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terça-feira, 2 de março de 2021

Usina de geração de energia e de combustíveis a partir do lixo será instalada em São João de Meriti/RJ

Portal Saneamento Básico

Unidade de Recuperação Energética Fluminense vai gerar 10 MW de energia elétrica e 40 mil litros de combustível biossintético com o tratamento de 400 toneladas por dia de resíduos.

 O município de São João de Meriti, no Rio de Janeiro, vai receber uma das primeiras Unidades de Recuperação Energética (UREs) do Brasil: a URE Fluminense. Com todas as licenças para instalação já emitidas pelos órgãos competentes, a planta tem a capacidade de beneficiar até 1,2 mil toneladas diárias de resíduos sólidos urbanos para gerar energia elétrica e produzir combustíveis biossintéticos – o trabalho começa com 400 toneladas diárias geradas pela população da cidade. A previsão é que as obras se iniciem nos próximos 30 dias e sejam concluídas em 2023. O projeto é uma parceria da URE Fluminense com a Mais Verde, concessionária de limpeza urbana de Meriti, em um contrato que conta com investidores externos e garante um financiamento de R$ 85 milhões em dois anos.

A URE Fluminense será construída na Estação de Transferência de Resíduos (ETR) da Mais Verde, no bairro Venda Velha. Para a obra começar, toda a área ao redor da ETR será descontaminada, eliminando qualquer passivo ambiental. Na usina, o lixo passará por inovadores tratamentos físicos e químicos para ser transformado em energia e combustíveis. A unidade tem potencial de ser uma solução para a gestão de resíduos da Baixada Fluminense e de toda a Região Metropolitana, já que tem capacidade de atender a outros municípios.

“A tecnologia waste-to-energy oferece uma solução definitiva para o lixo gerado em São João de Meriti, um dos municípios mais densos do Brasil, e vai transformá-lo em um modelo de solução técnica e ambiental na gestão dos resíduos. Queremos mudar a forma como toda a metrópole lida com a produção de lixo. A URE Fluminense será uma solução para uma região historicamente impactada por resíduos, marcada por feridas como a do Lixão de Gramacho, em Duque de Caxias, onde montanhas de lixo eram jogadas a céu aberto. Chegamos, enfim, ao futuro.”explica o diretor da Mais Verde, Mário Carvalho.

A partir do beneficiamento de 400 toneladas diárias de lixo, a URE tem a capacidade de gerar 10 MW de energia elétrica, o suficiente para abastecer um bairro de 50 mil habitantes. Do total, 8 MW são exportáveis. Para gerar energia, a planta conta com a produção do CDR (combustível derivado de resíduos), que tem grande valor para queima em fornos industriais. Materiais como madeira, papel, papelão, tecido têxtil, couro e derivados de borracha serão separados e levados para trituração e granulação, resultando na produção do substrato.


ETR Mais Verde

O CDR será encaminhado, então, para o fracionamento molecular, onde a energia é convertida por meio de reações termoquímicas. Em seguida, em um processo chamado de gaseificação hermética, haverá a geração de um gás síntese que, após purificado, será encaminhado para a ignição térmica em turbinas do tipo Brayton e Ciclo Rankine Orgânico. Gera-se, assim, a energia elétrica.

Além disso, com 400 toneladas de lixo, a planta também vai gerar 40 mil litros de combustível biossintético, equivalente ao óleo diesel S-10, para abastecer os veículos da própria empresa, para abastecer parte da frota da Prefeitura e para venda. As matérias-primas utilizadas são resíduos de derivados de plástico, como sacolas plásticas e embalagens de biscoitos. Elas passarão por um processo chamado “fracionamento catalítico”, para a produção de líquidos por meio da curta exposição a temperaturas moderadas. A água ácida resultante do processo será transformada em água purificada, para reuso, em uma unidade de tratamento dentro da própria usina.

Após a triagem dos resíduos que chegam na unidade e o beneficiamento dos materiais apropriados para cada fim, os processos da URE resultam em 80% do total de resíduos tratados e beneficiados, 15% que seguem para descarte e tratamento no aterro sanitário, e 5% de cinzas decorrentes da gaseificação, que terão descarte apropriado.



A implantação da URE ajuda a reduzir custos com transporte, tratamento e disposição final adequada dos resíduos, além de gerar investimentos, empregos e renda em São João de Meriti. Trata-se de uma solução simultaneamente energética, ambiental e sanitária, que abre caminho para novas referências de gestão do lixo capazes de favorecer cada vez mais a proteção do meio ambiente e o bem-estar da comunidade.

Para o diretor geral da URE Fluminense, Ecles Luiz dos Santos, o projeto é importante para o sucesso de uma nova matriz energética no país:

“A URE é uma inovação diante do aumento da quantidade de resíduos resultantes do crescimento da população e da atividade humana. Além de dar uma destinação correta aos resíduos, esse tipo de complexo industrial elimina a necessidade de termos novas áreas para a implantação de aterros sanitários, reduzindo ainda mais um impacto ambiental que já é contido nos aterros. Isso consome muitos investimentos por parte das concessionárias de tratamento e destinação. Queremos criar uma nova mentalidade a partir de produtos que terão um valor diferenciado: não financeiro, mas um valor de qualidade de vida.”


 

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Aterros sanitários terão que apresentar plano de tratamento do chorume

 Por: Berenice Seara em 11/10/20 11:00  

Vista aérea do lixão de Gramacho Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo

O governador em exercício, Cláudio Castro, sancionou o projeto de lei aprovado pela Assembleia Legislativa que obriga as administradoras dos aterros sanitários a apresentarem, em 180 dias, um plano de tratamento do chorume.

Para quem não ligou o nome ao mau cheiro, trata-se do liquido produzido pela decomposição da matéria orgânica do lixo, que contamina o lençol freático — muitas vezes, mesmo nas instalações impermeabilizadas.

O que dirá nos velhos lixões a céu aberto onde, há dez anos, eram depositados todos os detritos e que, mesmo desativados, continuam poluindo o solo.

Cumpra-se

Desde 2010, quando foi instituída a Política Nacional de Resíduos Sólidos, foram fechados 46 lixões em todo o estado.

Mas nenhum deles foi efetivamente "remediado" — ou seja, continuam produzindo poluição, mesmo não sendo mais usados.

Além disso, os 24 aterros sanitários construídos desde então também não tratam o chorume.

"Muito trabalho à vista para a Comissão do Cumpra-se", diz Carlos Minc (PSB), autor da lei.

