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sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Dois estudos da Comlurb sobre desperdício de alimentos

 


A Comlurb divulgou a participação de profissionais do Centro de Pesquisas e da DTE em dois artigos científicos sobre desperdício de alimentos. Bianca Quintaes, Alessandra Lourenço e André Menescal participam do estudo sobre resíduos alimentares em escolas; Bianca, Alessandra, André, Fábio Bocti e Bernardo Ornelas integram o trabalho sobre desperdício de alimentos domiciliar no Rio de Janeiro, em colaboração com pesquisadores universitários. Há uma pequena divergência na comunicação interna: ela informa que os dois trabalhos foram publicados na Waste Management & Research, mas os arquivos anexos mostram que o primeiro saiu nessa revista e o segundo foi publicado na revista Waste, da MDPI.





O artigo “Unveiling food waste in schools based on a low-cost and simplified approach to waste assessment” analisou o desperdício de alimentos em 20 escolas públicas do Rio, envolvendo aproximadamente 9 mil estudantes. O método combinou entrevistas com gestores e análise da composição dos resíduos, evitando a pesagem individual dos restos de cada prato. Os resultados mostraram uma diferença importante entre percepção e medição: 65% dos gestores não consideravam o desperdício alimentar um problema relevante, enquanto a análise indicou que cerca de 57% dos resíduos orgânicos poderiam ser evitados. O desperdício médio nos pratos foi estimado em 37 gramas por aluno e o desperdício na cozinha em 31 gramas; arroz e feijão apareceram com destaque entre os alimentos descartados. O estudo conclui que medir é uma etapa necessária antes de definir intervenções e apresenta o método utilizado como uma alternativa de baixo custo e pouca interferência na rotina escolar.

O segundo trabalho, “A Three-Year Assessment of Food Waste in Rio de Janeiro Municipality (Brazil): A First Step Toward Understanding the Issue in Brazil”, analisou amostras de resíduos domiciliares coletadas entre 2021 e 2023 em 155 bairros, abrangendo nove regiões da cidade. Foram examinados aproximadamente 24 mil quilos de resíduos alimentares. No período, a matéria orgânica representou, em média, 47,7% dos resíduos domiciliares analisados; dentro do desperdício alimentar, frutas, verduras e saladas responderam por 70,8%, enquanto a categoria formada principalmente por arroz, feijão, grãos e pequenas partículas representou 18,2%. O estudo identificou diferenças de composição entre regiões e ao longo do tempo e conclui que o monitoramento continuado é necessário para formular estratégias locais de prevenção do desperdício, recuperação de alimentos, reciclagem e tratamento da fração orgânica.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Inteligência artificial: o presente que exige responsabilidade

Em 2024, a Diretoria de Compliance foi a primeira estrutura da Comlurb a reunir sua equipe para discutir abertamente o uso da inteligência artificial no trabalho. Naquele momento, a tecnologia ainda carregava certo ar de ameaça, como se toda conversa sobre IA começasse necessariamente pelo medo da substituição dos empregos. Preferimos olhar por outro ângulo: havia ali uma oportunidade concreta de melhorar procedimentos, organizar informações, revisar documentos e dar mais agilidade ao Programa de Integridade e Transparência. 

Na DCO, procuramos transformar a curiosidade em experimentação prática. Reunimos a equipe para discutir oportunidades e riscos, produzimos uma edição do Panorama de Integridade e Transparência dedicada ao tema e elaboramos um treinamento sobre construção de prompts, acompanhado de um e-book com orientações para formular perguntas mais claras e obter respostas mais úteis. Também experimentamos o “Seu Conforme”, um assistente digital voltado a dúvidas sobre normas, procedimentos e boas práticas. A intenção nunca foi substituir o conhecimento dos empregados, mas facilitar o acesso à informação e reduzir o espaço para improvisos. Foram ainda estudadas aplicações na triagem inicial de denúncias, na organização de respostas ao 1746, na preparação de informações para órgãos de controle e na revisão de textos normativos. Algumas eram experiências; outras, possibilidades. O mais importante foi romper a paralisia produzida pelo medo e mostrar que aprender a usar a ferramenta também era uma forma de organizar melhor o pensamento.



Agora, a publicação do Guia Orientativo de Uso Ético da Inteligência Artificial no Serviço Público Municipal, instituído pela Resolução SMIT nº 26, confirma que o uso da ferramenta se alastrou e deixou de ser curiosidade de poucos. A IA não é mais uma hipótese de futuro. Já está sentada à mesa.

O guia é bem-vindo porque não parte da proibição. Ao contrário, afirma expressamente que pretende incentivar o uso ético e responsável da IA como caminho para inovar com segurança, proteger o cidadão e fortalecer a confiança na administração pública. Essa escolha conceitual é importante. Toda tecnologia nova provoca dois impulsos igualmente perigosos: a adesão deslumbrada e a rejeição assustada. O documento procura evitar os dois ao reconhecer usos que geram valor público — resumir documentos, organizar grandes volumes de informação, simplificar textos técnicos, apoiar respostas aos cidadãos e reduzir retrabalho — sem esquecer que eficiência sem integridade pode apenas produzir erros em maior velocidade.

O ponto central está na responsabilidade humana. O guia repete uma ideia que deveria acompanhar toda ferramenta de gestão: a IA apoia; o agente público decide. Conteúdos precisam ser revisados, informações jurídicas e estatísticas devem ser verificadas em fontes oficiais, dados pessoais não podem ser despejados em plataformas externas não autorizadas e decisões que afetem cidadãos exigem transparência, possibilidade de explicação e revisão humana. O documento também alerta para alucinações, vieses algorítmicos, exposição de dados e manipulação por instruções maliciosas. Nada disso deve servir para demonizar a IA. Serve para lembrar que uma ferramenta poderosa amplia tanto a capacidade de fazer bem quanto a capacidade de errar. A responsabilidade final continua sendo de quem assina, decide e publica.

No fim, o uso íntegro da inteligência artificial não depende apenas de manuais, mas de cultura, capacitação e pensamento crítico. O guia oferece uma boa moldura para que a inovação não caminhe separada da proteção de dados, da transparência e do interesse público. Mas será preciso cuidado para que a prudência não vire estigma e para que a governança não se transforme em barreira burocrática destinada apenas a desencorajar quem tenta inovar. A IA não deve substituir a experiência, o conhecimento técnico ou o julgamento humano. Deve ampliá-los. Em 2024 já era possível perceber essa oportunidade. Em 2026, ela ficou institucionalmente reconhecida. A inteligência artificial é o futuro — ou melhor, o futuro chegou antes de terminarmos a frase.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Bigbelly, agora também na Irlanda




No post de 2025 eu já havia chamado atenção para a lógica do Bigbelly: uma lixeira compactadora solar, fechada, capaz de armazenar algo como 5 a 8 vezes mais resíduos do que uma papeleira convencional, com sensores de enchimento e potencial para reduzir coletas desnecessárias. A tecnologia me interessava menos pelo brilho do “smart” e mais pelo que ela revela de inteligência operacional: compactar, conter, monitorar e só então coletar.

