Translate

Mostrando postagens com marcador Greenwashing. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Greenwashing. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Um tomate não faz uma salada

 


Nas últimas semanas, a Comlurb voltou a divulgar peças do Momento Integridade. As mensagens tratam de princípios corretos: a responsabilidade coletiva pela integridade, o respeito às normas e a proteção das informações da Companhia. Nada há de errado nelas. Ao contrário, lembrar que honestidade, procedimentos e cuidado com os dados fazem parte do trabalho público é sempre útil. A questão não está no conteúdo dos cartazes, mas no sistema que deveria sustentá-los. Depois do esvaziamento promovido em 2025, tornou-se difícil distinguir o que é legado, o que é cultura institucional sedimentada e o que começa a se aproximar do integritwashing — a comunicação da integridade sem a correspondente estrutura de integridade.

Quando implantamos o Momento Integridade na Diretoria de Compliance, em 2021, ele não era uma campanha solta. Era uma peça de um mecanismo maior. As mensagens orientavam gestores sobre o Código de Conduta, divulgavam os canais de denúncia, explicavam a proteção contra retaliações e reforçavam temas trabalhados em treinamentos, campanhas e Semanas de Integridade. O cartaz prolongava uma conversa que já acontecia por outros meios. Não pretendia substituir códigos, apurações, capacitações ou governança. Sua função era manter o assunto circulando no cotidiano, até que a integridade deixasse de ser uma palavra da Diretoria e passasse a fazer parte do vocabulário da Companhia.

Em 2025, essa arquitetura foi desmontada. Registro aqui uma memória pessoal: ouvi do novo presidente que ele não gostava de compliance. Minha interpretação foi — e continua sendo — a de uma grave miopia institucional. Algumas práticas sobreviveram pelo profissionalismo de antigos integrantes da Diretoria e pela inércia qualificada de procedimentos já incorporados. As novas peças podem ser parte dessa sobrevivência. Também podem atender às demandas do FIP.Rio, programa municipal criado para disseminar a cultura de integridade, estimular os canais de denúncia e fortalecer a aplicação do Código de Integridade. Sem conhecer o planejamento que acompanha a campanha, não seria correto afirmar sua finalidade. Mas, vistas isoladamente, as mensagens parecem mais uma resposta formal do que a expressão visível de um programa estruturado.

Um tomate colocado sobre a mesa conserva seu valor nutritivo. Continua sendo um bom alimento. Mas ninguém deveria apresentá-lo como uma salada. O mesmo vale para a integridade: um cartaz pode orientar, lembrar e até prevenir um desvio. Seu valor não deve ser desprezado. Contudo, cultura ética exige estrutura, comando, canais confiáveis, capacitação, apuração, proteção e continuidade. Sem isso, a comunicação permanece sozinha sobre a mesa. Integridade sem estrutura vira cartaz no quadro de avisos: pode lembrar o caminho, mas já não conduz a instituição.



sexta-feira, 17 de julho de 2026

Proteção de dados não começou agora




A mensagem alusiva ao Dia Nacional de Proteção de Dados afirma que a Comlurb mantém um compromisso permanente com a privacidade, a responsabilidade e o tratamento seguro das informações. A declaração é correta, mas insuficiente. Proteção de dados não nasce de uma frase da presidência, nem se sustenta por peças de comunicação. É uma construção institucional feita de estrutura, normas, capacitação, controle de acesso, resposta a incidentes e continuidade gerencial. O compromisso real começa quando o discurso encontra método.

Entre 2021 e 2024, a Diretoria de Compliance tratou a LGPD como frente estratégica, e não como obrigação lateral entregue à informática ou ao jurídico. O Programa de Governança em Privacidade e Proteção de Dados Pessoais ganhou instrumentos concretos: Plano de Adequação, Política de Privacidade, Plano de Resposta a Incidentes e Política de Controle de Acessos. Foram criadas cartilhas, canais para o exercício dos direitos dos titulares, informações públicas sobre o tratamento de dados e ações permanentes de orientação às áreas da Companhia.

Também não ficamos restritos à produção de documentos. Mais de 1.600 empregados foram capacitados em LGPD, contratos foram revisados, orientações chegaram às unidades e a proteção de dados passou a dialogar com a segurança da informação, a tecnologia e a conduta institucional. A estrutura municipal responsável pelo tema chegou a reconhecer a Comlurb como organização com elevado grau de maturidade em proteção de dados. Isso é compromisso demonstrado por evidências. Não uma intenção futura, mas um patrimônio já construído.

Foi justamente por isso que considerei tão míope a decisão do CEO que assumiu em 2025 e desmontou a Diretoria de Compliance. A nova gestão deixou claro que não compreendia — ou simplesmente não valorizava — a função integradora daquela estrutura. O Programa de Integridade e Transparência sobreviveu como coordenadoria, mas com menor peso institucional, menor capacidade de interlocução e separado da integração direta com a Tecnologia da Informação. Não foi apenas uma alteração de organograma. Foi o rebaixamento de uma agenda que havia levado anos para ganhar musculatura.

A miopia gerencial costuma enxergar apenas aquilo que pode ser fotografado. Um logradouro varrido, uma árvore podada ou um caminhão novo aparecem facilmente no relatório e nas redes sociais. Já uma política de privacidade, um controle de acesso ou a prevenção de um incidente trabalham no território do intangível. Não são “instagramáveis”. Talvez por isso sejam tão vulneráveis diante de dirigentes que confundem visibilidade com valor. A integridade quase sempre parece dispensável até o momento em que sua ausência produz uma crise.

É nesse intervalo entre o discurso preservado e a estrutura desmontada que surge o risco do integritwashing. A organização continua falando em ética, privacidade e responsabilidade, publica cartazes, celebra datas e reafirma compromissos, mas enfraquece os mecanismos que davam substância ao que anuncia. Assim como o greenwashing transforma ações ambientais limitadas em narrativa de sustentabilidade, o integritwashing usa o vocabulário da integridade para produzir aparência de conformidade sem preservar a arquitetura capaz de transformar comportamento. A Diretoria de Compliance havia nascido justamente para retirar o tema do campo decorativo e dar alma a uma estrutura que antes existia quase apenas para atender formalidades.

Isso não significa desprezar a comunicação atual. É positivo que a proteção de dados continue sendo lembrada e que algum legado permaneça vivo pelo profissionalismo de quem ficou. Mas continuidade por inércia não equivale a política conduzida. Uma agenda institucional precisa de comando, recursos, integração, capacitação e avaliação permanente. Sem isso, pode sobreviver por algum tempo como eco do passado, até que a memória se desgaste e o rito ocupe o lugar da prática.

No fim, o Dia Nacional de Proteção de Dados deveria servir menos para anunciar compromisso e mais para prestar contas sobre ele. O que foi preservado? O que avançou? O que se perdeu depois do desmonte da DCO? Proteger dados é proteger pessoas, mas proteger uma política exige também preservar a estrutura que a sustenta. Quando a liderança destrói a engenharia e depois celebra a fachada, a integridade corre o risco de deixar de ser cultura e se transformar em cenário.

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Quando a sustentabilidade namora com o greenwashing



A mensagem institucional é bonita e, em parte, justa. A Comlurb de fato protege o meio ambiente todos os dias quando coleta e dá destinação adequada a milhares de toneladas de resíduos, preservando rios, lagoas, praias, áreas verdes e a saúde pública. O problema começa quando esse papel estrutural, que já é próprio da limpeza urbana, passa a ser apresentado como prova suficiente de uma sustentabilidade mais ampla, quase como se a Companhia já tivesse mudado de patamar. É aí que meu ceticismo aparece: sem política pública consistente e sem escala real nas ações anunciadas, a sustentabilidade começa a namorar com o greenwashing.

