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sábado, 19 de setembro de 2026

Kander Challenge: aprender brincando

 Entre as atividades do KISC, uma das que mais me chamou atenção foi o Kander Challenge. A proposta parece simples: formar equipes com escoteiros de diferentes países e fazê-las circular pelo campo cumprindo desafios. A programação oficial o apresenta justamente assim — uma atividade em que os participantes percorrem diferentes pontos do centro, enfrentando problemas físicos, lógicos e de cooperação.

Na versão que acompanhei, havia oito estações. Cada uma utilizava um jogo para introduzir um tema relacionado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. A dinâmica era rápida: os grupos recebiam um mapa, passavam pelas estações e tentavam completar o maior número possível de desafios. A intenção declarada não era apenas divertir, mas criar oportunidades para que pessoas de diferentes origens trabalhassem juntas enquanto entravam em contato com questões globais.


Fiquei responsável pela estação 3, chamada Clean up the Earth. O material dificilmente poderia ser mais simples: uma corda grande e dezenas de garrafas PET. A corda era colocada no chão formando um círculo. Um grupo ficava dentro dele com as garrafas e tinha como objetivo jogá-las para fora. Outro grupo permanecia do lado de fora e precisava devolvê-las para dentro. O segundo começava com alguns segundos de atraso, e logo se instalava uma pequena confusão organizada de garrafas voando em todas as direções.

Quem olhasse de longe provavelmente veria apenas uma brincadeira barulhenta.

Mas a brincadeira tinha uma armadilha pedagógica.

O grupo que estava dentro do círculo representava o esforço para retirar os resíduos do ambiente. O grupo de fora representava a geração contínua de novos resíduos. Rapidamente ficava evidente que, se o lixo entra no sistema mais depressa do que conseguimos retirá-lo, a limpeza sozinha jamais resolverá o problema.

Era esse o ponto da atividade.

O roteiro associava a estação aos ODS 11, sobre cidades e comunidades sustentáveis, e 12, sobre consumo e produção responsáveis. Seu objetivo educacional era bastante preciso: compreender que administrar e limpar resíduos é necessário, mas insuficiente quando continuamos produzindo-os em quantidade crescente. A conversa depois do jogo deveria, portanto, deslocar a atenção da limpeza para o consumo e para a própria geração do resíduo.

Para alguém que passou boa parte da vida profissional trabalhando com limpeza urbana, a situação tinha uma familiaridade quase desconfortável.

Durante décadas, acostumei-me a lidar com o problema depois que ele já havia sido criado. O saco estava na calçada, o resíduo havia sido produzido, o espaço público precisava ser limpo. A eficiência do serviço dependia de retirar aquilo dali com rapidez e regularidade. Mas existe um limite evidente para qualquer sistema construído apenas em torno da capacidade de remover.

Se continuarmos colocando garrafas dentro do círculo mais depressa do que conseguimos tirá-las, podemos aperfeiçoar a coleta, aumentar equipes, melhorar equipamentos e organizar melhor a operação. Ainda assim, estaremos sempre correndo atrás.

A brincadeira conseguia demonstrar isso em poucos minutos.

Foi isso que achei particularmente interessante no Kander Challenge. A atividade não começava com uma exposição sobre sustentabilidade para depois propor um jogo que ilustrasse o conceito. Fazia o contrário.

Primeiro criava o problema.

Os participantes corriam, disputavam, tentavam encontrar uma estratégia e percebiam, pela própria experiência, a dificuldade de vencer. Só depois vinha a pergunta: o que aconteceu aqui?

A reflexão passava então a ter uma experiência concreta à qual se apoiar.

Talvez esteja aí uma das forças do jogo como instrumento educativo. Uma explicação transmite uma ideia. Uma experiência bem construída obriga a pessoa a encontrá-la.

No Clean up the Earth, ninguém precisava fazer uma longa palestra para explicar que não existe sistema de limpeza capaz de compensar indefinidamente uma produção crescente de resíduos. Bastavam uma corda, algumas dezenas de garrafas e dois grupos correndo em direções opostas.

Às vezes, ensinar é justamente isso: construir uma situação na qual a conclusão deixa de precisar ser anunciada porque acaba sendo descoberta.

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Dois estudos da Comlurb sobre desperdício de alimentos

 


A Comlurb divulgou a participação de profissionais do Centro de Pesquisas e da DTE em dois artigos científicos sobre desperdício de alimentos. Bianca Quintaes, Alessandra Lourenço e André Menescal participam do estudo sobre resíduos alimentares em escolas; Bianca, Alessandra, André, Fábio Bocti e Bernardo Ornelas integram o trabalho sobre desperdício de alimentos domiciliar no Rio de Janeiro, em colaboração com pesquisadores universitários. Há uma pequena divergência na comunicação interna: ela informa que os dois trabalhos foram publicados na Waste Management & Research, mas os arquivos anexos mostram que o primeiro saiu nessa revista e o segundo foi publicado na revista Waste, da MDPI.





O artigo “Unveiling food waste in schools based on a low-cost and simplified approach to waste assessment” analisou o desperdício de alimentos em 20 escolas públicas do Rio, envolvendo aproximadamente 9 mil estudantes. O método combinou entrevistas com gestores e análise da composição dos resíduos, evitando a pesagem individual dos restos de cada prato. Os resultados mostraram uma diferença importante entre percepção e medição: 65% dos gestores não consideravam o desperdício alimentar um problema relevante, enquanto a análise indicou que cerca de 57% dos resíduos orgânicos poderiam ser evitados. O desperdício médio nos pratos foi estimado em 37 gramas por aluno e o desperdício na cozinha em 31 gramas; arroz e feijão apareceram com destaque entre os alimentos descartados. O estudo conclui que medir é uma etapa necessária antes de definir intervenções e apresenta o método utilizado como uma alternativa de baixo custo e pouca interferência na rotina escolar.

O segundo trabalho, “A Three-Year Assessment of Food Waste in Rio de Janeiro Municipality (Brazil): A First Step Toward Understanding the Issue in Brazil”, analisou amostras de resíduos domiciliares coletadas entre 2021 e 2023 em 155 bairros, abrangendo nove regiões da cidade. Foram examinados aproximadamente 24 mil quilos de resíduos alimentares. No período, a matéria orgânica representou, em média, 47,7% dos resíduos domiciliares analisados; dentro do desperdício alimentar, frutas, verduras e saladas responderam por 70,8%, enquanto a categoria formada principalmente por arroz, feijão, grãos e pequenas partículas representou 18,2%. O estudo identificou diferenças de composição entre regiões e ao longo do tempo e conclui que o monitoramento continuado é necessário para formular estratégias locais de prevenção do desperdício, recuperação de alimentos, reciclagem e tratamento da fração orgânica.

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Quando a sustentabilidade namora com o greenwashing



A mensagem institucional é bonita e, em parte, justa. A Comlurb de fato protege o meio ambiente todos os dias quando coleta e dá destinação adequada a milhares de toneladas de resíduos, preservando rios, lagoas, praias, áreas verdes e a saúde pública. O problema começa quando esse papel estrutural, que já é próprio da limpeza urbana, passa a ser apresentado como prova suficiente de uma sustentabilidade mais ampla, quase como se a Companhia já tivesse mudado de patamar. É aí que meu ceticismo aparece: sem política pública consistente e sem escala real nas ações anunciadas, a sustentabilidade começa a namorar com o greenwashing.

Não estou dizendo que nada exista. O próprio texto cita iniciativas importantes: coleta seletiva, caminhões movidos a biometano, banco de alimentos, valorização de resíduos e economia circular. Tudo isso aponta na direção correta e seria leviano desprezar. O problema não é a existência das ações, mas sua capacidade de alterar de fato o modelo. Há programas que existem mais para demonstrar sensibilidade ambiental do que para reorganizar estruturalmente a operação. Quando isso acontece, a sustentabilidade deixa de ser eixo e vira vitrine.

