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quinta-feira, 5 de junho de 2025

Comlurb inaugura o Banco de Alimentos na Cidade de Deus para combater a fome e o desperdício

A Comlurb inaugurou, na manhã desse sábado (31/05), o novo Banco de Alimentos da Cidade de Deus. A iniciativa, coordenada pela Comlurb em parceria com a Secretaria Municipal de Assistência Social e a Secretaria Municipal de Coordenação Governamental, conta com o apoio da rede de supermercados Zona Sul, que doa frutas, legumes e verduras fora do padrão estético para venda, mas ainda em perfeito estado nutricional. Os alimentos, que antes eram descartados, agora ganham um novo destino: ajudar a alimentar famílias em situação de vulnerabilidade social e insegurança alimentar.

“É uma alegria estar aqui inaugurando o segundo banco de alimentos da Comlurb, certamente faremos outros. Mais de um ano atrás, esses alimentos eram descartados pelo Zona Sul e hoje alimentamos pelo menos 500 famílias com esse projeto. Isso evita que esses alimentos de tão boa qualidade tenham como destino o aterro sanitário. Eu quero agradecer muito a parceria com o Zona Sul”, enfatizou o presidente da Comlurb, Jorge Arraes.

Durante o evento, Arraes entregou a cesta para Rafaela dos Santos, 35 anos, mãe de dois filhos, um de 14 e o outro de 3, que é atípico. Rafaela está desempregada e disse que a ajuda do Banco de Alimentos é essencial nesse momento.

Participaram da cerimônia de inauguração o vice-prefeito, Eduardo Cavaliere, o presidente da Comlurb, Jorge Arraes, o deputado federal Pedro Paulo, o secretário municipal de Esportes, Guilherme Schleder, o secretário de Coordenação Governamental, Edson Menezes, o secretário de Conservação, Diego Vaz, e todo o corpo gestor da Companhia.

A expectativa é distribuir mais de duas toneladas de alimentos por mês, promovendo a segurança alimentar da comunidade e contribuindo para a construção de uma cidade mais justa, solidária e sustentável. As famílias atendidas nas duas unidades do Banco de Alimentos correspondem a mais de 2 mil pessoas.




domingo, 1 de junho de 2025

Bigbelly: A Lixeira Compactadora Solar Inteligente


O equipamento na imagem é uma lixeira compactadora movida a energia solar da marca Bigbelly. Conhecida como "Corbeille Compactrice à Énergie Solaire" em francês, como indicado na foto tirada em Mônaco, essa tecnologia é amplamente utilizada na Europa e em outras partes do mundo.

Características e Vantagens do Bigbelly:

  • Compactação de Lixo: O principal diferencial do Bigbelly é sua capacidade de compactar o lixo. Isso permite que a lixeira armazene até 5 a 8 vezes mais resíduos do que uma lixeira convencional, reduzindo a frequência de coletas.

  • Energia Solar: Opera com energia solar, o que a torna autossuficiente e ambientalmente amigável, eliminando a necessidade de conexão à rede elétrica.

  • Monitoramento Inteligente: Muitos modelos Bigbelly possuem sensores que monitoram o nível de enchimento e enviam alertas para as equipes de coleta quando estão cheias. Isso otimiza as rotas de coleta, economizando tempo, combustível e recursos.

  • Redução de Odores e Pragas: Por ser um sistema fechado e compactar o lixo, ajuda a conter odores e inibir a presença de pragas, como ratos e insetos.

  • Estética Urbana: Possui um design moderno que se integra bem ao ambiente urbano.

Uso na Europa:

Na Europa, o Bigbelly é bastante difundido em cidades que buscam soluções de gestão de resíduos mais eficientes e sustentáveis. É comum encontrá-lo em centros urbanos, parques, áreas turísticas e calçadões, como em Mônaco, onde a organização e a limpeza são prioridades. Cidades como Londres, Dublin, Amsterdã e diversas outras já implementaram esses sistemas, obtendo benefícios como a redução de custos operacionais e a melhoria da limpeza pública.

Apresentação no Rio de Janeiro e Possíveis Razões para Não Utilização:

É interessante saber que o equipamento Bigbelly já foi apresentado como uma possível solução para o Rio de Janeiro. No entanto, sua não utilização na cidade pode estar relacionada a diversas razões, especialmente considerando o contexto social e econômico do Rio:

  • Custo de Implementação e Manutenção: Embora o Bigbelly traga economia a longo prazo, o investimento inicial para adquirir e instalar um número significativo dessas lixeiras é alto. Além disso, a manutenção especializada pode ser um desafio em termos de recursos e mão de obra.

  • Vandalismo e Furto: Infelizmente, o alto índice de comportamento antissocial no Rio de Janeiro, incluindo vandalismo e furto, é uma preocupação real. Lixeiras sofisticadas e com componentes eletrônicos, como o Bigbelly, poderiam se tornar alvos, resultando em danos, perdas e custos de reparo ou substituição. A durabilidade e resistência do equipamento a atos de vandalismo seriam um fator crítico.

  • Descarte Inadequado e Falta de Cultura: Mesmo com a tecnologia de compactação, a eficácia do Bigbelly depende da colaboração da população no descarte correto do lixo. Em áreas com falta de conscientização sobre o descarte adequado, o sistema poderia ser comprometido por itens que não se compactam bem ou que o danificam.

  • Gestão e Logística Existentes: A transição para um novo sistema de coleta e acondicionamento de lixo exigiria uma reestruturação da logística e das operações de limpeza urbana já existentes, o que pode ser um processo complexo e custoso.

  • Prioridades Orçamentárias: Com as diversas demandas e desafios que o Rio de Janeiro enfrenta, os recursos orçamentários podem ser direcionados para outras áreas consideradas mais urgentes, deixando a modernização da gestão de resíduos em segundo plano, especialmente se o custo-benefício não for percebido como imediato ou prioritário.

Em suma, enquanto o Bigbelly oferece uma solução robusta e inteligente para a gestão de resíduos urbanos, sua implementação em uma cidade como o Rio de Janeiro exigiria uma análise aprofundada dos custos versus benefícios, considerando os desafios específicos relacionados ao comportamento social e à segurança do equipamento.





 

sábado, 31 de maio de 2025

Comlurb participa do Congresso Carioca de Integridade Pública

A Comlurb, por meio da Coordenadoria Geral de Governança (PRE/PCG), marcou presença no Congresso Carioca de Integridade Pública: Os Desafios Contemporâneos da Integridade, Transparência e Proteção de Dados, nessa quarta-feira (28/05), no Museu do Amanhã.

Promovido pela Secretaria Municipal de Integridade e Transparência, o evento reuniu especialistas e autoridades em um dia de debates. Participaram profissionais dos setores público e privado que atuam nas áreas de integridade, compliance, transparência e proteção de dados, além de acadêmicos e estudantes. A programação incluiu mesas de debate e uma palestra magna, com discussões sobre os desafios contemporâneos da administração pública em relação à organização interna dos governos, à participação social, aos impactos das novas tecnologias e à proteção da privacidade em ambiente virtual, à aplicação dos princípios ESG/ASG (Meio Ambiente, Social e Governança) no setor público.




quinta-feira, 15 de maio de 2025

Comlurb 50 anos

 

Nos 50 anos da Comlurb, garis exaltam orgulho com profissão e revelam desafios da rotina

Fundamental na vida dos cariocas, companhia possui mais de 19 mil funcionários e frota com 1.115 veículos


Romulo Cunha

romulo.cunha@odia.com.br

Rio - A Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) completa, nesta quinta-feira (15), 50 anos de fundação. Considerada a maior organização de limpeza da América Latina, a instituição foi criada em 1975, depois da fusão dos Estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, como sucessora da Companhia Estadual de Limpeza Urbana (Celurb). Atualmente, são 19.253 funcionários, sendo 12.839 garis. Em comum, todos carregam o orgulho da profissão. 