Não estou dizendo que nada exista. O próprio texto cita iniciativas importantes: coleta seletiva, caminhões movidos a biometano, banco de alimentos, valorização de resíduos e economia circular. Tudo isso aponta na direção correta e seria leviano desprezar. O problema não é a existência das ações, mas sua capacidade de alterar de fato o modelo. Há programas que existem mais para demonstrar sensibilidade ambiental do que para reorganizar estruturalmente a operação. Quando isso acontece, a sustentabilidade deixa de ser eixo e vira vitrine.

O caso da coleta seletiva é o mais emblemático. Ela aparece há anos no discurso institucional como sinal de modernidade, responsabilidade ambiental e inclusão produtiva. Mas o sistema protocolar, sem alavancagem e sem a escala necessária para mudar o padrão dominante de destinação, acaba produzindo um resultado frustrante: a ação existe, mas não desloca o centro de gravidade do modelo. É como se a sustentabilidade fosse convidada a posar para a foto, mas não a participar da decisão estratégica.

O mesmo raciocínio vale para os demais exemplos celebrados. Biometano é avanço, sem dúvida. Banco de alimentos também. Mas ações isoladas, por mais meritórias que sejam, não bastam para autorizar a frase mais ambiciosa do texto: a de que a sustentabilidade estaria “no DNA da Comlurb”. DNA institucional não se prova por enumeração de boas iniciativas; prova-se por escala, centralidade orçamentária, indicadores consistentes e capacidade de alterar a lógica dominante da operação. O próprio comunicado fala em “ampliação de projetos sustentáveis” e em “novas oportunidades de geração de receita associadas à economia circular”. Pois bem: é exatamente aí que o discurso precisará ser cobrado.

No fim, reconheço sem dificuldade que a Comlurb exerce diariamente uma função ambiental essencial. Isso é verdadeiro e merece ser dito. Mas uma coisa é proteger o meio ambiente por força do serviço básico de limpeza urbana; outra, bem diferente, é afirmar que a sustentabilidade já se tornou um vetor transformador da Companhia. Enquanto a coleta seletiva seguir protocolar e as demais iniciativas permanecerem sem escala suficiente para modificar o modelo, continuarei achando que a sustentabilidade existe mais para ser mencionada do que para reorganizar a realidade. E quando o discurso cresce mais rápido do que a mudança, o nome disso costuma ser outro.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Inovação para um problema que quase não existe

Rio vai testar drone para evitar afogamentos e bicicletas aquáticas para limpar lagoas

Classificado em primeiro lugar no processo seletivo organizado pelo município, o projeto da BiClean levou dois anos entre a concepção e a obtenção da patente. A ideia do inventor é iniciar os testes com quatro unidades em uma base na altura do Parque dos Patins na Lagoa Rodrigo de Freitas, em data ainda a ser definida pelo município que vai autorizar os testes para criar um marco regulatório.

A eletricidade para operar os equipamentos que vão coletar resíduos e recolher amostras de água virá de um painel solar e da disposição de curiosos em pedalar para testar o aparelho.

— Um dos objetivos é promover a educação e a consciência ambiental de que o lixo despejado irregularmente vai parar em rios e lagoas. Devemos oferecer algum brinde com base no volume de lixo recolhido — explicou o criador do BiClean, Marcius Victório da Costa.



A proposta da BiClean pode ser simpática como peça de inovação urbana, mas parte de uma premissa que, para quem frequenta a Lagoa Rodrigo de Freitas diariamente, parece frágil. Como remador, percorro suas águas praticamente todos os dias, por cerca de uma hora, e afirmo com tranquilidade: não existe resíduo sólido flutuante na Lagoa em volume que justifique tanta preocupação com equipamentos embarcados de limpeza. A imagem de um espelho d’água tomado por lixo simplesmente não corresponde à realidade observável. Por isso, antes de celebrar a novidade, convém perguntar se o problema que ela pretende resolver existe de fato na escala sugerida.

A notícia informa que o projeto selecionado pelo Sandbox.Rio pretende testar bicicletas aquáticas elétricas para coleta de resíduos flutuantes e microplásticos, com base na altura do Parque dos Patins, unindo limpeza, lazer e educação ambiental. Como conceito, a ideia é engenhosa. Como resposta operacional à Lagoa, nem tanto. O ponto principal não é discutir se o equipamento funciona, mas se há demanda real para ele. E, do ponto de vista de quem conhece a Lagoa por dentro, remando sobre suas águas e observando sua superfície dia após dia, a resposta parece ser negativa: o lixo flutuante é raro, eventual e insuficiente para justificar a criação de uma nova camada de aparato náutico.

Essa percepção prática ajuda a relativizar também a lógica da já conhecida “marinha laranja”. Há algum tempo se insiste em dispor embarcações, catamarãs e equipamentos de limpeza como se a Lagoa exigisse vigilância constante contra resíduos sólidos flutuantes. Não exige. A exceção costuma ocorrer depois de chuvas fortes, quando algum material vegetal, galhos ou detritos carreados chegam ao espelho d’água. Mesmo nesses casos, o vento da tarde normalmente empurra esse material para as margens, onde a remoção pode ser feita de forma simples e proporcional. Transformar essa exceção em justificativa para manter uma rotina de limpeza embarcada permanente parece menos uma necessidade ambiental e mais uma superestimação do problema.

É importante notar que essa crítica não nega a utilidade de intervenções pontuais. Se houver episódio extraordinário, chuva intensa, acúmulo localizado ou necessidade específica de manejo, a atuação embarcada pode fazer sentido. O que não parece razoável é tratar a Lagoa como se houvesse ali um passivo contínuo de resíduos sólidos flutuantes, quando a observação direta indica exatamente o contrário. A inovação, nesse caso, corre o risco de repetir um vício comum da gestão pública: criar solução vistosa para um problema pequeno. O equipamento passa a existir não porque a necessidade o impõe, mas porque a narrativa da inovação pede um objeto visível, fotogênico e facilmente comunicável.

A questão da qualidade da água existe, claro, mas é outra discussão. A própria Prefeitura mantém monitoramento sistemático da Lagoa, com boletins regulares sobre parâmetros físico-químicos e biológicos. Esse acompanhamento é importante e ajuda a compreender a dinâmica ambiental do sistema lagunar. Mas não se deve confundir qualidade da água com presença visível de resíduos sólidos flutuantes. Uma coisa é monitorar a saúde ambiental do corpo hídrico; outra, bem diferente, é sugerir que há lixo boiando em quantidade tal que justifique novas embarcações de limpeza. O problema principal da BiClean, portanto, não é tecnológico. É de diagnóstico.

No fim, a melhor contribuição que alguém pode dar a esse debate talvez seja justamente a da experiência cotidiana. Quem observa a Lagoa da margem vê uma paisagem. Quem a percorre remando todos os dias vê a realidade do espelho d’água. E essa realidade, ao menos hoje, não revela um ambiente carregado de lixo flutuante. Revela uma Lagoa limpa, com ocorrências episódicas e localizadas, que não parecem justificar nem a antiga ênfase da “marinha laranja” nem o entusiasmo imediato com a BiClean. Antes de multiplicar equipamentos, convinha reconhecer um dado simples: o resíduo sólido flutuante na Lagoa Rodrigo de Freitas não é, hoje, um problema na escala que essas soluções fazem supor.

segunda-feira, 23 de março de 2026

Gestão #tbt


Quero desenvolver aqui um conceito que talvez ajude a compreender um traço recorrente da administração pública: a gestão #tbt. Tomo emprestada a expressão das redes sociais, conhecida por recuperar lembranças e reapresentar o passado, para descrever a retomada de antigos projetos, procedimentos e iniciativas que retornam anos depois, muitas vezes com novos nomes, nova embalagem e nova comunicação, mas preservando características bastante semelhantes às de suas versões anteriores. Isso acontece com frequência maior do que se admite. Na Comlurb, já ocorreu com a limpeza em comunidades, com ecopontos, com contêineres metálicos e agora reaparece também em iniciativas como a Feira Limpa.