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

A desigualdade também está no lixo


Índice de Limpeza Urbana melhora nas cidades grandes e médias mas está em queda nos municípios menores


Lixo acumulado e sem destinação correta: índice de limpeza urbana mostra desigualdade entre regiões e entre cidades grandes e pequenas (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Lixo acumulado e sem destinação correta: índice de limpeza urbana mostra desigualdade entre regiões e entre cidades grandes e pequenas (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)
No quarto ano de medição do Índice de Sustentabilidade Urbana (ISLU) e nove anos depois da promulgação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, o surpreendente no estudo não é a falta de avanços na gestão do lixo no Brasil mas o aumento da desigualdade entre as cidades grandes e médias – onde o índice, em média, subiu ligeiramente – e os municípios com menos de 50 mil habitantes, onde o ISLU, em média, está em queda. “Lixo é uma questão complexa de logística que envolve coleta, transporte e destinação. Os municípios menores tendem a ter mais dificuldades de conseguir infraestrutura e financiamento para isso”, explica Jonas Okawara, um dos responsáveis pelo estudo para o estabelecimento do índice.

Pelo quarto ano consecutivo, o Índice de Sustentabilidade Urbana é formulado através de uma parceria entre o Sindicato Nacional das Empresas de Limpeza Urbana (Selur) e a PwC Brasil para medir a adesão dos municípios à Política Nacional de Resíduos Sólidos com quatro critérios: engajamento  (população atendida e população total); sustentabilidade financeira (arrecadação específica menos despesa do serviço sobre a despesa total do município); recuperação dos Recursos Coletados (material reciclável recuperado sobre total coletado); e, impacto ambiental (quantidade destinada incorretamente sobre a população atendida). “São basicamente os critérios estabelecidos pela Agenda 2030 da ONU com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável”, acrescenta Okawara, economista do Selur.

O ISLU 2019 vai ser apresentado nesta quinta (15/08) no seminário Resíduos Sólidos e Economia Circular, no Museu do Amanhã, no Rio, e não traz boas notícias: apesar do prazo para o fim dos lixões ter acabado em 2014, 51% dos municípios ainda destinam incorretamente o lixo (eram 53% em 2018); a coleta domiciliar permanece estagnada em 76%, mesmo número do ano passado; e o índice médio de reciclagem subiu apenas de 3,7% para 3,9%.

ISLU por estado: melhores índices no Sul, piores no Norte/Nordeste
ISLU por estado: melhores índices no Sul, piores no Norte/Nordeste

E, como quase tudo no Brasil, as notícias são piores nas regiões mais pobres do país: a desigualdade também é enorme na gestão dos resíduos sólidos. De acordo com o ISLU 2019, na Região Sul, a destinação final ambientalmente correta (aterros sanitários) chega a 88,6%, índice semelhante de 2018. O Sudeste teve o maior avanço: o índice de uso dos aterros sanitário subiu de 51,1% para 56,9%;. O Centro-Oeste (de 14,4% para 18,6%) e o Nordeste avançaram (11,4% para 12,6%). Mas o Nordeste continua com o pior resultado – só ficou mais perto da Região Norte onde a taxa de município com destinação final correta do lixo caiu de 14,1% para 12,8%.

Grandes e pequenos

O ISLU 2019 foi medido com base nos dados de 3.317 municípios, distribuídos por todos os estados, além do Distrito Federal. Como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU, o ISLU varia entre 0 (zero – baixo desenvolvimento) e 1 (um – alto desenvolvimento), analisando os dados oficiais disponibilizados pelos próprios municípios no Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS). A desigualdade regional era previsível – mas ainda assim, exceto pelo Norte, as outras regiões apresentam uma tendência de melhoria. A desigualdade aparece – de maneira mais significativa – entre cidades grandes e médias e os pequenos municípios, onde as tendências são opostas. As cidades maiores – com mais de 250 mil habitantes – elevaram sua média de 0,651 para 0,666 nos quatro anos de medição do Índice de Limpeza Urbana; os municípios pequenos, no mesmo período, registraram uma queda de 0,618 para 0,612.

Os 10 municípios com maiores ISLU (REprodução)
Os 10 municípios com maiores ISLU (REprodução)

Mas o próprio ISLU aponta para soluções: dos 3.317 municípios avaliados, 340 ainda têm índice muito baixo (menos de 0,5), 828 aparecem no nível considerado baixo (entre 0,5 e 0,6), 1.692 já estão em nível médio (entre 0,6 e 0,7), outros 453 aparecem no nível alto (entre 0,7 e 0,8) e apenas quatro estão no nível muito alto. Estes quatro, entretanto, são todos muito pequenos – três deles com população abaixo de 10 mil habitantes. Os 10 municípios com melhores índices também são deste porte. “O segredo para alcançar um índice alto foi o uso de consórcios entre várias pequenas cidades para compartilhar a gestão do lixo e conseguir financiar os gastos”, explica o economista Jonas Okawara.

Entre as grandes cidades, acima de 250 mil habitantes, o melhor índice de Limpeza Urbana é o de Santos, no litoral paulista (0,743), seguida pela fluminense Niterói (0,742), pela catarinense Blumenau (0,737) e pelo Rio de Janeiro (0,733). “É importante frisar que o ISLU não mede a competência na gestão do lixo mas se o município está cumprindo os critérios estabelecidos pela Agenda 2030 em termos de impacto ambiental, atendimento, sustentabilidade financeira, reciclagem”, lembra Okawara.

Arrecadação específica

Os 20 municípios acima de 250 mil habitantes com melhor avaliação do ISLU parecem ter características bastante diferentes – apesar do sempre presente equilíbrio regional: são apenas duas cidades nordestinas, todas as outras são do Sul e do Sudeste. Há cidades com a gestão do lixo concedida à iniciativa privada como Santos, Blumenau ou Mossoró, no Rio Grande do Norte; em Niterói, no Rio, e em Caxias do Sul, são empresas de economia mista com a prefeitura como maior acionista; e ainda há autarquias como em Porto Alegre e Recife. Na lista, há ainda capitais como a fluminense, a pernambucana, a gaúcha e ainda Belo Horizonte e cidades efetivamente médias como Sorocaba, Londrina e Uberaba, além de Blumenau e Caxias.

Os municípios acima de 250 mil habitantes com melhores índices de limpeza urbana (Reprodução)
Os municípios acima de 250 mil habitantes com melhores índices de limpeza urbana (Reprodução)

O economista do Selur aponta, porém, uma característica que reúne a maioria das cidades desta lista como também dos municípios menores que conseguem fazer uma boa gestão do lixo. “Em geral, esses municípios têm uma arrecadação específica, uma taxa de lixo ou semelhante, para financiar diretamente essa logística e essa infraestrutura que nunca é barata”, destaca Jonas Okawara.

A necessidade de um método de arrecadação específica será destacada na apresentação que Carlos Rossin, diretor de Sustentabilidade do Selur, fará no lançamento do ISLU no seminário do Museu do Amanhã. Esse método, inclusive, é um dos requisitos para que as prefeituras possam receber recursos federais para investimentos na gestão do lixo.  “A dependência do orçamento público municipal, comprometido com despesas da saúde e educação e a folha de pagamento, é um dos principais entraves para o desenvolvimento da limpeza urbana nas cidades”, afirma Rossin.