O caso da coleta seletiva é o mais emblemático. Ela aparece há anos no discurso institucional como sinal de modernidade, responsabilidade ambiental e inclusão produtiva. Mas o sistema protocolar, sem alavancagem e sem a escala necessária para mudar o padrão dominante de destinação, acaba produzindo um resultado frustrante: a ação existe, mas não desloca o centro de gravidade do modelo. É como se a sustentabilidade fosse convidada a posar para a foto, mas não a participar da decisão estratégica.

O mesmo raciocínio vale para os demais exemplos celebrados. Biometano é avanço, sem dúvida. Banco de alimentos também. Mas ações isoladas, por mais meritórias que sejam, não bastam para autorizar a frase mais ambiciosa do texto: a de que a sustentabilidade estaria “no DNA da Comlurb”. DNA institucional não se prova por enumeração de boas iniciativas; prova-se por escala, centralidade orçamentária, indicadores consistentes e capacidade de alterar a lógica dominante da operação. O próprio comunicado fala em “ampliação de projetos sustentáveis” e em “novas oportunidades de geração de receita associadas à economia circular”. Pois bem: é exatamente aí que o discurso precisará ser cobrado.

No fim, reconheço sem dificuldade que a Comlurb exerce diariamente uma função ambiental essencial. Isso é verdadeiro e merece ser dito. Mas uma coisa é proteger o meio ambiente por força do serviço básico de limpeza urbana; outra, bem diferente, é afirmar que a sustentabilidade já se tornou um vetor transformador da Companhia. Enquanto a coleta seletiva seguir protocolar e as demais iniciativas permanecerem sem escala suficiente para modificar o modelo, continuarei achando que a sustentabilidade existe mais para ser mencionada do que para reorganizar a realidade. E quando o discurso cresce mais rápido do que a mudança, o nome disso costuma ser outro.

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Biometano: quando a inovação finalmente encontra o seu tempo


Primeira frota movida a biometano A Comlurb apresentou, nesta sexta (30/01), a primeira frota movida a biometano! 

Serão 100 novos veículos que vão fazer os serviços de coleta domiciliar, remoção de lixo público e apoio às atividades de manutenção, operação e limpeza dos ecopontos em bairros nas Zonas Oeste e Sudoeste. Os modelos apresentam desempenho equivalente aos movidos a diesel, mas com redução em até 90% em emissões de gases de efeito estufa. Os ganhos ambientais incluem ainda menor nível de ruído, contribuindo para operações urbanas mais silenciosas e com menor impacto sonoro em áreas residenciais e turísticas. 

O biometano é um combustível 100% sustentável e a adoção da tecnologia limpa marca a tendência da Comlurb de descarbonização da frota em operação na cidade, alinhando inovação operacional à responsabilidade socioambiental. A frota será abastecida com o combustível renovável produzido a partir do lixo gerado no próprio município no Centro de Tratamento de Resíduos (CTR-Rio), em Seropédica. 

Compromisso com a sustentabilidade, inovação e melhoria da qualidade de vida da população carioca



Comentário:

A notícia da entrada em operação da primeira frota da Comlurb movida a biometano merece ser registrada não apenas pelo seu valor ambiental imediato, mas também pelo que ela revela sobre o tempo da inovação. Em 30 de janeiro de 2026, a Companhia apresentou 100 novos veículos destinados à coleta domiciliar, à remoção de lixo público e ao apoio à manutenção e limpeza dos ecopontos, com abastecimento por combustível renovável produzido a partir dos próprios resíduos do município. A proposta combina descarbonização da frota, redução de ruído e economia circular em uma escala operacional relevante.

Mas o aspecto mais interessante dessa notícia talvez não esteja apenas no presente. Está no passado que a tornou possível.

Em organizações públicas, sobretudo nas áreas operacionais, existe uma tendência recorrente ao imediatismo. Valoriza-se aquilo que aparece rapidamente e subestima-se o que exige maturação técnica, continuidade institucional e persistência. A inovação, porém, raramente obedece ao calendário da ansiedade. Muitas vezes, uma boa ideia precisa atravessar décadas, sobreviver a mudanças de gestão, limitações orçamentárias, barreiras tecnológicas e até ao ceticismo interno antes de se converter em realidade. Foi assim, ao que tudo indica, com o aproveitamento energético dos resíduos na Comlurb.

Há registros de que a Companhia, ainda nos anos 1980, já buscava alternativas energéticas associadas ao lixo urbano, em meio ao contexto de crise de energia e às primeiras experiências de recuperação de gás no Caju. Mais tarde, a agenda evoluiu para estudos de tratamento mais sofisticado da fração orgânica, biodigestão anaeróbia e aproveitamento do biogás com maior valor energético. Em 2010, a cooperação formal entre Comlurb e Coppe/UFRJ reforçou esse caminho ao avaliar a viabilidade técnica e ambiental de unidades de tratamento no Caju, com foco em soluções mais avançadas para o destino final dos resíduos.

Esse percurso ajuda a compreender por que a frota a biometano de 2026 não deve ser vista como um gesto isolado de modernização, mas como a colheita tardia de um processo longo. Entre a concepção e a implementação houve dificuldades conhecidas: custo de purificação do gás, necessidade de infraestrutura específica de abastecimento, adaptação tecnológica dos motores e maturação do próprio mercado brasileiro de biocombustíveis. O país, aliás, ainda explora parcela limitada do potencial energético do biogás gerado em aterros e unidades de resíduos, o que mostra que experiências como essa continuam sendo mais exceção do que regra.

Por isso, a notícia deve servir também como homenagem. Homenagem aos engenheiros, operadores, pesquisadores, dirigentes e trabalhadores que participaram das fases menos visíveis desse processo — justamente aquelas em que quase nada parecia pronto e tudo ainda precisava ser demonstrado. A inovação madura costuma ser injusta com seus pioneiros: quando finalmente chega às ruas, tende a apagar o esforço de quem a sustentou quando ela ainda era apenas hipótese, relatório técnico, planta piloto ou experimento de garagem.

Em serviços públicos, esse reconhecimento importa. Instituições aprendem mal quando tratam cada realização como se tivesse começado no mandato atual, no contrato atual ou na gestão atual. A memória técnica não é ornamento; ela é parte da capacidade de inovar. Esquecer o caminho percorrido empobrece o presente e dificulta o futuro.

A frota a biometano tem mérito por seus resultados ambientais e operacionais. Caminhões com desempenho equivalente ao diesel, menor emissão de gases de efeito estufa e menor impacto sonoro representam avanço concreto para uma cidade complexa como o Rio de Janeiro. Mas há um mérito adicional, menos visível: ela nos lembra que boas ideias não devem ser descartadas apenas porque ainda não encontraram as condições de viabilidade.

Em inovação, convém desconfiar da pressa e respeitar a maturação. Nem toda ideia adiada está errada. Algumas apenas chegaram antes do seu tempo.

E quando esse tempo finalmente chega, o mínimo que se deve fazer é celebrar o resultado sem esquecer a travessia.

terça-feira, 9 de setembro de 2025

O Rio rumo à liderança nacional na recuperação de resíduos

Jorge Arraes - presidente da Comlurb


Como parte do Programa de Governo, a Comlurb assumiu compromisso de até 2028, posicionar o Rio de Janeiro entre as cinco cidades brasileiras com o maior índice de recuperação dos resíduos sólidos urbanos (RSU). Assinar este compromisso é mais do que um desafio técnico ou operacional: é assumir a responsabilidade de transformar a forma como nossa cidade lida com seus resíduos. Estamos plenamente mobilizados para alcançar essa meta ousada.

À frente da Comlurb, sei que essa jornada exige visão de futuro, inovação e, sobretudo, engajamento coletivo. Não se trata apenas de gestão de resíduos, mas de uma mudança de cultura que vai beneficiar o meio ambiente, a economia e a qualidade de vida de todos os cariocas.