Agora surgem novos exemplos na Irlanda, e em escala que já não permite tratar o equipamento como curiosidade exótica. O mercado irlandês informa presença de mais de 3.000 unidades no país, com implantação em lugares como Dublin, Cork, Meath, Kilkenny, Laois, Tipperary, Donegal e Waterford. Em Dún Laoghaire-Rathdown, o próprio conselho local informa usar esses “smart bins” desde 2014, com cerca de 450 unidades em operação.

O que me chama atenção, mais uma vez, é que o valor do Bigbelly não está apenas no equipamento em si, mas no conceito de gestão que ele carrega. A prefeitura irlandesa destaca exatamente o que importa: maior capacidade, monitoramento online, coleta quando necessário em vez de roteiro fixo, menos veículos rodando e menos transbordamento visível. É a velha diferença entre varrer calendário e gerir demanda real. A lixeira deixa de ser só recipiente e passa a ser ponto de inteligência da operação.

Claro que toda tecnologia precisa ser lida à luz do território. O que funciona bem em ambientes de maior disciplina urbana pode enfrentar outros desafios em contextos com vandalismo, furto e uso antissocial do espaço público. Mas os exemplos irlandeses reforçam um ponto que me parece cada vez mais claro: o Bigbelly não é apenas uma lixeira sofisticada. É uma pequena peça de uma gestão urbana que tenta trocar improviso por informação, e coleta reativa por coleta racional. E isso, por si só, já merece atenção.



quinta-feira, 2 de julho de 2026

Quando a varrição sai da intuição


Há áreas da limpeza urbana que ainda são administradas com excesso de hábito e escassez de medida. A varrição é uma delas. O conceito apresentado no material anexo me parece valioso justamente porque tenta responder, de forma simples e estrutural, a uma pergunta que a operação costuma evitar ou tratar por impressão: a quantidade de garis e varredeiras hoje alocada é suficiente para varrer todos os logradouros dentro da frequência planejada? O mérito do índice proposto está em recolocar a discussão no lugar certo. Antes de julgar o resultado visível da limpeza, é preciso saber se a capacidade instalada guarda alguma proporção com a demanda assumida.

A imagem central do modelo é boa: uma balança. De um lado, a capacidade — gente e máquina. Do outro, a demanda — tudo aquilo que precisa ser varrido, com a frequência programada. Quando os dois lados se equilibram, a operação está, ao menos em tese, dimensionada. Quando a capacidade fica abaixo da demanda, falta recurso. Quando fica acima, sobra recurso. Parece elementar, e talvez seja justamente esse o ponto. Muitas vezes a gestão pública se complica em relatórios sofisticados para não enfrentar o básico: saber se colocou recurso de menos, de mais ou na medida certa.

O ganho conceitual fica ainda mais interessante porque o índice não parte de uma abstração genérica da cidade. Ele exige cadastro atualizado de logradouros, com extensão de sarjeta, perfil territorial, estado da sarjeta e frequência planejada. Ou seja: a capacidade não é medida contra uma cidade imaginária, mas contra a cidade concreta. Isso é fundamental. A produtividade de um gari não pode ser pensada da mesma forma em uma área formal de alta densidade, em uma periferia rarefeita ou em um trecho informal com pavimento precário e obstáculos fixos. O modelo tem a virtude de reconhecer que a cidade não é homogênea e que a varrição tampouco pode ser tratada como se fosse.

Outra qualidade do conceito está em não reduzir a análise à mão de obra. A capacidade manual aparece combinada com a capacidade mecanizada, o que ajuda a enxergar a operação como um sistema misto, e não como a velha oposição simplória entre gari e máquina. Mais importante ainda: o material deixa claro que a substituição entre um e outro não é automática. Há vias mecanizáveis e vias que não são. Há máquinas de portes distintos. E há um ponto que considero decisivo: a máquina pode ampliar capacidade, mas não necessariamente preservar a mesma qualidade real da limpeza em cantos, sarjetas obstruídas ou áreas com interferências. Gestão séria não trata mecanização como milagre; trata como escolha condicionada pelo território.

Mas talvez o coração mais maduro da proposta esteja na relação entre o Índice de Atendimento de Varrição (V) e o Índice de Limpeza (IPL). Isso é o que impede que o indicador vire fetiche numérico. O próprio material afirma que V é indicador de meio e IPL é indicador de resultado. Um mostra se há recurso suficiente. O outro mostra se a limpeza entregue está boa. Cruzar os dois evita um erro clássico da gestão operacional: confundir falta de recurso com má execução, ou má execução com falta de recurso. Se o V está equilibrado e o IPL está ruim, o problema não é quantidade: é operação, supervisão, treinamento, equipamento ou rotina mal conduzida. Se o V está baixo e o IPL também, aí sim temos déficit de cobertura. Essa matriz de leitura é muito mais útil do que o hábito de atribuir toda sujeira visível, indistintamente, à “falta de gente”.

Gosto também do fato de o modelo admitir duas alavancas possíveis para alterar o resultado: mexer nos recursos ou mexer nas frequências planejadas. Essa é uma distinção importante e politicamente delicada. Aumentar gente e máquina eleva capacidade. Reduzir frequências diminui demanda. Ambos podem melhorar o índice, mas não produzem o mesmo efeito para a cidade. A tentação burocrática de “fechar a conta” rebaixando a frequência sempre existirá. Por isso o índice, sozinho, não deve ser usado como álibi de ajuste contábil. Ele é bom justamente quando obriga o gestor a revelar qual escolha está fazendo: reforçar a operação ou apenas rebaixar a ambição do planejamento.

No fundo, o conceito apresentado no anexo faz algo que considero raro e necessário: devolve inteligência de planejamento à varrição. A cidade costuma olhar para a varrição como serviço menor, repetitivo, quase automático. Não é. Varrer bem uma cidade é equacionar território, frequência, sarjeta, densidade, estado do pavimento, quantidade de gente, mecanização disponível e qualidade percebida. Quando tudo isso some sob o manto da rotina, sobra apenas intuição gerencial — e intuição, sozinha, costuma ser a antecâmara do desperdício. O índice não substitui o olhar do gerente experiente. Mas oferece a esse olhar um espelho mais honesto.

Por isso considero o material importante. Não pelas fórmulas, que deixo ao anexo, mas pelo conceito que ele sustenta: varrição deve ser pensada como relação entre capacidade programada e demanda real, sempre confrontada com o resultado efetivamente percebido na rua. Parece pouco. Não é. Em uma organização que muitas vezes mede demais o que é fácil e de menos o que é decisivo, recolocar a varrição nesse patamar já é um avanço intelectual. E, em gestão operacional, quase sempre é o avanço intelectual que antecede o avanço prático.