Ao DIA, Simone Vieira, de 52 anos, que trabalha na gerência de Bangu, na Zona Oeste, com o serviço de roçada, destaca que, quando era criança, via os garis passando na rua e ficava admirada. Por isso, sempre quis trabalhar na empresa e conquistou a vaga, há 15 anos, após um momento delicado: a perda mãe.

"No momento que mais precisei, eu passei na prova. Tinha perdido a minha mãe, vivia sozinha e precisava trabalhar, queria uma estabilidade. Fiquei muito emocionada e pensei nela porque se ela fosse viva, ia ficar muito feliz. Ela sabia o quanto eu queria isso. O caminhão passava lá em casa e eu corria atrás. Eu já tinha esse carinho. É uma emoção que não tenho nem palavras, é como se tivesse acontecendo tudo agora. Uma felicidade e um amor muito grande pela roupa que eu visto. É uma armadura. Nós somos guerreiros. Encaramos tudo com muito amor e carinho", conta.

Simone concilia o trabalho com a vida de judoca. Atleta do Flamengo, ela já competiu em campeonatos estaduais, nacionais e até disputou o mundial de veteranos pela seleção brasileira, em 2018, no México. Segundo a gari, o serviço de roçada serve como um treinamento para a modalidade. Mesmo no judô, a mulher segue influenciando próximas gerações.

"Tem muita criança que pede para tirar foto. No lado do esporte, tem um menino que veio da Inglaterra e quando viu o caminhão da Comlurb ficou apaixonado. A mãe conversou com a professora, que mostrou a minha foto para ele. Eu mandei fazer uma roupinha de gari. No dia que me conheceu, ele ficou no treino com a roupa de gari. Não quis colocar o kimono. Isso é muito legal e gratificante. Crianças são muito sinceras e você vê que é uma coisa pura. A gente se preocupa com o próximo, não só com a gente", completa.

O gari Valdeci de Boareto, de 56 anos, viveu metade da sua vida trabalhando na companhia: são 28 anos de carreira. Atualmente, dá expediente na Escola Municipal Padre Miguel da Nóbrega, em Ramos, na Zona Norte. Para ele, o trabalho é importante para conscientizar as pessoas sobre o cuidado com o meio ambiente. Boareto, inclusive, escreveu o livro "Comportamento que te salva", que destaca a inteligência emocional, resiliência e empatia adquiridos na vida prática.

"Aprendi tudo isso nas ruas do Rio. Tenho 28 anos de empresa, que pra mim é uma mãe e sabe acolher os filhos, nos protegendo do sol e da chuva. É uma coisa linda que tenho observado nesse tempo. As pessoas precisam se colocar no lugar daquele que faz o trabalho de limpeza urbana. O planeta é a nossa casa e precisamos cuidar, se não estaremos nos matando, nos destruindo. Essa conscientização faz uma grande diferença. Nosso padrão de vida aumenta muito com o nosso serviço. Cada lixo que tiramos, transmitimos saúde para a sociedade. Ser uma pessoa que transmite isso para a população é maravilhoso. Você se sente incluído no mundo. Se não existir esse profissional de limpeza urbana, o povo morre. Os hospitais ficam entupidos. É uma verdadeira pandemia", comenta. 

Valdeci realiza palestras pelo estado, país e até fora do Brasil - o gari já esteve na Universidade Harvard, nos Estados Unidos. "Na época que entrei, pensei que estava no lugar errado porque as pessoas viravam o rosto pra mim. Comecei a perceber que precisamos pegar o sistema e mostrar a realidade. Hoje, estou podendo falar para o mundo todo a importância desse profissional."

Sorriso como referência

O gari mais conhecido da companhia é Renato Luiz Feliciano Lourenço, o Sorriso, de 60 anos. Ele surpreendeu o público ao sambar na Marquês de Sapucaí enquanto trabalhava em 1997. Desde então, virou símbolo do Carnaval e da cidade, apresentando-se no fechamento das Olimpíadas de Londres, em 2012, que abriu espaço para a edição do Brasil em 2016, quando carregou a tocha olímpica.

Sorriso segue sendo referência para outros funcionários, como é o caso de Valdo Luiz Conceição, de 58 anos. O gari viralizou em 2020, durante a pandemia, ao dançar a música Flor de Lis, de Djavan, no Centro do Rio. Desde então, ele leva o trabalho na alegria.

"Após ver o Renato Sorriso dando aquele show na Sapucaí, ele foi um divisor de águas para nós. Não vai existir outro Tim Maia, outro Pelé nem outro Renato. A gente segue os bons e tenho ele como exemplo. Na Rua São José, um anjo me agraciou me filmando quando, sob um sol de 42°C, dançava e bailava ao som de Djavan. Só segui o ritmo da música e repercutiu. Foi um fato inusitado, mas de grande repercussão positiva. É de suma importância ao planeta e agradeço a Deus por fazer parte dessa função. Problemas, todos nós temos, mas tenho que deixar na gaveta. Não descontar em ninguém. Tenho que estar focado nas nossas referências", diz.

Segundo Valdo, a empresa fez com que ele realizasse sonhos. O gari começou sua trajetória na companhia há 23 anos e se tornou um maratonista amador devido a prática na coleta. Todos os dias ele sai de São Gonçalo, na Região Metropolitana, para ir ao Centro do Rio trabalhar e receber o carinho do público.

"Foi através de eu estar ali trabalhando na coleta domiciliar, correndo atrás de caminhão, que fez com que eu amadurecesse e me tornasse um atleta amador. Foi de suma importância porque me deu preparo. Essa empresa me fez realizar sonhos e tudo que eu sou agradeço a ela. A nossa função é manter a cidade limpa para fazer o carioca e os turistas mais felizes. É de suma importância para o meio ambiente. Além disso, o gari conhece todas as ruas e está sempre auxiliando as pessoas. Só tenho orgulho", destaca.

Desafios

Ao fazer 50 anos, o principal desafio da companhia é o combate ao descarte irregular de resíduos e entulhos, que pode formar áreas críticas pela cidade. Em épocas de chuva, os garis são responsáveis por retirar o lixo que entopem ralos e bueiros, causando alagamentos e bolsões d'água. 

Para fazer a limpeza, a empresa é obrigada a utilizar equipamentos que não fazem parte da rotina, o que demanda tempo e consome recursos e pessoal que poderiam ser melhores utilizados. Entre as soluções destacadas, estão a conscientização da população, da implantação de ecopontos e caixas compactadoras nas áreas mais críticas, colocação de jardins em áreas degradadas e trabalho de fiscalização.

Ao DIA, Jorge Arraes, presidente da companhia, revela que há projetos sendo desenvolvidos para o futuro, a curto e médio prazos. Todos eles irão ajudar no combate ao acúmulo de lixo e descarte irregular de entulhos. A ideia é engajar a Comlurb na chamada economia circular, um conceito de sustentabilidade.

"Pensando no lixo como um ativo e algo que tem um valor agregado, o que a gente está trabalhando são projetos de forma objetiva e sustentável. Por exemplo, uma unidade de triagem de lixo orgânico para reaproveitamento, seja para geração de energia ou biometano. Sobre o descarte irregular de entulhos, outro problema grave na cidade, estamos com dois projetos: um é o nosso aterro de inertes, que está em obra em Gericinó para onde a Comlurb pretende direcionar a entrega dos resíduos de construção civil. Além disso, há a ampliação do número de ecopontos. Temos 64 e a ideia é dobrar até o final do ano", explica.

A Comlurb tem sede na Tijuca, na Zona Norte, e conta com mais de 100 unidades operacionais em todos os bairros do Rio. Dos mais de 19 mil funcionários, 1.242 são empregados caracterizados como Pessoas com Deficiências (PCDs). Para Arraes, os garis são a base da empresa.