Para estruturar essa caminhada, estamos atuando em três projetos estratégicos. O Rio Recicla Mais, com aprimoramento da coleta seletiva, implantando novos Ecopontos, serão 100 até o fim de 2025, apoiando o fortalecimento de cooperativas de catadores e estabelecendo parcerias com a indústria da reciclagem.

No Rio Mais Orgânico, o foco está em transformar resíduos orgânicos – restos de alimentos e resíduos de poda, em energia limpa, biogás, Biometano e eletricidade. Além da compostagem que contribui para a agricultura familiar. O Ecoparque do Caju é um laboratório vivo que demonstra a viabilidade destas soluções.

E por último, o Rio Sem Entulho. Ainda este ano o Rio terá um Aterro em Gericinó dedicado para os Resíduos da Construção Civil, os chamados entulhos. Estamos trabalhando para melhorar a coleta desses materiais, com mais fiscalização e mais ecopontos. Além disso, vamos implantar unidades de processamento, para que eles sejam transformados em insumo.

Para fundamentar nossa caminhada, além de toda a experiência do corpo técnico da Comlurb, estabelecemos parcerias com entidades acadêmicas, organismos multilaterais e o setor privado.

Nosso compromisso é claro: reduzir o envio de resíduos ao aterro sanitário, reaproveitar os materiais e gerar benefícios concretos para a cidade. O que antes era descartado passa a ser insumo valioso para a economia circular. Ao avançarmos nessa direção, além de gerar oportunidades de renda e inclusão social, estamos contribuindo para as metas globais de redução de emissões de gases de efeito estufa, promovendo a resiliência urbana e reforçando o protagonismo do Rio de Janeiro como referência em gestão de resíduos.

Estamos diante de uma oportunidade histórica. Com trabalho sério, inovação e engajamento da sociedade, vamos transformar problemas em soluções e desafios em conquistas. O Rio de Janeiro tem vocação para ser exemplo — e juntos vamos provar que é possível construir uma cidade mais limpa, sustentável e inclusiva.

Jorge Arraes é presidente da Comlurb

sexta-feira, 18 de julho de 2025

Usina de valorização de resíduos como ponto de lazer

O vídeo descreve uma usina de energia em Copenhague, na Dinamarca, que transforma lixo em energia e tem uma pista de esqui no telhado. É considerada a usina mais limpa do mundo, recebendo de 250 a 350 caminhões de resíduos por dia e fornecendo aquecimento e eletricidade para 90.000 pessoas . As emissões são tratadas para liberar apenas vapor.

A usina foi projetada por Bjarke Ingels e inclui um parque público no telhado com uma pista de esqui de material artificial, a parede de escalada artificial mais alta do mundo, e áreas para caminhada e corrida. A sustentabilidade é evidente com mais de 200 espécies de vegetação e uma fachada de alumínio reciclado e vidro. O objetivo arquitetônico foi transformar um local indesejável em um ponto de lazer para a cidade 


sexta-feira, 4 de julho de 2025

Seminário "Sustentabilidade na Gestão de Resíduos Sólidos"


A FGV Projetos e a Lavoro Solutions realizaram o seminário "Sustentabilidade na Gestão de Resíduos Sólidos" em 30 de junho e 1º de julho. O evento reuniu especialistas para discutir os desafios e perspectivas da gestão de resíduos no Brasil, abordando temas como a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), economia circular e logística reversa.

A abertura contou com a participação de Luiz Carlos Duque (FGV Projetos) e João Gianesi (Instituto Valoriza Resíduos by ABLP). Carlos Martins, ex-Secretário de Estado do Ambiente de Portugal, apresentou o caso de sucesso de seu país na erradicação de lixões. O seminário destacou a importância de aumentar a reciclagem, reduzir a geração de resíduos e garantir a destinação final adequada para um futuro mais sustentável.

Você pode encontrar mais detalhes no site oficial: FGV Projetos - Seminário Sustentabilidade na Gestão de Resíduos Sólidos


A notícia: 

Comlurb no Seminário Internacional “Sustentabilidade na Gestão dos Resíduos”

O presidente Jorge Arraes foi palestrante no Seminário Internacional “Sustentabilidade na Gestão dos Resíduos”, que aconteceu nos dias 30/06 e 01/07, na Fundação Getúlio Vargas (FGV). Ele debateu no painel "Infraestruturas Operacionais e Tecnologias Adaptadas à Realidade Brasileira de Coleta, Tratamento, Valorização e Destinação Final dos Resíduos Sólidos". O diretor de Limpeza Urbana (DLU), Alexandre Campos, também participou da apresentação.

“São cerca de 30 atividades diferentes, o que exige da gente um planejamento técnico muito específico e estratégico, obviamente sem falar das emergências e dos grandes eventos,” explicou Arraes sobre as muitas responsabilidades da Companhia.

O engenheiro especialista José Henrique Penido (DTE) foi mediador no tema "Estudos e Projetos de Viabilidade e Modelagem Econômico - Financeira e Tarifária na Limpeza Urbana e na Gestão dos Resíduos Sólidos para Concessões e PPP".

O evento terminou nessa quarta-feira (02/07) com uma visita técnica ao CTR-Rio, em Seropédica, operada pela concessionária Ciclus Ambiental.

O seminário, promovido pela FGV, com apoio da LAVORO Solutions e iniciativa do Instituto Valoriza Resíduos (IVR), teve como objetivo promover soluções sustentáveis para o manejo de resíduos sólidos urbanos, fortalecer a regulação e fomentar investimentos no setor.




Comlurb Apres Arraes Sem FGV by Gustavo Puppi on Scribd

terça-feira, 1 de julho de 2025

Quando não roçar é melhor que roçar


"Deliberately overgrown Wild for Wildlife"

Tradução: "Intencionalmente coberto/selvagem para a Vida Selvagem" (ou "Propositalmente crescido/selvagem para a Vida Selvagem")

Deixar áreas "deliberadamente selvagens" cria habitats vitais para a biodiversidade, fornecendo refúgio e alimento para insetos, aves e pequenos mamíferos. Essa prática essencial apoia a saúde ecossistêmica e os serviços ambientais, como a polinização, fundamentais para a conservação e o equilíbrio entre a natureza e a ação humana.



 

A Importância do Inventário de Emissões de GEE


Para qualquer empresa ou organização, pública ou privada, saber de onde vêm suas emissões de GEE é o ponto de partida para qualquer ação climática efetiva. É como disse Marcelo Sicri, Coordenador de Sustentabilidade da Comlurb: o inventário permite identificar os maiores geradores de GEE, planejar ações de redução, aumentar a eficiência energética e estruturar políticas de sustentabilidade alinhadas com as metas climáticas.

Além de ser uma ferramenta de gestão ambiental, o inventário de emissões está se tornando uma exigência legal. A Lei Federal nº 15.042/2023 já estabelece a obrigatoriedade para empresas de médio e grande porte, com regulamentação prevista para 2025 e entrada em vigor em 2026. Isso mostra que a sustentabilidade não é mais uma opção, mas uma necessidade estratégica e legal.


A Contribuição da Consultoria Enform

Nesse contexto, a Consultoria Enform (https://enform.ai/) surge como um parceiro valioso. Empresas como a Enform são especializadas em auxiliar organizações a mapear, quantificar e compreender suas emissões de GEE. Isso é crucial, especialmente quando o objetivo é internalizar o conhecimento técnico, capacitando equipes internas para que possam, futuramente, elaborar e atualizar o inventário de forma autônoma – um dos objetivos centrais da Comlurb. A expertise de consultorias como a Enform garante a precisão e a conformidade dos dados, além de acelerar o processo.


Alerta: ESG Não é Greenwashing!

É importante ressaltar que iniciativas como o inventário de GEE devem ser genuínas e fazer parte de uma estratégia ESG (Ambiental, Social e Governança) robusta. Devemos estar sempre atentos para que tais ações não se tornem mero greenwashing, ou seja, uma fachada para aparentar ser sustentável sem um compromisso real com a redução de impactos. O inventário de emissões é uma ferramenta de transparência e, quando bem executado e comunicado, demonstra um compromisso verdadeiro com a sustentabilidade. A Comlurb, ao buscar a conformidade legal e a internalização do conhecimento, mostra que está no caminho certo para uma agenda de sustentabilidade sólida e eficaz.