Jonas Okawara frisa ainda que, para que isso realmente venha a acontecer, é necessária uma mudança de cultura. “A população como um todo precisa estar engajada na questão do lixo, precisa entender que a gestão dos resíduos impacta na sua saúde e qualidade de vida”, afirma o economista. “Hoje, a grande maioria não sabe, nem quer saber, para onde vai o seu lixo. Para realmente atingirmos a meta da Agenda 2030, é necessária realmente uma educação ambiental”.

quarta-feira, 24 de julho de 2019

Ninguém gosta de falar de aumento de tributos....

A Lei nº 2687 de 26 de novembro de 1998 instituiu a Taxa de Coleta de Lixo na Cidade do Rio de Janeiro estabelece:

Art. 1º A taxa de coleta domiciliar do lixo, ora instituída, tem como fato gerador a utilização efetiva ou potencial do serviço público, prestado ou posto à disposição, de coleta domiciliar de lixo ordinário, a qual reúne o conjunto das atividades de recolhimento do lixo relativo ao imóvel, do transporte do lixo e de sua descarga.
Art. 4º O valor correspondente a cada imóvel é obtido pela aplicação da seguinte fórmula:
Taxa = VR x CGB x CUI
onde:
VR = valor de referência
CGB = coeficiente por grupo de bairros
CUI = coeficiente por utilização do imóvel

O valor de referência a que se refere a lei foi proveniente de cálculo que abrangeu o período de novembro de 1997 a outubro de 1998, e é indexada utilizando a UFIR, que em 2000 foi substituída pelo IPCA

Mais de vinte anos se passaram da promulgação da Lei nº 2687. 

A  questão que poderia ser explorada, além da apresentada pela prefeitura na reportagem, é se a incorporação de novas tecnologias e exigências, por exemplo, da  Lei nº 12.305/10, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) em 2010, não afetaram o custo do "conjunto das atividades de recolhimento do lixo relativo ao imóvel, do transporte do lixo e de sua descarga" a ponto de exigir uma novo cálculo para a VR.





Crivella aciona procuradoria contra isenção da taxa de coleta de lixo

Por: Berenice Seara e Aline Macedo    

Resultado de imagem para comlurb

O Diário Oficial desta quarta-feira (24) trouxe um despacho do prefeito Marcelo Crivella (PRB) à Procuradoria Geral do Município para preparar uma ação de inconstitucionalidade contra a Lei 6.615/2019, que isenta proprietários de imóveis com valor venal de até R$ 55 mil do pagamento da taxa de coleta de lixo (TCL).

A lei foi aprovada num zastrás pela Câmara do Rio, sem qualquer voto contrário.

A proposta partiu de Rosa Fernandes (MDB), mas logo ganhou o apoio das comissões de Justiça e Redação, de Orçamento e de Administração, além da coautoria de 23 vereadores.

Quando a ideia foi apresentada ao Legislativo, Rosa contou que preparou o projeto de lei depois que contribuintes isentos do IPTU receberam carnês contendo apenas a TCL, no valor de R$ 101 — apenas R$ 1 a mais do que o limite mínimo para emissão do documento.

domingo, 16 de junho de 2019

Lixo vai gerar energia em usina de Panambi/RS




Uma aposta do Consórcio Intermunicipal Panambi-Condor (ferramenta criada na década de 1990 pelas duas cidades para dar encaminhamento aos seus resíduos) foi a contratação de uma empresa que utilizará o rejeito para a geração de energia elétrica, no município panambiense.

A companhia escolhida foi a Intrar Eco Energy, formada pela nordestina Usitrar e pela gaúcha Infinita Estrutura de Negócios. O sócio-diretor da Intrar Lori Giombelli explica que o processo tecnológico que será adotado é a carbonização (ou desidratação) dos resíduos sólidos urbanos. O lixo será submetido, dentro de um reator, a temperaturas de cerca de 800 graus Celsius. O procedimento não envolve oxigênio, sendo o material aquecido em ambiente fechado. O resultado dessa operação é a formação de uma espécie de carvão, com características mais próximas do carvão vegetal do que do mineral.

Giombelli salienta que o carvão mineral, quando queimado, gera gases que representam um impacto maior ao meio ambiente. Já o insumo que sairá do procedimento em Panambi, em formato de pó, assemelha-se mais ao carvão utilizado em churrascos. Com esse produto, posteriormente, será possível gerar energia térmica ou elétrica. Alguns resíduos que sobram depois da carbonização poderão ser aproveitados também em subleitos de estradas, indústria cerâmica, entre outras finalidades.

“Para tudo que entrar na nossa usina, daremos o tratamento adequado e cumpriremos as leis e a política nacional dos resíduos sólidos”, enfatiza o dirigente. O planejamento prevê a instalação de uma termelétrica, ao lado da planta que fará a carbonização dos materiais, com capacidade de geração de 4 MW a 6 MW para aproveitar o combustível produzido. Giombelli estima em torno de R$ 35 milhões o investimento que será absorvido pelo projeto como um todo.

Energia Comercializada 

A ideia é que a energia propiciada seja comercializada em leilão específico para a geração feita a partir de resíduos sólidos urbanos ou no mercado livre (formado por grandes consumidores que podem escolher de quem vão comprar a eletricidade). Além de lucrar com a energia, o complexo será remunerado por tonelagem de lixo recebida. Inicialmente, a perspectiva é de que a planta trabalhe, aproximadamente, com 240 toneladas a 260 toneladas de rejeitos ao dia. Esse volume será oriundo de Panambi e Condor, assim como de outros municípios da região. Giombelli diz que podem ser aproveitados para a carbonização resíduos orgânicos e inorgânicos, de preferência que não tenham possibilidade de serem reciclados. Hoje, esse lixo é destinado para aterros sanitários.

O empreendimento de desidratação de resíduos já conta com a licença ambiental prévia da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), e Giombelli acredita que seja possível conquistar o licenciamento de instalação ainda neste ano. A partir do início das obras, a expectativa é que sejam necessários 12 meses para a conclusão da planta. Na operação do complexo, serão empregadas diretamente 41 pessoas e na construção, entre postos indiretos e diretos, mais 50 trabalhadores.

O prefeito de Panambi, Daniel Hinnah (PMDB), comenta que já faz cerca de oito anos que o município procura uma alternativa para uma nova destinação para o seu lixo urbano. O dirigente destaca que a cidade possui um aterro sanitário para fazer esse encaminhamento, porém a preocupação é o que fazer com esse espaço futuramente, quando chegar ao seu limite, além da questão dos custos de manutenção.

Município prevê renda e economia de despesas

Além da geração de ICMS com a produção de energia elétrica, a prefeitura de Panambi calcula que, com a nova destinação dos resíduos, será possível reduzir um custo anual de cerca de R$ 1,45 milhão, que é a despesa com a atual forma de encaminhamento do lixo.

O secretário do Desenvolvimento Econômico e Ambiental, Rafael Oliveira, detalha que o município e Condor não terão que desembolsar valores para implantação do complexo ou arcar com despesas do lixo encaminhado (porém outras cidades que ingressarem na iniciativa terão custos com os rejeitos enviados).