Índice de Atendimento de Varrição - Base 01062026 by Gustavo Puppi

Gestão de Produtividade - Varrição by Gustavo Puppi

Produtividade não é correr mais. É pensar melhor a frota.


Durante muitos anos, a limpeza urbana foi medida de modo excessivamente intuitivo. Havia tonelagem, havia quilometragem, havia consumo de recurso, havia percepção empírica do gerente mais experiente. Tudo isso ajuda, mas nada disso, isoladamente, responde à pergunta essencial: a frota está produzindo bem para o custo que consome e para o território em que opera? O conceito apresentado neste material anexo parte justamente dessa inquietação. Ele não tenta transformar a operação em planilha sem alma. Tenta fazer o contrário: devolver inteligência àquilo que muitas vezes é administrado apenas por costume.

A primeira virtude da proposta está em abandonar a preguiça analítica de medir produtividade por um único número bruto. Um caminhão não trabalha apenas pelo peso que coleta. Ele trabalha no tempo, na distância, na carga efetivamente transportada e, sobretudo, dentro de um contexto territorial que condiciona seu rendimento. O conceito de produtividade efetiva apresentado no arquivo parte dessa ideia simples e poderosa: não basta saber se o veículo rodou ou se coletou muito; é preciso entender a intensidade real do trabalho que ele entregou. É a diferença entre movimento e resultado. Há frotas que parecem ativas, mas apenas circulam. Há outras que, com menos espetáculo, produzem mais valor operacional.

A segunda virtude está em tratar a utilização da capacidade como parte central do diagnóstico. Caminhão subcarregado é um luxo que a operação pública raramente pode se permitir. O material lembra que há um limiar abaixo do qual a subutilização se torna crítica. Isso é importante porque, na prática, muita ineficiência se esconde sob a aparência do serviço executado. O caminhão saiu, a guarnição trabalhou, a rota foi cumprida. Mas, se o ativo foi mal aproveitado, o sistema perdeu eficiência sem necessariamente parecer falho. A boa gestão de frota precisa enxergar esse tipo de desperdício silencioso.

Talvez o ponto mais interessante do conceito seja o cruzamento entre produtividade e ocupação do veículo. É aí que a metodologia deixa de ser mera contabilidade e se aproxima de um instrumento de gestão. Quando a frota apresenta baixa produtividade e baixa ocupação, o problema é um. Quando o caminhão roda bem, mas com carga leve, o problema é outro. Quando sai cheio, mas percorre pouco ou fica preso em baixa fluidez, o diagnóstico muda novamente. Em outras palavras: a matriz não serve apenas para dizer quem está melhor ou pior. Serve para indicar onde está o defeito — se na roteirização, no desenho territorial, no tipo de equipamento ou na forma de utilização do ativo. É uma ferramenta de leitura, não apenas de julgamento.

Outro acerto importante é a ponderação pelo custo. Em operações públicas, é muito comum que indicadores fiquem distorcidos porque misturam ativos caros e baratos como se tivessem o mesmo peso. O arquivo corrige isso ao partir do princípio de que veículo caro produzindo pouco deve derrubar o desempenho global com mais força do que um auxiliar barato. Essa opção conceitual me parece correta. Ela impede que a ineficiência seja mascarada por ativos menores ou mais baratos que “embelezam” o indicador sem representar o centro do gasto. A mesma lógica aparece no tratamento dado a viaturas satélites e microtratores: como não registram peso individual, devem ser usados com racionalidade, sob pena de penalizar artificialmente a operação. Esse é um ponto particularmente relevante num ambiente em que, não raro, equipamentos de apoio passam a ser usados onde a viatura principal poderia operar.

Há ainda um ganho de justiça comparativa na segmentação territorial por tipologia de densidade. Esse talvez seja um dos erros mais frequentes em rankings operacionais mal construídos: comparar áreas densas, médias e rarefeitas como se enfrentassem o mesmo desafio logístico. Não enfrentam. A proposta do arquivo reconhece isso ao classificar as regiões por densidade e estabelecer metas compatíveis com o tipo de território. É uma decisão madura, porque protege a análise contra a tentação da injustiça estatística. Sem essa segmentação, o ranking premia contexto e pune geografia. Com ela, o desempenho começa a ser comparado entre pares reais.

O Índice de Eficiência Operacional e o Escore de Desempenho Relativo aparecem, então, como consequência natural dessa arquitetura conceitual. Não como fetiche numérico, mas como síntese executiva. O que me agrada aqui é justamente o fato de o escore ser apresentado em relação à mediana do próprio grupo. Isso reduz a ilusão do campeão absoluto e torna a leitura mais honesta: superior, mediano ou abaixo da expectativa dos seus pares diretos. Em gestão pública, essa sobriedade vale ouro. Porque a obsessão pelo ranking muitas vezes destrói o principal, que é aprender com o diagnóstico e corrigir a operação.

No fundo, o que este conceito propõe é algo que venho defendendo há muito tempo: a limpeza urbana precisa sair do improviso ilustrado e entrar na era da cognição operacional. Não basta ter caminhões, garis e orçamento. É preciso saber se o arranjo entre eles está produzindo o melhor valor possível para a cidade. Produtividade não é apenas fazer mais. É fazer com critério, com adequação de carga, com coerência entre equipamento e território, com leitura real do custo e com coragem de enxergar onde a operação parece trabalhar muito, mas entrega pouco. Esse tipo de metodologia não substitui o olhar do gestor experiente. Faz algo melhor: dá a esse olhar um espelho técnico mais nítido.

Por isso considero o material anexo valioso. Não porque apresente fórmulas elegantes ou um vocabulário moderno, mas porque toca num nervo central da gestão operacional: a necessidade de medir sem simplificar demais e de comparar sem cometer injustiças. Em tempos de operações que muitas vezes confundem presença com resultado, volume com inteligência e rotina com estratégia, pensar produtividade da frota dessa forma é mais do que um exercício técnico. É uma forma de recuperar a dignidade do raciocínio na gestão pública.



Gestão de Produtividade de Frotas 20052026 by Gustavo Puppi

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Inovação para um problema que quase não existe

Rio vai testar drone para evitar afogamentos e bicicletas aquáticas para limpar lagoas

Classificado em primeiro lugar no processo seletivo organizado pelo município, o projeto da BiClean levou dois anos entre a concepção e a obtenção da patente. A ideia do inventor é iniciar os testes com quatro unidades em uma base na altura do Parque dos Patins na Lagoa Rodrigo de Freitas, em data ainda a ser definida pelo município que vai autorizar os testes para criar um marco regulatório.

A eletricidade para operar os equipamentos que vão coletar resíduos e recolher amostras de água virá de um painel solar e da disposição de curiosos em pedalar para testar o aparelho.