Que outras empresas se inspirem nesse movimento e priorizem a transparência e a ação climática!



 A notícia:

 Comlurb realiza seu primeiro Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa

A Comlurb iniciou, pela primeira vez em sua história, a elaboração de seu Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE). A iniciativa, conduzida pela Coordenadoria de Sustentabilidade em parceria com a Consultoria Enform, tem o objetivo de mapear, quantificar e compreender a origem das emissões de gases de efeito estufa (GEE) associadas às atividades operacionais e administrativas da companhia.

“O inventário de emissões permitirá identificar os maiores geradores de GEE da Comlurb e planejar ações de redução, além de aumentar a eficiência energética e permitir a estruturação de políticas de sustentabilidade, alinhadas com as metas climáticas da Cidade do Rio de Janeiro”, afirmou Marcelo Sicri, Coordenador de Sustentabilidade da Companhia,

A elaboração do inventário também antecipa o cumprimento da Lei Federal nº 15.042/2023, que estabelece a obrigatoriedade de elaboração e divulgação anual de inventários de emissões para empresas públicas e privadas de médio e grande porte. A lei será regulamentada ainda em 2025, e a obrigatoriedade deverá entrar em vigor a partir de 2026.

“Além de garantir conformidade legal, o inventário abre portas para novas oportunidades na Comlurb, como o acesso a mercados de carbono, captação de recursos para projetos sustentáveis, parcerias institucionais e maior transparência junto à sociedade”, completou.

Um dos objetivos centrais desta iniciativa é internalizar o conhecimento técnico para elaboração do inventário de emissões, capacitando servidores da Comlurb para que, futuramente, uma equipe multidisciplinar da Companhia seja capaz de elaborar e atualizar o inventário de forma autônoma.

Esse é um passo estratégico da Comlurb na consolidação de sua agenda de sustentabilidade e combate às mudanças climáticas, reforçando seu compromisso com a cidade e o meio ambiente.




sexta-feira, 20 de junho de 2025

Visita Técnica à Solví: Um Passo Estratégico para a Excelência em Resíduos no Rio


A recente visita do presidente da Comlurb, Jorge Arraes, e dos diretores Alexandre Campos (DLU) e Edson Rufino (DTE) à Solví em São Paulo destaca a importância fundamental das visitas técnicas. Esses encontros permitem que líderes e equipes conheçam de perto inovações e as melhores práticas aplicadas por empresas especializadas, impulsionando a troca de conhecimentos e a busca por soluções mais eficazes na gestão de resíduos e na construção de uma cidade mais verde. É uma ação estratégica que reforça o compromisso da Comlurb com a excelência operacional e a sustentabilidade.

Solví: Liderança em Soluções Sustentáveis de Resíduos

A Solví é uma empresa líder em soluções integradas de resíduos, atuando em diversas frentes para a gestão sustentável. Sua expertise abrange:

  • Manejo de Resíduos Urbanos: Gestão completa desde a coleta até o tratamento.

  • Valorização Energética: Transformação de resíduos em energia, contribuindo para a matriz energética limpa.

  • Tratamento e Disposição Final: Soluções ambientalmente adequadas para o descarte de resíduos.

  • Economia Circular: Iniciativas que promovem a reutilização e o reaproveitamento de materiais.

  • Serviços Especiais: Atendimento a emergências ambientais, treinamentos e simulados, demonstrando um compromisso abrangente com a segurança e a prevenção.

Com uma atuação diversificada, a Solví se posiciona como um player essencial na busca por um futuro mais sustentável, oferecendo modelos de operação e tecnologias que podem inspirar e otimizar a gestão de resíduos no Rio de Janeiro.

O Futuro da Gestão de Resíduos no Rio

Investir em gestão sustentável de resíduos e economia circular é crucial para o Rio de Janeiro. No contexto de um volume crescente de resíduos gerados, é imperativo adotar modelos que minimizem o impacto ambiental, promovam a economia circular e gerem valor a partir do que antes era descartado. A visita da Comlurb à Solví é um sinal claro de que a cidade está atenta a essas necessidades e buscando parcerias e inovações para construir um futuro mais verde e próspero para todos, com um foco contínuo na excelência operacional e na sustentabilidade.

A notícia

Visita técnica dos gestores da Comlurb à empresa Solví em São Paulo

O presidente, Jorge Arraes, o diretor de Limpeza Urbana (DLU), Alexandre Campos, e o diretor Técnico e de Engenharia (DTE), Edson Rufino, foram a São Paulo conhecer a empresa de soluções em resíduos, Solví. A instituição atua nas áreas de manejo de resíduos urbanos, valorização energética e tratamento e disposição final, além de economia circular e em serviços especiais, como atendimentos a emergências ambientais, treinamentos e simulados, entre outros.

Uma ação estratégica que permite o contato com novas tecnologias e diferentes modelos de operação. Uma prática que reforça o compromisso da gestão da Comlurb com a excelência operacional e de sustentabilidade.



sábado, 7 de junho de 2025

No Dia do Meio Ambiente, Comlurb participa da revitalização de novo trecho do manguezal do Caju

No Dia Mundial do Meio Ambiente (05/06), foi iniciada a revitalização de mais um trecho do manguezal do Caju, na Zona Portuária do Rio. A equipe da DLU/LRS começou os trabalhos de limpeza na manhã dessa quinta-feira, em parceria com o biólogo Mário Moscatelli, consultor da concessionária Águas do Rio e responsável pela coordenação da recuperação ambiental da área. O último trecho limpo pela Comlurb no local havia sido em outubro de 2024.

A ação é fundamental para a recuperação dos manguezais. A simples retirada de lixo permite que a área se regenere rapidamente. Com a limpeza, as árvores voltam a produzir sementes, que caem na lama e produzem novas mudas. Esta época do ano é propícia ao florescimento. Um dos efeitos mais positivos da regeneração é o retorno da fauna ao local, especialmente capivaras, aves e crustáceos característicos desse ecossistema. Com o mutirão, o objetivo é recuperar 4,6 hectares e ampliar o manguezal em mais 3,6 hectares.

Parabéns, equipe da LRS!




sexta-feira, 6 de junho de 2025

Comlurb destaca protagonismo ambiental na Semana do Meio Ambiente

A criação da Coordenadoria de Sustentabilidade (CSUS) representa, na prática, a repaginação do Escritório de Sustentabilidade Ambiental de 2017. A diferença não está no nome, mas na capacidade de transformar discurso em prática consistente, com resultados mensuráveis e permanentes. Sustentabilidade na Comlurb não pode ser marketing: precisa ser ação estratégica, integrada à operação e comunicada com transparência, para que a imagem da Companhia esteja sempre alinhada à realidade de suas entregas.

ARTIGO

Criada com a missão de estruturar e implementar as ações de sustentabilidade na Comlurb, a Coordenadoria de Sustentabilidade (CSUS) vem se consolidando como um núcleo estratégico para alinhar a Companhia às metas climáticas da cidade do Rio de Janeiro e aos compromissos internacionais assumidos junto à ONU.

A CSUS atua no desenvolvimento de projetos voltados à economia circular, à redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE) e à valorização de resíduos sólidos, contribuindo para uma operação mais eficiente, limpa e inovadora.

Na Semana do Meio Ambiente, a Comlurb celebra os avanços dessa frente e reforça seu papel como protagonista das metas ambientais do município. Um dos destaques recentes foi a participação da CSUS na Conferência de Clima e Ar Limpo realizada em Brasília. O evento, promovido pela Coalizão C40, reuniu representantes de governos do mundo todo para debater caminhos rumo à neutralidade de carbono.

