A operação da frota náutica na Lagoa Rodrigo de Freitas, conhecida como "marinha laranja", levanta questionamentos sobre a eficiência no uso de recursos públicos destinados à limpeza de resíduos sólidos e remoção de vegetação aquática. Apesar das melhorias recentes no ambiente da lagoa, a presença de resíduos flutuantes é rara e, quando ocorre, eles são direcionados pelo vento às margens, onde podem ser coletados de forma manual com eficiência e baixo custo. Nesse contexto, a necessidade de manter embarcações sofisticadas em atividade constante parece carecer de justificativa prática.
A operação de pequenos catamarãs e chatas para a limpeza de resíduos sólidos demonstra um descompasso com a realidade observada. O vídeo mostrando uma embarcação navegando em águas completamente limpas reforça a percepção de que, na maior parte do tempo, a frota desempenha um papel mais simbólico do que funcional. Esse cenário evidencia uma possível alocação inadequada de recursos, especialmente quando soluções mais simples, como equipes terrestres para coleta nas margens, poderiam suprir a demanda com menor investimento.
Já o uso do ceifador para o controle da vegetação aquática, como a Ruppia maritima, tem relevância específica durante o verão, período em que a proliferação é mais intensa devido às condições climáticas. No entanto, fora dessa época, a operação desse equipamento parece desnecessária, contribuindo para um desperdício de recursos que poderiam ser direcionados para outras ações de limpeza ou preservação ambiental.
Embora a remoção de resíduos e a gestão da vegetação aquática sejam componentes essenciais para a manutenção do espelho d'água da lagoa, a estratégia atual da "marinha laranja" requer uma reavaliação. O foco deve estar em ações proporcionais à necessidade real, priorizando intervenções pontuais e econômicas, que garantam a preservação ambiental sem onerar desnecessariamente os cofres públicos. A continuidade de operações que não apresentam impacto concreto apenas reforça a impressão de um recurso subutilizado, comprometendo a percepção pública sobre a gestão responsável da Lagoa Rodrigo de Freitas.
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