— Um dos objetivos é promover a educação e a consciência ambiental de que o lixo despejado irregularmente vai parar em rios e lagoas. Devemos oferecer algum brinde com base no volume de lixo recolhido — explicou o criador do BiClean, Marcius Victório da Costa.



A proposta da BiClean pode ser simpática como peça de inovação urbana, mas parte de uma premissa que, para quem frequenta a Lagoa Rodrigo de Freitas diariamente, parece frágil. Como remador, percorro suas águas praticamente todos os dias, por cerca de uma hora, e afirmo com tranquilidade: não existe resíduo sólido flutuante na Lagoa em volume que justifique tanta preocupação com equipamentos embarcados de limpeza. A imagem de um espelho d’água tomado por lixo simplesmente não corresponde à realidade observável. Por isso, antes de celebrar a novidade, convém perguntar se o problema que ela pretende resolver existe de fato na escala sugerida.

A notícia informa que o projeto selecionado pelo Sandbox.Rio pretende testar bicicletas aquáticas elétricas para coleta de resíduos flutuantes e microplásticos, com base na altura do Parque dos Patins, unindo limpeza, lazer e educação ambiental. Como conceito, a ideia é engenhosa. Como resposta operacional à Lagoa, nem tanto. O ponto principal não é discutir se o equipamento funciona, mas se há demanda real para ele. E, do ponto de vista de quem conhece a Lagoa por dentro, remando sobre suas águas e observando sua superfície dia após dia, a resposta parece ser negativa: o lixo flutuante é raro, eventual e insuficiente para justificar a criação de uma nova camada de aparato náutico.

Essa percepção prática ajuda a relativizar também a lógica da já conhecida “marinha laranja”. Há algum tempo se insiste em dispor embarcações, catamarãs e equipamentos de limpeza como se a Lagoa exigisse vigilância constante contra resíduos sólidos flutuantes. Não exige. A exceção costuma ocorrer depois de chuvas fortes, quando algum material vegetal, galhos ou detritos carreados chegam ao espelho d’água. Mesmo nesses casos, o vento da tarde normalmente empurra esse material para as margens, onde a remoção pode ser feita de forma simples e proporcional. Transformar essa exceção em justificativa para manter uma rotina de limpeza embarcada permanente parece menos uma necessidade ambiental e mais uma superestimação do problema.

É importante notar que essa crítica não nega a utilidade de intervenções pontuais. Se houver episódio extraordinário, chuva intensa, acúmulo localizado ou necessidade específica de manejo, a atuação embarcada pode fazer sentido. O que não parece razoável é tratar a Lagoa como se houvesse ali um passivo contínuo de resíduos sólidos flutuantes, quando a observação direta indica exatamente o contrário. A inovação, nesse caso, corre o risco de repetir um vício comum da gestão pública: criar solução vistosa para um problema pequeno. O equipamento passa a existir não porque a necessidade o impõe, mas porque a narrativa da inovação pede um objeto visível, fotogênico e facilmente comunicável.

A questão da qualidade da água existe, claro, mas é outra discussão. A própria Prefeitura mantém monitoramento sistemático da Lagoa, com boletins regulares sobre parâmetros físico-químicos e biológicos. Esse acompanhamento é importante e ajuda a compreender a dinâmica ambiental do sistema lagunar. Mas não se deve confundir qualidade da água com presença visível de resíduos sólidos flutuantes. Uma coisa é monitorar a saúde ambiental do corpo hídrico; outra, bem diferente, é sugerir que há lixo boiando em quantidade tal que justifique novas embarcações de limpeza. O problema principal da BiClean, portanto, não é tecnológico. É de diagnóstico.

No fim, a melhor contribuição que alguém pode dar a esse debate talvez seja justamente a da experiência cotidiana. Quem observa a Lagoa da margem vê uma paisagem. Quem a percorre remando todos os dias vê a realidade do espelho d’água. E essa realidade, ao menos hoje, não revela um ambiente carregado de lixo flutuante. Revela uma Lagoa limpa, com ocorrências episódicas e localizadas, que não parecem justificar nem a antiga ênfase da “marinha laranja” nem o entusiasmo imediato com a BiClean. Antes de multiplicar equipamentos, convinha reconhecer um dado simples: o resíduo sólido flutuante na Lagoa Rodrigo de Freitas não é, hoje, um problema na escala que essas soluções fazem supor.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Varredeiras mecânicas e o velho problema de não saber usar bem o que se tem

 


Comlurb apresenta novas varredeiras de grande porte para reforçar a limpeza da cidade.
Neste domingo (11/01) foram apresentadas as novas varredeiras de grande porte! São 13 novos veículos que vão atender toda a cidade, atuando na limpeza de vias expressas, viadutos e túneis. Cada varredeira tem capacidade de varrição equivalente ao trabalho de 30 garis, além de auxiliar na limpeza de ralos. Em um turno de 8 horas, os veículos realizam cerca de 40 km de varrição das vias. O evento aconteceu na Estrada do Tingui, em Campo Grande, onde a Prefeitura inaugurou um novo trecho da via


A apresentação de novas varredeiras de grande porte pela Comlurb é, em tese, uma boa notícia. Equipamentos desse tipo fazem sentido em uma cidade como o Rio, especialmente para vias expressas, viadutos e túneis, onde a varrição manual expõe trabalhadores a risco e nem sempre consegue dar conta da escala do serviço.

O problema é que, na Comlurb, varredeiras mecânicas quase nunca foram plenamente compreendidas como conceito operacional. Sempre existiram como equipamento. Raramente existiram como inteligência de uso.

Durante muito tempo, a ideia de que a presença visível do gari resolve ou simboliza melhor a limpeza acabou ofuscando a mecanização onde ela realmente faria diferença. Não por oposição entre homem e máquina, mas por falta de clareza sobre o lugar de cada um. Resultado: em vez de usar a máquina onde ela reduz risco, amplia produtividade e libera mão de obra para tarefas mais adequadas ao trabalho manual, muitas vezes se fez o contrário.

Varredeiras de grande porte deveriam ser quase exclusivas de grandes corredores viários, exatamente onde a varrição manual é perigosa e há carência de cobertura para longas extensões. A notícia, nesse ponto, aponta corretamente para vias expressas, viadutos e túneis. Mas a prática histórica recomenda cautela. Já se viu esse tipo de equipamento operando em logradouros como a Avenida Nossa Senhora de Copacabana, onde há disponibilidade de varrição manual e onde o ambiente urbano restringe boa parte do potencial da máquina.

Também chama atenção a forma tímida com que, muitas vezes, esses equipamentos são operados. Varredeiras de grande porte costumam trabalhar, em padrões usuais de mercado, entre 8 e 15 km/h, dependendo das condições da via e do resíduo. Na prática, porém, frequentemente parecem reduzidas a um ritmo excessivamente conservador, próximo de 5 km/h, como se fossem tratadas mais como peça de demonstração do que como recurso de alto rendimento.