Na ocasião, o Rio de Janeiro foi apresentado como referência nacional, destacando o papel da Comlurb no cumprimento de duas metas fundamentais: a redução de 20% das emissões de GEE até 2030 e a redução de 80% na destinação de resíduos orgânicos para aterros sanitários no mesmo período.

Ser protagonista nesse cenário exige planejamento, inovação e ação. Nosso papel na CSUS é justamente integrar a sustentabilidade à operação da Companhia de forma definitiva e estratégica.

Entre os projetos em andamento, dois se destacam pelo alinhamento direto com as metas de descarbonização: a parceria com empresas privadas, que permitirá a valorização de resíduos recicláveis coletados pela própria Comlurb, e o início dos estudos para implantação de uma usina fotovoltaica no antigo aterro de Gramacho.

Além disso, a CSUS coordena a proposta de criação de uma biorrefinaria no Ecoparque do Caju, voltada para o aproveitamento energético de resíduos orgânicos e produção de combustíveis limpos como o biometano.

Durante esta semana simbólica, a Comlurb também inicia a elaboração do primeiro Inventário de Emissões de GEE de empresas públicas do município. A ferramenta permitirá mapear a pegada de carbono da companhia, orientar ações de mitigação e preparar o terreno para futuras iniciativas de compensação e geração de créditos de carbono.

A construção desse inventário é um passo decisivo para entendermos onde estão os principais focos de emissão e como podemos agir com mais eficiência. Além disso, abre caminho para que a Comlurb atue no mercado de carbono, transformando ações ambientais em ativos econômicos.

A meta da atual gestão é consolidar a CSUS como uma área permanente e estratégica dentro da estrutura organizacional da Comlurb. Mais do que um núcleo de projetos ambientais, a coordenadoria vem se tornando um catalisador de inovação e boas práticas, contribuindo para que a Comlurb avance rumo a um modelo de operação cada vez mais limpo, moderno e circular.




quarta-feira, 14 de maio de 2025

Compostagem de biorresíduos: uma revolução necessária

Os usos são múltiplos: desde abastecimento de frotas da própria coleta urbana ou injeção de gás no sistema gerador de eletricidade

Por Emanuel Alencar 

Desde que os humanos nos organizamos em cidades, a disposição dos resíduos tem sido um grande desafio civilizatório. Em seu essencial livro “Lixo, vanitas e morte: considerações de um observador de resíduos (2003)”, Emílio Maciel Eigenheer descortina a sempre complicada e dura relação de nossa espécie com o “inservível”. O assunto está, pois, prenhe de tabus, interdições e preconceitos – tudo intimamente conectado ao drama humano relativo à morte. Falar de resíduos constrange, inibe. Não queremos versar sobre a finitude. Mas há alguns caminhos que sugerem horizontes possíveis menos danosos ao ambiente e à coletividade. Prática bastante difundida em alguns países europeus – como Alemanha, Áustria, Itália – a recuperação dos biorresíduos (restos de podas de árvores e jardinagem ou de alimentos) precisa ser destravada no Brasil.


O conceito é a redução ao máximo da disposição final do lixo nosso do dia-a-dia em aterros sanitários (medida mais do que urgente quando o assunto é a sustentabilidade), aliada a um ganho de energia. Na Áustria, 40% de todos os resíduos voltam para a terra, em forma de adubo. Há 13 anos a Itália pisa no acelerador em processos de transformação de seus biorresíduos em fertilizantes, biogás e biometano. Portugal desde 2020 tem lei específica que obriga a coleta seletiva dos orgânicos pelos municípios. Os usos são múltiplos: desde abastecimento de frotas da própria coleta urbana ou injeção de gás no sistema gerador de eletricidade. O que seria desperdiçado – num processo gerador de gases do efeito estufa – passa a ser aproveitado. A tal circularidade, tão desejada. Golaço.

Talvez nossa sociedade ainda não esteja pronta para para fazer a separação dos resíduos orgânicos em casa, muito menos para a compostagem doméstica ou comunitária. Vivemos em clima tropical, e o acondicionamento de restos de comida em apartamentos pode enfrentar dificuldades diversas. Nas escolas, a educação ambiental ainda é peça de ficção, ou está muito distante do ideal. Entretanto, nada pode explicar os índices praticamente inexistentes de compostagem em todo o país, a não ser uma extrema letargia de empresas, governos e sociedades.

Metade da geração diária de lixo domiciliar na cidade do Rio (3,5 mil das 7 mil toneladas) é composta de biorresíduos. Na usina do Caju, a Comlurb pratica a compostagem há anos. O problema é que a quantidade é ainda irrisória (150 toneladas por mês, o que representa 0,14% da fração orgânica gerada – o patamar já foi mais alto). São saudáveis e incríveis as iniciativas como a das empresas Ciclo Orgânico e Casca, com assinaturas mensais para quem separar os biorresíudos em baldinhos. Mas apostar na compostagem como política pública é uma revolução necessária. Precisamos começar imediatamente.


Emanuel Alencar

Jornalista e mestre em Engenharia Ambiental. É autor dos livros "Baía de Guanabara - Descaso e Resistência" (2016) e "Histórias do mangue da Guanabara" (2024). Faz parte da ONG Grupo Ação Ecológica (GAE) e do conselho consultivo do Bosque da Barra.

terça-feira, 25 de março de 2025

Ecoparque do Caju da Comlurb é destaque em conferência internacional sobre clima

Ecoparque do Caju da Comlurb é destaque em conferência internacional sobre clima

O Banco de Alimentos funciona no antigo refeitório do Ecoparque, que foi totalmente reformado para o projeto - Divulgação

O Ecoparque do Caju, da Comlurb, foi destaque da Conferência Internacional sobre Clima e Ar Limpo 2025, organizada pela ONU. O projeto participou da sessão “Breakthrough Ambitions in Organic Waste”, sendo um modelo de gestão inspirador para outros países. O evento foi realizado em Brasília e contou com diversas autoridades brasileiras e estrangeiras. Os projetos apresentados são exemplos de bom uso de recursos financeiros, de fundos nacionais e internacionais, para a implantação de tecnologias de baixo carbono e alto impacto social.

Dentro do Ecoparque do Caju, a Comlurb promove diversas ações de cunho ecológico, como a operação de uma Unidade de Biometanização, que transforma resíduos orgânicos em biogás e energia elétrica e abastece uma estação de recarga de carros elétricos da companhia. Além disso, no local é realizado um moderno processo de produção e beneficiamento de composto orgânico, insumo que fomenta a Agricultura Urbana no município. O ecoparque também possui um robusto equipamento de Processamento Mecânico de Resíduos de Poda, que produz cavaco de madeira para compostagem e para reaproveitamento energético na indústria cerâmica.

Outra iniciativa de destaque é o Banco de Alimentos, que contribui para a redução do desperdício de alimentos e promoção da segurança alimentar, já que doa o excesso não comercializado em lojas do supermercado Zona Sul, mas em ótimas condições nutricionais de consumo, para famílias em situação de vulnerabilidade social que vivem no bairro do Caju, uma das regiões com menor índice de desenvolvimento humano do Rio.

Os projetos do Ecoparque, apresentados em um stand pelo coordenador de Projetos da Comlurb, Bernardo Ornelas, demonstraram como uma gestão mais sustentável, circular e transversal dos resíduos orgânicos pode ser implementada nos municípios, associando a ação climática à promoção da segurança alimentar, agricultura urbana, geração de energia limpa e melhoria da saúde pública.

O coordenador de Sustentabilidade da Companhia, Marcelo Sicri, também fez uma apresentação na conferência, quando anunciou a adesão do Rio de Janeiro à iniciativa Lowering Organic Whaste Methane (LOW-M), que visa reduzir, em cidades estratégicas, as emissões de metano no setor de resíduos orgânicos. O profissional destacou a Comlurb como protagonista nesta meta, por meio da substituição de parte da frota diesel por caminhões movidos com o biometano produzido no Centro de Tratamento de Resíduos  CTR- Rio, em Seropédica, e também pelo trabalho de compostagem da Companhia, essencial para o desenvolvimento da agricultura urbana e combate à insegurança alimentar.