É importante dizer desde logo que a gestão #tbt não é, por definição, algo ruim. Há casos em que retomar uma solução antiga é sinal de maturidade institucional, não de atraso. Nem tudo que foi interrompido no passado estava errado. Às vezes, uma ideia foi descontinuada por circunstâncias políticas, perda de prioridade, troca de comando, restrições orçamentárias ou simples descontinuidade administrativa. Seu retorno pode significar que o problema original permaneceu relevante e que a organização, em vez de desperdiçar memória, resolveu reaproveitar uma experiência anterior. Nesse sentido, a gestão #tbt tem um mérito: ela reconhece que a administração pública não precisa fingir novidade o tempo todo e que algumas soluções antigas podem continuar válidas, desde que sejam revistas, aperfeiçoadas e recolocadas em operação com maior consistência.

Mas há também um lado problemático, talvez mais frequente. A gestão #tbt pode ser apenas a arte de requentar práticas antigas e vendê-las como inovação. E esse é um vício comum. Muda-se o nome, ajusta-se a identidade visual, cria-se uma narrativa de lançamento e, com isso, um procedimento já conhecido volta a circular como se fosse descoberta recente. O passado, em vez de ser analisado, é apenas reciclado. Quando isso ocorre, a organização perde uma oportunidade valiosa de aprendizado. O ponto não deveria ser apenas retomar o que já existiu, mas perguntar com honestidade: por que isso foi abandonado? O que deu errado antes? O que foi corrigido? O que garante que agora haverá continuidade? Sem essas perguntas, a gestão #tbt pode virar apenas um mecanismo de produção de novidades aparentes.

Basta olhar alguns exemplos para perceber como isso acontece. A limpeza em comunidades já apareceu em formatos sucessivos, como Comlurb Comunidades, Cuidar da Cidade e Comunidade de Responsa: mudam os nomes, muda a comunicação, mas permanece a lógica da ação concentrada, do mutirão e da dificuldade de garantir rotina contínua. O mesmo vale para os ecopontos, que retornam periodicamente como promessa de ordenamento do descarte irregular, sempre acompanhados da esperança de que agora haverá capilaridade e manutenção suficientes. Também os contêineres metálicos ilustram bem essa dinâmica: foram abandonados em determinados contextos, depois reapareceram como solução redescoberta para outros territórios, especialmente onde os recipientes plásticos se mostraram frágeis ou inadequados. E a própria Feira Limpa entra nessa família de retornos administrativos: menos como novidade absoluta e mais como reedição de um repertório conhecido. Em todos esses casos, a questão central não é a volta em si, mas saber se houve revisão real das premissas anteriores ou apenas mais uma reapresentação do passado.

No fim, a gestão #tbt é um conceito útil porque obriga a olhar para a administração pública com menos ingenuidade. Nem toda retomada é retrocesso, assim como nem toda novidade é avanço. Há boas razões para recuperar práticas do passado, desde que elas sejam analisadas, atualizadas e submetidas ao teste da continuidade. O que empobrece a gestão não é revisitar ideias antigas; é fazê-lo sem explicar por que elas morreram antes e sem demonstrar por que agora viverão mais. Em administração pública, a pergunta decisiva não é apenas se algo voltou. É saber se voltou melhor, com aprendizado, ou se apenas voltou para ser descontinuado outra vez.

sexta-feira, 4 de julho de 2025

Seminário "Sustentabilidade na Gestão de Resíduos Sólidos"


A FGV Projetos e a Lavoro Solutions realizaram o seminário "Sustentabilidade na Gestão de Resíduos Sólidos" em 30 de junho e 1º de julho. O evento reuniu especialistas para discutir os desafios e perspectivas da gestão de resíduos no Brasil, abordando temas como a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), economia circular e logística reversa.

A abertura contou com a participação de Luiz Carlos Duque (FGV Projetos) e João Gianesi (Instituto Valoriza Resíduos by ABLP). Carlos Martins, ex-Secretário de Estado do Ambiente de Portugal, apresentou o caso de sucesso de seu país na erradicação de lixões. O seminário destacou a importância de aumentar a reciclagem, reduzir a geração de resíduos e garantir a destinação final adequada para um futuro mais sustentável.

Você pode encontrar mais detalhes no site oficial: FGV Projetos - Seminário Sustentabilidade na Gestão de Resíduos Sólidos


A notícia: 

Comlurb no Seminário Internacional “Sustentabilidade na Gestão dos Resíduos”

O presidente Jorge Arraes foi palestrante no Seminário Internacional “Sustentabilidade na Gestão dos Resíduos”, que aconteceu nos dias 30/06 e 01/07, na Fundação Getúlio Vargas (FGV). Ele debateu no painel "Infraestruturas Operacionais e Tecnologias Adaptadas à Realidade Brasileira de Coleta, Tratamento, Valorização e Destinação Final dos Resíduos Sólidos". O diretor de Limpeza Urbana (DLU), Alexandre Campos, também participou da apresentação.

“São cerca de 30 atividades diferentes, o que exige da gente um planejamento técnico muito específico e estratégico, obviamente sem falar das emergências e dos grandes eventos,” explicou Arraes sobre as muitas responsabilidades da Companhia.

O engenheiro especialista José Henrique Penido (DTE) foi mediador no tema "Estudos e Projetos de Viabilidade e Modelagem Econômico - Financeira e Tarifária na Limpeza Urbana e na Gestão dos Resíduos Sólidos para Concessões e PPP".

O evento terminou nessa quarta-feira (02/07) com uma visita técnica ao CTR-Rio, em Seropédica, operada pela concessionária Ciclus Ambiental.

O seminário, promovido pela FGV, com apoio da LAVORO Solutions e iniciativa do Instituto Valoriza Resíduos (IVR), teve como objetivo promover soluções sustentáveis para o manejo de resíduos sólidos urbanos, fortalecer a regulação e fomentar investimentos no setor.




Comlurb Apres Arraes Sem FGV by Gustavo Puppi on Scribd

terça-feira, 1 de julho de 2025

A Importância do Inventário de Emissões de GEE


Para qualquer empresa ou organização, pública ou privada, saber de onde vêm suas emissões de GEE é o ponto de partida para qualquer ação climática efetiva. É como disse Marcelo Sicri, Coordenador de Sustentabilidade da Comlurb: o inventário permite identificar os maiores geradores de GEE, planejar ações de redução, aumentar a eficiência energética e estruturar políticas de sustentabilidade alinhadas com as metas climáticas.

Além de ser uma ferramenta de gestão ambiental, o inventário de emissões está se tornando uma exigência legal. A Lei Federal nº 15.042/2023 já estabelece a obrigatoriedade para empresas de médio e grande porte, com regulamentação prevista para 2025 e entrada em vigor em 2026. Isso mostra que a sustentabilidade não é mais uma opção, mas uma necessidade estratégica e legal.


A Contribuição da Consultoria Enform

Nesse contexto, a Consultoria Enform (https://enform.ai/) surge como um parceiro valioso. Empresas como a Enform são especializadas em auxiliar organizações a mapear, quantificar e compreender suas emissões de GEE. Isso é crucial, especialmente quando o objetivo é internalizar o conhecimento técnico, capacitando equipes internas para que possam, futuramente, elaborar e atualizar o inventário de forma autônoma – um dos objetivos centrais da Comlurb. A expertise de consultorias como a Enform garante a precisão e a conformidade dos dados, além de acelerar o processo.


Alerta: ESG Não é Greenwashing!

É importante ressaltar que iniciativas como o inventário de GEE devem ser genuínas e fazer parte de uma estratégia ESG (Ambiental, Social e Governança) robusta. Devemos estar sempre atentos para que tais ações não se tornem mero greenwashing, ou seja, uma fachada para aparentar ser sustentável sem um compromisso real com a redução de impactos. O inventário de emissões é uma ferramenta de transparência e, quando bem executado e comunicado, demonstra um compromisso verdadeiro com a sustentabilidade. A Comlurb, ao buscar a conformidade legal e a internalização do conhecimento, mostra que está no caminho certo para uma agenda de sustentabilidade sólida e eficaz.

