo, os modelos plásticos de 240 litros, adotados como alternativa, enfrentaram problemas em comunidades, como furtos e desgaste acelerado, tornando-se inadequados para essas áreas. A coleta diurna em comunidades permite superar o problema do ruído, resgatando a robustez dos modelos metálicos como uma solução mais eficiente e durável.

A introdução das caixas metálicas de 1.200 litros representa um avanço, ampliando a capacidade de armazenamento e otimizando as operações. Essa escolha combina o aprendizado do passado com as demandas atuais, reforçando o compromisso da COMLURB em adotar soluções sustentáveis, econômicas e adequadas às realidades locais. É um exemplo de como a gestão pública pode equilibrar tradição e inovação para melhor atender à população



Comlurb instala novos contêineres de grande capacidade na Rocinha

 A Comlurb iniciou, nesta terça-feira (10/12), a instalação de 70 novos contêineres de grande capacidade na Rocinha, com base em um mapeamento técnico que identificou os melhores pontos para colocação. 

A iniciativa melhora o ordenamento dos resíduos, garantindo uma remoção mais rápida e eficiente do lixo, evitando que fique exposto em via pública. Além dos contêineres, a Rocinha também conta com três tratores exclusivos para serviço nas comunidades e um triciclo com cesto traseiro para coleta em ruas mais estreitas, como becos e vielas.

Outras comunidades da cidade serão beneficiadas de acordo com a programação.





As novas caixas metálicas chegaram à Comunidade da Cidade de Deus no Natal (25/12). Foram entregues 50 caixas de 1200L ao longo da Estrada do Gabinal, seguidas das Ruas Edgard Werneck, Guilherme Moreira, Josafá, Praça Padre Júlio Groten e da Estrada Miguel Salazar.

Os novos equipamentos já foram instalados nas comunidades da Rocinha, Vidigal, Estácio, Salgueiro e Grande Tijuca.




quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

Nova frota e monitoramento avançado reforçam coleta de lixo na Grande Tijuca e Zona Sul

A Comlurb apresentou uma nova frota de veículos para reforçar a coleta de lixo nas regiões da Grande Tijuca e Zona Sul do Rio de Janeiro. Composta por 64 veículos, a frota inclui caminhões compactadores, basculantes, minibasculantes para áreas de difícil acesso, poliguindastes, pipas d’água e um veículo para remoção de recipientes semi-enterrados. Além disso, foram introduzidos 6 mil novos contêineres de grande capacidade, caçambas estacionárias e caixas compactadoras, buscando melhorar o ordenamento e a eficiência da coleta.

Um destaque do projeto é o sistema de monitoramento em tempo real, operado pela Central de Operações da Comlurb, que funciona 24 horas por dia para garantir que os roteiros e horários sejam cumpridos com precisão. Apesar da notícia destacar o avanço tecnológico, vale ressaltar que a Central de Operações e o monitoramento em tempo real já estão em operação há pelo menos uma década, consolidando-se como uma ferramenta indispensável para a gestão eficiente dos resíduos sólidos na cidade.

A apresentação, realizada no Aterro do Flamengo, contou com a presença de autoridades e representantes da Comlurb, reafirmando o compromisso de melhorar as condições de trabalho dos garis e assegurar uma cidade mais limpa e bem cuidada.





sexta-feira, 29 de novembro de 2024

Coleta automatizada em Istambul

A coleta de resíduos utilizando contêineres enterrados é uma solução moderna e eficiente para a gestão de resíduos sólidos urbanos. Esses contêineres são projetados para serem parcialmente enterrados, com apenas a abertura superior visível, o que ajuda a economizar espaço e a manter o ambiente mais organizado. Além disso, possuem uma capacidade maior em comparação com os modelos convencionais, reduzindo a necessidade de coletas frequentes. O esvaziamento dos contêineres é feito por caminhões equipados com guindastes, que levantam e despejam os resíduos de forma rápida e automatizada, tornando o processo mais ágil e menos dependente de trabalho manual.

Uma das vantagens mais relevantes desse sistema está na melhoria da higiene urbana, especialmente em relação à redução de odores. Como os contêineres estão enterrados, os resíduos ficam armazenados em temperaturas mais baixas do que as encontradas em recipientes expostos à luz solar direta. Isso ocorre porque o solo atua como um isolante térmico natural, protegendo o lixo das variações extremas de temperatura ambiente. A redução da temperatura desacelera a decomposição dos materiais orgânicos, que é o principal fator causador de odores desagradáveis. Dessa forma, o ambiente ao redor dos contêineres permanece mais limpo e agradável, e a proliferação de insetos e outros vetores de doenças é minimizada.