– Participar de um evento deste porte é muito importante para dar visibilidade às ações da Comlurb, que vão além da limpeza urbana e também porque possibilita atrair investimentos para novos projetos – pontuou.

domingo, 23 de março de 2025

Em dois anos, país aumenta reciclagem de embalagens PET em 14%

Mesmo assim, reciclagem ainda está abaixo do potencial

Bruno Bocchini - repórter da Agência Brasil

Brasília (DF), 24/03/2025 - Centro de reciclagem de garrafa pet. Foto: Edmar Chaperman/Funasa© Edmar Chaperman/Funasa

O Brasil reciclou 410 mil toneladas de embalagens PET em 2024, montante 14% superior às 359 mil toneladas recicladas 2022, segundo a 13ª edição do Censo da Reciclagem do PET no Brasil, divulgado nesta segunda-feira (24) pela Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet).

Apesar do resultado positivo, a entidade ressalvou que a falta de políticas públicas de coleta seletiva dificulta a destinação correta das embalagens descartadas pelos consumidores, o que está gerando ociosidade no setor. 

“As empresas recicladoras chegam a atuar com uma ociosidade média de 23%, chegando a picos de até 40%”,  destaca o presidente da Abipet, Auri Marçon. “Com isso, a indústria de reciclagem do PET está chegando no seu limite, por não ter a matéria-prima necessária para seus processos produtivos, ao mesmo tempo em que toneladas de embalagens são destinadas aos aterros comuns ou descartadas incorretamente no meio ambiente”, acrescenta.

Destino das PETs recicladas

De acordo com o censo, em 2024, o principal destino da resina reciclada das PETs – 37% do total – foi a fabricação de uma nova embalagem, utilizada principalmente pela indústria de água, refrigerantes, energéticos e outras bebidas não alcoólicas. O setor têxtil vem em segundo lugar, com um consumo de 24% da resina reciclada, seguido pela indústria química (13%), lâminas e chapas (13%), e fitas de arquear, utilizadas em empacotamento e fechamento de caixas (10%).

sábado, 15 de fevereiro de 2025

Inauguração das novas instalações da gerência de Paquetá

O isolamento da Ilha de Paquetá traz desafios operacionais que podem ser superados com uma visão de Gestão Integrada dos Resíduos Sólidos rompendo totalmente as fronteiras organizacionais. Paquetá é um microcosmo da Comlurb e ali deveria acontecer tudo que fosse inovador em gestão de resíduos e sustentabilidade! 

Entrega das novas instalações do posto de trabalho da Comlurb na Ilha de Paquetá (DLU/ LD21P) na sexta-feira, dia 14/02 .

Ainda durante a manhã, foi inaugurada uma placa em homenagem à D. Florise Teixeira da Silva Marques, figura icônica de Paquetá, conhecida como a vovó dos garis e musa do Bloco Boto.




sábado, 8 de fevereiro de 2025

Visita Técnica à Bem Verde Ambiental: Um Passo Essencial para a Sustentabilidade no Rio

A recente visita do presidente da Comlurb, Jorge Arraes, à Bem Verde Ambiental destaca a importância fundamental das visitas técnicas. Elas permitem que líderes e equipes conheçam de perto inovações e as melhores práticas, impulsionando a busca por soluções mais eficazes na gestão de resíduos e na construção de uma cidade mais verde.

Bem Verde Ambiental: Inovação e Sustentabilidade em Ação

A Bem Verde Ambiental é um modelo inspirador no cenário da gestão sustentável de resíduos e logística reversa. Como parte do Grupo Urca Energia, a empresa se dedica a transformar resíduos em recursos, combatendo o descarte inadequado e promovendo a economia circular.

Com um centro de tratamento e valorização que emprega tecnologia de ponta, a Bem Verde Ambiental não apenas transforma resíduos urbanos, industriais e comerciais em novos produtos e energia renovável, mas também oferece soluções especializadas para grandes companhias. Isso inclui sua unidade de triagem mecanizada patenteada, sistemas de logística reversa e a oferta de créditos ambientais (carbono, plásticos e logística reversa) para ajudar empresas a atingir suas metas ESG e de sustentabilidade. Além de todo o avanço tecnológico, a parceria com a Fundação Santa Cabrini reforça seu forte compromisso social, mostrando que inovação e responsabilidade podem andar de mãos dadas.

O Futuro da Gestão de Resíduos no Rio

Investir em gestão sustentável de resíduos e logística reversa é crucial para o Rio de Janeiro. No contexto de um volume crescente de resíduos gerados, é imperativo adotar modelos que minimizem o impacto ambiental, promovam a economia circular e gerem valor a partir do que antes era descartado.

A visita da Comlurb à Bem Verde Ambiental é um sinal positivo de que a cidade está atenta a essas necessidades e buscando parcerias e inovações para construir um futuro mais verde e próspero para todos. Reforçando essa busca por soluções, a Comlurb recebeu da Bem Verde Ambiental uma Manifestação de Interesse Privado (MIP) para o desenvolvimento de estudos técnicos, econômico-financeiros e jurídicos. O objetivo é modelar e estruturar um projeto voltado à triagem, valorização e destinação ambientalmente adequada dos resíduos sólidos coletados pela frota da Comlurb. Essa iniciativa destaca o potencial de colaboração entre o setor público e privado para impulsionar a sustentabilidade na gestão de resíduos da cidade.


A notícia:

Na sexta-feira (07/02), o presidente da Comlurb, Jorge Arraes, acompanhado do assessor da presidência, Marcelo Sicri, e dos diretores Ivo Marinho de Barros Junior (DJU) e Pedro Vasconcelos (DAF), visitou a empresa Bem Verde Ambiental, especialista em gestão de resíduos e logística reversa.

O centro de tratamento e valorização da Bem Verde conta com tecnologia de ponta, onde resíduos são transformados em novos produtos e energia renovável. A empresa também tem um importante trabalho social em parceria com a Fundação Santa Cabrini.

O encontro foi uma excelente oportunidade para conhecer novas tecnologias e conversar sobre estratégias, tudo em um ambiente inspirador.





sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

Prefeitura entrega 64 novos caminhões sustentáveis para a frota da Comlurb na Zona Norte


Publicado em 30/01/2025 

Ação foi antecipada em um mês e completa a previsão de 160 veículos para atender a Zona Norte - Divulgação

A Prefeitura do Rio entregou, nesta quinta-feira (30/1), 64 novos caminhões com tecnologia sustentável à frota da Comlurb na Zona Norte da cidade. A entrega foi antecipada em um mês e, com isso, a companhia de limpeza urbana completa 160 veículos para atuar no atendimento da coleta domiciliar e remoção de lixo público nos bairros da região.


Os novos caminhões seguem a norma de sustentabilidade Euro 6, protocolo que estabelece limites para a emissão de poluentes por veículos a diesel. A frota da Comlurb já segue essa regra desde 2024 com os caminhões emitindo em média 80% menos partículas poluentes em comparação aos anteriores.

– A gente vem fazendo um esforço muito grande de renovação da frota da Comlurb. Estávamos com uma frota antiga na Zona Norte, essa é a segunda parte da região que pega muito dos bairros que fazem fronteira com a Baixada Fluminense, uma área muito importante da cidade. Agora pedimos a colaboração da população porque custa caro e o que paga é o imposto das pessoas. Se tivermos mais civilidade a Prefeitura vai economizar, pelo menos, R$ 300 milhões por ano, um dinheiro que pode ir para a Saúde e para a Educação – afirmou o prefeito Eduardo Paes, durante o evento de apresentação dos novos caminhões no Parque Radical de Deodoro.