Que outras empresas se inspirem nesse movimento e priorizem a transparência e a ação climática!



 A notícia:

 Comlurb realiza seu primeiro Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa

A Comlurb iniciou, pela primeira vez em sua história, a elaboração de seu Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE). A iniciativa, conduzida pela Coordenadoria de Sustentabilidade em parceria com a Consultoria Enform, tem o objetivo de mapear, quantificar e compreender a origem das emissões de gases de efeito estufa (GEE) associadas às atividades operacionais e administrativas da companhia.

“O inventário de emissões permitirá identificar os maiores geradores de GEE da Comlurb e planejar ações de redução, além de aumentar a eficiência energética e permitir a estruturação de políticas de sustentabilidade, alinhadas com as metas climáticas da Cidade do Rio de Janeiro”, afirmou Marcelo Sicri, Coordenador de Sustentabilidade da Companhia,

A elaboração do inventário também antecipa o cumprimento da Lei Federal nº 15.042/2023, que estabelece a obrigatoriedade de elaboração e divulgação anual de inventários de emissões para empresas públicas e privadas de médio e grande porte. A lei será regulamentada ainda em 2025, e a obrigatoriedade deverá entrar em vigor a partir de 2026.

“Além de garantir conformidade legal, o inventário abre portas para novas oportunidades na Comlurb, como o acesso a mercados de carbono, captação de recursos para projetos sustentáveis, parcerias institucionais e maior transparência junto à sociedade”, completou.

Um dos objetivos centrais desta iniciativa é internalizar o conhecimento técnico para elaboração do inventário de emissões, capacitando servidores da Comlurb para que, futuramente, uma equipe multidisciplinar da Companhia seja capaz de elaborar e atualizar o inventário de forma autônoma.

Esse é um passo estratégico da Comlurb na consolidação de sua agenda de sustentabilidade e combate às mudanças climáticas, reforçando seu compromisso com a cidade e o meio ambiente.




sexta-feira, 6 de junho de 2025

Comlurb destaca protagonismo ambiental na Semana do Meio Ambiente

A criação da Coordenadoria de Sustentabilidade (CSUS) representa, na prática, a repaginação do Escritório de Sustentabilidade Ambiental de 2017. A diferença não está no nome, mas na capacidade de transformar discurso em prática consistente, com resultados mensuráveis e permanentes. Sustentabilidade na Comlurb não pode ser marketing: precisa ser ação estratégica, integrada à operação e comunicada com transparência, para que a imagem da Companhia esteja sempre alinhada à realidade de suas entregas.

ARTIGO

Criada com a missão de estruturar e implementar as ações de sustentabilidade na Comlurb, a Coordenadoria de Sustentabilidade (CSUS) vem se consolidando como um núcleo estratégico para alinhar a Companhia às metas climáticas da cidade do Rio de Janeiro e aos compromissos internacionais assumidos junto à ONU.

A CSUS atua no desenvolvimento de projetos voltados à economia circular, à redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE) e à valorização de resíduos sólidos, contribuindo para uma operação mais eficiente, limpa e inovadora.

Na Semana do Meio Ambiente, a Comlurb celebra os avanços dessa frente e reforça seu papel como protagonista das metas ambientais do município. Um dos destaques recentes foi a participação da CSUS na Conferência de Clima e Ar Limpo realizada em Brasília. O evento, promovido pela Coalizão C40, reuniu representantes de governos do mundo todo para debater caminhos rumo à neutralidade de carbono.

Na ocasião, o Rio de Janeiro foi apresentado como referência nacional, destacando o papel da Comlurb no cumprimento de duas metas fundamentais: a redução de 20% das emissões de GEE até 2030 e a redução de 80% na destinação de resíduos orgânicos para aterros sanitários no mesmo período.

Ser protagonista nesse cenário exige planejamento, inovação e ação. Nosso papel na CSUS é justamente integrar a sustentabilidade à operação da Companhia de forma definitiva e estratégica.

Entre os projetos em andamento, dois se destacam pelo alinhamento direto com as metas de descarbonização: a parceria com empresas privadas, que permitirá a valorização de resíduos recicláveis coletados pela própria Comlurb, e o início dos estudos para implantação de uma usina fotovoltaica no antigo aterro de Gramacho.

Além disso, a CSUS coordena a proposta de criação de uma biorrefinaria no Ecoparque do Caju, voltada para o aproveitamento energético de resíduos orgânicos e produção de combustíveis limpos como o biometano.

Durante esta semana simbólica, a Comlurb também inicia a elaboração do primeiro Inventário de Emissões de GEE de empresas públicas do município. A ferramenta permitirá mapear a pegada de carbono da companhia, orientar ações de mitigação e preparar o terreno para futuras iniciativas de compensação e geração de créditos de carbono.

A construção desse inventário é um passo decisivo para entendermos onde estão os principais focos de emissão e como podemos agir com mais eficiência. Além disso, abre caminho para que a Comlurb atue no mercado de carbono, transformando ações ambientais em ativos econômicos.

A meta da atual gestão é consolidar a CSUS como uma área permanente e estratégica dentro da estrutura organizacional da Comlurb. Mais do que um núcleo de projetos ambientais, a coordenadoria vem se tornando um catalisador de inovação e boas práticas, contribuindo para que a Comlurb avance rumo a um modelo de operação cada vez mais limpo, moderno e circular.




terça-feira, 25 de março de 2025

Ecoparque do Caju da Comlurb é destaque em conferência internacional sobre clima

Ecoparque do Caju da Comlurb é destaque em conferência internacional sobre clima

O Banco de Alimentos funciona no antigo refeitório do Ecoparque, que foi totalmente reformado para o projeto - Divulgação

O Ecoparque do Caju, da Comlurb, foi destaque da Conferência Internacional sobre Clima e Ar Limpo 2025, organizada pela ONU. O projeto participou da sessão “Breakthrough Ambitions in Organic Waste”, sendo um modelo de gestão inspirador para outros países. O evento foi realizado em Brasília e contou com diversas autoridades brasileiras e estrangeiras. Os projetos apresentados são exemplos de bom uso de recursos financeiros, de fundos nacionais e internacionais, para a implantação de tecnologias de baixo carbono e alto impacto social.

Dentro do Ecoparque do Caju, a Comlurb promove diversas ações de cunho ecológico, como a operação de uma Unidade de Biometanização, que transforma resíduos orgânicos em biogás e energia elétrica e abastece uma estação de recarga de carros elétricos da companhia. Além disso, no local é realizado um moderno processo de produção e beneficiamento de composto orgânico, insumo que fomenta a Agricultura Urbana no município. O ecoparque também possui um robusto equipamento de Processamento Mecânico de Resíduos de Poda, que produz cavaco de madeira para compostagem e para reaproveitamento energético na indústria cerâmica.

Outra iniciativa de destaque é o Banco de Alimentos, que contribui para a redução do desperdício de alimentos e promoção da segurança alimentar, já que doa o excesso não comercializado em lojas do supermercado Zona Sul, mas em ótimas condições nutricionais de consumo, para famílias em situação de vulnerabilidade social que vivem no bairro do Caju, uma das regiões com menor índice de desenvolvimento humano do Rio.

Os projetos do Ecoparque, apresentados em um stand pelo coordenador de Projetos da Comlurb, Bernardo Ornelas, demonstraram como uma gestão mais sustentável, circular e transversal dos resíduos orgânicos pode ser implementada nos municípios, associando a ação climática à promoção da segurança alimentar, agricultura urbana, geração de energia limpa e melhoria da saúde pública.