O problema não está apenas na velocidade. Está no repertório operacional limitado. Nunca se consolidou o uso da mangueira auxiliar, a wander hose, que permitiria limpar bocas de lobo, cantos protegidos, áreas atrás de muretas e outros pontos fora do alcance do bocal principal. Nunca se viu, de modo consistente, a operação combinada entre soprador e varredeira, que é justamente uma das formas mais eficientes de ampliar o alcance lateral da máquina e reduzir a dependência da varrição manual pesada.

Nas varredeiras médias, o equívoco assumiu outra forma. Em algum momento, parece ter se decretado que equipamentos do tipo Green Machine serviriam apenas para ciclovias, como se sua vocação urbana fosse mínima. Com isso, perderam-se oportunidades de uso em sarjetas e áreas onde a máquina poderia complementar muito bem o serviço manual. E a varredeira compacta, essa sim especialmente adequada para ciclovias e espaços mais estreitos, segue subutilizada, aparecendo mais em operações excepcionais do que na rotina.

Nada disso decorre de limitação tecnológica. O mercado conhece bem essas soluções. Os usos são conhecidos. O problema é gerencial.

Na administração pública, há um erro recorrente: imaginar que modernização é comprar equipamento novo. Não é. Modernização é mudar a lógica de uso. Sem isso, a máquina nova apenas decora práticas antigas.

As 13 novas varredeiras podem, sim, melhorar a limpeza da cidade. Mas isso dependerá menos da quantidade adquirida e mais da capacidade de utilizá-las com critério: nas vias certas, com velocidade compatível, com integração a outros recursos e sem subordinar a mecanização a uma cultura operacional que continua pensando como se toda limpeza urbana tivesse de ser manual, visível e lenta.

Em limpeza urbana, não basta ter máquina. É preciso saber para que ela serve.

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Biometano: quando a inovação finalmente encontra o seu tempo


Primeira frota movida a biometano A Comlurb apresentou, nesta sexta (30/01), a primeira frota movida a biometano! 

Serão 100 novos veículos que vão fazer os serviços de coleta domiciliar, remoção de lixo público e apoio às atividades de manutenção, operação e limpeza dos ecopontos em bairros nas Zonas Oeste e Sudoeste. Os modelos apresentam desempenho equivalente aos movidos a diesel, mas com redução em até 90% em emissões de gases de efeito estufa. Os ganhos ambientais incluem ainda menor nível de ruído, contribuindo para operações urbanas mais silenciosas e com menor impacto sonoro em áreas residenciais e turísticas. 

O biometano é um combustível 100% sustentável e a adoção da tecnologia limpa marca a tendência da Comlurb de descarbonização da frota em operação na cidade, alinhando inovação operacional à responsabilidade socioambiental. A frota será abastecida com o combustível renovável produzido a partir do lixo gerado no próprio município no Centro de Tratamento de Resíduos (CTR-Rio), em Seropédica. 

Compromisso com a sustentabilidade, inovação e melhoria da qualidade de vida da população carioca



Comentário:

A notícia da entrada em operação da primeira frota da Comlurb movida a biometano merece ser registrada não apenas pelo seu valor ambiental imediato, mas também pelo que ela revela sobre o tempo da inovação. Em 30 de janeiro de 2026, a Companhia apresentou 100 novos veículos destinados à coleta domiciliar, à remoção de lixo público e ao apoio à manutenção e limpeza dos ecopontos, com abastecimento por combustível renovável produzido a partir dos próprios resíduos do município. A proposta combina descarbonização da frota, redução de ruído e economia circular em uma escala operacional relevante.

Mas o aspecto mais interessante dessa notícia talvez não esteja apenas no presente. Está no passado que a tornou possível.

Em organizações públicas, sobretudo nas áreas operacionais, existe uma tendência recorrente ao imediatismo. Valoriza-se aquilo que aparece rapidamente e subestima-se o que exige maturação técnica, continuidade institucional e persistência. A inovação, porém, raramente obedece ao calendário da ansiedade. Muitas vezes, uma boa ideia precisa atravessar décadas, sobreviver a mudanças de gestão, limitações orçamentárias, barreiras tecnológicas e até ao ceticismo interno antes de se converter em realidade. Foi assim, ao que tudo indica, com o aproveitamento energético dos resíduos na Comlurb.

Há registros de que a Companhia, ainda nos anos 1980, já buscava alternativas energéticas associadas ao lixo urbano, em meio ao contexto de crise de energia e às primeiras experiências de recuperação de gás no Caju. Mais tarde, a agenda evoluiu para estudos de tratamento mais sofisticado da fração orgânica, biodigestão anaeróbia e aproveitamento do biogás com maior valor energético. Em 2010, a cooperação formal entre Comlurb e Coppe/UFRJ reforçou esse caminho ao avaliar a viabilidade técnica e ambiental de unidades de tratamento no Caju, com foco em soluções mais avançadas para o destino final dos resíduos.

Esse percurso ajuda a compreender por que a frota a biometano de 2026 não deve ser vista como um gesto isolado de modernização, mas como a colheita tardia de um processo longo. Entre a concepção e a implementação houve dificuldades conhecidas: custo de purificação do gás, necessidade de infraestrutura específica de abastecimento, adaptação tecnológica dos motores e maturação do próprio mercado brasileiro de biocombustíveis. O país, aliás, ainda explora parcela limitada do potencial energético do biogás gerado em aterros e unidades de resíduos, o que mostra que experiências como essa continuam sendo mais exceção do que regra.

Por isso, a notícia deve servir também como homenagem. Homenagem aos engenheiros, operadores, pesquisadores, dirigentes e trabalhadores que participaram das fases menos visíveis desse processo — justamente aquelas em que quase nada parecia pronto e tudo ainda precisava ser demonstrado. A inovação madura costuma ser injusta com seus pioneiros: quando finalmente chega às ruas, tende a apagar o esforço de quem a sustentou quando ela ainda era apenas hipótese, relatório técnico, planta piloto ou experimento de garagem.

Em serviços públicos, esse reconhecimento importa. Instituições aprendem mal quando tratam cada realização como se tivesse começado no mandato atual, no contrato atual ou na gestão atual. A memória técnica não é ornamento; ela é parte da capacidade de inovar. Esquecer o caminho percorrido empobrece o presente e dificulta o futuro.

A frota a biometano tem mérito por seus resultados ambientais e operacionais. Caminhões com desempenho equivalente ao diesel, menor emissão de gases de efeito estufa e menor impacto sonoro representam avanço concreto para uma cidade complexa como o Rio de Janeiro. Mas há um mérito adicional, menos visível: ela nos lembra que boas ideias não devem ser descartadas apenas porque ainda não encontraram as condições de viabilidade.