A prefeitura deverá contribuir com a doação de uma área de cerca de 14 hectares, próximo a BR-285, para sediar o complexo. Mais cerca de 30 municípios da região manifestaram interesse em destinar os seus resíduos para a nova usina.

terça-feira, 14 de maio de 2019

Rio obtém licença e pode ganhar primeira usina que transforma lixo em eletricidade


Usina ficará na Comlurb do Caju, na Zona Portuária.



Primeira usina termoelétrica do Brasil deve ser construída no Rio
A primeira termoelétrica que transforma lixo em eletricidade do Brasil poderá ser instalada no Rio de Janeiro. A licença prévia para a construção da usina foi publicada no Diário Oficial na última quinta-feira (9).

A termoelétrica será instalada na unidade da Comlurb no Caju, na Zona Portuária do Rio. O custo da obra está avaliado em aproximadamente R$ 500 milhões e será privado. 

O empreendimento foi projetado para transformar 1,3 mil toneladas de lixo em eletricidade por dia, o que significa 14% de todos os resíduos coletados diariamente na cidade.

A energia gerada abastece cerca de 200 mil pessoas, aproximadamente a população de Angra dos Reis.

A tecnologia usada na usina já está presente em 500 termoelétricas a lixo no Hemisfério Norte, especialmente na Europa.

A presidente da Ciclus, empresa que opera o aterro de Seropédica e responsável pela construção e operação da nova usina, diz que a termoelétrica traz muitas vantagens para a cidade.

“Grande parte dos resíduos gerados pela população carioca não vai precisar seguir até Seropédica. A gente vai economizar transporte e, por outro lado, vai transformar um passivo da sociedade em um ativo. Vai transformar lixo em energia limpa”, afirmou Adriana Felipetto, presidente da Ciclus.

Segundo os responsáveis pelo empreendimento, a transformação dos resíduos em eletricidade não oferece risco para a saúde.

“A gente passou por um amplo processo de licenciamento ambiental, com estudo de impacto ambiental, onde isso tudo foi avaliado. Existem vários estudos que demonstram que não há nenhum tipo de problema nem ambiental nem de saúde para as pessoas no entorno do empreendimento”, completou a presidente da Ciclus.

segunda-feira, 22 de abril de 2019

Orçamento da Comlurb para coleta e tratamento de lixo acaba em agosto


Empresa só conta com R$ 152,9 milhões para pagar pelos serviços este ano; seriam necessários ao menos R$ 240 milhões



Crise na coleta de lixo no Rio por causa de uma dívida de aproximadamente R$ 72 milhões da prefeitura com a concessionária Ciclus. Na foto, Rua Pereira de Figueiredo, em Oswaldo Cruz Foto: Márcio Alves / Agência O Globo
Crise na coleta de lixo no Rio por causa de uma dívida de aproximadamente R$ 72 milhões da prefeitura com a concessionária Ciclus. Na foto, Rua Pereira de Figueiredo, em Oswaldo Cruz Foto: Márcio Alves / Agência O Globo
RIO - Em meio à paralisação parcial dos serviços da Comlurb devido a uma greve decretada pelos garis nesta segunda-feira, mais um problema surge na gestão do  lixo no Rio. As contas para coletar e tratar as 10 mil toneladas de lixo produzidas pelos cariocas diariamente não fecham. O orçamento da Comlurb para manter o serviço só é suficiente até agosto . A estimativa foi feita pelo GLOBO, com base em um ofício que a empresa Ciclus Ambiental, que opera o aterro sanitário de Seropédica, para onde vai todo lixo coletado na cidade, enviou na última quarta-feira para Comlurb, secretaria municipal de Fazenda e Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ). 

Em consulta ao Rio Transparente (site de execução orçamentária da prefeitura), foi verificado que a Comlurb  só conta com R$ 152,9 milhões para pagar pelos serviços este ano. Mas seriam necessários ao menos R$ 240 milhões: o gasto inclui a operação do aterro, além das despesas para gerir as cinco estações de transbordo (Caju, Jacarepaguá, Marechal Hermes, de Santa Cruz e de Bang) e os cem caminhões que levam o lixo até Seropédica, que chegam a R$ 20 milhões mensais. Ou seja, R$ 152,9 milhões são suficientes para pouco mais de sete meses do ano.

A diretora da Ciclus Ambiental, Adriana Felipetto, diz que a empresa está operando perto do limite da capacidade financeira. Segundo ela, este ano, a Comlurb acumulou uma dívida de R$ 72 milhões com a Ciclus, dos quais só foram pagos R$ 30 milhões. Por conta disso, a empresa chegou a reduzir este mês a frota que levava o lixo para Seropédica:

- A gente está fazendo o possível. Mas não existe cheque sem fundo. A inadimplência da prefeitura cria riscos financeiros para a empresa, que tem uma concessão de 15 anos para operar os serviços. A falta de pagamentos pode inviabilizar a prestação dos serviços e criar riscos ambientais - alerta Adriana.

No ofício enviado ao MPRJ, a Ciclus sugere que uma das soluções seria vincular efetivamente a receita da taxa de coleta de lixo para o tratamento dos resíduos sólidos do Rio. ''Essa vinculação serviria como uma salvaguarda e garantia definitiva de que os serviços teriam a continuidade recomendada pelo próprio Ministério Público, independentemente das instabilidades politicas e mudanças na gestão municipal'', diz um trecho do documento.  

Lixo acumulado na Ladeira Ary Barroso, na Babilônia, no Leme Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo
Lixo acumulado na Ladeira Ary Barroso, na Babilônia, no Leme Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo

Neste processo, as despesas do aterro de Seropédica estão aumentando. Também na semana passada, o presidente do Tribunal de Contas do Município, Thiers Montbello, encaminhou ofício ao Instituto Estadual do Ambiente (Inea) alertando para o fato que os piscinões de chorume (que armazenam o líquido gerado pela decomposição dos detritos) atingiram 80% da capacidade, gerando riscos de um acidente ambiental.

''Se a companhia não tiver recursos para efetuar o tratamento deste chorume, pode ocorrer a contaminação dos recursos hídricos, atingindo eventualmente até o Rio Guandu, que passa próximo ao aterro sanitário e abastece a cidade do Rio de Janeiro, bem como contaminar as águas subterrâneas do aquífero Guarany'', diz trecho do relatório de inspeção que serviu de base para a decisão tomada pelo Tribunal de Contas   

A informação do TCM toma como base uma auditoria feita pela corte na Comlurb. Os fiscais descobriram ainda que, em 5 de dezembro de 2018, a Ciclus enviou um ofício à empresa municipal, informando que haveria problemas na gestão do chorume. Ao todo, a Ciclus conta com 15 piscinas de armazenamento de chorume, mas só tem licença ambiental para tratar 1 milhão de litros de chorume por dia.

No entanto, a produção diária do líquido chega a mais de 1,48 milhão de litros, segundo o TCM, e Seropédica sequer consegue operar com a capacidade licenciada. A empresa, por sua vez, argumenta que, para minimizar o problema, está construindo dois novos piscinões de armazenagem e tem levado o chorume para tratar externamente, não apenas em estações da Cedae, como também em estações de São Paulo.