"Não existe a companhia sem os nossos funcionários. Os garis são o pessoal que está na rua dando resposta imediata nos eventos e no cotidiano. É uma área dedicada, que veste a camisa. Sem eles não adianta nada a gente ter bons projetos e equipamentos modernos. Sem eles não conseguiríamos alcançar e tratar cerca de 8 mil toneladas por dia. Eles são a base da companhia."

Na frota, são 1.115 veículos e equipamentos, sendo 550 veículos pesados, 248 equipamentos como varredeiras de pequeno e médio portes, tratores de comunidade, tratores de limpeza de praia, nove embarcações, 55 veículos para transporte de pessoal, 33 veículos para revitalização de praças e parques e 220 utilitários.

Há milhares de equipamentos manuais e elétricos portáteis, entre eles, roçadeiras, Giro-Zero (para o corte de mato em áreas mais íngremes), robôs roçadores, sopradores, papeleiras para o depósito de pequenos resíduos e diversos portes de contêineres e caixas metálicas.

Serviços

A Companhia promove diversos serviços, entre os quais, coleta domiciliar, coleta seletiva, varrição das ruas, limpeza de praias, praças e parques, coleta nas sete ilhas da Barra da Tijuca, na Zona Oeste, com catamarã, limpeza dos espelhos d´água da Lagoa Rodrigo de Freitas e do Museu do Amanhã, limpeza de encostas com garis alpinistas, limpeza de hospitais e escolas municipais, podas de árvores, controle de vetores, pesquisas gravimétricas do lixo, remoção gratuita de entulho e bens inservíveis, reparo em brinquedos e revitalização de praças, entre outros.

Comlurb 50 anos



 

No Mês do Trabalhador, a Comlurb comemora o Dia do Gari e 50 anos de existência


Jorge Arraes

Maio é o mês do Trabalhador. Por si só isso já seria motivo de comemoração na Comlurb, que conta com uma das categorias mais respeitadas pela população carioca, os garis. Mas temos muito mais a celebrar este mês: hoje, dia 15, a Comlurb completa 50 anos de existência, e amanhã comemoramos o Dia do Gari. Não há como separar a história da maior companhia de limpeza urbana da América Latina da dos garis. A categoria é tão especial que a denominação gari, como são conhecidos os trabalhadores da limpeza urbana Brasil afora, surgiu no Rio. Foi aqui que viveu o francês Pedro Aleixo Gary, na década de 1870, fundador da primeira empresa responsável pela limpeza das ruas da cidade. Os garis estão em toda parte. Faça chuva ou faça sol, estão coletando lixo, varrendo ruas, roçando mato, limpando praias, escolas e hospitais, removendo pichações, fazendo poda de árvores, trabalhando em túneis e, até, atuando como alpinistas, pendurados em cordas limpando encostas de comunidades. Se chover, o trabalho é dobrado. Os garis estarão lá tirando lama, desobstruindo caixas de ralo, removendo galhos de árvores, ajudando a cidade a retomar à normalidade.

E eles fazem isso tão bem que em duas ocasiões amenizaram o sofrimento das vítimas de eventos desse tipo fora da cidade. Em 2011, trabalharam na retirada de escombros e lama em Nova Friburgo, por ocasião das fortes chuvas que atingiram a região serrana do Rio e deixaram um saldo de mais de 900 mortos. Mais recentemente, em 2022, os garis estiveram na cidade de Petrópolis, em dois fins de semana, para ajudar na remoção de resíduos remanescentes do forte temporal que caiu na cidade e deixou mais de 200 mortos.

Nossos garis estão presentes nas ocasiões tristes, mas também nas felizes. É assim todos os anos, depois da festa de Réveillon, em Copacabana, que reúne milhões de pessoas, e quando surgem os primeiros raios de claridade, turistas e cariocas já encontram tudo limpo, graças à rapidez, eficiência e expertise dos garis. No Carnaval, sejanos blocos de rua ou no Sambódromo, a lógica é a mesma.

Desde o primeiro grande evento, a Rio -92, quando os garis realizaram de forma pioneira a separação do lixo reciclável no Riocentro, nada acontece na cidade que não conte com a Comlurb. A Companhia atuou nos Jogos Panamericanos, em 2007, Jogos Mundiais Militares, em 2011, Jornada Mundial da Juventude, em 2013, Copa do Mundo, em 2014, Olimpíadas e Paraolimpíadas, em 2016.

E voltando à magia do mês de maio, os garis atuaram nesse mesmo período do ano passado no show da Madonna, em Copacabana, e este ano no da Lady Gaga, com um planejamento de limpeza que envolveu diretamente mais de 1.600 garis na operação, que só terminou com o raiar do dia, já na manhã do dia 4. Viva os garis e viva os demais empregados, gestores, lideranças eadministrativos, que ajudam a construir essa história emblemática na cidade, com planejamento e suporte para que os garis desenvolvam melhor seu trabalho nas ruas.

Comlurb comemora 50 anos de dedicação à cidade

A Comlurb comemora hoje 50 anos, com uma homenagem aos seus 19 mil funcionários. Um evento no Palácio da Cidade, pela manhã, vai reunir os trabalhadores mais antigos da companhia, que receberão placas comemorativas. A solenidade, também alusiva ao Dia do Gari, celebrado amanhã, dará protagonismo a quem bota a mão na massa: garis apresentarão textos de sua autoria e, até, uma composição musical, o Samba dos 50 Anos.

Para marcar o cinquentenário da maior companhia de limpeza urbana da América Latina, alguns pontos importantes da cidade estão desde ontem ganhando iluminação laranja, marca registrada da empresa. A programação inclui a exposição “Expo Gari 205 - Além da vassoura, a Magia da Arte” – com foco na sustentabilidade –, no Galpão das Artes Urbanas da Comlurb, na Gávea. E, no dia 1º de junho, será realizada a Edição Especial da Corrida e Caminhada Bora Correr - 50 anos, na Praia de Copacabana.

A COMLURB EM NÚMEROS

  • A companhia conta com 19 mil funcionários, dos quais 13 mil são garis;
  • Cerca de 9 mil toneladas de resíduos são removidas das ruas diariamente;
  • Fazem parte da frota 1.115 veículos e equipamentos;
  • Em 2024, foram feitos 172.678 manejos de árvores, incluindo podas e remoção;
  • Foram revitalizados 2.200 parques e praças em 2024 em toda a cidade;
  • Em 2024, mais de 650 mil ralos foram limpos.



quarta-feira, 14 de maio de 2025

Maior empresa de limpeza urbana da América Latina, a Comlurb completa 50 anos

Fundada no dia 15 de maio de 1975, Companhia Municipal de Limpeza Urbana tem prfunda história com a cidade do Rio e com a palavra 'gari'

Por Felipe Lucena -13 de maio de 2025

Foto: Rio Antigo Memórias/ reprodução

Na quinta-feira desta semana, dia 15/05, a Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) completa 50 anos. Criada em 1975, a empresa tem profunda história com a cidade do Rio e com a palavra ‘gari’.

A maior organização de limpeza pública na América Latina resulta da transformação da CELURB – Companhia Estadual de Limpeza Urbana, conforme os termos do decreto-lei Nº 102 – de 15 de maio de 1975, no contexto do fim do estado da Guanabara.

Um outro decreto, bem anterior e imperial, (mais precisamente de 1830) determinava a retirada do lixo das ruas do Rio de Janeiro, o que na época era um grande problema. Quarenta e sete anos depois, um empresário francês entrou em cena.

Aleixo Gary criou a Aleixo Gary e Cia, uma companhia de limpeza que foi contratada para efetuar o serviço de limpeza urbana do Rio de Janeiro em 11 de outubro de 1876. O contrato valeu até 1891. O trabalho da empresa de Gary foi tão considerado que os trabalhadores desta área passaram a ser conhecidos popularmente em todo o Brasil como garis.