A renovação da frota da Comlurb na Zona Norte começou em 12 de janeiro. Agora, a leva de 64 veículos entregues completa o processo. Dos caminhões incorporados à companhia, 21 são compactadores, destinados ao serviço de coleta domiciliar; 20 são basculantes, para remoção de lixo público; 11 são minibasculantes, para operações em áreas de difícil acesso, como ruas estreitas e becos, especialmente em comunidades; sete são poliguindastes, para recolher resíduos de caixas de entulho; e cinco são pipas d´água, para lavagem de logradouros e limpeza de ruas após feiras livres e eventos.

Os veículos serão utilizados nos serviços da Comlurb em Vigário Geral, Honório Gurgel, Engenho da Rainha, Complexo do Alemão, Cordovil, Jardim América, Costa Barros, Pavuna, Fazenda Botafogo, Coelho Neto, Ricardo se Albuquerque, Anchieta, Complexo do Chapadão, entre outros.

Os veículos e equipamentos vão otimizar e dar um melhor ordenamento à coleta, garantindo mais eficiência e qualidade nos serviços da Companhia. Uma vantagem da nova frota é que todos os caminhões, inclusive os menores que trafegam em comunidades, possuem dispositivos para basculamento automático dos contêineres de 1.200 litros, o que torna a remoção do lixo mais rápida e eficiente.

– No início de janeiro entregamos a primeira leva e agora a segunda leva. Estamos entregando hoje veículos diferenciados. É uma frota nova, ambientalmente correta, pois polui cinco vezes menos do que a frota anterior. A eficiência e a produtividade, com certeza, vão aumentar. É uma nova vida de coleta na Zona Norte – disse o presidente da Comlurb, Jorge Arraes.



 

Mais equipamentos para a Zona Norte

Além da nova frota, a Zona Norte vai receber no total quase 8 mil contêineres de 1.200 litros, caixas compactadoras e caixas metálicas para deposição de resíduos. Contêineres e caixas serão instalados principalmente nas comunidades.

A região também recebeu 210 novas roçadeiras de alta tecnologia para o corte de mato e grama na cidade. Além de agilizar e tornar mais eficientes esses serviços, os equipamentos são mais leves, produzem menos ruídos, e contam com dispositivo que ameniza os efeitos dos esforços repetitivos na operação, garantindo mais conforto, saúde e qualidade de vida ao gari. São também mais ambientalmente sustentáveis, consumindo menos combustíveis e emitindo menos gases poluentes.


Reportagem O Dia



quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

Coleta seletiva: Rio recicla apenas 0,5% do lixo reciclável que produz

Opinião

O discurso de ampliação da coleta seletiva com recursos públicos apresenta fragilidades significativas quando analisado sob o conceito de logística reversa e a ideia de que a reciclagem deve ser financiada e operada prioritariamente pela iniciativa privada. O modelo atual transfere ao setor público a maior parte dos custos operacionais, enquanto as cooperativas lidam com materiais insuficientes ou de baixa qualidade para gerar renda sustentável, agravando a precariedade do sistema.

A reciclagem não é apenas uma questão de coleta seletiva, mas um mercado de commodities com grande potencial econômico. No entanto, ao negligenciar a participação obrigatória de fabricantes e importadores no financiamento e gestão dos resíduos gerados, o sistema atual falha em criar incentivos para a utilização de materiais reciclados pela indústria e para a sustentabilidade de toda a cadeia de valor. A logística reversa propõe a internalização dos custos ambientais pelas empresas, garantindo que a reciclagem seja financiada por quem coloca os produtos no mercado.

A profissionalização dos catadores é fundamental para transformar o sistema. Eles devem ser vistos como parceiros estratégicos da iniciativa privada, integrados a um modelo de negócios em que participem da coleta e triagem como empreendedores e agentes produtivos. Esse modelo elimina a dependência de subsídios governamentais, promovendo maior autonomia financeira e eficiência operacional. Empresas, por sua vez, poderiam contratar cooperativas para executar atividades dentro da cadeia logística reversa, garantindo remuneração justa e estabilidade.

Portanto, expandir a coleta seletiva sem reavaliar sua estrutura perpetua um sistema caro e ineficiente. É essencial que a iniciativa privada assuma seu papel, financiando a reciclagem, enquanto os catadores evoluem para uma posição de parceiros autossuficientes, possibilitando um sistema sustentável, inovador e alinhado às melhores práticas ambientais.


Segundo Comlurb, a quantidade de recicláveis que chega às cooperativas é muito pequena, são apenas 1.500 toneladas por mês. Apesar dos 21 anos de existência da coleta seletiva de recicláveis no Rio de Janeiro, o serviço ainda é invisível para boa parte da população.

Por Anita Prado, André Trigueiro, RJ2

A cidade do Rio de Janeiro recicla apenas 0,5% de todo o lixo misturado que o município envia por mês para o aterro sanitário de Seropédica, Baixada Fluminense. Segundo Comlurb, a quantidade de recicláveis que chega às cooperativas é muito pequena, são apenas 1.500 toneladas por mês.

Apesar dos 21 anos de existência da coleta seletiva de recicláveis no Rio de Janeiro, o serviço ainda é invisível para boa parte da população. O serviço prestado pela Comlurb é alvo de muita desconfiança.

A frota da coleta seletiva da Companhia Comlurb conta com apenas 16 caminhões para a cidade inteira, que circulam com aproximadamente 30% de espaço ocioso.

Os caminhões azuis que fazem a coleta seletiva podem misturar sem problemas papel, papelão, vidro, plásticos e metais. Misturar o chamado lixo seco não causa nenhum prejuízo à reciclagem. Só não pode misturar os recicláveis com o lixo orgânico, que são os restos de comida.

“Mistura todo o reciclável não é misturar tudo orgânico. Então cuidado, pode parecer que a gente vai lá com o caminhão azul e mistura o orgânico e reciclável, não é”, explica Edison San Romã, coordenador da coleta seletiva da Comlurb.



Entretanto, o RJ2 entrevistou muita gente que não acredita que os caminhões da coleta seletiva levem os recicláveis para o lugar certo.

“Acho que colocam tudo e vai para o aterro sanitário, algo do tipo. Se você não sabe para onde vai, porque você vai fazer na sua casa, se no final não vai ser correspondido teu trabalho em casa”, questiona Thiago Roldão.

“Não sei onde deixam tudo separado porque é lixo, é muito lixo”, diz Anete Braga.

“Você acha que eles separam isso tudo? Claro que não! Claro que não separam. Vai tudo para o lixão comum como sempre vai”, conta Frederico Costa.

“Acho que vai tudo para o mesmo lugar, por mais que a gente separe em casa”, diz Mateus Cabral

Para confirmar o caminho que fazem os materiais recicláveis recolhidos pelo caminhão azul, o RJ2 instalou um rastreador em materiais recicláveis coletados numa Rua do Jardim Botânico, Zona Sul do Rio, e acompanhou o deslocamento do caminhão azul sem que a Comlurb soubesse.

O veículo seguiu direto até a Rua Matapi, no Jacaré, Zona Norte do Rio, onde fica uma das cooperativas de catadores que participam do projeto.

“Tem a roteirização de todos esses caminhões, então todos os caminhões saem para um roteiro determinado e, no final, a gente também tem determinado qual é a cooperativa que eles vão levar através de um sistema de monitoramento de todos os caminhões via satélite.

 A quantidade do material reciclável que chega às cooperativas mal dá para garantir a renda dos catadores, dizem os coordenadores das cooperativas.

“O material vem, mas meio vazio. A gente precisa mais rotatividade, mais caminhões dentro da população do Rio de Janeiro para fazer essa coleta seletiva e chegar até mesmo às cooperativas. Falta muita campanha mesmo para fazer essa separação e seleção para que chegue material de fato nas cooperativas”, explica Ana Carla Nistaldo, diretora financeira da cooperativa Coopideal.

Um dos diretores da cooperativa Copam, Luiz Carlos Fernandes, diz que a Comlurb precisa aumentar a frota.

“Acho que a Comlurb precisa aumentar a frota de caminhões porque já tivemos número muito maior de pessoas trabalhando e a gente teve que reduzir devido a quantidade de material que chega. O número de resíduos reduziu bastante”.