''A geração de chorume está, em média, 48,6% acima da capacidade de tratamento prevista na Licença de Operação. E a Ciclus vem tratando apenas 692 metros cúbicos de chorume (692 mil litros), portanto, menos do que sua capacidade (...). Mesmo com todo o esforço de envio de chorume para tratamento externo, a Ciclus ainda aumentou seu passivo acumulado na razão de 79 mil litros por dia'', diz outros techos do documento.   

Em nota, a Comlurb se limitou a afirmar que "vem cumprindo rigorosamente os acordos firmados com a Ciclus, mês a mês, e está em conversas constantes com a concessionária sobre o acerto das pendências passadas.'' 

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Caminhões de coleta domiciliar são usados para transportar lixo para aterro sanitário de Seropédica, no RJ

Por falta de pagamentos da Prefeitura do Rio, empresa CIclus interrompeu transporte de lixo para o Aterro de Seropédica; prefeito diz já ter pago R$ 30 milhões de uma dívida de R$ 72 milhões.



Prefeitura promete pagar dívida milionária com transportadora de lixo
























Por volta das 6h40 desta quarta-feira (3), a movimentação de caminhões de coleta domiciliar em uma estação de transbordo às margens da Avenida Brasil, em Santíssimo, Zona Oeste do Rio, era grande.

O Globocop registrou imagens de uma fila de caminhões de coleta domiciliar no local. Cerca de 100 caminhões estão sendo usados para despejar o lixo no aterro sanitário de Seropédica, saindo de circulação na coleta domiciliar e fazendo com que muitas pessoas fiquem com lixo acumulado nas portas de casas e lixeiras de prédios.

Outras carretas maiores, responsáveis por levar o lixo da estação de transbordo para o aterro sanitário, também estavam estacionadas ao lado.

A Prefeitura do Rio disse que a Comlurb já acertou o pagamento de R$ 30 milhões com a Ciclus - empresa que administra o aterro sanitário de Seropédica - para esta semana e que voltará a se reunir com a empresa para fazer um novo cronograma para quitar o restante da dívida.

A empresa Ciclus informou que recebeu na terça-feira (2) a primeira parcela, no valor de R$ 2,5 milhões, mas que a dívida integral é de R$ 72 milhões.

Em um dos acessos ao Morro do Juramento, na Zona Norte do Rio, o Globocop também flagrou o lixo acumulado sendo usado como barricada.

Lixo é usado como barricada em um dos acessos ao Morro do Juramento, an Zona Norte do Rio — Foto: Reprodução / Globocop

Lixo é usado como barricada em um dos acessos ao Morro do Juramento, an Zona Norte do Rio — Foto: Reprodução / Globocop 
A falta de coleta é uma das reclamações de quem mora em Sepetiba, na Zona Oeste da cidade. Segundo os moradores, a última vez que a coleta passou pela região foi na segunda-feira (1).

Por causa do lixo espalhado, eles relatam estar com medo de contrair doenças. Alguns moradores estão retirando os sacos de lixo das ruas de dentro e levando para a rua principal, na expectativa de que sejam recolhidos.

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Construção de um reator para Biodrying: uma alternativa para os resíduos sólidos urbanos brasileiro



Resumo

A produção de resíduos sólidos urbanos (RSU) é intensificada com o passar do tempo e sua destinação se torna um problema cada vez mais difícil de ser enfrentado. Atualmente, no Brasil, são poucas as técnicas difundidas para o tratamento de RSU, podendo ser citadas a compostagem e a reciclagem. Recentemente outras técnicas estão sendo desenvolvidas, principalmente aquelas que são voltadas para o aproveitamento energético dos resíduos, conhecida como “Waste to Energy”. Dentre as técnicas desenvolvidas, encontra-se o biodrying, o qual tem por objetivo secar os resíduos pelo processo exotérmico de degradação da matéria biodegradável em reatores. Este processo, combinado com injeção de ar no meio, faz com que haja redução do teor de umidade. São vários os resíduos que podem ser destinados para o processo, como o RSU, os resíduos de jardinagem e os lodos de estação de tratamento de esgoto. No que diz respeito aos reatores utilizados, eles podem ser tanto estáticos quanto dinâmicos, sendo os estáticos mais comuns. Porém, neste tipo de reator o material resultante é heterogêneo, ou seja, como dentro do reator o gradiente de umidade não é o mesmo para todos os pontos, o material resultante não tem umidade uniforme, interferindo, assim, no poder calorífico do material. Algumas técnicas para mitigar esta heterogeneidade, como inversão do fluxo de ar e utilização de reatores rotativos podem ser a solução para este problema. A prática da inversão do fluxo de ar ainda é pouco utilizada e o mesmo ocorre para como os tambores rotativos. A fim de deixar a literatura menos incipiente e testar a técnica do biodrying para os resíduos sólidos urbanos brasileiros foi construído um reator rotativo.




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segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Deslocamento em aterro sanitário de Guarulhos deixa cidade em estado de emergência

Problemas isolados na coleta de lixo podem acontecer, de acordo com a prefeitura; deslocamento aconteceu na sexta-feira (28).





Prefeitura de Guarulhos decreta situação de emergência após deslizamento em aterro

A prefeitura de Guarulhos decretou estado de emergência na cidade nesta segunda-feira (31), por causa do deslocamento de parte do aterro sanitário Quitaúna, no bairro Cabuçu, vizinho ao Rodoanel a uma grande área verde do Parque Estadual da Cantareira.

Uma grande parte do aterro se deslocou na sexta-feira (28), deixando o lixo exposto. O resultado foi um forte cheiro ruim que chega dentro das casas nos bairros do Parque Continental e Palmira. Além disso, a coleta de lixo da cidade foi comprometida.

Com o estado de emergência, a prefeitura pode contratar um aterro particular para resolver o problema da coleta de lixo. Os veículos carregados de lixo domiciliar estão sendo desviados para um aterro vizinho, o CDR Pedreira. A manobra ajudou, mesmo assim a coleta na cidade foi prejudicada.

“Ela teve pequenos problemas pontuais na cidade, algumas ruas deixaram de fazer coleta, mas foi questão de horas. Isso afeta todo o sistema, mas já está normalizado”, disse Edmílson Sarlo, secretário de serviços públicos de Guarulhos.

Em nota, a prefeitura disse que chamou a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) para avaliar os danos causados pelo deslocamento e montou uma força-tarefa para tomar medidas de proteção e fazer um sistema de contenção para minimizar os riscos de contaminação.

De acordo com a prefeitura, a coleta de lixo em Guarulhos está normalizada, dentro da programação de final de ano, mas “problemas isolados e pontuais ainda podem ocorrer”.

Aterro recebe 1300 toneladas de lixo por dia

O aterro municipal costuma receber quase todo o lixo produzido em Guarulhos - mais de 1300 toneladas por dia. Na manhã desta segunda-feira (31), porém, o acesso ao aterro sanitário foi fechado para os caminhões carregados com o lixo coletado em Guarulhos. Só tiveram acesso os caminhões que levam terra ou os que vão recolher resíduos lá de dentro.