O coordenador de Sustentabilidade da Companhia, Marcelo Sicri, também fez uma apresentação na conferência, quando anunciou a adesão do Rio de Janeiro à iniciativa Lowering Organic Whaste Methane (LOW-M), que visa reduzir, em cidades estratégicas, as emissões de metano no setor de resíduos orgânicos. O profissional destacou a Comlurb como protagonista nesta meta, por meio da substituição de parte da frota diesel por caminhões movidos com o biometano produzido no Centro de Tratamento de Resíduos  CTR- Rio, em Seropédica, e também pelo trabalho de compostagem da Companhia, essencial para o desenvolvimento da agricultura urbana e combate à insegurança alimentar.

– Participar de um evento deste porte é muito importante para dar visibilidade às ações da Comlurb, que vão além da limpeza urbana e também porque possibilita atrair investimentos para novos projetos – pontuou.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

Coleta seletiva: Rio recicla apenas 0,5% do lixo reciclável que produz

Opinião

O discurso de ampliação da coleta seletiva com recursos públicos apresenta fragilidades significativas quando analisado sob o conceito de logística reversa e a ideia de que a reciclagem deve ser financiada e operada prioritariamente pela iniciativa privada. O modelo atual transfere ao setor público a maior parte dos custos operacionais, enquanto as cooperativas lidam com materiais insuficientes ou de baixa qualidade para gerar renda sustentável, agravando a precariedade do sistema.

A reciclagem não é apenas uma questão de coleta seletiva, mas um mercado de commodities com grande potencial econômico. No entanto, ao negligenciar a participação obrigatória de fabricantes e importadores no financiamento e gestão dos resíduos gerados, o sistema atual falha em criar incentivos para a utilização de materiais reciclados pela indústria e para a sustentabilidade de toda a cadeia de valor. A logística reversa propõe a internalização dos custos ambientais pelas empresas, garantindo que a reciclagem seja financiada por quem coloca os produtos no mercado.

A profissionalização dos catadores é fundamental para transformar o sistema. Eles devem ser vistos como parceiros estratégicos da iniciativa privada, integrados a um modelo de negócios em que participem da coleta e triagem como empreendedores e agentes produtivos. Esse modelo elimina a dependência de subsídios governamentais, promovendo maior autonomia financeira e eficiência operacional. Empresas, por sua vez, poderiam contratar cooperativas para executar atividades dentro da cadeia logística reversa, garantindo remuneração justa e estabilidade.

Portanto, expandir a coleta seletiva sem reavaliar sua estrutura perpetua um sistema caro e ineficiente. É essencial que a iniciativa privada assuma seu papel, financiando a reciclagem, enquanto os catadores evoluem para uma posição de parceiros autossuficientes, possibilitando um sistema sustentável, inovador e alinhado às melhores práticas ambientais.


Segundo Comlurb, a quantidade de recicláveis que chega às cooperativas é muito pequena, são apenas 1.500 toneladas por mês. Apesar dos 21 anos de existência da coleta seletiva de recicláveis no Rio de Janeiro, o serviço ainda é invisível para boa parte da população.

Por Anita Prado, André Trigueiro, RJ2

A cidade do Rio de Janeiro recicla apenas 0,5% de todo o lixo misturado que o município envia por mês para o aterro sanitário de Seropédica, Baixada Fluminense. Segundo Comlurb, a quantidade de recicláveis que chega às cooperativas é muito pequena, são apenas 1.500 toneladas por mês.

Apesar dos 21 anos de existência da coleta seletiva de recicláveis no Rio de Janeiro, o serviço ainda é invisível para boa parte da população. O serviço prestado pela Comlurb é alvo de muita desconfiança.

A frota da coleta seletiva da Companhia Comlurb conta com apenas 16 caminhões para a cidade inteira, que circulam com aproximadamente 30% de espaço ocioso.

Os caminhões azuis que fazem a coleta seletiva podem misturar sem problemas papel, papelão, vidro, plásticos e metais. Misturar o chamado lixo seco não causa nenhum prejuízo à reciclagem. Só não pode misturar os recicláveis com o lixo orgânico, que são os restos de comida.

“Mistura todo o reciclável não é misturar tudo orgânico. Então cuidado, pode parecer que a gente vai lá com o caminhão azul e mistura o orgânico e reciclável, não é”, explica Edison San Romã, coordenador da coleta seletiva da Comlurb.



Entretanto, o RJ2 entrevistou muita gente que não acredita que os caminhões da coleta seletiva levem os recicláveis para o lugar certo.

“Acho que colocam tudo e vai para o aterro sanitário, algo do tipo. Se você não sabe para onde vai, porque você vai fazer na sua casa, se no final não vai ser correspondido teu trabalho em casa”, questiona Thiago Roldão.

“Não sei onde deixam tudo separado porque é lixo, é muito lixo”, diz Anete Braga.

“Você acha que eles separam isso tudo? Claro que não! Claro que não separam. Vai tudo para o lixão comum como sempre vai”, conta Frederico Costa.

“Acho que vai tudo para o mesmo lugar, por mais que a gente separe em casa”, diz Mateus Cabral

Para confirmar o caminho que fazem os materiais recicláveis recolhidos pelo caminhão azul, o RJ2 instalou um rastreador em materiais recicláveis coletados numa Rua do Jardim Botânico, Zona Sul do Rio, e acompanhou o deslocamento do caminhão azul sem que a Comlurb soubesse.

O veículo seguiu direto até a Rua Matapi, no Jacaré, Zona Norte do Rio, onde fica uma das cooperativas de catadores que participam do projeto.

“Tem a roteirização de todos esses caminhões, então todos os caminhões saem para um roteiro determinado e, no final, a gente também tem determinado qual é a cooperativa que eles vão levar através de um sistema de monitoramento de todos os caminhões via satélite.

 A quantidade do material reciclável que chega às cooperativas mal dá para garantir a renda dos catadores, dizem os coordenadores das cooperativas.

“O material vem, mas meio vazio. A gente precisa mais rotatividade, mais caminhões dentro da população do Rio de Janeiro para fazer essa coleta seletiva e chegar até mesmo às cooperativas. Falta muita campanha mesmo para fazer essa separação e seleção para que chegue material de fato nas cooperativas”, explica Ana Carla Nistaldo, diretora financeira da cooperativa Coopideal.

Um dos diretores da cooperativa Copam, Luiz Carlos Fernandes, diz que a Comlurb precisa aumentar a frota.

“Acho que a Comlurb precisa aumentar a frota de caminhões porque já tivemos número muito maior de pessoas trabalhando e a gente teve que reduzir devido a quantidade de material que chega. O número de resíduos reduziu bastante”.

“A gente tem que dar nosso jeito para correr atras de material. Falta uma conscientização das pessoas sobre a reciclagem. Muitas pessoas não entendem e acabam jogando o material no rejeito. São muitas bandejas de ovo, que é pet, mas não é reciclável, bandeja de uva, esponja, muita embalagem aluminada por dentro. Nada disso é reciclável e gera uma grande quantidade de rejeito na cooperativa. Fica difícil para a gente que depende desse material”, diz Adilson Farias da Silva, representante da triagem da Copam.

“Aqui somos 22 famílias nesse espaço aqui, que depende desse material para viver. A gente depende que esse material seja separado em casa”, disse Luiz Carlos Fernandes.

A diretora da Coopideal fala sobre os catadores.

“São catadores que vieram do antigo lixão de Gramacho, que hoje estão aqui nessa luta pelejando pra que chegue material na cooperativa, pra que eles possam levar seu sustento pra dentro de casa”.

Sem campanhas públicas de estímulo à reciclagem, os interessados em participar da coleta seletiva têm que procurar informações por conta própria no site da Comlurb, onde há um espaço para saber se a rua onde mora está na rota dos 117 bairros cobertos pelo projeto.

Oficialmente, a Prefeitura do Rio estima que a coleta seletiva garanta a separação de pelo menos 10% dos recicláveis. Mas nem o prefeito acredita nesse número. Eduardo Paes falou sobre isso há menos de um mês. Pela quarta vez prefeito da cidade, Paes ainda não encontrou um caminho para popularizar a coleta seletiva.

