Autor(es): Duda Teixeira
Veja - 15/10/2012
O suíço especialista em
recrutamento Egon Zehnder diz que a falta de qualificação dos funcionários
públicos nomeados por padrinhos políticos chega a ser mais danosa do que a
corrupção. Defensor apaixonado da meritocracia, ele critica a proliferação de
cargos de confiança na administração pública brasileira. Nenhuma nomeação de
diretor de estatal ou de autarquia deve ser 100% política.
A escolha errada de um
funcionário de alto escalão traz mais consequências indesejadas em instituições governamentais. Elas têm um papel na
sociedade que vai muito além dos interesses econômicos dos acionistas. Um erro
na nomeação reduz a possibilidade de a empresa estatal ou o órgão público
desenvolver seu papel social e limita a capacidade do país para alcançar seus
objetivos estratégicos.


De modo geral, quanto mais o
conceito de meritocracia está enraizado em uma sociedade, menos provável é que
a população aceite pessoas ineptas para ocupar funções executivas. Meritocracia
é um valor que anda de mãos dadas com os níveis de ensino. Uma
sociedade bem-educada entende mais claramente as consequências desastrosas das
nomeações erradas. Um ministro sem credibilidade em seu campo de atuação ou sem
habilidade para montar uma boa equipe pode paralisar os serviços públicos sob
sua responsabilidade.

As situações de crise extrema são
uma exceção um tecnocrata, ou seja, um economista ou um administrador
qualificado para a gestão pública pode tomar uma série de decisões polêmicas e
urgentes que seriam extremamente difíceis para os políticos tradicionais. Em longo prazo, os tecnocratas
devem ocupar apenas cargos de nível ministerial para baixo.
Singapura, uma cidade-estado com 5 milhões de pessoas, conseguiu
formar alguns dos melhores executivos do mundo. Os fundadores de Singapura
decidiram que, por serem pobres em recursos naturais e terem um mercado interno
restrito, a única saída econômica era investir no talento humano. Então,
enviaram os estudantes mais promissores às melhores universidades no exterior e
por fim os contrataram para trabalhar dentro do governo. Depois de décadas de
decisões acertadas no setor público, Singapura se tornou uma das nações mais competitivas do planeta. Esse
processo disciplinado de formar, selecionar, e reter os melhores talentos na
administração pública levou a uma transformação incrível. Singapura comprovou que a meritocracia no governo tem ótimos resultados. Esse
caminho não foi o escolhido, por exemplo, pela Jamaica. Os dois países deixaram
de ser colônia inglesa ao mesmo tempo, no início dos anos 1960. Eram duas
nações situadas em ilhas subtropicais, igualmente pobres e com populações equivalentes. O que é
a Jamaica hoje? Um país irrelevante.
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