Para os moradores, além da coleta de lixo, o mau cheiro também é um problema.

“Nós temos sentido um mau cheiro assim o tempo todo, principalmente de madrugada. Ontem, por exemplo, na parte da tarde lá em casa, nós resolvemos limpar o quintal, fazer uma faxina porque nós pensávamos que tinha algum bicho morto, disse o funcionário público Reinaldo da Silva.

Na manhã desta segunda, um grupo de moradores fez uma manifestação para pedir urgência na solução do problema.

“Agora vamos tentar entender o que está acontecendo com o solo, o que está acontecendo com água. O que acontece com o que é escondido, o que é muito guardado. toda uma preocupação, todo uma segurança em cima de um lixo recolhido da sua casa”, diz a supervisora de vendas Angela Fernandes Moura.

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Campinas/SP investe em PPP para tratar o lixo da cidade

Fonte

Se conseguir superar os obstáculos e sair do papel, o projeto será pioneiro no país

Seria bom se o Brasil conseguisse tratar 100% dos resíduos que são descartados na natureza, diminuindo, desta forma, o impacto no meio ambiente e, ainda, conseguindo gerar receita, não é mesmo? 

A intenção da administração de campinas é contratar, até o final de 2018, uma empresa para coletar, tratar e aproveitar o lixo colhido na cidade de Campinas pelos próximos 30 anos.




Os obstáculos


A PPP trata-se de um projeto que poderá ser pioneiro no Brasil. Entretanto, há dúvidas sobre se a proposta vai realmente conseguir superar os entraves burocráticos e sair do papel. Isso porque o projeto é baseado em modernos e caros sistemas de tratamento de lixo, entre outras questões.

Atualmente, o Estado de São Paulo possui 369 aterros que operam 39,9 mil toneladas de lixo por dia. A cidade de Campinas produz, diariamente, cerca de 1,3 tonelada de lixo e deposita todos esses resíduos no aterro de Paulínia, ao custo de R$ 48 milhões por ano. Antes, o lixo era enviado para o aterro sanitário Delta A, que chegou a sua capacidade máxima há quatro anos atrás.

Segundo o que divulgou um dos maiores portais de notícias do interior de São Paulo — ACidade ON — os municípios Brasileiros tentam, desde 2010, adequar-se à Política Nacional de Resíduos Sólidos. Contudo, trata-se de uma tarefa difícil diante do custo de operação.

“Para se ter uma ideia, a Prefeitura teria que desembolsar R$ 800 milhões para construir esse sistema [de tratamento de lixo]. Sobrecarregado com as contas em áreas sensíveis como Saúde, Educação e Serviços Públicos, a construção se torna inviável”, escreveu o site na reportagem “PPP do Lixo: entenda porque ela pode nem sair do papel”, do dia 29 de julho.

Umas das soluções mais viáveis, então, é a Parceria Público-Privada, na qual o município pode repassar os serviços para empresas interessadas em tratar o lixo. O investimento, contudo, prevê um retorno demorado.

“Fizemos um estudo da viabilidade econômica. Construir toda essa estrutura e gerenciar o tratamento é caro. A estimativa é que o investimento se pague em 15 anos. Só então a empresa passa a ter um retorno financeiro”, diz o secretário municipal de Serviços Públicos, Ernesto Paulella.

O lucro do investidor está diretamente condicionado à quantidade de lixo coletado e tratado. Todavia, por conta da crise econômica que atingiu o país recentemente, Campinas reduziu, nos últimos três anos, o seu volume de resíduos descartados. De 1,5 tonelada de lixo diário, o número caiu para 1,3 tonelada. “Sabemos que a produção de lixo cresce 2% ao ano, mas tivemos essa redução. Esse é um dos riscos que as empresas interessadas avaliam”, salientou Paulella.

Outro entrave que pode inviabilizar a PPP é a complexidade do sistema necessário para realizar o projeto. Poucas empresas no mercado possuem a tecnologia necessária. “Após a abertura da licitação, uma batalha jurídica com a apresentação de recursos, por exemplo, pode prolongar o processo ou até mesmo suspendê-lo”. Paulella espera que a Justiça esteja atenta a essas manobras, destacou a matéria do ACidade ON.

O funcionamento

A proposta da Prefeitura de Campinas é de que as usinas para o tratamento do lixo sejam construídas no aterro Delta B, no prazo de cinco anos. “A área é particular e já foi considerada de utilidade pública, sendo que a concessionária arcará com o custo da operação”, explicou a ACidade ON.

“Os serviços de varrição, cata-treco, coleta seletiva e ecopontos serão assumidos imediatamente, mas a empresa só recebe pelos serviços prestados. Quanto mais a empresa demorar para construir as usinas, menos consegue gerar receitas. A estimativa é finalizar o processo em dezembro”, acrescentou o portal de notícias.

A ideia é a construção de 03 (três) usinas: compostagem de lixo orgânico, reciclagem e transformação de rejeitos (carvão). A receita oriunda da venda do material reciclado, composto e carvão será dividida, meio a meio, entre a Prefeitura e a empresa vencedora da licitação da PPP.

O especialista em Projetos de Infraestrutura, Felipe Montoro Jens, reporta que o lixo tratado que não puder ser aproveitado em nenhuma das usinas também será de responsabilidade da concessionária, que deverá realizar o respectivo descarte em aterros. Conforme o secretário Ernesto Paulella, a quantidade de lixo tratado que não poderá ser aproveitado será muito pequena — menos de 5% do total.

sábado, 26 de maio de 2018

Com coleta afetada por greve, Prefeitura tenta reativar Aterro de Gramacho

Por Danilo Vieira, RJ2

A falta de combustível afeta a coleta de lixo em várias cidades da Região Metropolitana do Rio. No capital, a prefeitura pediu para despejar lixo no antigo Aterro de Gramacho, em Duque de Caxias, fechado desde 2012, e reativou um outro aterro na cidade, em Gericinó, sem autorização.




Um vídeo feito por uma moradora de Bangu mostra uma caravana de caminhões da Comlurb despejando lixo no Aterro de Gericinó.

“Toda hora chegando mais um caminhão. É, prefeitura... Assim que vocês resolvem o problema do lixo? Reativando o que seria um aterro pra voltar essa imundice pro nossos convívio?”, questiona.

A TV Globo perguntou à Comlurb sobre o despejo de lixo que a moradora filmou em Gericinó. A companhia reconheceu que a área foi usada emergencialmente como transbordo, até que o lixo possa ser levado para Seropédica.

No fim da tarde, a Prefeitura do Rio conseguiu uma decisão da Justiça para garantir escolta policial dos caminhões-tanque necessários ao abastecimento da frota para o acesso à Refinaria Duque de Caxias (Reduc), para abastecimento de combustível, e também para a desobstrução do acesso dos veículos da autora até ao Centro de Tratamento de Resíduos, em Seropédica.