“A sensação que a gente tem é de muito mais baixo do que isso. Portanto, acho que a gente tem que querer ousar nisso. Avançar, mas não é aquele padrão, não acho que tenha que ser o padrão. Não vamos conseguir trazer o padrão europeu pra cá. Separação em casa, colaboração da população, a gente vai ter que olhar um pouco para nossa realidade e eventualmente a gente pode disparar esse número”, fala o prefeito do Rio.

O diretor da Comlurb (?), Thales Malta, afirma que a solução está na educação de base.

“A gente não vê isso no dia a dia, não vê propaganda, não vê de certa forma de que isso vai funcionar e vai gerar resultado positivo para a sociedade pra no dia a dia. Se a gente tiver na base das crianças uma educação voltada para isso e de alguma forma. Atingir pais e mais velhos em ter consciência de separar resíduo reciclável, isso leva tempo, até haver mudança de cultura. Mas acho que é caminho fundamental. Trabalhei 16 anos da minha vida dentro do lixão e é um sonho que o Rio realmente de fato, com tantas cooperativas que tem município grande, tenha coleta seletiva de verdade. Que tenha caminhões e mais caminhões chegando nas cooperativas, toneladas de materiais recicláveis, dando sustentabilidade a nós catadores”.

A Comlurb disse ao RJ2 que o serviço de coleta seletiva conta com divulgação constante pra população da cidade em feiras livres, praças e pontos de grande movimentação de pessoas, todos os fins de semana. E que além disso, são realizadas campanhas nas redes sociais.


terça-feira, 30 de julho de 2024

Sistema de descarte de resíduos orgânicos


Estamos felizes em anunciar uma nova iniciativa sustentável! A partir da próxima segunda-feira (29/07) será implementado um sistema de descarte de resíduos orgânicos na Sede, que será encaminhado para um minhocário com o objetivo de produzir um composto orgânico para nossa horta.

Como funciona:

Descarte consciente: Pedimos que todos descartem, no recipiente do refeitório, os restos de alimentos de fácil decomposição, como cascas e partes de frutas, hortaliças e legumes não cozidos, além de borra e filtro de café, saquinhos de chá, toalhas de papel e guardanapos.

Minhocário: os restos de alimentos serão levados pelos garis aos nossos minhocários, montados perto do prédio anexo. Lá, as minhocas vão transformar os resíduos em um composto orgânico rico em nutrientes.

Horta sustentável: o composto orgânico será utilizado em nossa horta, com o cultivo de temperos e ervas medicinais frescos e saudáveis para o próprio uso.

Contamos com a colaboração de todos para o sucesso desta iniciativa. Vamos transformar os restos de alimentos em um recurso valioso para o meio ambiente e para nosso bem-estar.

ATENÇÂO

Para evitar que a iniciativa de compostagem seja vista como "greenwashing", é fundamental:

Transparência: Estabeleça metas claras, como a quantidade de resíduos compostados, e publique resultados regularmente.

Engajamento: Promova a educação dos colaboradores sobre a separação dos resíduos e incentive a participação ativa na horta.

Essas medidas mostram comprometimento genuíno com a sustentabilidade e ajudam a garantir que a iniciativa seja percebida como uma ação real, e não apenas como uma estratégia de marketing.

 

quarta-feira, 3 de julho de 2024

Lixo urbano: as inovações que vêm da América Latina

Chile usa rastreio para otimizar a reciclagem e evitar o descarte ilegal. Uruguai tem leis contra detritos eletrônicos. Brasil inicia produção de energia limpa via resíduos. Equador e Peru desenvolvem apps com mapas interativos para conectar cidadãos às práticas de catadores

Por Juan Chiummiento, em O Eco


A destinação adequada dos resíduos sólidos representa um desafio urgente para a América Latina. Embora os serviços de coleta atendam a 85% das áreas urbanas da região — porcentagem acima da média global —, muitos países enfrentam dificuldades em seu manejo. Cerca de 45% dos resíduos acaba em locais impróprios, como lixões a céu aberto, que contaminam o solo, corpos d’água e até o ar.

A América Latina e o Caribe geram um total de 541 mil toneladas de resíduos diariamente, quase um quilo por habitante, segundo o Programa da ONU para o Meio Ambiente (Pnuma). Dados do Banco Mundial mostram que a região está entre as que menos produzem resíduos no mundo. Jordi Pon, coordenador regional do Pnuma para a América Latina e o Caribe, diz que o problema não é o volume, mas a gestão desses materiais.

O manejo inadequado dos resíduos traz problemas à saúde e ao meio ambiente, além de representar atrasos na adoção de economias circulares — sistemas que buscam minimizar o desperdício e maximizar o uso de recursos, reintegrando o resíduo aos ciclos produtivos.

Para enfrentar esse problema, são necessárias respostas abrangentes de governos nacionais e locais; e alguns deles de fato estão caminhando nessa direção. O Dialogue Earth analisou cinco projetos em países da região que buscam melhorar a gestão de resíduos e incentivar práticas mais sustentáveis.

Argentina: cooperativas de catadores

Nas últimas décadas, o ato de coletar papelão e outros materiais recicláveis para depois vendê-los ficou conhecido na Argentina como cartonear. Esses catadores de materiais recicláveis que circulam pelas ruas das grandes cidades, os cartoneros, tornaram-se mais comuns após a crise econômica argentina de 2001.

Catador recolhe papelão nas ruas de Buenos Aires, Argentina. Cooperativas de catadores hoje promovem boas práticas e fazem a intermediação com empresas de reciclagem. Imagem: Carol Smiljan / NurPhoto / Alamy.

A expansão da atividade levou à formação de várias organizações setoriais, incluindo a Federação Argentina de Catadores, Carroceiros e Recicladores (FACCyR). A entidade reúne cooperativas de todo o país que se organizam para melhorar as condições de trabalho e as práticas de reciclagem.

Uma dessas cooperativas associadas à FACCyR é a Dignidad Cartonera, criada em 2017 na cidade de Rosário e atualmente com mais de 150 membros ativos. A fundadora, Mónica Castro, ficou desempregada em 2001 e mobilizou vizinhos em situação parecida: “Decidimos criar nossa própria fonte de trabalho, que era sair às ruas e coletar papelão”.

Em 2019, a Dignidad Cartonera colaborou com a prefeitura de Rosário em um projeto-piloto para coletar resíduos domésticos e comerciais que poderiam ser reciclados. Se antigamente a cooperativa atuava na coleta de toda a cidade, o piloto criou um serviço porta a porta no bairro Industrial, na zona oeste da cidade. Assim, os catadores ensinam os moradores a separar corretamente os resíduos recicláveis.

O material coletado nas casas chega diariamente a um depósito administrado pela cooperativa, e daí é enviado a empresas de reciclagem. Trabalhando em parceria com outras cooperativas da FACCyR, a Dignidad Cartonera consegue acumular uma grande quantidade de material, garantindo maior poder de negociação e buscando uma remuneração mais justa pelo trabalho.

Os catadores esperam que seu trabalho ajude a promover mais ações coletivas. “Queremos inspirar outras pessoas a seguir nosso caminho, demonstrando que é possível criar um mundo mais justo e sustentável”, diz Juliana Muchiut, coordenadora da cooperativa.


Chile: blockchain para rastrear cargas de recicláveis

Nos últimos 70 anos, mais de 140 milhões de toneladas de plástico foram despejadas nos ecossistemas aquáticos ao redor do mundo, segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico. No Chile, o projeto Atando Cabos coleta resíduos plásticos da aquicultura, como redes de náilon e cordas de poliéster, transformando tudo isso em materiais reutilizáveis. A iniciativa usa a tecnologia blockchain para garantir a transparência e a eficiência de suas operações, aumentando a confiança de toda a cadeia de produção. 