“Um ano depois, a empresa foi encerrada, dando lugar à Gestão de Limpeza Pública e Privada da Cidade, que previa uma limpeza pública de qualidade inferior ao da anterior. Tendo crescido acostumado a ver as ruas limpas depois que os cavalos passarem, moradores insatisfeitos continuavam ligando para o ‘Times dos Gary’s’ … e o nome gradualmente alterado para “Gari” e usado, até hoje”, destaca um texto da página Brasil Imperial, no Facebook.

Gari da Comlurb atuando no Sambódromo no Carnaval 2024 – Foto: Comlurb/Divulgação

Em 2015 foi lançado o documentário “Comlurb 40 anos – uma memória da limpeza urbana”, que conta a história das quatro décadas da empresa. O filme traz depoimentos de funcionários de diferentes áreas, de ex-presidentes da empresa e do prefeito Eduardo Paes.

A Companhia faz 50 anos neste dia 15 de maio e no dia seguinte, 16 de maio, é comemorado o Dia do Gari. Muitos motivos para celebrar.



Felipe Lucena

http://malditaid.blogspot.com.br/2018/01/meus-links_31.html

Felipe Lucena é jornalista, roteirista, redator, escritor, cronista. Filho de nordestinos, nasceu e foi criado na Zona Oeste do Rio de Janeiro, em Curicica. Sempre foi (e pretende continuar sendo) um assíduo frequentador das mais diversas regiões da cidade do Rio de Janeiro.

Compostagem de biorresíduos: uma revolução necessária

Os usos são múltiplos: desde abastecimento de frotas da própria coleta urbana ou injeção de gás no sistema gerador de eletricidade

Por Emanuel Alencar 

Desde que os humanos nos organizamos em cidades, a disposição dos resíduos tem sido um grande desafio civilizatório. Em seu essencial livro “Lixo, vanitas e morte: considerações de um observador de resíduos (2003)”, Emílio Maciel Eigenheer descortina a sempre complicada e dura relação de nossa espécie com o “inservível”. O assunto está, pois, prenhe de tabus, interdições e preconceitos – tudo intimamente conectado ao drama humano relativo à morte. Falar de resíduos constrange, inibe. Não queremos versar sobre a finitude. Mas há alguns caminhos que sugerem horizontes possíveis menos danosos ao ambiente e à coletividade. Prática bastante difundida em alguns países europeus – como Alemanha, Áustria, Itália – a recuperação dos biorresíduos (restos de podas de árvores e jardinagem ou de alimentos) precisa ser destravada no Brasil.


O conceito é a redução ao máximo da disposição final do lixo nosso do dia-a-dia em aterros sanitários (medida mais do que urgente quando o assunto é a sustentabilidade), aliada a um ganho de energia. Na Áustria, 40% de todos os resíduos voltam para a terra, em forma de adubo. Há 13 anos a Itália pisa no acelerador em processos de transformação de seus biorresíduos em fertilizantes, biogás e biometano. Portugal desde 2020 tem lei específica que obriga a coleta seletiva dos orgânicos pelos municípios. Os usos são múltiplos: desde abastecimento de frotas da própria coleta urbana ou injeção de gás no sistema gerador de eletricidade. O que seria desperdiçado – num processo gerador de gases do efeito estufa – passa a ser aproveitado. A tal circularidade, tão desejada. Golaço.

Talvez nossa sociedade ainda não esteja pronta para para fazer a separação dos resíduos orgânicos em casa, muito menos para a compostagem doméstica ou comunitária. Vivemos em clima tropical, e o acondicionamento de restos de comida em apartamentos pode enfrentar dificuldades diversas. Nas escolas, a educação ambiental ainda é peça de ficção, ou está muito distante do ideal. Entretanto, nada pode explicar os índices praticamente inexistentes de compostagem em todo o país, a não ser uma extrema letargia de empresas, governos e sociedades.

Metade da geração diária de lixo domiciliar na cidade do Rio (3,5 mil das 7 mil toneladas) é composta de biorresíduos. Na usina do Caju, a Comlurb pratica a compostagem há anos. O problema é que a quantidade é ainda irrisória (150 toneladas por mês, o que representa 0,14% da fração orgânica gerada – o patamar já foi mais alto). São saudáveis e incríveis as iniciativas como a das empresas Ciclo Orgânico e Casca, com assinaturas mensais para quem separar os biorresíudos em baldinhos. Mas apostar na compostagem como política pública é uma revolução necessária. Precisamos começar imediatamente.


Emanuel Alencar

Jornalista e mestre em Engenharia Ambiental. É autor dos livros "Baía de Guanabara - Descaso e Resistência" (2016) e "Histórias do mangue da Guanabara" (2024). Faz parte da ONG Grupo Ação Ecológica (GAE) e do conselho consultivo do Bosque da Barra.

quinta-feira, 8 de maio de 2025

Comlurb apresenta frota de caminhões de coleta na Zona Oeste com marca 50 anos

Veículos estão adesivados com a marca comemorativa dos 50 anos da companhia, que serão celebrados no dia 15 de maio. Ao todo, serão entregues 82 caminhões

A Comlurb apresentou, nesta quarta-feira (7/5), em Campo Grande, mais uma parte da nova frota de caminhões de coleta que vai atender a Zona Oeste. Os veículos estão adesivados com a marca comemorativa dos 50 anos da Companhia, que serão celebrados no próximo dia 15. Foi entregue o primeiro lote de 40 caminhões de um total de 82. Os veículos vão realizar a coleta em Senador Vasconcelos, Santa Cruz, Pedra de Guaratiba, Paciência, Cosmos, Ilha de Guaratiba, Barra de Guaratiba e Urucânia.


Os novos caminhões seguem o padrão dos últimos contratos, com implementos para remoção dos novos contêineres de 1.200 litros que foram instalados próximo a comunidades e em condomínios populares do tipo Minha Casa, Minha Vida. A Zona Oeste já recebeu 2.194 contêineres de 1.200 litros, sendo 1.379 híbridos, mais leves, e 815 metálicos.

terça-feira, 25 de março de 2025

Ecoparque do Caju da Comlurb é destaque em conferência internacional sobre clima

Ecoparque do Caju da Comlurb é destaque em conferência internacional sobre clima

O Banco de Alimentos funciona no antigo refeitório do Ecoparque, que foi totalmente reformado para o projeto - Divulgação

O Ecoparque do Caju, da Comlurb, foi destaque da Conferência Internacional sobre Clima e Ar Limpo 2025, organizada pela ONU. O projeto participou da sessão “Breakthrough Ambitions in Organic Waste”, sendo um modelo de gestão inspirador para outros países. O evento foi realizado em Brasília e contou com diversas autoridades brasileiras e estrangeiras. Os projetos apresentados são exemplos de bom uso de recursos financeiros, de fundos nacionais e internacionais, para a implantação de tecnologias de baixo carbono e alto impacto social.

Dentro do Ecoparque do Caju, a Comlurb promove diversas ações de cunho ecológico, como a operação de uma Unidade de Biometanização, que transforma resíduos orgânicos em biogás e energia elétrica e abastece uma estação de recarga de carros elétricos da companhia. Além disso, no local é realizado um moderno processo de produção e beneficiamento de composto orgânico, insumo que fomenta a Agricultura Urbana no município. O ecoparque também possui um robusto equipamento de Processamento Mecânico de Resíduos de Poda, que produz cavaco de madeira para compostagem e para reaproveitamento energético na indústria cerâmica.

Outra iniciativa de destaque é o Banco de Alimentos, que contribui para a redução do desperdício de alimentos e promoção da segurança alimentar, já que doa o excesso não comercializado em lojas do supermercado Zona Sul, mas em ótimas condições nutricionais de consumo, para famílias em situação de vulnerabilidade social que vivem no bairro do Caju, uma das regiões com menor índice de desenvolvimento humano do Rio.