Em inovação, convém desconfiar da pressa e respeitar a maturação. Nem toda ideia adiada está errada. Algumas apenas chegaram antes do seu tempo.

E quando esse tempo finalmente chega, o mínimo que se deve fazer é celebrar o resultado sem esquecer a travessia.

segunda-feira, 1 de setembro de 2025

Contêineres de alta capacidade chegam à orla da Zona Sul

A instalação de contêineres de alta capacidade na orla não é exatamente novidade. Modelos semelhantes já foram testados em diferentes épocas e locais, com resultados mistos: ajudaram na organização, mas também trouxeram desafios de manutenção, higiene e impacto urbano. O verdadeiro diferencial não está no tamanho do contêiner, mas na gestão eficiente e contínua de sua operação.



Notícia:

A Comlurb segue firme no planejamento estratégico para melhorar o ordenamento e a gestão dos resíduos na cidade.

Na última sexta-feira (22/08), foram instalados 100 contêineres de alta capacidade (1.200 litros) ao longo da orla da Zona Sul, do Arpoador até o fim do Leblon. Dando continuidade à ação, nessa quarta-feira (27/08), a Companhia instalou mais 75 contêineres de alta capacidade e outros 200 de menor capacidade nas areias de Copacabana ao Leme.

Os novos equipamentos vão facilitar o descarte correto de resíduos, ajudando a manter a cidade mais limpa e organizada




sexta-feira, 18 de julho de 2025

Usina de valorização de resíduos como ponto de lazer

O vídeo descreve uma usina de energia em Copenhague, na Dinamarca, que transforma lixo em energia e tem uma pista de esqui no telhado. É considerada a usina mais limpa do mundo, recebendo de 250 a 350 caminhões de resíduos por dia e fornecendo aquecimento e eletricidade para 90.000 pessoas . As emissões são tratadas para liberar apenas vapor.

A usina foi projetada por Bjarke Ingels e inclui um parque público no telhado com uma pista de esqui de material artificial, a parede de escalada artificial mais alta do mundo, e áreas para caminhada e corrida. A sustentabilidade é evidente com mais de 200 espécies de vegetação e uma fachada de alumínio reciclado e vidro. O objetivo arquitetônico foi transformar um local indesejável em um ponto de lazer para a cidade 


Comlurb e Unesp Juntas por uma Gestão de Resíduos da Construção Civil Mais Inteligente no Rio de Janeiro

Uma iniciativa promissora para o futuro da gestão de resíduos no Rio de Janeiro foi selada nesta quinta-feira, 17 de julho, com a assinatura do convênio de cooperação científica entre a Comlurb e a Universidade Estadual Paulista (Unesp). A parceria visa realizar um diagnóstico aprofundado sobre a gestão dos Resíduos da Construção Civil (RCC) na cidade, abrangendo a coleta e destinação final, tanto pela Comlurb quanto por empresas privadas. Com base em dados fornecidos pela Companhia, serão desenvolvidas análises e propostas de soluções inovadoras, com o auxílio de sistemas de inteligência artificial.

Panorama da Gestão de Resíduos da Construção Civil no Rio de Janeiro

A gestão dos Resíduos da Construção Civil representa um desafio significativo para grandes centros urbanos como o Rio de Janeiro, devido ao elevado volume de materiais descartados. No Brasil, a Resolução CONAMA nº 307/02 estabelece diretrizes, critérios e procedimentos para o manejo desses resíduos, buscando minimizar os impactos ambientais.

No estado do Rio de Janeiro, o Instituto Estadual do Ambiente (INEA) implementou o Sistema MTR (Manifesto de Transporte de Resíduos), uma ferramenta online que controla a geração, transporte e destinação de resíduos sólidos, incluindo os da construção. A legislação classifica os RCC em diferentes classes (A, B, C e D), sendo a Classe A destinada a resíduos que podem ser reutilizados ou reciclados como agregados. A busca por boas práticas de gestão é contínua, visando à redução do volume de descarte, o incentivo ao reaproveitamento e a reciclagem dos materiais.

Biosector: Soluções Ambientais na Vanguarda

O encontro que marcou a assinatura do convênio contou com a participação de um representante da Biosector, uma empresa de soluções ambientais com atuação relevante no setor. A Biosector é especializada no desenvolvimento de projetos personalizados para a instalação de Unidades de Tratamento Mecanizado de Resíduos Sólidos (UTMRS). A empresa é responsável por todas as etapas, desde a construção e implantação até a operação, treinamento de equipes e manutenções, oferecendo tecnologia modular que se adapta às necessidades de clientes públicos e privados. Sua expertise contribui para minimizar os impactos ambientais de uma gestão ineficaz de resíduos sólidos, promovendo a economia circular e combatendo a poluição.

A expectativa é que o estudo gerado por esta cooperação aponte para estratégias de gestão ainda mais adequadas dos RCC, com otimização de recursos e um maior reaproveitamento desses materiais, promovendo assim uma significativa redução dos impactos ambientais e um futuro mais sustentável para a cidade do Rio de Janeiro.

Notícia: 

Assinatura do convênio de cooperação científica entre Comlurb e Unesp

Foi assinado na manhã desta quinta-feira, dia 17 de julho, o convênio de cooperação científica entre Comlurb e a Universidade Estadual Paulista (Unesp). O objetivo da parceria é a realização de um diagnóstico sobre a gestão de resíduos da construção civil (RCC) no Rio de Janeiro, envolvendo a coleta e destinação final pela Comurb e por privados. Com base nos dados repassados pela nossa Companhia, serão feitas análises e proposta de solução utilizando sistemas de inteligência artificial.

Conduzido pelo diretor de Serviços Urbanos, Renato Rodrigues, que representou o presidente Jorge Arraes, o encontro contou com a presença do assessor da presidência, Alberto Silva, do diretor Técnico e Industrial, Edson Rufino, do coordenador de sustentabilidade, Marcelo Sicri, do coordenador de Fiscalização Eduardo Furtado, e do coordenador de projeto, Bernardo Ornelas. Além dos profissionais da Unesp, participou também um representante da Biosector, empresa de soluções ambientais.

A expectativa é que o estudo aponte para estratégias de gestão adequada dos RCC, com otimização de recursos e reaproveitamento desses materiais, promovendo redução dos impactos ambientais para a nossa cidade



quinta-feira, 5 de junho de 2025

Comlurb inaugura o Banco de Alimentos na Cidade de Deus para combater a fome e o desperdício

A Comlurb inaugurou, na manhã desse sábado (31/05), o novo Banco de Alimentos da Cidade de Deus. A iniciativa, coordenada pela Comlurb em parceria com a Secretaria Municipal de Assistência Social e a Secretaria Municipal de Coordenação Governamental, conta com o apoio da rede de supermercados Zona Sul, que doa frutas, legumes e verduras fora do padrão estético para venda, mas ainda em perfeito estado nutricional. Os alimentos, que antes eram descartados, agora ganham um novo destino: ajudar a alimentar famílias em situação de vulnerabilidade social e insegurança alimentar.