O fundador do projeto, Michel Compagnon, é diretor comercial da Comberplast, empresa que usa plástico para moldar produtos. Ele diz que a ideia surgiu após uma viagem à Patagônia em 2016, onde se deparou com uma enorme quantidade de resíduos plásticos e linhas de pesca que poluíam os fiordes da região chilena. Como profissional do setor, ele logo entendeu que “aquilo não era lixo, mas matérias-primas valiosas que poderiam ser recicladas”.

Projeto Atando Cabos, no Chile, coleta resíduos plásticos, como redes de náilon, cordas de poliéster e pallets de plástico, transformando-os em novos itens. Imagem: Atando Cabos.

A equipe do Atando Cabos trabalha junto à população local, principalmente pescadores, que os ajudam a coletar esses resíduos plásticos no sul do Chile. As cargas são enviadas a uma fábrica na capital, Santiago. Lá, o plástico ganha uma nova vida, transformado em produtos como estrados ou caixas de frutas.

A tecnologia blockchain garante que os atores envolvidos na cadeia de valor acompanhem a jornada dos materiais e que os resíduos sejam tratados conforme os melhores padrões ambientais e de qualidade. 

Os dados registrados por meio dessa tecnologia são seguros e inalteráveis. E cada etapa — da coleta à produção de um novo material — é documentada em um livro-razão online, que pode ser acessado por meio de um QR code anexado ao produto. 

Compagnon diz ter sido incentivado a usar esse método para fornecer uma prova compreensível e acessível de que os produtos eram de fato feitos de material reciclado.

Em 2019, Atando Cabos ganhou um prêmio de iniciativas verdes na América Latina. Atualmente, o projeto ajuda na reciclagem de mais de 2,3 mil toneladas de resíduos anuais.


Brasil: lixo transformado em energia no Rio

Em uma grande cidade como o Rio de Janeiro, onde mais da metade dos resíduos gerados são orgânicos — via de regra, descartados em aterros sanitários em forma de rejeito —, a gestão sustentável de resíduos sólidos é vital.

Desde 2018, a Companhia Municipal de Limpeza Urbana do Rio de Janeiro (Comlurb) mantém uma usina de processamento de resíduos orgânicos pioneira na América Latina. A instalação localizada no Caju, na zona norte, processa 12,5 toneladas de resíduos por dia, transformando-os em biogás e adubo.


Funcionários da Comlurb limpam as praias da cidade do Rio de Janeiro após o réveillon, em janeiro de 2023. Mais da metade dos resíduos gerados no Rio é considerado orgânico, e o serviço municipal de limpeza visa transformar parte disso em biogás e composto orgânico. Imagem: Jose Lucena / ZUMA Press / Alamy.

A usina de processamento é autossuficiente graças à geração de biogás e ainda produz adubo para uso no programa Hortas Cariocas, financiado pela ONU. O composto da Comlurb tem seu próprio nome — Fertilurb — e é apresentado como um “super adubo” devido ao seu alto nível de pureza, segundo a Comlurb.

O coordenador de projetos da Comlurb, Bernardo Ornelas, observa que a iniciativa foi o primeiro “programa de coleta seletiva de orgânicos” na cidade e foi lançada inicialmente em escolas municipais e supermercados.

Juntamente com o Banco Interamericano de Desenvolvimento, a Comlurb está estudando formas de expandir a reciclagem de resíduos orgânicos no Rio de Janeiro para processar até 150 toneladas diárias. A previsão é de que isso ocorra nos próximos três anos.

Esse montante, no entanto, ainda não chega perto das 8,5 mil toneladas de resíduos destinados diariamente ao aterro sanitário de Seropédica, na região metropolitana do Rio. No aterro, parte do chorume líquido também é tratado para virar água de reuso. 


Uruguai: leis contra resíduos eletrônicos

O Uruguai tem a maior produção per capita de resíduos eletrônicos do Cone Sul, com uma média de 14,8 kg de materiais desse tipo descartados por habitante a cada ano, um recorde regional. Estudos do Ministério do Meio Ambiente do país atribuem esse alto descarte com o alto produto interno bruto per capita do país. 

A criação de uma legislação específica sobre a reciclagem de lixo eletrônico e aparelhos elétricos é fundamental, porque é um dos resíduos sólidos que mais cresce. A norma pode ajudar a monitorar a evolução dessa prática e a definir políticas eficazes para combater o descarte ilegal, promover a reciclagem e criar empregos no setor. Porém, até 2023, apenas cinco países da América Latina tinham regulamentações específicas.

Evento de reciclagem de eletrônicos organizado pelo Ministério do Meio Ambiente do Uruguai no Parque Rodó, em Montevidéu. O governo uruguaio quer regulamentar a gestão e o tratamento dos resíduos eletrônicos. Imagem: Ministério de Meio Ambiente do Uruguai.

Em junho de 2023, o Ministério do Meio Ambiente do Uruguai assinou um acordo com a prefeitura de Montevidéu e a cooperativa de reciclagem Volver a la Vida para expandir sua reciclagem de eletrônicos. O município fornece as instalações e faz a coleta dos resíduos, enquanto a cooperativa é responsável pelo reparo de produtos e pela recuperação de componentes ainda úteis. O projeto visa promover uma economia circular, bem como a inclusão social, empregando e treinando pessoas em condição de vulnerabilidade para atuar na cooperativa de reciclagem.

O governo uruguaio também trabalha na criação de uma regulamentação específica sobre a gestão e o tratamento desses equipamentos com base na Lei de Gestão Integrada de Resíduos, aprovada em 2019. 

A iniciativa da Volver a la Vida segue as diretrizes do Projeto Resíduos Eletrônicos da América Latina (Preal), que incentiva sua redução e o descarte adequado. O Preal defende aumentar a responsabilidade dos produtores de eletrônicos sobre o descarte adequado, disseram María José Crovetto e Gariné Guerguerian, consultores do Ministério do Meio Ambiente, órgão integrante do projeto. Isso poderia obrigar os fabricantes a financiar programas de coleta e reciclagem ou a criar produtos mais fáceis de reciclar, por exemplo.


Equador e Peru: aplicativo para recicladores

Melhorar a gestão de resíduos e promover a inclusão na reciclagem no Equador: esses foram os objetivos que levaram à criação do ReciVeci, aplicativo e plataforma que facilitam a colaboração entre cidadãos e catadores autônomos. Hoje, o app está disponível nas cidades de Quito, Cuenca, Guayaquil e, em 2023, começou sua expansão para o Peru.

“O ReciVeci nasceu da necessidade de resolver dois problemas: a geração de resíduos sólidos e a demanda dos catadores”, explicou Sofía Baque, coordenadora de parcerias da plataforma. 

Por meio de um mapa interativo, o aplicativo permite que os cidadãos localizem catadores para a coleta diretamente em suas residências. Isso permite que os usuários conheçam seus recicladores, “o que cria um vínculo que promove entregas regulares e uma relação de confiança mútua”, disse Baque.

O aplicativo ReciVeci, disponível nas cidades equatorianas de Quito, Cuenca e Guayaquil, permite que os cidadãos localizem catadores para a coleta diretamente em suas residências. Imagem: ReciVeci

O aplicativo, que começou como um projeto voluntário e coletivo, obteve um capital inicial de US$ 10 mil de investidores após vencer um desafio de empreendedorismo urbano em 2018. Esse financiamento permitiu o desenvolvimento de uma nova versão do aplicativo, “mais interativa e que nos permitiu nos consolidar como uma startup”, acrescentou Baque.

Além de conectar os catadores de materiais recicláveis com os cidadãos, os usuários do ReciVeci podem acumular pontos e trocá-los por prêmios, incentivando o público a reciclar ainda mais. O aplicativo também fornece métricas aos usuários, ajudando-os a medir e quantificar seu próprio impacto na gestão de resíduos. 