Os projetos do Ecoparque, apresentados em um stand pelo coordenador de Projetos da Comlurb, Bernardo Ornelas, demonstraram como uma gestão mais sustentável, circular e transversal dos resíduos orgânicos pode ser implementada nos municípios, associando a ação climática à promoção da segurança alimentar, agricultura urbana, geração de energia limpa e melhoria da saúde pública.

O coordenador de Sustentabilidade da Companhia, Marcelo Sicri, também fez uma apresentação na conferência, quando anunciou a adesão do Rio de Janeiro à iniciativa Lowering Organic Whaste Methane (LOW-M), que visa reduzir, em cidades estratégicas, as emissões de metano no setor de resíduos orgânicos. O profissional destacou a Comlurb como protagonista nesta meta, por meio da substituição de parte da frota diesel por caminhões movidos com o biometano produzido no Centro de Tratamento de Resíduos  CTR- Rio, em Seropédica, e também pelo trabalho de compostagem da Companhia, essencial para o desenvolvimento da agricultura urbana e combate à insegurança alimentar.

– Participar de um evento deste porte é muito importante para dar visibilidade às ações da Comlurb, que vão além da limpeza urbana e também porque possibilita atrair investimentos para novos projetos – pontuou.

domingo, 23 de março de 2025

Em dois anos, país aumenta reciclagem de embalagens PET em 14%

Mesmo assim, reciclagem ainda está abaixo do potencial

Bruno Bocchini - repórter da Agência Brasil

Brasília (DF), 24/03/2025 - Centro de reciclagem de garrafa pet. Foto: Edmar Chaperman/Funasa© Edmar Chaperman/Funasa

O Brasil reciclou 410 mil toneladas de embalagens PET em 2024, montante 14% superior às 359 mil toneladas recicladas 2022, segundo a 13ª edição do Censo da Reciclagem do PET no Brasil, divulgado nesta segunda-feira (24) pela Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet).

Apesar do resultado positivo, a entidade ressalvou que a falta de políticas públicas de coleta seletiva dificulta a destinação correta das embalagens descartadas pelos consumidores, o que está gerando ociosidade no setor. 

“As empresas recicladoras chegam a atuar com uma ociosidade média de 23%, chegando a picos de até 40%”,  destaca o presidente da Abipet, Auri Marçon. “Com isso, a indústria de reciclagem do PET está chegando no seu limite, por não ter a matéria-prima necessária para seus processos produtivos, ao mesmo tempo em que toneladas de embalagens são destinadas aos aterros comuns ou descartadas incorretamente no meio ambiente”, acrescenta.

Destino das PETs recicladas

De acordo com o censo, em 2024, o principal destino da resina reciclada das PETs – 37% do total – foi a fabricação de uma nova embalagem, utilizada principalmente pela indústria de água, refrigerantes, energéticos e outras bebidas não alcoólicas. O setor têxtil vem em segundo lugar, com um consumo de 24% da resina reciclada, seguido pela indústria química (13%), lâminas e chapas (13%), e fitas de arquear, utilizadas em empacotamento e fechamento de caixas (10%).

sábado, 15 de março de 2025

Limpeza da praia: Prefeitura do Rio inicia fiscalização em torno de pontos fixos na areia; 'todo mundo suja', dizem barraqueiros

Nova resolução da Comlurb e da Ordem Pública estabelece regras para que ambulantes autorizados a trabalhar na praia conservem área ao redor de seu comércio

Por Lívia Neder — Rio de Janeiro

13/03/2025 14h39  Atualizado há 9 horas

Agentes da Seop em fiscalização aos barraqueiros das parias cariocas — Foto: Divulgação/Seop

Após publicar, na quarta-feira (12), uma resolução conjunta da Comlurb e da Secretaria municipal de Ordem Pública (Seop) estabelecendo as regras para que os ambulantes fixos, com autorização de trabalho em pontos na areia, ajudem a manter a limpeza na sua área de atividade, a Prefeitura do Rio iniciou, nesta quinta-feira, uma operação para fiscalizar o cumprimento da determinação. A medida é válida para toda a orla da cidade. Barraqueiros dizem que o texto altera pouco o que já era previsto em lei, mas questionam, por exemplo se serão responsáveis pelo lixo deixado por não clientes.

De acordo com a Seop, a fiscalização, feita em parceria com a Comlurb, em um primeiro momento, terá um viés educativo. Posteriormente, serão aplicadas multas, em caso de descumprimento das regras. A resolução reforça as normas previstas na Lei 1.876, de 29 de junho de 1992, e no Decreto 29.881, de 18 de setembro de 2008, que estabelecem a obrigação de esses profissionais manterem limpo o trecho de areia ao redor de seu módulo.

Segundo as novas regras, os barraqueiros deverão manter permanentemente limpas e livres de resíduos, incluindo lixo sólido, plásticos, garrafas, embalagens e outros materiais, a área da praia correspondente a um círculo de raio igual à metade da distância dos barraqueiros vizinhos, bem como a parte ocupada por guarda-sóis, cadeiras de praia ou chuveiro de sua responsabilidade. Não havendo módulo vizinho, deve ser considerado um raio de 25 metros.

A realização da limpeza da área deve ser diária, antes da abertura e após o encerramento das atividades. A Comlurb informou que vai disponibilizar para cada um até quatro contêineres de 240 litros. A companhia fará a remoção dos resíduos no final ou no decorrer do dia de atividade. Os barraqueiros também devem fornecer saco plástico descartável para os clientes de suas barracas além de manterem as áreas de circulação desobstruídas e livres de resíduos, preservando a vegetação e o ecossistema natural do entorno.

Em caso de descumprimento, poderá ser aplicada advertência por escrito para a primeira infração. A partir da segunda, o barraqueiro poderá ser multado pela Seop, num valor fixo de R$ 802,53. Já na terceira infração, além da multa prevista, a Ordem Pública poderá adotar sanções como suspensão e/ou cassação da autorização para o exercício da atividade na praia. Os ambulantes devem ainda participar de reuniões de orientação, sempre que convocados pela prefeitura, para tratar de questões ambientais, de limpeza e de outros temas relevantes ao bom funcionamento dos módulos.

Presidente da Associação de Barraqueiros da Zona Sul do Rio, Paulo Juarez avalia que a resolução reforça algo que os profissionais já faziam, mas destaca que é preciso alinhar com a Comlurb e a Seop, em reuniões futuras, até onde vai a responsabilidade dos ambulantes fixos.

— A gente fez uma reunião prévia, há cerca de um mês, com a Comlurb e Seop, que nos procuraram nesse intuito de mantermos a praia limpa. O que foi feito já existe. A obrigação do barraqueiro de manter limpa a área no entorno dele já era prevista em lei. Em qualquer descumprimento à lei, atingindo um número determinado de pontos, o cancelamento da autorização para trabalhar já era possível. Isso não muda muito. O que mais pega para a gente, com relação às multas, é que a praia é um espaço democrático, e o lixo produzido não vem só das barracas, mas de ambulantes e frequentadores. Seremos obrigados a limpar tudo? Mas são coisas que vamos adequando. Vamos ter outras reuniões para ver até onde vai nossa responsabilidade. Vamos ser responsáveis por uma praia que todo mundo suja? — questionou o presidente da associação.

Dono da barraca Só Alegria, que funciona na Praia de Copacabana, próxima ao Copacabana Palace, Felipe Lemos cobra que a fiscalização e aplicação de multas seja para todos.

— O barraqueiro tem que ter responsabilidade sobre seu próprio lixo, o lixo que o cliente consumiu com ele. Isso a grande maioria já faz. O problema é que o lixo no entorno das barracas não é só esse. E quando acaba nosso horário de trabalho e frequentadores sujam a nossa área? O barraqueiro não pode ser responsabilizado por isso. Tem que ter um meio termo. É bom que tenha fiscalização, mas que seja para todos. Que sejam multados todos os que jogam lixo nas praias e nas ruas — avalia.

