A mensagem institucional é bonita e, em parte, justa. A Comlurb de fato protege o meio ambiente todos os dias quando coleta e dá destinação adequada a milhares de toneladas de resíduos, preservando rios, lagoas, praias, áreas verdes e a saúde pública. O problema começa quando esse papel estrutural, que já é próprio da limpeza urbana, passa a ser apresentado como prova suficiente de uma sustentabilidade mais ampla, quase como se a Companhia já tivesse mudado de patamar. É aí que meu ceticismo aparece: sem política pública consistente e sem escala real nas ações anunciadas, a sustentabilidade começa a namorar com o greenwashing.
Não estou dizendo que nada exista. O próprio texto cita iniciativas importantes: coleta seletiva, caminhões movidos a biometano, banco de alimentos, valorização de resíduos e economia circular. Tudo isso aponta na direção correta e seria leviano desprezar. O problema não é a existência das ações, mas sua capacidade de alterar de fato o modelo. Há programas que existem mais para demonstrar sensibilidade ambiental do que para reorganizar estruturalmente a operação. Quando isso acontece, a sustentabilidade deixa de ser eixo e vira vitrine.
O caso da coleta seletiva é o mais emblemático. Ela aparece há anos no discurso institucional como sinal de modernidade, responsabilidade ambiental e inclusão produtiva. Mas o sistema protocolar, sem alavancagem e sem a escala necessária para mudar o padrão dominante de destinação, acaba produzindo um resultado frustrante: a ação existe, mas não desloca o centro de gravidade do modelo. É como se a sustentabilidade fosse convidada a posar para a foto, mas não a participar da decisão estratégica.
O mesmo raciocínio vale para os demais exemplos celebrados. Biometano é avanço, sem dúvida. Banco de alimentos também. Mas ações isoladas, por mais meritórias que sejam, não bastam para autorizar a frase mais ambiciosa do texto: a de que a sustentabilidade estaria “no DNA da Comlurb”. DNA institucional não se prova por enumeração de boas iniciativas; prova-se por escala, centralidade orçamentária, indicadores consistentes e capacidade de alterar a lógica dominante da operação. O próprio comunicado fala em “ampliação de projetos sustentáveis” e em “novas oportunidades de geração de receita associadas à economia circular”. Pois bem: é exatamente aí que o discurso precisará ser cobrado.
No fim, reconheço sem dificuldade que a Comlurb exerce diariamente uma função ambiental essencial. Isso é verdadeiro e merece ser dito. Mas uma coisa é proteger o meio ambiente por força do serviço básico de limpeza urbana; outra, bem diferente, é afirmar que a sustentabilidade já se tornou um vetor transformador da Companhia. Enquanto a coleta seletiva seguir protocolar e as demais iniciativas permanecerem sem escala suficiente para modificar o modelo, continuarei achando que a sustentabilidade existe mais para ser mencionada do que para reorganizar a realidade. E quando o discurso cresce mais rápido do que a mudança, o nome disso costuma ser outro.

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