“É uma alegria estar aqui inaugurando o segundo banco de alimentos da Comlurb, certamente faremos outros. Mais de um ano atrás, esses alimentos eram descartados pelo Zona Sul e hoje alimentamos pelo menos 500 famílias com esse projeto. Isso evita que esses alimentos de tão boa qualidade tenham como destino o aterro sanitário. Eu quero agradecer muito a parceria com o Zona Sul”, enfatizou o presidente da Comlurb, Jorge Arraes.

Durante o evento, Arraes entregou a cesta para Rafaela dos Santos, 35 anos, mãe de dois filhos, um de 14 e o outro de 3, que é atípico. Rafaela está desempregada e disse que a ajuda do Banco de Alimentos é essencial nesse momento.

Participaram da cerimônia de inauguração o vice-prefeito, Eduardo Cavaliere, o presidente da Comlurb, Jorge Arraes, o deputado federal Pedro Paulo, o secretário municipal de Esportes, Guilherme Schleder, o secretário de Coordenação Governamental, Edson Menezes, o secretário de Conservação, Diego Vaz, e todo o corpo gestor da Companhia.

A expectativa é distribuir mais de duas toneladas de alimentos por mês, promovendo a segurança alimentar da comunidade e contribuindo para a construção de uma cidade mais justa, solidária e sustentável. As famílias atendidas nas duas unidades do Banco de Alimentos correspondem a mais de 2 mil pessoas.




sábado, 15 de fevereiro de 2025

Inauguração das novas instalações da gerência de Paquetá

O isolamento da Ilha de Paquetá traz desafios operacionais que podem ser superados com uma visão de Gestão Integrada dos Resíduos Sólidos rompendo totalmente as fronteiras organizacionais. Paquetá é um microcosmo da Comlurb e ali deveria acontecer tudo que fosse inovador em gestão de resíduos e sustentabilidade! 

Entrega das novas instalações do posto de trabalho da Comlurb na Ilha de Paquetá (DLU/ LD21P) na sexta-feira, dia 14/02 .

Ainda durante a manhã, foi inaugurada uma placa em homenagem à D. Florise Teixeira da Silva Marques, figura icônica de Paquetá, conhecida como a vovó dos garis e musa do Bloco Boto.




sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

De uma ideia à realidade: os novos uniformes da Comlurb e a valorização do trabalhador

A entrega dos novos uniformes da Comlurb, iniciada recentemente, marca o desfecho de uma jornada que começou em 2017, quando pela primeira vez foi levantada a necessidade de uma vestimenta mais adequada ao calor intenso do Rio de Janeiro. Naquele momento, o projeto foi recebido com entusiasmo, mas acabou esbarrando em desafios comuns à administração pública: mudanças de gestão, prioridades concorrentes e a sazonalidade da discussão.

Durante anos, a ideia de um uniforme mais confortável parecia ser redescoberta a cada verão, quando as altas temperaturas tornavam o trabalho dos garis ainda mais extenuante. Porém, assim que o calor dava lugar ao inverno, a discussão esfriava e voltava a ocupar gavetas. A cada novo verão, os colaboradores improvisavam soluções próprias, como mangas compridas por baixo da camisa ou toalhas para amenizar a exposição ao sol. Esse ciclo de adiamentos só foi rompido com a excepcional onda de calor em 2024 e a implementação de novos protocolos climáticos pela prefeitura, que trouxeram urgência à questão.

Após sete anos de estudos e debates, finalmente, o projeto saiu do papel. O novo uniforme, confeccionado em tecido leve e tecnológico, não apenas atende às normas de segurança, mas também proporciona maior conforto térmico. Sua entrega foi celebrada em um evento que simbolizou muito mais do que a distribuição de vestimentas: foi a concretização de um esforço coletivo e a resposta a uma antiga demanda dos trabalhadores.

O presidente Flávio Lopes destacou a importância desse avanço: “Quando conseguimos trazer conforto para os empregados, estamos dando um passo importante na valorização do trabalho que eles realizam todos os dias pela cidade.” A gari Glaucia Santos, uma das primeiras a receber o novo uniforme, resumiu bem o impacto: “O pano é mais leve, perfeito para o calor. Trabalhar na praia vai ser muito mais tranquilo agora.”

Este marco não deve ser visto apenas como uma melhoria prática, mas também como um símbolo de mudança. A longa espera reflete as dificuldades de transformar boas ideias em ações concretas na administração pública. Ao mesmo tempo, mostra como a persistência e o diálogo podem superar barreiras e resultar em benefícios reais para os trabalhadores e, consequentemente, para toda a sociedade.

Assim, os novos uniformes não são apenas uma conquista funcional, mas um lembrete de que o tempo, quando bem aproveitado, pode transformar desafios em avanços significativos. Que essa entrega inspire a continuidade de projetos que valorizem e dignifiquem os profissionais que cuidam de nossa cidade. Afinal, mais do que vestir, é um gesto que reforça a importância de quem a cada dia trabalha para tornar o Rio de Janeiro um lugar melhor para todos.







quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

Inovações operacionais

 A Comlurb, sempre buscando aprimorar seus serviços e a qualidade de vida no Rio, implementou diversas inovações operacionais recentemente. Para conferir de perto essas novidades que facilitam o dia a dia da limpeza urbana e beneficiam a população carioca, assista ao vídeo a seguir! Nele você vai descobrir como a tecnologia e o investimento em novas práticas estão revolucionando a coleta de lixo, a limpeza das ruas e a sustentabilidade na Cidade Maravilhosa.

 

quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

Nova frota e monitoramento avançado reforçam coleta de lixo na Grande Tijuca e Zona Sul

A Comlurb apresentou uma nova frota de veículos para reforçar a coleta de lixo nas regiões da Grande Tijuca e Zona Sul do Rio de Janeiro. Composta por 64 veículos, a frota inclui caminhões compactadores, basculantes, minibasculantes para áreas de difícil acesso, poliguindastes, pipas d’água e um veículo para remoção de recipientes semi-enterrados. Além disso, foram introduzidos 6 mil novos contêineres de grande capacidade, caçambas estacionárias e caixas compactadoras, buscando melhorar o ordenamento e a eficiência da coleta.

Um destaque do projeto é o sistema de monitoramento em tempo real, operado pela Central de Operações da Comlurb, que funciona 24 horas por dia para garantir que os roteiros e horários sejam cumpridos com precisão. Apesar da notícia destacar o avanço tecnológico, vale ressaltar que a Central de Operações e o monitoramento em tempo real já estão em operação há pelo menos uma década, consolidando-se como uma ferramenta indispensável para a gestão eficiente dos resíduos sólidos na cidade.