O presidente da Comlurb, diz que a ideia é unir esforços na preservação da praia.

—Queremos que cada um cumpra com sua responsabilidade na manutenção da limpeza das praias. O desempenho dos barraqueiros é essencial para isso, orientando seus clientes, facilitando o descarte correto e fazendo a limpeza na sua área antes e depois. Nós vamos apoiar com a distribuição de mais contêineres e mantendo a limpeza de excelência que a Comlurb já faz em todas as praias do Rio. Antes de publicarmos a resolução, ainda fizemos reunião com a Associação de Barraqueiros de Praia do Rio para orientá-los. Nossa ideia não é punir, e, sim, unir — diz.

sábado, 15 de fevereiro de 2025

Alteração do Regimento Disciplinar da Comlurb

A portaria “N” Nº 001, de 13 de fevereiro de 2025, alterou a portaria “N” COMLURB Nº 001, de 05 de janeiro de 2023, que institui o Regimento Disciplinar da Comlurb. A emissão dos pareceres necessários para o processo de dispensa por justa causa agora será de responsabilidade da Diretoria Jurídica.

O regulamento tem como objetivo estabelecer parâmetros para aplicação de sanções disciplinares referentes às faltas graves nos moldes do artigo 482 da CLT que possibilitam a rescisão do contrato de trabalho por justa causa.

“Art. 18. A dispensa por justa causa será precedida de processo administrativo onde deve estar incluído parecer da Diretoria Jurídica e anuência do Diretor ou de seu preposto onde o empregado estiver lotado.”



Inauguração das novas instalações da gerência de Paquetá

O isolamento da Ilha de Paquetá traz desafios operacionais que podem ser superados com uma visão de Gestão Integrada dos Resíduos Sólidos rompendo totalmente as fronteiras organizacionais. Paquetá é um microcosmo da Comlurb e ali deveria acontecer tudo que fosse inovador em gestão de resíduos e sustentabilidade! 

Entrega das novas instalações do posto de trabalho da Comlurb na Ilha de Paquetá (DLU/ LD21P) na sexta-feira, dia 14/02 .

Ainda durante a manhã, foi inaugurada uma placa em homenagem à D. Florise Teixeira da Silva Marques, figura icônica de Paquetá, conhecida como a vovó dos garis e musa do Bloco Boto.




sábado, 8 de fevereiro de 2025

Visita Técnica à Bem Verde Ambiental: Um Passo Essencial para a Sustentabilidade no Rio

A recente visita do presidente da Comlurb, Jorge Arraes, à Bem Verde Ambiental destaca a importância fundamental das visitas técnicas. Elas permitem que líderes e equipes conheçam de perto inovações e as melhores práticas, impulsionando a busca por soluções mais eficazes na gestão de resíduos e na construção de uma cidade mais verde.

Bem Verde Ambiental: Inovação e Sustentabilidade em Ação

A Bem Verde Ambiental é um modelo inspirador no cenário da gestão sustentável de resíduos e logística reversa. Como parte do Grupo Urca Energia, a empresa se dedica a transformar resíduos em recursos, combatendo o descarte inadequado e promovendo a economia circular.

Com um centro de tratamento e valorização que emprega tecnologia de ponta, a Bem Verde Ambiental não apenas transforma resíduos urbanos, industriais e comerciais em novos produtos e energia renovável, mas também oferece soluções especializadas para grandes companhias. Isso inclui sua unidade de triagem mecanizada patenteada, sistemas de logística reversa e a oferta de créditos ambientais (carbono, plásticos e logística reversa) para ajudar empresas a atingir suas metas ESG e de sustentabilidade. Além de todo o avanço tecnológico, a parceria com a Fundação Santa Cabrini reforça seu forte compromisso social, mostrando que inovação e responsabilidade podem andar de mãos dadas.

O Futuro da Gestão de Resíduos no Rio

Investir em gestão sustentável de resíduos e logística reversa é crucial para o Rio de Janeiro. No contexto de um volume crescente de resíduos gerados, é imperativo adotar modelos que minimizem o impacto ambiental, promovam a economia circular e gerem valor a partir do que antes era descartado.

A visita da Comlurb à Bem Verde Ambiental é um sinal positivo de que a cidade está atenta a essas necessidades e buscando parcerias e inovações para construir um futuro mais verde e próspero para todos. Reforçando essa busca por soluções, a Comlurb recebeu da Bem Verde Ambiental uma Manifestação de Interesse Privado (MIP) para o desenvolvimento de estudos técnicos, econômico-financeiros e jurídicos. O objetivo é modelar e estruturar um projeto voltado à triagem, valorização e destinação ambientalmente adequada dos resíduos sólidos coletados pela frota da Comlurb. Essa iniciativa destaca o potencial de colaboração entre o setor público e privado para impulsionar a sustentabilidade na gestão de resíduos da cidade.


A notícia:

Na sexta-feira (07/02), o presidente da Comlurb, Jorge Arraes, acompanhado do assessor da presidência, Marcelo Sicri, e dos diretores Ivo Marinho de Barros Junior (DJU) e Pedro Vasconcelos (DAF), visitou a empresa Bem Verde Ambiental, especialista em gestão de resíduos e logística reversa.

O centro de tratamento e valorização da Bem Verde conta com tecnologia de ponta, onde resíduos são transformados em novos produtos e energia renovável. A empresa também tem um importante trabalho social em parceria com a Fundação Santa Cabrini.

O encontro foi uma excelente oportunidade para conhecer novas tecnologias e conversar sobre estratégias, tudo em um ambiente inspirador.





sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

Comlurb alcança nível Aprimorado no Índice de Adequação à LGPD

 Nossa Companhia tem o orgulho de compartilhar que, após avaliação realizada pela Secretaria Municipal de Integridade, Transparência e Proteção de Dados (SMIT), alcançamos a nota 0,8676 no Índice de Avaliação da Adequação dos Órgãos e Entidades do Município do Rio de Janeiro à Lei Geral de Proteção de Dados (IAALGPD). Esta nota nos posiciona no nível Aprimorado do índice, superando a média da Prefeitura, que foi de 0,4395.

Segundo o relatório final, a SMIT destacou que: “A Comlurb possui uma maturidade institucional impressionante, alcançando maturidade aprimorada. Já avançado em aspectos bastante significativos da governança em proteção de dados pessoais e da privacidade”. Este reconhecimento reflete o nosso compromisso com a governança e com a proteção dos dados pessoais, um tema cada vez mais essencial para o nosso tempo.

Agradecemos aos empregados que contribuíram para esse resultado. E reafirmamos o nosso empenho em aprimorar nossas práticas, garantindo segurança e privacidade em todas as nossas operações.

Parabéns, equipe Comlurb!




Prefeitura entrega 64 novos caminhões sustentáveis para a frota da Comlurb na Zona Norte


Publicado em 30/01/2025 

Ação foi antecipada em um mês e completa a previsão de 160 veículos para atender a Zona Norte - Divulgação

A Prefeitura do Rio entregou, nesta quinta-feira (30/1), 64 novos caminhões com tecnologia sustentável à frota da Comlurb na Zona Norte da cidade. A entrega foi antecipada em um mês e, com isso, a companhia de limpeza urbana completa 160 veículos para atuar no atendimento da coleta domiciliar e remoção de lixo público nos bairros da região.


Os novos caminhões seguem a norma de sustentabilidade Euro 6, protocolo que estabelece limites para a emissão de poluentes por veículos a diesel. A frota da Comlurb já segue essa regra desde 2024 com os caminhões emitindo em média 80% menos partículas poluentes em comparação aos anteriores.