A Comlurb pediu apoio da Polícia Militar para retirar 60 mil litros de óleo diesel da Reduc.

Antes de ir para o aterro sanitário de Seropédica, o lixo recolhido na cidade é levado para as chamadas estações de transbordo. São cinco ao todo - e três já atingiram a capacidade máxima.

Como os caminhões ainda não conseguem chegar a Seropédica, o prefeito Marcelo Crivella disse que vai pedir autorização ao governo do estado para levar o lixo para Duque de Caxias e jogar em Gramacho - onde havia um lixão desativado há seis anos.

A Prefeitura de Caxias diz que "fará de tudo" para impedir a reativação do lixão.

O Instituto Estadual do Ambiente ainda não se posicionou.


sábado, 17 de março de 2018

Cidades devem R$ 11,6 bi em coleta de lixo

Maioria dos passivos foi feita em gestões anteriores, mas atuais prefeitos não reconhecem pendências



Loga, consórcio formado pelos grupos Sovi e Estre que atende a capital paulista, afirma que atraso no reajuste de prestação dos serviços compromete a capacidade de investimento - Danilo Verpa-05.mar,2018 / Folhapress

Em meio à crise fiscal dos municípios, as empresas privadas de limpeza urbana têm enfrentado dificuldades para renegociar reajustes contratuais e pleitear o pagamento de cerca de R$ 11,6 bilhões devidos por prefeituras em todo o país. A inadimplência bilionária ocorreu principalmente durante 2016 – último ano de gestão em muitas prefeituras.
Em 2017, a maioria dos novos dirigentes regularizou os pagamentos, mas não quitou dívidas passadas, segundo a Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais).
“Não há uma perspectiva positiva [para o pagamento]. Além do caixa restrito das cidades, muitas gestões não reconhecem o passivo dos governos passados, o que dificulta a negociação”, afirma o presidente da entidade, Carlos Roberto da Silva Filho.
FORA DA JUSTIÇA
O acionamento da Justiça para obter os recursos devidos não está no radar, diz ele. Além de gerar um desgaste com o poder público -principal contratante para as companhias do ramo-, a solução demoraria a gerar resultado, já que os recursos seriam pagos por meio de precatórios, e só após uma decisão definitiva do caso.
Com a questão da dívida paralisada, as principais discussões com as prefeituras mudaram de foco neste ano: os pagamentos foram retomados, mas há atrasos recorrentes em várias cidades.
Além disso, há dificuldade para negociar os reajustes periódicos previstos nos contratos, o que afeta a capacidade dos grupos de fazer investimentos.
As regiões do Sudeste e do Nordeste têm a pior situação, segundo empresas do setor. O estado do Rio de Janeiro é apontado como um dos casos mais graves. Há problemas em vários municípios.
Na capital fluminense, onde o serviço é feito pela Comlurb (companhia de capital misto controlada pela prefeitura), há atrasos de pagamento pelo aluguel de caminhões de companhias privadas.
Além disso, há uma dívida estimada em R$ 50 milhões com a concessão do aterro de Seropédica (RJ). Em nota, a Comlurb afirmou que “mantém o diálogo e as negociações para iniciar a regularização dos pagamentos das empresas terceirizadas” e que “assim que houver a liberação da dotação orçamentária serão iniciados os pagamentos”.
SÃO PAULO
Na capital paulista, também há disputas entre a prefeitura e os consórcios Loga e Ecourbis, responsáveis pela limpeza urbana da capital desde 2003.
As empresas reclamam que o reequilíbrio quinquenal (reajuste financeiro previsto para ocorrer a cada cinco anos de contrato), que deveria ter sido feito em outubro de 2014, não foi aplicado até hoje.
Para Marcelo Gomes, diretor-presidente da Loga (consórcio formado pelos grupos Solví e Estre), o atraso no reajuste travou investimentos nas próprias instalações do sistema da cidade.
Procurada pela gestão de João Doria (PSDB-SP) para encontrar soluções, diante de um caixa apertado, a empresa diz ter apresentado alternativas para compensar a defasagem gerada nos últimos anos –que a Loga calcula em 20%.
“Isso pode ser amortizado de várias formas, como a extensão do prazo [da concessão, que vai até 2023] ou de mudanças de marcos contratuais [com a redução de exigências previstas]”, diz.
O imbróglio, porém, está travado no TCM (Tribunal de Contas do Município), que afirma que as empresas deixaram de cumprir exigências contratuais e que por isso o reajuste não é devido.
A Loga refuta os argumentos do órgão, afirmando que os atrasos decorreram da demora para a obtenção de licenças ambientais e da realização de audiências públicas exigidas pela prefeitura.
Procurada, a Ecourbis afirma que já esclareceu ao tribunal todos os questionamentos apontados e que estes estão sendo considerados nos estudos da Amlurb (Autoridade Municipal de Limpeza Urbana) para realizar os reajustes.
A prefeitura também respondeu à reportagem. A Amlurb, por meio de sua assessoria de imprensa, apenas indicou que o TCM é que deveria responder aos questionamentos. 

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Cidade mineira vai usar lixo para gerar energia elétrica


energia elétrica

Minas Gerais terá o primeiro projeto de Usina Termoquímica de Geração de Energia (UTGE) do país, que utiliza resíduos sólidos, ou seja, lixo, para gerar energia elétrica por meio de um processo inédito, em Boa Esperança, no Sul do Estado. O projeto é de Furnas Centrais Elétricas em parceria com a Carbogas Energia, desenvolvedora da tecnologia que é totalmente nacional.

O investimento no projeto é de R$ 32 milhões e a previsão é que a operação comece em julho de 2019. As obras de terraplenagem começaram em dezembro do ano passado. O gerente de pesquisa e desenvolvimento de Furnas, Nelson de Araújo dos Santos, explica que se trata de um projeto piloto. “Ainda é um trabalho de pesquisa, mas vamos estudar para que, no futuro, consigamos atender a comercialização da energia gerada pela usina”, diz Santos.

A UTGE terá capacidade de geração de 1 Megawatt-hora (MWh) de energia elétrica, o que corresponde a 25% de toda energia elétrica utilizada em Boa Esperança. “A energia elétrica gerada poderá ser utilizada nos prédios públicos do município a partir do segundo semestre de 2019. Em um segundo momento, também estudamos oferecer energia para atrair empresas e gerar empregos”, afirma o secretário de Obras de Boa Esperança, Diogo Cunha. A prefeitura doou o terreno de 7.800 m² onde o projeto está sendo construído.

Fonte: O Tempo

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Alemanha apresenta tecnologia de ponta para gestão de resíduos




O Eco Parque de Colônia, na Alemanha, é um dos maiores e mais completos de toda Europa. Não à toa, especialistas da área costumam brincar, chamando suas instalações de “Disney World da gestão de resíduos”. Em uma área de mais de 500 mil m², este Eco Parque realiza os mais diversos processos para separação de resíduos, obtendo subprodutos como o composto para a agricultura, gás, combustível derivado de resíduos (CDR) orgânico e CDR inorgânico de alta qualidade.