O design compacto e subterrâneo também contribui para uma estética urbana mais limpa e organizada. A redução da frequência de coletas e o incentivo à separação dos resíduos reforçam a sustentabilidade do modelo, otimizando o uso de recursos e promovendo práticas mais conscientes.

Na cidade do Rio de Janeiro, os contêineres enterrados foram introduzidos durante a reurbanização da região do Porto Maravilha. Apesar dos benefícios iniciais, o uso foi descontinuado, possivelmente devido a desafios relacionados à manutenção e administração. Atualmente, a cidade utiliza contêineres do tipo Molok em pontos estratégicos, operando com veículos especiais para coleta sem compactação.

Em Istambul, os contêineres enterrados são amplamente utilizados, especialmente em áreas densamente povoadas e pontos turísticos. A gestão desses contêineres, muitas vezes realizada por prefeituras locais como Fatih Belediyesi, demonstra a eficácia do sistema, contribuindo para um ambiente limpo e organizado. As operações em Istambul destacam-se como exemplos de sucesso, ilustrando o impacto positivo dessa tecnologia em áreas urbanas de grande fluxo.

Esse modelo de coleta tem potencial para ser expandido e adaptado a diferentes contextos urbanos, oferecendo uma solução sustentável e eficiente para os desafios da gestão de resíduos em cidades de alta densidade populacional.




segunda-feira, 25 de novembro de 2024

Containers em Istambul na Turquia

O correto acondicionamento do lixo domiciliar e o uso de containers são essenciais para a gestão eficiente dos resíduos urbanos, contribuindo para a prevenção de doenças, a manutenção da higiene e a organização das cidades. Essas práticas ajudam a evitar a atração de pragas, o mau cheiro e o derramamento de resíduos, garantindo espaços públicos mais limpos e seguros.

Os containers têm um papel central na centralização do descarte de resíduos, prevenindo a dispersão de lixo pelas ruas e controlando odores. Com tampas adequadas, impedem o acesso de pragas e protegem os resíduos de condições climáticas adversas, como a chuva. Além disso, facilitam o trabalho das equipes de coleta, permitindo maior eficiência e redução de custos operacionais, além de melhorar a estética urbana.




 


quarta-feira, 20 de novembro de 2024

Simples e eficaz

Em eventos, os recipientes para descarte de lixo devem ser simples e eficazes, sem necessidade de design elaborado ou refinado. O foco principal é garantir que os participantes tenham acesso fácil para descartar seus resíduos de forma adequada, promovendo a limpeza do ambiente. Além disso, é essencial que esses recipientes facilitem o trabalho de quem faz a gestão dos resíduos, permitindo um manejo rápido e prático, reduzindo esforços desnecessários e otimizando o processo de coleta e descarte final.

Papeleira em feira de Natal em Brno, República Tcheca

 

quarta-feira, 23 de outubro de 2024

Ecopontos em funcionamento nas Zonas Oeste e Norte

Nessa quinta-feira (03/10), os ecopontos Sertão, no Anil, Santa Maria, na Taquara, e do Alemão iniciaram suas atividades. Os moradores das comunidades agora têm à disposição postos de coleta para descartar os resíduos diariamente, das 6h às 18h.

As áreas contam com caixas compactadoras para lixo domiciliar e caixas estacionárias para entulho, galhadas e bens inservíveis, como móveis, sofás e eletrodomésticos.

Acompanharam as instalações o presidente da Companhia, Flávio Lopes, o diretor da DLU, Alexandre Campos, os superintendentes Ronaldo Teixeira (LRB) e Mauricio Sacramento (LRN), além dos coordenadores e gerentes.




Opinião

A manutenção dos ecopontos é uma ação essencial para garantir que essas instalações não se transformem em áreas degradadas, refletindo diretamente na sustentabilidade urbana e na qualidade de vida da população. Inspirado no conceito de “déchetterie” — modelo francês que serviu de referência para os ecopontos brasileiros — essas estruturas têm como objetivo receber resíduos transportados voluntariamente pelos moradores de forma controlada e organizada.

A ausência de manutenção ou um planejamento inadequado pode levar os ecopontos a se tornarem focos de descarte irregular, agravando o passivo ambiental e comprometendo sua função de mitigação dos impactos causados pelo descarte de resíduos sólidos. Além disso, ecopontos degradados representam não só um problema estético e sanitário, mas também um desafio logístico e econômico para a gestão pública.

Investir na recuperação de ecopontos existentes com melhor infraestrutura, priorizando a implantação de barreiras físicas e cercamento, associado à aplicação de boa programação visual e sinalização, são estratégias fundamentais para revitalizar esses espaços. O fortalecimento de um sistema de gestão eficiente, com coleta regular e fiscalização rigorosa, também é imprescindível para consolidar a credibilidade desses locais como pontos estratégicos para o manejo de resíduos sólidos urbanos​​.