– A gente vem fazendo um esforço muito grande de renovação da frota da Comlurb. Estávamos com uma frota antiga na Zona Norte, essa é a segunda parte da região que pega muito dos bairros que fazem fronteira com a Baixada Fluminense, uma área muito importante da cidade. Agora pedimos a colaboração da população porque custa caro e o que paga é o imposto das pessoas. Se tivermos mais civilidade a Prefeitura vai economizar, pelo menos, R$ 300 milhões por ano, um dinheiro que pode ir para a Saúde e para a Educação – afirmou o prefeito Eduardo Paes, durante o evento de apresentação dos novos caminhões no Parque Radical de Deodoro.

A renovação da frota da Comlurb na Zona Norte começou em 12 de janeiro. Agora, a leva de 64 veículos entregues completa o processo. Dos caminhões incorporados à companhia, 21 são compactadores, destinados ao serviço de coleta domiciliar; 20 são basculantes, para remoção de lixo público; 11 são minibasculantes, para operações em áreas de difícil acesso, como ruas estreitas e becos, especialmente em comunidades; sete são poliguindastes, para recolher resíduos de caixas de entulho; e cinco são pipas d´água, para lavagem de logradouros e limpeza de ruas após feiras livres e eventos.

Os veículos serão utilizados nos serviços da Comlurb em Vigário Geral, Honório Gurgel, Engenho da Rainha, Complexo do Alemão, Cordovil, Jardim América, Costa Barros, Pavuna, Fazenda Botafogo, Coelho Neto, Ricardo se Albuquerque, Anchieta, Complexo do Chapadão, entre outros.

Os veículos e equipamentos vão otimizar e dar um melhor ordenamento à coleta, garantindo mais eficiência e qualidade nos serviços da Companhia. Uma vantagem da nova frota é que todos os caminhões, inclusive os menores que trafegam em comunidades, possuem dispositivos para basculamento automático dos contêineres de 1.200 litros, o que torna a remoção do lixo mais rápida e eficiente.

– No início de janeiro entregamos a primeira leva e agora a segunda leva. Estamos entregando hoje veículos diferenciados. É uma frota nova, ambientalmente correta, pois polui cinco vezes menos do que a frota anterior. A eficiência e a produtividade, com certeza, vão aumentar. É uma nova vida de coleta na Zona Norte – disse o presidente da Comlurb, Jorge Arraes.



 

Mais equipamentos para a Zona Norte

Além da nova frota, a Zona Norte vai receber no total quase 8 mil contêineres de 1.200 litros, caixas compactadoras e caixas metálicas para deposição de resíduos. Contêineres e caixas serão instalados principalmente nas comunidades.

A região também recebeu 210 novas roçadeiras de alta tecnologia para o corte de mato e grama na cidade. Além de agilizar e tornar mais eficientes esses serviços, os equipamentos são mais leves, produzem menos ruídos, e contam com dispositivo que ameniza os efeitos dos esforços repetitivos na operação, garantindo mais conforto, saúde e qualidade de vida ao gari. São também mais ambientalmente sustentáveis, consumindo menos combustíveis e emitindo menos gases poluentes.


Reportagem O Dia



domingo, 26 de janeiro de 2025

Paes cobra pessoalmente homem sobre descarte irregular de lixo e entulho na Zona Oeste do Rio

Prefeito esteve em Jacarepaguá, onde mora o rapaz, explicando que seu trabalho estava sendo realizado de forma ilegal; não houve multa

Por Raphael Fernandes 

Veja o video


Eduardo Paes conversando com homem sobre descarte irregular de lixo e entulho no Rio de Janeiro - Foto: Reprodução/Internet

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, publicou um vídeo em suas redes sociais, neste domingo (26/01), cobrando pessoalmente um cidadão sobre descarte irregular de lixo e entulho na cidade.

No vídeo, que é o episódio 2 do quadro ”Civilidade com Dudu”, criado pela Prefeitura para ensinar a população carioca sobre atitudes a serem tomadas respeitando a legislação municipal, Paes vai à casa do homem, na região de Jacarepaguá, Zona Oeste, e informa a ele que seu trabalho de remoção de lixo e entulho está sendo realizado de forma ilegal, uma vez que o descarte ocorre em áreas proibidas para tal. O prefeito destacou que, no site oficial da Comlurb e também pelo número 1746, são informados os locais liberados para o ato.

Segundo Eduardo Paes, a Prefeitura do Rio gasta cerca de R$ 24 milhões por mês para reparar os descartes irregulares na capital fluminense, o que dá quase R$ 300 milhões anuais. Com esse dinheiro, de acordo com o prefeito, seria possível construir 30 escolas ou 60 Clínicas da Família, por exemplo.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

DIRETORIA DE COMPLIANCE - Retrospectiva 2021/2024

A impermanência é um dos princípios mais profundos e belos do budismo. Ela nos ensina que tudo o que existe está em constante transformação e que a verdadeira força reside na nossa capacidade de aceitar o fluxo da vida, adaptando-nos com coragem e serenidade às mudanças inevitáveis. Hoje, com este artigo, nos despedimos da Diretoria de Compliance da Comlurb no formato que ela é hoje, mas não do legado que construímos juntos. 

A DCO foi muito mais do que uma estrutura administrativa ou um conjunto de normativas. Ela foi a manifestação viva do compromisso da Comlurb com a integridade e a transparência. A essência da nossa missão transcende a Diretoria e deve pulsar em cada profissional da Companhia, em cada norma aprimorada, em cada ato de governança responsável. 

Ao longo dos anos, a DCO se tornou um exemplo de como valores sólidos podem guiar ações concretas. Projetos como o fortalecimento da apuração de denúncias, as ações de compliance trabalhista, a interação profissional com os órgãos de controle, o desenvolvimento de sistemas digitais seguros, incluindo a proteção de dados pessoais, as normativas bem redigidas, e os treinamentos realizados para milhares de empregados refletem um trabalho dedicado e inspirador reconhecido pelo diagnóstico de maturidade em integridade pública da Prefeitura.

Como ensina o budismo, o apego a estruturas e títulos pode limitar nossa capacidade de evolução. A DCO, enquanto Diretoria, cede seu espaço para novos formatos e desafios, mas sua essência continua viva. Em cada setor da Comlurb, o aprendizado e as conquistas desta trajetória permanecem como sementes prontas para florescerem sob novas condições.

 Gostaria de relembrar as palavras do filósofo Heráclito: "Tudo flui". Essa é a natureza do tempo e das organizações. O que parecia permanente é, na verdade, uma parte do grande fluxo da transformação. Assim, devemos olhar para esta transição não com pesar, mas com a gratidão de quem reconhece a oportunidade de algo novo emergir. 

Que os ensinamentos de impermanência e desapego guiem nossa caminhada como instituição. Que possamos encarar este momento como uma renovação, acolhendo o futuro com coragem e serenidade. Acredito que o legado da Diretoria de Compliance é um alicerce firme, e cabe a todos nós continuar construindo, com ética e integridade, a história da Comlurb. 

Com profunda gratidão

Gustavo Puppi, Diretor de Compliance 


Panorama DCO 2021 a 2024 by Gustavo Puppi on Scribd



quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

Coleta seletiva: Rio recicla apenas 0,5% do lixo reciclável que produz

Opinião

O discurso de ampliação da coleta seletiva com recursos públicos apresenta fragilidades significativas quando analisado sob o conceito de logística reversa e a ideia de que a reciclagem deve ser financiada e operada prioritariamente pela iniciativa privada. O modelo atual transfere ao setor público a maior parte dos custos operacionais, enquanto as cooperativas lidam com materiais insuficientes ou de baixa qualidade para gerar renda sustentável, agravando a precariedade do sistema.

A reciclagem não é apenas uma questão de coleta seletiva, mas um mercado de commodities com grande potencial econômico. No entanto, ao negligenciar a participação obrigatória de fabricantes e importadores no financiamento e gestão dos resíduos gerados, o sistema atual falha em criar incentivos para a utilização de materiais reciclados pela indústria e para a sustentabilidade de toda a cadeia de valor. A logística reversa propõe a internalização dos custos ambientais pelas empresas, garantindo que a reciclagem seja financiada por quem coloca os produtos no mercado.