De todo lixo coletado e tratado pelo Eco Parque de Colônia, apenas cerca de 10 a 15% são depositados em aterros. Todo o restante é aproveitado de alguma forma.

Esta instalação atende à toda região metropolitana de Colônia, que possui um total de 1,4 milhão de habitantes, geradores de uma quantidade diária de cerca de quatro mil toneladas de lixo. A coleta em toda cidade é seletiva, garantindo assim um processo mais simples para o tratamento na planta, com uma estimativa de tratamento em 40% de orgânicos e 60% de inorgânicos.

Em matéria de tecnologia empregada, Colônia apresenta muitas semelhanças com o que já se pode encontrar em alguns poucos dos mais modernos eco parques brasileiros. No entanto, ao analisar o resíduo ainda no seu momento de entrada na planta, já é possível perceber uma grande diferença na forma de descarte por parte das indústrias, comércio, restaurantes e até mesmo da população.


tecnologia para gestão de resíduos

“O nível de conscientização das pessoas sobre a forma de descarte do lixo na Alemanha, e em quase toda Europa, é o grande diferencial do processo”, afirma Geraldo do Amaral Filho, diretor da Cetesb que acompanhou a visita à planta. “Precisamos de tecnologia, mas acredito que neste momento o mais importante é conseguirmos fazer com que a população perceba o quão importante é a questão de separar o lixo e, se possível, já tê-lo limpo, sem riscos de contaminação.”

Um fato curioso, em toda Alemanha, é que as embalagens de plástico PET trazem em seu invólucro o custo da garrafa, que pode ser encaminhada para reciclagem.

No Ecoparque de Colônia a maior parte dos processos é automatizada, tanto que as esteiras de separação manual já foram abandonadas. Como a coleta é seletiva, sem contaminação de orgânicos, o lixo inorgânico passa por uma etapa inicial de peneiras com pedaços de até 50 centímetros, sendo triturados em uma máquina de baixa rotação. Na etapa seguinte, um leitor ótico consegue separar o lixo de acordo com as especificações desejadas, seja de cor, tamanho ou tipo, eliminando assim a necessidade de interação humana.

tecnologia para gestão de resíduos

Móveis velhos, restos de madeira e galhos de árvore são transformados em cavacos de madeira para queima em fornos. Restos de papel e papelão são compactados em fardos para reciclagem. Garrafas de vidro são retornadas ou recicladas, chegando ao requinte de terem sua separação feita pelas cores de cada vidro. Sacos plásticos, junto de outros rejeitos inorgânicos são secos e triturados para produção de CDR. Restos de comida são fermentados para gerar biogás, e este material passa depois por compostagem para a produção de adubo orgânico. Em Colonia quase nada se perde, tudo se transforma.



quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Prefeitura de Florianópolis distribui 500 minhocários para compostagem em casa


Aproveitamento de resíduo orgânico pode trazer economia de R$ 43 mil por ano em transporte para aterro sanitário.

Minhocários serão distribuídos pela prefeitura de Florianópolis (Foto: Prefeitura de Florianópolis/Divulgação)

Minhocários serão distribuídos pela prefeitura de Florianópolis (Foto: Prefeitura de Florianópolis/Divulgação) 
A Prefeitura de Florianópolis lançou nesta quinta-feira (4) o projeto Minhoca na Cabeça, para aproveitamento de resíduos orgânicos através de compostagem. Serão distribuídos 500 minhocários e oferecidas oficinas. As inscrições para os interessados podem ser feitas pelo site do projeto.

Os inscritos devem participar da capacitação no Jardim Botânico de Florianópolis. Conforme a prefeitura, estão programadas 20 oficinas e em cada uma podem participar 25 pessoas. De acordo com a Comcap, os inscritos só precisam comprovar que moram em Florianópolis. Se as inscrições ultrapassarem o número de vagas, haverá lista de espera para as próximas etapas do projeto.

“Vamos entregar a composteira junto com as minhocas e o material para se utilizado. Todos que participarem das oficinas vão receber o material, mas há necessidade de apresentar resultados demonstrando efetivamente que vem fazendo essa separação”, explica o prefeito Gean Loureiro.

Oficinas de capacitação serão feitas para compostagem domiciliar  (Foto: Prefeitura de Florianópolis/Divulgação)
Oficinas de capacitação serão feitas para compostagem domiciliar  (Foto: Prefeitura de Florianópolis/Divulgação)

Compostagem garante economia

Com a compostagem, a prefeitura estima que vai economizar R$ 43 mil em transporte de lixo para o aterro sanitário em Biguaçu, além de reduzir 70% a emissão de carbono por ano. Pelo menos 292 toneladas lixo deixarão de ser encaminhados ao aterro.

O projeto deve colaborar para que Florianópolis alcance as metas Plano Municipal de Coleta Seletiva de Florianópolis, “de desviar do aterro sanitário 37% dos recicláveis secos e 45% dos resíduos orgânicos até 2020", informou a prefeitura. A operação do projeto é de responsabilidade da Autarquia de Melhoramentos da Capital (Comcap).

“Queremos formar uma política pública. É obrigatório a participação na oficina. Vai ser ensinado o manuseio da compostagem e, o que é mais importante, as pessoas vão montar seus kits porque a ideia é que essas pessoas sejam os multiplicadores. Precisamos quantificar e qualificar o projeto, por isso, vamos monitorar de forma permanente”, detalhou Carlos Alberto Martins, presidente da autarquia.

Conforme a prefeitura, a capital catarinense será a única cidade brasileira a manter um sistema de compostagem domiciliar. São Paulo também havia lançado, mas desativou o programa.

Ampliação do 'Minhoca na Cabeça'

A expectativa é que mais minhocários sejam distribuídos nos próximos meses, segundo a prefeitura.

“Já conseguimos financiamento para comprara mais 500 e nosso objetivo é sempre ir ampliando o programa permitindo que Florianópolis possa atingir metas e diminuir um percentual considerável do lixo orgânico que é descartado nos aterros sanitários”, diz Loureiro.

“Vamos iniciar esse ano pioneiro a coleta ponto a ponto de resíduo orgânico. Estamos implantando três parques de compostagem dentro da Comcap”, afirma Carlos Martins.

Projeto minhoca na Cabeça incentiva compostagem domiciliar  (Foto: Prefeitura de Florianópolis/Divulgação)
Projeto minhoca na Cabeça incentiva compostagem domiciliar  (Foto: Prefeitura de Florianópolis/Divulgação) 
Dicas da Comcap para separação de lixo:

Recicláveis secos (papel, plástico, metal e vidro) - Encaminhar para a coleta seletiva da Comcap (confira no site os dias e horários em cada bairro). Para vidro, há pontos de entrega voluntária (PEVs) exclusivos.

Orgânicos (restos de alimentos) - fazer compostagem doméstica ou comunitária.

Rejeito (lixo sanitário e outros materiais que não podem ser reciclados nem compostados) - encaminhar para a coleta convencional da Comcap.