A apresentação, realizada no Aterro do Flamengo, contou com a presença de autoridades e representantes da Comlurb, reafirmando o compromisso de melhorar as condições de trabalho dos garis e assegurar uma cidade mais limpa e bem cuidada.





quarta-feira, 23 de outubro de 2024

Garis da limpeza externa com o kit da Comlurb





Kit Comlurb sendo entregue

Entre 2015 e 2016, a Diretoria de Serviços Oeste promoveu uma ampla mobilização sobre Segurança do Trabalho, com o objetivo de envolver gestores e empregados na prevenção de acidentes. Empregados contribuíram com premissas inovadoras, como a necessidade de evitar a ideia de que "sempre foi assim", realizar análises de valor dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), incluir a participação ativa dos usuários na escolha de EPIs, e garantir que as especificações considerem proteção, custo e conforto.

Essas premissas geraram sugestões que foram discutidas em 2016, como a substituição do chapéu australiano pelo chapéu legionário, melhorias em uniformes, e novos itens de conforto para garis, como mochila e cantil. Em 2017, algumas mudanças foram implementadas, incluindo o chapéu legionário e um novo tipo de borzeguim. No entanto, o projeto de um uniforme de fibra sintética, que seria benéfico para os trabalhadores em condições climáticas adversas, não avançou.

Agora, em 2024, finalmente estão sendo distribuídas mochilas e garrafas de água para os trabalhadores. A mochila, que é impermeável e ideal para carregar a capa de chuva, deve ficar junto ao corpo, reforçando a orientação de que, segundo a NR38, não é permitido pendurar objetos no contêiner ou no lutocar. A entrega está ocorrendo de forma gradual, e esse é mais um motivo de comemoração para os trabalhadores!

terça-feira, 1 de outubro de 2024

Momento Integridade: Você caiu no phishing!

 A equipe da TI da Comlurb iniciou uma nova ação de conscientização para a difusão de práticas seguras de navegação na internet, uso de e-mails e demais atividades online.

Com o intuito de alertar para os perigos escondidos no nosso dia a dia, vários usuários de nossa rede de computadores receberam um e-mail malicioso que simulava a ação de um hacker praticando phishing.

O phishing é um tipo de ciberataque simples que consiste em clonar um e-mail legítimo que contenha um link ou um anexo e, em seguida, substituir os links ou arquivos por conteúdo malicioso, confundindo o usuário que acredita se tratar do item verdadeiro. Ao clicar no link ou abrir o anexo, o usuário permite que seus sistemas sejam recrutados e o conteúdo malicioso se instale.

Esta é uma iniciativa da TI Comlurb, voltada para a conscientização sobre práticas seguras de navegação na internet, uso de e-mails e outras atividades online. Não se deixe levar pelo medo ou pela curiosidade e não clique em links suspeitos. À segurança das nossas informações depende de todos nós.

Faça a sua parte!

Agora que você já sabe o que é phishing, redobre a atenção quando receber esse tipo de e-mail para não se tornar uma vítima. Não se deixe levar pelo medo ou pela curiosidade e nunca clique em links suspeitos.

A segurança das nossas informações depende de todos nós. Faça a sua parte!




terça-feira, 17 de setembro de 2024

Mochilas e garrafas dágua para os trabalhadores

Entre 2015 e 2016, a Diretoria de Serviços Oeste promoveu uma ampla mobilização sobre Segurança do Trabalho, com o objetivo de envolver gestores e empregados na prevenção de acidentes. Empregados contribuíram com premissas inovadoras, como a necessidade de evitar a ideia de que "sempre foi assim", realizar análises de valor dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), incluir a participação ativa dos usuários na escolha de EPIs, e garantir que as especificações considerem proteção, custo e conforto.

Essas premissas geraram sugestões que foram discutidas em 2016, como a substituição do chapéu australiano pelo chapéu legionário, melhorias em uniformes, e novos itens de conforto para garis, como mochila e cantil. Em 2017, algumas mudanças foram implementadas, incluindo o chapéu legionário e um novo tipo de borzeguim. No entanto, o projeto de um uniforme de fibra sintética, que seria benéfico para os trabalhadores em condições climáticas adversas, não avançou.

Agora, em 2024, finalmente estão sendo distribuídas mochilas e garrafas de água para os trabalhadores. A mochila, que é impermeável e ideal para carregar a capa de chuva, deve ficar junto ao corpo, reforçando a orientação de que, segundo a NR38, não é permitido pendurar objetos no contêiner ou no lutocar. A entrega está ocorrendo de forma gradual, e esse é mais um motivo de comemoração para os trabalhadores!


A gari Denise Alencar celebra a novidade na operação, a distribuição de mochila e garrafas d’água.






sábado, 31 de agosto de 2024

Antes tarde do que nunca

Entre 2015 e 2016, a Diretoria de Serviços Oeste promoveu uma ampla mobilização sobre Segurança do Trabalho, com o objetivo de envolver gestores e empregados na prevenção de acidentes. Empregados contribuíram com premissas inovadoras, como a necessidade de evitar a ideia de que "sempre foi assim", realizar análises de valor dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), incluir a participação ativa dos usuários na escolha de EPIs, e garantir que as especificações considerem proteção, custo e conforto.

Essas premissas geraram sugestões que foram discutidas em 2016, como a substituição do chapéu australiano pelo chapéu legionário, melhorias em uniformes, e novos itens de conforto para garis, como mochila e cantil. Em 2017, algumas mudanças foram implementadas, incluindo o chapéu legionário e um novo tipo de borzeguim. No entanto, o projeto de um uniforme de fibra sintética, que seria benéfico para os trabalhadores em condições climáticas adversas, não avançou.

Agora, em 2024, finalmente estão sendo distribuídas mochilas e garrafas de água para os trabalhadores. A mochila, que é impermeável e ideal para carregar a capa de chuva, deve ficar junto ao corpo, reforçando a orientação de que, segundo a NR38, não é permitido pendurar objetos no contêiner ou no lutocar. A entrega está ocorrendo de forma gradual, e esse é mais um motivo de comemoração para os trabalhadores!



Começa, de forma gradativa, no mês de Setembro a distribuição de “sacochilas” impermeáveis e garrafas de água para os garis. O kit será fornecido aos empregados que trabalham na rua. A ideia é facilitar a hidratação, e garantir conforto ao transportar objetos. Inclusive, a capa de chuva deve ser levada na mochila!

A aquisição atende à NR38 e é resultado de um grupo de trabalho criado em 2023, com a participação de todas as diretorias e com iniciativa da DGG (??????)

Lembramos que, segundo também a NR38, é proibido pendurar objetos no contêiner e no lutocar.

Aos poucos, todas as gerências operacionais vão receber os itens.