A profissionalização dos catadores é fundamental para transformar o sistema. Eles devem ser vistos como parceiros estratégicos da iniciativa privada, integrados a um modelo de negócios em que participem da coleta e triagem como empreendedores e agentes produtivos. Esse modelo elimina a dependência de subsídios governamentais, promovendo maior autonomia financeira e eficiência operacional. Empresas, por sua vez, poderiam contratar cooperativas para executar atividades dentro da cadeia logística reversa, garantindo remuneração justa e estabilidade.

Portanto, expandir a coleta seletiva sem reavaliar sua estrutura perpetua um sistema caro e ineficiente. É essencial que a iniciativa privada assuma seu papel, financiando a reciclagem, enquanto os catadores evoluem para uma posição de parceiros autossuficientes, possibilitando um sistema sustentável, inovador e alinhado às melhores práticas ambientais.


Segundo Comlurb, a quantidade de recicláveis que chega às cooperativas é muito pequena, são apenas 1.500 toneladas por mês. Apesar dos 21 anos de existência da coleta seletiva de recicláveis no Rio de Janeiro, o serviço ainda é invisível para boa parte da população.

Por Anita Prado, André Trigueiro, RJ2

A cidade do Rio de Janeiro recicla apenas 0,5% de todo o lixo misturado que o município envia por mês para o aterro sanitário de Seropédica, Baixada Fluminense. Segundo Comlurb, a quantidade de recicláveis que chega às cooperativas é muito pequena, são apenas 1.500 toneladas por mês.

Apesar dos 21 anos de existência da coleta seletiva de recicláveis no Rio de Janeiro, o serviço ainda é invisível para boa parte da população. O serviço prestado pela Comlurb é alvo de muita desconfiança.

A frota da coleta seletiva da Companhia Comlurb conta com apenas 16 caminhões para a cidade inteira, que circulam com aproximadamente 30% de espaço ocioso.

Os caminhões azuis que fazem a coleta seletiva podem misturar sem problemas papel, papelão, vidro, plásticos e metais. Misturar o chamado lixo seco não causa nenhum prejuízo à reciclagem. Só não pode misturar os recicláveis com o lixo orgânico, que são os restos de comida.

“Mistura todo o reciclável não é misturar tudo orgânico. Então cuidado, pode parecer que a gente vai lá com o caminhão azul e mistura o orgânico e reciclável, não é”, explica Edison San Romã, coordenador da coleta seletiva da Comlurb.



Entretanto, o RJ2 entrevistou muita gente que não acredita que os caminhões da coleta seletiva levem os recicláveis para o lugar certo.

“Acho que colocam tudo e vai para o aterro sanitário, algo do tipo. Se você não sabe para onde vai, porque você vai fazer na sua casa, se no final não vai ser correspondido teu trabalho em casa”, questiona Thiago Roldão.

“Não sei onde deixam tudo separado porque é lixo, é muito lixo”, diz Anete Braga.

“Você acha que eles separam isso tudo? Claro que não! Claro que não separam. Vai tudo para o lixão comum como sempre vai”, conta Frederico Costa.

“Acho que vai tudo para o mesmo lugar, por mais que a gente separe em casa”, diz Mateus Cabral

Para confirmar o caminho que fazem os materiais recicláveis recolhidos pelo caminhão azul, o RJ2 instalou um rastreador em materiais recicláveis coletados numa Rua do Jardim Botânico, Zona Sul do Rio, e acompanhou o deslocamento do caminhão azul sem que a Comlurb soubesse.

O veículo seguiu direto até a Rua Matapi, no Jacaré, Zona Norte do Rio, onde fica uma das cooperativas de catadores que participam do projeto.

“Tem a roteirização de todos esses caminhões, então todos os caminhões saem para um roteiro determinado e, no final, a gente também tem determinado qual é a cooperativa que eles vão levar através de um sistema de monitoramento de todos os caminhões via satélite.

 A quantidade do material reciclável que chega às cooperativas mal dá para garantir a renda dos catadores, dizem os coordenadores das cooperativas.

“O material vem, mas meio vazio. A gente precisa mais rotatividade, mais caminhões dentro da população do Rio de Janeiro para fazer essa coleta seletiva e chegar até mesmo às cooperativas. Falta muita campanha mesmo para fazer essa separação e seleção para que chegue material de fato nas cooperativas”, explica Ana Carla Nistaldo, diretora financeira da cooperativa Coopideal.

Um dos diretores da cooperativa Copam, Luiz Carlos Fernandes, diz que a Comlurb precisa aumentar a frota.

“Acho que a Comlurb precisa aumentar a frota de caminhões porque já tivemos número muito maior de pessoas trabalhando e a gente teve que reduzir devido a quantidade de material que chega. O número de resíduos reduziu bastante”.

“A gente tem que dar nosso jeito para correr atras de material. Falta uma conscientização das pessoas sobre a reciclagem. Muitas pessoas não entendem e acabam jogando o material no rejeito. São muitas bandejas de ovo, que é pet, mas não é reciclável, bandeja de uva, esponja, muita embalagem aluminada por dentro. Nada disso é reciclável e gera uma grande quantidade de rejeito na cooperativa. Fica difícil para a gente que depende desse material”, diz Adilson Farias da Silva, representante da triagem da Copam.

“Aqui somos 22 famílias nesse espaço aqui, que depende desse material para viver. A gente depende que esse material seja separado em casa”, disse Luiz Carlos Fernandes.

A diretora da Coopideal fala sobre os catadores.

“São catadores que vieram do antigo lixão de Gramacho, que hoje estão aqui nessa luta pelejando pra que chegue material na cooperativa, pra que eles possam levar seu sustento pra dentro de casa”.

Sem campanhas públicas de estímulo à reciclagem, os interessados em participar da coleta seletiva têm que procurar informações por conta própria no site da Comlurb, onde há um espaço para saber se a rua onde mora está na rota dos 117 bairros cobertos pelo projeto.

Oficialmente, a Prefeitura do Rio estima que a coleta seletiva garanta a separação de pelo menos 10% dos recicláveis. Mas nem o prefeito acredita nesse número. Eduardo Paes falou sobre isso há menos de um mês. Pela quarta vez prefeito da cidade, Paes ainda não encontrou um caminho para popularizar a coleta seletiva.

“A sensação que a gente tem é de muito mais baixo do que isso. Portanto, acho que a gente tem que querer ousar nisso. Avançar, mas não é aquele padrão, não acho que tenha que ser o padrão. Não vamos conseguir trazer o padrão europeu pra cá. Separação em casa, colaboração da população, a gente vai ter que olhar um pouco para nossa realidade e eventualmente a gente pode disparar esse número”, fala o prefeito do Rio.

O diretor da Comlurb (?), Thales Malta, afirma que a solução está na educação de base.

“A gente não vê isso no dia a dia, não vê propaganda, não vê de certa forma de que isso vai funcionar e vai gerar resultado positivo para a sociedade pra no dia a dia. Se a gente tiver na base das crianças uma educação voltada para isso e de alguma forma. Atingir pais e mais velhos em ter consciência de separar resíduo reciclável, isso leva tempo, até haver mudança de cultura. Mas acho que é caminho fundamental. Trabalhei 16 anos da minha vida dentro do lixão e é um sonho que o Rio realmente de fato, com tantas cooperativas que tem município grande, tenha coleta seletiva de verdade. Que tenha caminhões e mais caminhões chegando nas cooperativas, toneladas de materiais recicláveis, dando sustentabilidade a nós catadores”.

A Comlurb disse ao RJ2 que o serviço de coleta seletiva conta com divulgação constante pra população da cidade em feiras livres, praças e pontos de grande movimentação de pessoas, todos os fins de semana. E que além disso, são realizadas campanhas nas redes sociais.