“A gente tem que dar nosso jeito para correr atras de material. Falta uma conscientização das pessoas sobre a reciclagem. Muitas pessoas não entendem e acabam jogando o material no rejeito. São muitas bandejas de ovo, que é pet, mas não é reciclável, bandeja de uva, esponja, muita embalagem aluminada por dentro. Nada disso é reciclável e gera uma grande quantidade de rejeito na cooperativa. Fica difícil para a gente que depende desse material”, diz Adilson Farias da Silva, representante da triagem da Copam.

“Aqui somos 22 famílias nesse espaço aqui, que depende desse material para viver. A gente depende que esse material seja separado em casa”, disse Luiz Carlos Fernandes.

A diretora da Coopideal fala sobre os catadores.

“São catadores que vieram do antigo lixão de Gramacho, que hoje estão aqui nessa luta pelejando pra que chegue material na cooperativa, pra que eles possam levar seu sustento pra dentro de casa”.

Sem campanhas públicas de estímulo à reciclagem, os interessados em participar da coleta seletiva têm que procurar informações por conta própria no site da Comlurb, onde há um espaço para saber se a rua onde mora está na rota dos 117 bairros cobertos pelo projeto.

Oficialmente, a Prefeitura do Rio estima que a coleta seletiva garanta a separação de pelo menos 10% dos recicláveis. Mas nem o prefeito acredita nesse número. Eduardo Paes falou sobre isso há menos de um mês. Pela quarta vez prefeito da cidade, Paes ainda não encontrou um caminho para popularizar a coleta seletiva.

“A sensação que a gente tem é de muito mais baixo do que isso. Portanto, acho que a gente tem que querer ousar nisso. Avançar, mas não é aquele padrão, não acho que tenha que ser o padrão. Não vamos conseguir trazer o padrão europeu pra cá. Separação em casa, colaboração da população, a gente vai ter que olhar um pouco para nossa realidade e eventualmente a gente pode disparar esse número”, fala o prefeito do Rio.

O diretor da Comlurb (?), Thales Malta, afirma que a solução está na educação de base.

“A gente não vê isso no dia a dia, não vê propaganda, não vê de certa forma de que isso vai funcionar e vai gerar resultado positivo para a sociedade pra no dia a dia. Se a gente tiver na base das crianças uma educação voltada para isso e de alguma forma. Atingir pais e mais velhos em ter consciência de separar resíduo reciclável, isso leva tempo, até haver mudança de cultura. Mas acho que é caminho fundamental. Trabalhei 16 anos da minha vida dentro do lixão e é um sonho que o Rio realmente de fato, com tantas cooperativas que tem município grande, tenha coleta seletiva de verdade. Que tenha caminhões e mais caminhões chegando nas cooperativas, toneladas de materiais recicláveis, dando sustentabilidade a nós catadores”.

A Comlurb disse ao RJ2 que o serviço de coleta seletiva conta com divulgação constante pra população da cidade em feiras livres, praças e pontos de grande movimentação de pessoas, todos os fins de semana. E que além disso, são realizadas campanhas nas redes sociais.


quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

Reciclagem de resíduos chega a 8% no país com trabalho informal, aponta estudo

Folha SP

A reciclagem no Brasil atingiu 8% do total de resíduos sólidos urbanos com o trabalho de catadores informais, de acordo com o Panorama dos Resíduos Sólidos de 2024, lançado nesta semana.

O estudo elaborado pela Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema) reúne dados de 2023 e aponta que o Brasil produziu quase 81 milhões de toneladas de resíduos no ano passado, o que dá 382 quilos por brasileiro por ano.

Em 2022, o relatório calculou que o país reciclou 4% de seus resíduos a partir de dados da coleta seletiva dos municípios. Ao incluir dados dos materiais encaminhados pela indústria recicladora também por catadores autônomos, o Panorama 2024 chegou à taxa de 8,3%. Isso quer dizer que, em 2023, 6,7 milhões de toneladas de resíduos como plástico, vidro, metais e papelão foram enviados para a reciclagem no país.

Segundo o estudo, catadores informais de materiais recicláveis são responsáveis ⅔ dos resíduos que chegam à indústria recicladora enquanto a coleta seletiva dos municípios envia ⅓ desses materiais para reciclagem no Brasil.

Reciclagem Resíduos Trabalho Informal

“Isso demonstra que estamos ainda muito atrasados na coleta seletiva”, afirma Pedro Maranhão, presidente da Abrema. “Precisamos incentivar as prefeituras a criar e melhorar a coleta seletiva. Até porque, quando o município implanta esse serviço é porque deixou de desperdiçar resíduos no lixão.”

Segundo Maranhão, como os catadores informais focam na coleta daquilo que tem valor no mercado da reciclagem, o aproveitamento dos materiais selecionados por eles também é maior do que aquele que chega às unidades de triagem via coleta seletiva municipal. O estudo aponta que dos 4,2 milhões de toneladas de resíduos recicláveis coletados pelas prefeituras do país, 52,2% ou cerca de 2,2 milhões de toneladas são de fato aproveitadas para a reciclagem.

Para o presidente da Abrema, os dados evidenciam que a reciclagem tem muito o que avançar no Brasil. Contudo a Europa Ocidental, Austrália e Nova Zelândia, mais de 55% dos resíduos são reciclados, segundo dados do Global Waste Management Outlook 2004, elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). Na América do Sul, apenas 6%. Na América Central e Caribe, 11%.

Segundo Carlos da Silva Filho, consultor da ONU e um dos autores do relatório do Pnuma, 32% dos resíduos sólidos urbanos no Brasil são a chamada “fração seca”, ou seja, os materiais potencialmente recicláveis. “Se 8% do total de resíduos estão sendo reciclados, isso significa que ¼ da fração seca está sendo coletada de maneira diferenciada e desviada do fluxo tradicional dos resíduos. Esse é um indicativo importante”, avalia.

De acordo com Maranhão, o atual regime de tributação do setor é um entrave importante. “É absurdo tributar material reciclado, que fica mais caro que o material virgem. Temos que zerar a tributação da reciclagem porque incentiva o setor e beneficia também os catadores.”

Lixões de um lado, produção de biometano de outro

O Panorama 2024 aponta que, no ano passado, 41% dos resíduos produzidos no Brasil, ou 28,7 milhões de toneladas, tiveram destinação final ambientalmente inadequada. Isso quer dizer que esses resíduos foram parar em lixões, valas, aterros irregulares, córregos e terrenos.

Erradicar os lixões do país foi a meta estabelecida pela legislação brasileira para o último dia 2 de agosto, data em que ainda existiam 1.572 lixões e quase 600 aterros controlados (aqueles sem proteção de solo e tratamento, considerados “lixões com cercas em volta”). Segundo o IBGE, 3 a cada 10 municípios do país ainda usam lixões.

“Estamos na época medieval neste aspecto, com danos para a saúde e para o meio ambiente”, afirma Maranhão. “Os prefeitos precisam entender que seu custo de saúde diminui quando ele encerra um lixão. E que, com lixão, ele perde recursos, perde na saúde, no meio ambiente e no tratamento de água, porque a decomposição dos resíduos permeia o solo e contamina lençóis freáticos.”

Em conclusão no sentido oposto deste atraso estão os aterros produtores de biometano, que capturam o metano emitido no processo de decomposição dos resíduos para a produção de biogás.

Em suma o país tem seis plantas deste tipo e sete outras aguardam aprovação, segundo o relatório.

“O futuro é o aproveitamento do metano para a produção de biogás, que faz de cada aterro ambientalmente correto um poço de petróleo de combustível renovável”, avalia. Segundo Maranhão, o “biometano vai substituir o gás da indústria, do transporte e até o gás de cozinha”. “Isso descarboniza a economia porque substitui combustível fóssil por outro renovável.”

Segundo o presidente da Abrema, o setor deve investir R$ 8 bilhões nos próximos cinco anos para que o país chegue a 60 plantas de produção de biometano.