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sexta-feira, 6 de junho de 2025

Comlurb destaca protagonismo ambiental na Semana do Meio Ambiente

A criação da Coordenadoria de Sustentabilidade (CSUS) representa, na prática, a repaginação do Escritório de Sustentabilidade Ambiental de 2017. A diferença não está no nome, mas na capacidade de transformar discurso em prática consistente, com resultados mensuráveis e permanentes. Sustentabilidade na Comlurb não pode ser marketing: precisa ser ação estratégica, integrada à operação e comunicada com transparência, para que a imagem da Companhia esteja sempre alinhada à realidade de suas entregas.

ARTIGO

Criada com a missão de estruturar e implementar as ações de sustentabilidade na Comlurb, a Coordenadoria de Sustentabilidade (CSUS) vem se consolidando como um núcleo estratégico para alinhar a Companhia às metas climáticas da cidade do Rio de Janeiro e aos compromissos internacionais assumidos junto à ONU.

A CSUS atua no desenvolvimento de projetos voltados à economia circular, à redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE) e à valorização de resíduos sólidos, contribuindo para uma operação mais eficiente, limpa e inovadora.

Na Semana do Meio Ambiente, a Comlurb celebra os avanços dessa frente e reforça seu papel como protagonista das metas ambientais do município. Um dos destaques recentes foi a participação da CSUS na Conferência de Clima e Ar Limpo realizada em Brasília. O evento, promovido pela Coalizão C40, reuniu representantes de governos do mundo todo para debater caminhos rumo à neutralidade de carbono.

Na ocasião, o Rio de Janeiro foi apresentado como referência nacional, destacando o papel da Comlurb no cumprimento de duas metas fundamentais: a redução de 20% das emissões de GEE até 2030 e a redução de 80% na destinação de resíduos orgânicos para aterros sanitários no mesmo período.

Ser protagonista nesse cenário exige planejamento, inovação e ação. Nosso papel na CSUS é justamente integrar a sustentabilidade à operação da Companhia de forma definitiva e estratégica.

Entre os projetos em andamento, dois se destacam pelo alinhamento direto com as metas de descarbonização: a parceria com empresas privadas, que permitirá a valorização de resíduos recicláveis coletados pela própria Comlurb, e o início dos estudos para implantação de uma usina fotovoltaica no antigo aterro de Gramacho.

Além disso, a CSUS coordena a proposta de criação de uma biorrefinaria no Ecoparque do Caju, voltada para o aproveitamento energético de resíduos orgânicos e produção de combustíveis limpos como o biometano.

Durante esta semana simbólica, a Comlurb também inicia a elaboração do primeiro Inventário de Emissões de GEE de empresas públicas do município. A ferramenta permitirá mapear a pegada de carbono da companhia, orientar ações de mitigação e preparar o terreno para futuras iniciativas de compensação e geração de créditos de carbono.

A construção desse inventário é um passo decisivo para entendermos onde estão os principais focos de emissão e como podemos agir com mais eficiência. Além disso, abre caminho para que a Comlurb atue no mercado de carbono, transformando ações ambientais em ativos econômicos.

A meta da atual gestão é consolidar a CSUS como uma área permanente e estratégica dentro da estrutura organizacional da Comlurb. Mais do que um núcleo de projetos ambientais, a coordenadoria vem se tornando um catalisador de inovação e boas práticas, contribuindo para que a Comlurb avance rumo a um modelo de operação cada vez mais limpo, moderno e circular.




quarta-feira, 14 de maio de 2025

Compostagem de biorresíduos: uma revolução necessária

Os usos são múltiplos: desde abastecimento de frotas da própria coleta urbana ou injeção de gás no sistema gerador de eletricidade

Por Emanuel Alencar 

Desde que os humanos nos organizamos em cidades, a disposição dos resíduos tem sido um grande desafio civilizatório. Em seu essencial livro “Lixo, vanitas e morte: considerações de um observador de resíduos (2003)”, Emílio Maciel Eigenheer descortina a sempre complicada e dura relação de nossa espécie com o “inservível”. O assunto está, pois, prenhe de tabus, interdições e preconceitos – tudo intimamente conectado ao drama humano relativo à morte. Falar de resíduos constrange, inibe. Não queremos versar sobre a finitude. Mas há alguns caminhos que sugerem horizontes possíveis menos danosos ao ambiente e à coletividade. Prática bastante difundida em alguns países europeus – como Alemanha, Áustria, Itália – a recuperação dos biorresíduos (restos de podas de árvores e jardinagem ou de alimentos) precisa ser destravada no Brasil.


O conceito é a redução ao máximo da disposição final do lixo nosso do dia-a-dia em aterros sanitários (medida mais do que urgente quando o assunto é a sustentabilidade), aliada a um ganho de energia. Na Áustria, 40% de todos os resíduos voltam para a terra, em forma de adubo. Há 13 anos a Itália pisa no acelerador em processos de transformação de seus biorresíduos em fertilizantes, biogás e biometano. Portugal desde 2020 tem lei específica que obriga a coleta seletiva dos orgânicos pelos municípios. Os usos são múltiplos: desde abastecimento de frotas da própria coleta urbana ou injeção de gás no sistema gerador de eletricidade. O que seria desperdiçado – num processo gerador de gases do efeito estufa – passa a ser aproveitado. A tal circularidade, tão desejada. Golaço.

Talvez nossa sociedade ainda não esteja pronta para para fazer a separação dos resíduos orgânicos em casa, muito menos para a compostagem doméstica ou comunitária. Vivemos em clima tropical, e o acondicionamento de restos de comida em apartamentos pode enfrentar dificuldades diversas. Nas escolas, a educação ambiental ainda é peça de ficção, ou está muito distante do ideal. Entretanto, nada pode explicar os índices praticamente inexistentes de compostagem em todo o país, a não ser uma extrema letargia de empresas, governos e sociedades.

Metade da geração diária de lixo domiciliar na cidade do Rio (3,5 mil das 7 mil toneladas) é composta de biorresíduos. Na usina do Caju, a Comlurb pratica a compostagem há anos. O problema é que a quantidade é ainda irrisória (150 toneladas por mês, o que representa 0,14% da fração orgânica gerada – o patamar já foi mais alto). São saudáveis e incríveis as iniciativas como a das empresas Ciclo Orgânico e Casca, com assinaturas mensais para quem separar os biorresíudos em baldinhos. Mas apostar na compostagem como política pública é uma revolução necessária. Precisamos começar imediatamente.


Emanuel Alencar

Jornalista e mestre em Engenharia Ambiental. É autor dos livros "Baía de Guanabara - Descaso e Resistência" (2016) e "Histórias do mangue da Guanabara" (2024). Faz parte da ONG Grupo Ação Ecológica (GAE) e do conselho consultivo do Bosque da Barra.