Segundo Baque, o app já ajudou a coletar 150 toneladas de resíduos e conta com dois mil catadores registrados. Já Lorena Gallardo, fundadora da iniciativa, disse recentemente ao podcast da Forbes Ecuador que eles recuperaram 200 toneladas de material reciclável e, com base em seus cálculos, evitaram a emissão de 300 toneladas de dióxido de carbono.

domingo, 7 de abril de 2024

Prefeitura inaugura a Fábrica Verde, em Cordovil

Em qualquer projeto a gestão dos stakeholders é fundamental para bons resultados. 

O Projeto da fábrica Verde em nenhum momento considerou que seria necessário interagir com a Gestora do Sistema de Limpeza Urbana da Cidade do Rio de Janeiro, e que é a operadora da coleta seletiva da cidade. 

O Projeto da fábrica Verde não levou em consideração a operação da coleta seletiva da cidade. O modelo adotado pelo Rio de Janeiro não coleta seletivamente têxtil, óleo vegetal, embalagens longa vida, eletrônicos e coco.

A esperança é que a coisa seja entregue para a Iniciativa Privada. Todavia, muito provavél é daqui a algum tempo o stakeholder Gestor do Sistema de Limpeza Urbana da Cidade do Rio de Janeiro seja convocado para ajudar quando a coisa estiver em dificuldades logisticas, assim como aconteceu com o "Recicla Comunidade".

Até um triciclo elétricopara coleta seletiva foi apresentado! Alguém sabe como vai operar? VAi sair de Cordoviu para operar em Santa Cruz, Leblon?






Meio Ambiente Notícias

A Fábrica Verde ocupa uma área de seis mil metros quadrados na Avenida Brasil - Beth Santos/Prefeitura do Rio

O prefeito Eduardo Paes e a secretária municipal de Meio Ambiente e Clima (SMAC), Tainá de Paula, acompanhados do ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Márcio Macêdo, inauguraram, nesta quarta-feira (03/04), a primeira fase da Fábrica Verde, em Cordovil, na Zona Norte. O equipamento vai promover o aumento da reciclagem de resíduos gerados na cidade, assim como a inclusão social e econômica da população de baixa renda por meio da economia circular.

– É muito bom a gente poder fazer essa estrutura aqui na Avenida Brasil para vocês (catadores). O mais importante é que a Fábrica Verde começa a funcionar com a gestão da Secretaria de Meio Ambiente, mas sempre olhando para uma transição, para que isso aqui seja de vocês. Que o governo faça só um impulsionamento, mas que esse espaço seja sustentável e possa caminhar somente com o esforço de vocês – afirmou o prefeito Eduardo Paes.

O processo seletivo das cooperativas que vão atuar no espaço está sendo realizado e a operação deve começar em até duas semanas. Recém-adquirido pela Prefeitura do Rio, o prédio que será a sede da Fábrica Verde tem aproximadamente 6.000m² e fica localizado na Avenida Brasil. Além da reciclagem de resíduos, abrigará projetos de capacitação para cerca de 1.500 profissionais por ano.

 – Hoje, a gente apresenta a primeira fase de nossa fábrica. É a primeira vez que a gente está garantindo o lucro e o pagamento aos catadores. Eles são capazes e se autogovernam, e vão tirar o lucro a partir dos produtos. Não vão precisar terceirizar e entregar o material para as grandes empresas recicladoras. Todos os produtos da Fábrica Verde vão estar à disposição na plataforma de venda online da Prefeitura e nós vamos vender a produção diretamente  ao consumidor, não vamos distribuir lucro com empresas não preservam o meio ambiente – ressaltou a secretária de Meio Ambiente e Clima, Tainá de Paula.

O objetivo é estimular a evolução das atividades e das políticas públicas desenvolvidas em cada espaço voltado para a preservação e a conscientização ambiental.

– Essa experiência aqui da Fábrica Verde enche os olhos e tem que dar certo para ser exportada para o país inteiro. A cadeia produtiva da reciclagem é um trabalho digno como qualquer outro, não pode ser discriminada. Além de tudo, são agentes ambientais porque evitam que uma quantidade de material polua o meio ambiente – disse o ministro Márcio Macêdo.

Qualificação ajuda a ingressar no mercado formal

Os catadores que atuarem do projeto receberão uma bolsa e uma participação pelo material reciclado. Além disso, se participarem das qualificações, também terão condições de buscar oportunidades de acessar o mercado formal. A cooperativa desses trabalhadores recebe como incentivo um direcionamento dos itens recicláveis para a fábrica e apoio logístico para a venda do material.

– Para a gente, esse espaço vai ter um significado muito importante, com a inclusão direta dos catadores e catadoras de material reciclável. Isso valoriza a mão de obra e também vai agregar valor ao nosso trabalho dentro da cadeia produtiva da reciclagem. A gente vai ter um espaço que diminui os custos, porque muitos de nós pagamos aluguel pelo espaço onde são montadas as nossas bases. Tem também outros gastos, como água e luz. Então, quando se tem um parceiro que vai arcar com esses custos, você consegue agregar valor para poder aumentar a renda do catador e da catadora  – disse Claudete Costa, que será a gestora da parte de reciclagem de resíduos da Fábrica Verde.

O espaço também será uma fábrica-escola para gerar produtos finais, com valor agregado. Na medida em que as pessoas forem capacitadas, vão colocar o aprendizado delas nas peças produzidas a partir dos resíduos processados na Fábrica Verde.

A Fábrica Verde é um grande centro não só logístico, mas também para a aplicação dos resíduos em toda a cadeia produtiva da reciclagem. Hoje, a maior parte do trabalho dos catadores consiste na triagem e prensa do material coletado.

A proposta aqui é que o catador consiga, por exemplo, lavar e triturar o plástico, que passa a ter outro valor agregado e, assim, ele vai ganhar mais. Isso é transferência de tecnologia social para que esses catadores consigam agregar mais valor ao produto do seu trabalho – explicou a coordenadora da Fábrica Verde, Lívia Galdino.

Com operação plena, a Fábrica Verde vai desenvolver e gerar produtos nas suas instalações a partir do resíduo coletado. A ideia é que a parte têxtil seja utilizada também para a confecção de roupas, bolsas, estojos que podem servir para algum projeto-piloto em escola do município ou para algum hospital da rede municipal ou posto de saúde.

Outro exemplo é o óleo residencial que será coletado. A ideia é transformá-lo em cosmético. E, futuramente, a previsão é a expansão dessa planta do óleo para geração de biodiesel.

Do material coletado, o alumínio tem maior índice de reciclagem. Noventa e oito por cento do alumínio descartado hoje no Brasil são reciclados e voltam para novas latinhas. Há um volume muito grande, também, de papel, que após reciclagem serve para fazer papel e papelão reciclados.



A Fábrica Verde terá capacidade de produzir:

Triagem de recicláveis

300 toneladas de material reciclado por mês, estreitamento da cadeia de reciclagem direto para a indústria e criação de 32 postos de empregos diretos

Têxtil

Produção de nove mil cobertores e quatro mil peças de vestuário por mês, com a geração de 42 postos de emprego e faturamento de R$ 204 mil por mês.

Óleo vegetal

Produção de dois mil quilos de sabão e sabonetes por mês, com a geração de 12 postos de emprego e faturamento de R$ 15 mil/mês. Evitando a contaminação de aproximadamente 150 milhões de litros de água.

Placas de embalagem longa vida

Produção de seis mil telhas ecológicas por mês, com a geração de 12 postos de emprego e faturamento de R$ 480 mil por mês.

Eletrônicos

Recondicionamento de 50 computadores por mês, com a geração de 20 postos de emprego e faturamento de R$ 80 mil por mês.

Coco

Processamento de 80 mil quilos por mês, produção de 50 mil quilos de fibra e pallets para combustível verde, com a geração de 12 postos de emprego e faturamento de R$ 80 mil/mês.