Portanto, assegurar a funcionalidade e a atratividade dos ecopontos não só evita que eles se tornem áreas críticas de remoção, mas também reafirma o compromisso das administrações públicas com a sustentabilidade, a saúde pública e a governança responsável no manejo de resíduos.


Foto de 2014








quinta-feira, 27 de junho de 2024

Mônaco - contêineres de resíduos instalados abaixo do nível do solo

Mônaco implementou um sistema inovador de gestão de resíduos subterrâneos, projetado para melhorar a limpeza urbana, a eficiência e a sustentabilidade ambiental. Esses sistemas consistem em contêineres de resíduos instalados abaixo do nível do solo, com apenas as colunas de depósito visíveis acima do solo. Esse design minimiza o impacto visual e reduz problemas de odores e pragas comumente associados a lixeiras tradicionais.

Os benefícios desse sistema são variados. Ele aumenta significativamente a capacidade de coleta de resíduos, reduzindo a frequência das viagens de coleta. Isso resulta em menores emissões de CO2 e custos de transporte reduzidos. Os contêineres subterrâneos também são mais higiênicos, pois minimizam o contato direto com os resíduos e ajudam a conter odores desagradáveis​

O compromisso de Mônaco com o desperdício zero é ainda mais demonstrado por suas políticas rigorosas sobre plásticos de uso único. Desde 2016, o principado vem proibindo progressivamente vários itens de plástico de uso único, com o objetivo de eliminá-los completamente até 2030. Essa iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla para reduzir o desperdício e promover a sustentabilidade em toda a região​ 
No geral, a abordagem de Mônaco para a gestão de resíduos através de contêineres subterrâneos e medidas regulatórias rigorosas sobre plásticos destaca sua dedicação em manter um ambiente urbano limpo, eficiente e ecologicamente correto​




 

quarta-feira, 26 de junho de 2024

Acondicionamento de resíduos organizado em compounds

A instalação de containers de lixo em compounds apresenta a vantagem de minimizar o impacto visual dos resíduos na paisagem urbana, atendendo às preocupações estéticas da comunidade. Ao ocultar os containers em áreas reservadas, a medida pode contribuir para a aceitação de infraestruturas de coleta e armazenamento de lixo, facilitando a implementação de um sistema de gestão de resíduos mais eficiente e sustentável, sem gerar incômodo ou desvalorização de imóveis próximos.


Exemplo em Cagnes-sur-Mer no Sul de França






 

Acondicionamento de resíduos organizado em compounds

A instalação de containers de lixo em compounds apresenta a vantagem de minimizar o impacto visual dos resíduos na paisagem urbana, atendendo às preocupações estéticas da comunidade. Ao ocultar os containers em áreas reservadas, a medida pode contribuir para a aceitação de infraestruturas de coleta e armazenamento de lixo, facilitando a implementação de um sistema de gestão de resíduos mais eficiente e sustentável, sem gerar incômodo ou desvalorização de imóveis próximos.


Exemplo em Split na Croacia







 

Acondicionamento de resíduos organizado em compounds

A instalação de containers de lixo em compounds apresenta a vantagem de minimizar o impacto visual dos resíduos na paisagem urbana, atendendo às preocupações estéticas da comunidade. Ao ocultar os containers em áreas reservadas, a medida pode contribuir para a aceitação de infraestruturas de coleta e armazenamento de lixo, facilitando a implementação de um sistema de gestão de resíduos mais eficiente e sustentável, sem gerar incômodo ou desvalorização de imóveis próximos.


Exemplo em Monaco-Ville em Monaco



 

Acondicionamento de resíduos organizado em compounds


A instalação de containers de lixo em compounds apresenta a vantagem de minimizar o impacto visual dos resíduos na paisagem urbana, atendendo às preocupações estéticas da comunidade. Ao ocultar os containers em áreas reservadas, a medida pode contribuir para a aceitação de infraestruturas de coleta e armazenamento de lixo, facilitando a implementação de um sistema de gestão de resíduos mais eficiente e sustentável, sem gerar incômodo ou desvalorização de imóveis próximos.


Exemplo em Villefranche-sur-Mer no Sul de França



 

terça-feira, 28 de novembro de 2023

Containers em verona - Itália

Admiro a relação que os Italianos aparentemente tem com seus containers dispostos em logradouro. Os containers ficam lá compartilhando espaço com moradores e turistas harmoniosamente presentes no dia a dia da cidade.